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Oráculo
Pergunta
---Mensagem original-----
De: israel migdalski [mailto:israel_mig88@yahoo.com]
Enviada em: sábado, 30 de novembro de 2002 18:23
Para: sigma@ sigmasociety.com
Assunto: pergunta-oraculo
Oi Melao,
Gostaria de saber qual e o qi do ser mais inteligente do Brasil,
dos EUA?
Sei que inteligencia e populacao estao relacionados, mas faz alguma
diferenca na pratica?
obrigado,
Israel Migdalski.
Resposta
Olá,
Israel!
Tudo bem?
Mesmo que sua pergunta fosse “quem tem
o QI mais alto dos EUA e do Brasil”, seria difícil responder,
porque existem muitos testes diferentes e não há como comparar os
escores obtidos em escalas diferentes. Mesmo quando os desvio-padrão
são iguais e o coeficiente de correlação é alto, ainda assim os
testes estarão medindo habilidades diferentes e não há como comparar
os escores. O Sigma Teste avalia habilidades que representam bem
a inteligência, talvez melhor que outros testes, mas não representa
tão bem como os problemas da vida real. A diferença principal é
que no Sigma Teste a pessoa tem um conjunto de 36 problemas e não
pode fugir daquilo, enquanto na vida real as pessoas dispõem de
uma vastíssima diversidade de problemas e podem escolher aqueles
com os quais encontram mais afinidade.
Ultimamente eu tenho recebido mais perguntas
para o Oráculo que o habitual, e como estou tentando promover novas
atividades em Sigma, não estou conseguindo administrar o tempo e
responder a todos, mas vou aproveitar essa oportunidade para responder
também a uma pergunta enviada por duas pessoas (Pedro Bessa e João
A. C. Silva), sobre institutos que oferecem prêmios milionários
para quem conseguir resolver determinados problemas. Esse gênero
de concurso não tem muito a ver com inteligência, porque cada problema
cobre um único campo altamente especializado, e alguém que tenha
pesquisado 20 ou 30 anos naquele campo levará uma vantagem enorme
sobre alguém que nunca estudou aquele assunto. Os concursos desse
gênero não são para todos, mas para um pequeno grupo que está bem
familiarizado com aqueles tópicos específicos, e o fato de conhecerem
esses tópicos não significa que sejam mais inteligentes. Um teste
com 36 questões variadas e razoavelmente livres de cultura, reduz
esse problema e pode atingir um público mais numeroso, mas ainda
assim é limitado. O melhor jeito é realmente a pessoa ter completa
liberdade para fazer o que ela bem entender, e depois o trabalho
dessa pessoa ser avaliado por especialistas. É assim com o prêmio
Nobel, com a medalha Fields, com a medalha Bruce etc. Os examinadores
não estipulam como devem ser os trabalhos dos examinados. É justamente
o inverso: é o trabalho dos examinados que determina as especialidades
dos examinadores.
Os testes de QI aplicados em clínica funcionam
bem até o nível 130 ou 140 e os testes sem limite de tempo podem
chegar a medir corretamente até 160 ou 170, com sorte, podem chegar
a medir até 190 sem grandes disparidades. Os testes podem medir
“alguma coisa” acima de 180 e 190, porém não se sabe
exatamente o que é essa “coisa”, e muito provavelmente
essa coisa não é a inteligência. Uma maneira adequada de avaliar
a inteligência acima do nível 170 e 180 é comparando o desempenho
das pessoas dentro de uma determinada especialidade que esteja intrinsecamente
relacionada à inteligente. Mesmo esse método não funciona para todas
as pessoas, porque quando alguém concentra seus esforços num único
campo, e dedica pouco tempo às outras atividades, é natural que
essa pessoa terá mais chances de alcançar excelência em sua especialidade.
Por outro lado, uma pessoa que distribui seu tempo entre meia dúzia
de atividades diferentes, terá menos chances de obter resultados
notáveis em cada uma delas. Esse é um dos motivos pelos quais Da
Vinci, Pascal e Leibniz são considerados fenômenos, pois conseguiram
resultados extraordinários em muitos campos diferentes. O fato deles
conseguirem destaque em mais áreas diferentes não significa que
eram mais inteligentes do que especialistas como Gauss ou Morphy.
Significa apenas que tinham uma inteligência mais versátil.
