Pergunta
-----Mensagem
original-----
De: Humberto Chagas [mailto:humberto.chagas@bol.com.br]
Enviada em: domingo, 8 de dezembro de 2002 14:19
Para: sigma@ sigmasociety.com
Cc: sigmaegroup@yahoo.com.br
Assunto: QI x Rating FIDE
Boa
tarde caro amigo Hindemburg Melão Jr. !
Estou
escrevendo para tirar uma antiga dúvida minha mas que só agora
consigo escrever-lhe.
Eu vi em uma parte do site do Sigma falando que existiria uma
relação entre o tamanho do QI de uma pessoa e o rating FIDE.
Havia até umas fórmula que calcularia de acordo com o QI, qual
o rating FIDE que a pessoa teria. Bom, mas logo eu pensei: O
QI não pode ser aumentado, pois é algo que nasce com a pessoa.
Mas o rating FIDE pode ser aumentado. Minha pergunta é: Então,
isto significa que uma pessoa pode durante a vida aumentar seu
QI estudando e se aperfeiçoando ? Ou se a pessoa não pode aumentar
seu QI, quer dizer que a pessoa nunca passará de um certo limite
de pontuação FIDE ?
Eu parei de jogar xadrez profissionalmente em 2000 por entre
vários fatores, isto também, pois eu pensei: Que graça tem então
jogar xadrez se a pessoa precisa ter um QI alto para ser bom
jogador ? Que adianta você treinar a vida inteira se não tiver
um QI alto, então nunca serás campeão mundial ? Isto me desanimou
um pouco, mas não foi o único motivo. Mas agora ando com vontade
de voltar a jogar, e queria tirar esta dúvida, para ver se tive
uma impressão errada ou é isto mesmo. Ficarei muito grato se
puder responder-me mesmo que de forma simples e direta, apenas
dizendo se meu pensamento foi errado ou certo. Muito obrigado
mesmo, isto irá me ajudar e muito ... Desculpe amolá-lo mais
uma vez com minhas dúvidas pessoais ..... Fique com Deus ...
Obs.:
Eu mandei este email para estes dois endereços pois não sabia
em qual você prefere atender.
Humberto
Chagas
Resposta
Caro
amigo Humberto,
É bom ter notícias suas! Espero que esteja bem!
O coeficiente de correlação entre QI e ELO é razoavelmente alto.
De acordo com informação de nosso amigo Eduardo Corrêa, alguns
experimentos apontam algo na faixa de 0,4 a 0,7.
Em primeiro lugar, é importante saber como interpretar o coeficiente
de correlação. O peso e a altura, por exemplo, estão correlacionados;
os logaritmos do peso e da altura se correlacionam melhor, porque
enquanto a altura cresce linearmente, o peso cresce com a terceira
potência. Isso significa que, em média, as pessoas mais
altas são também mais pesadas, mas é claro que existem algumas
pessoas baixas mais pesadas do que outras altas. O fato de o
coeficiente de correlação entre peso e altura ser positivo indica
que se você pegar dois grupos grandes de pessoas, o grupo com
maior altura média provavelmente também terá maior peso médio.
À medida que os grupos forem maiores, também serão maiores as
chances desse prognóstico ser correto. Inversamente, se os grupos
forem pequenos, as chances de “erro” aumentam, até
o ponto que ao considerar indivíduos, as chances de erro se
tornam tão grandes que praticamente não dá para perceber que
o coeficiente de correlação existe (exceto intuitivamente).
O mesmo se aplica no caso de ELO e QI, exceto pela diferença
quantitativa que o coeficiente de correlação entre ELO e QI
é melhor do que entre peso e altura.
Nenhuma
característica de seres materiais macroscópicos permanece inalterada
ao longo do tempo. A altura das pessoas varia do dia para a
noite, mas não numa proporção tão grande quanto o peso. O
ELO varia e o QI também variam, e isso depende de aptidão, treinamento,
conhecimento, disposição, cansaço, sono e outros fatores.
A
altura das pessoas tem um certo limite para o intervalo em que
pode variar (creio que alguns milímetros entre a hora que a
pessoa se levanta e a hora que vai se deitar), e esse intervalo
pode ser alterado com tratamentos hormonais ou até mesmo cirúrgicos.
O mesmo acontece ao peso, com a diferença que o intervalo de
variação do peso é muito maior porque está relacionado
a estruturas mais flexíveis. Uma pessoa geneticamente
propensa ao nanismo não poderá, com a tecnologia atual, chegar
a 2 m de altura, mas certamente ela pode ganhar alguns centímetros.
No caso do QI e do rating, também existem esses intervalos inatos,
e cada pessoa pode trabalhar para chegar aos seus limites.
Boa sorte!
Piu