Também é importante não confundir problemas
trabalhosos com problemas difíceis. Por exemplo: o problema 4 do
Sigma Teste VI é difícil, mas não é trabalhoso. É um problema muito
bom para avaliar a inteligência, mas não pode ser usado isoladamente.
O problema 5 é difícil e também é muito trabalhoso, ele é bom para
avaliar a inteligência, mas também exige dedicação e paciência.
O problema 42 do Titan Test é fácil, mas é muito trabalhoso, é ruim
para avaliar a inteligência, porque algumas pessoas poderiam resolvê-lo,
mas não o fazem porque não querem perder tempo (dezenas ou centenas
de horas) com isso. E os primeiros problemas do Sigma Teste não
são nem difíceis nem trabalhosos, são apropriados para avaliar a
inteligência num nível básico. Aqueles problemas sobre peças que
precisam ser encaixadas para formar figuras, envolvem pouca inteligência
e muita paciência. Alguns levam meses ou até anos para serem resolvidos,
e tudo que a pessoa precisa para resolver é ficar tentando várias
possibilidades e usando alguns critérios básicos para que as tentativas
não sejam completamente fortuitas. O mesmo se aplica às séries de
figuras. Mas alguém que demonstra uma compreensão profunda do espírito
humano, como Dostoiévsky, ou uma compreensão profunda da Natureza,
como Newton, certamente é muito inteligente. E a avaliação é feita
subjetivamente e também objetivamente. Newton foi muito inteligente
porque resolveu muitos problemas que muitas pessoas tentaram, mas
não conseguiram. Além disso, ele foi muito inteligente porque fez
a si mesmo perguntas importantes e soube dar respostas adequadas,
e os problemas que ele investigava envolviam pensamento e imaginação.
É diferente do que acontece à maioria dos outros pesquisadores,
que geralmente apenas aplicam técnicas conhecidas para confirmar
se determinados fenômenos se comportam de acordo com o esperado.
No futuro, provavelmente a inteligência das
pessoas será avaliada fisiologicamente, e então será possível saber
quem é a pessoa mais inteligente do mundo. Mas, por enquanto, o
melhor de que dispomos são testes baseados em perguntas e respostas,
que medem o desempenho intelectual da pessoa, não a inteligência
propriamente dita. Além disso, esses testes falham quando são aplicados
às pessoas muito inteligentes. Algumas pessoas muito inteligentes
exploram essa impossibilidade de determinar com segurança quem é
de fato a pessoa mais perspicaz, e reivindicam para elas próprias
o título. Como as pessoas que reivindicam isso realmente são muito
inteligentes, conseguem boa publicidade e isso acaba institucionalizando
suas reivindicações. Cada pessoa da população geral tem contato
com cerca de 1.000 pessoas, portanto se você pegar uma pessoa aleatória
na rua, provavelmente a pessoa mais inteligente que ela conhece
pessoalmente tem QI na faixa de 146 a 154. Se ela vê na TV alguém
com QI 170 ou 180, demonstrando uma capacidade claramente superior
à da pessoa mais inteligente que ela conhece, não é difícil persuadir
essa pessoa de que a pessoa que está na TV é a mais inteligente
do país, ou do mundo, ou do universo.
Sua pergunta, portanto, não pode ser respondida.
O que podemos fazer é dizer que para uma distribuição gaussiana
com média 100 e desvio-padrão 16, o cut-off de 1/286.000.000 corresponde
a 5,79 desvios-padrão (192,65) e o cut-off de 1/177.000.000 corresponde
a 5,71 desvios-padrão (191,35). Mas isso obviamente não significa
que a pessoa com QI mais alto dos EUA tem exatamente 192 ou 193
de QI, ou que a pessoa mais inteligente do Brasil tem 191 ou 192,
porque naturalmente a pessoa com QI mais alto faz parte de grupos
com populações menores (estado, cidade, bairro etc.) e maiores (continente,
planeta, galáxia etc.), e sobretudo porque a curva teórica é apenas
uma aproximação. Na prática, as crianças e os adultos com QI muito
alto são mais abundantes que o previsto pela teoria. Seria preciso
fazer um longo trabalho estatístico, usando o método que proponho
em http://www.sigmasociety.org/Normas_novo.html, para poder estimar
o QI provável da pessoa mais inteligente do mundo.
Um abraço.
Piu
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