Pergunta
-----Mensagem
original-----
De: gusmonzon@zipmail.com.br [mailto:gusmonzon@zipmail.com.br]
Enviada em: sexta-feira, 30 de agosto de 2002 13:41
Para: melao@sigmasociety.com
Assunto: Inteligência Absoluta, não Relativa
Olá Hindemburg! Um dia desses uma idéia me surgir:
Como os dois testes que você produziu podem "mensurar"
QI's acima do seu!!??? Aliás, qual é seu QI? SE
o seu e o do Petri forem na casa de 180-190(pela escala que
consta no teste), como poderiam formular questões e idéias
de pessoam que alcançem um nível de pemsamento
mais elevado que o de vcs e com isso poder "mensurá-los"???
Quem acerta integralmente o teste, no máximo possui o
nível de capacidade intelectual que vcs possuem, ou não??
SE não, de onde tiraram tais questões?
Com certeza, você consegue perceber o tipo de questionamento
que estou buscando compreender e suas implicações...
Acredito
que o que se chama de inteligência, seja "natural"
ou artificial(computacional) nada tem de inteligente, são
apenas programações provenientes das mais diversas
condições e experiências, e ou adaptações
do tipo tentativa-erro e, dependendo do estímulo que
se recebe se reaje baseado nestas programações,
ou o que pode se chamar de "experiência de vida",
fato este observável em qualquer espécie, incuindo
humanos.
Não
acredito que ISTO seja inteligência, pelo simples fato
que isto nos reduziria a meras máquinas: sendo nossos
corpos, hardwares, nossas mentes, sistemas operacionais e os
vários softwares(programas) seriam as ditas "experiências
de vida" que vamos adquirindo. Então (numa contínua
analogia grosseira) a evolução dos seres seria
meramente o GANHO de capacidade de processamento 386,486,pentium,
pentium II, III, IV...e por aí vai ????!!!! Isso seria
a inteligência?? Me recuso a acreditar. Pois assim o único
ser realmente inteligente, ou melhor, o único SER, seria
a causa primária, ou eja, DEUS.
Claro que
estou sendo leviano e grosseiro em minhas observações,
por se tratar de algo complexo e eu estar especulando com analogias
simples e pouco significativas, mas meu intuito é despertar
a reflexão, não o de estar certo sobre tudo que
digo. Meu intuito é SEMPRE este, e não chamo isso
de humildade, mas bom-censo. :-)
Espero
suas idéias sobre esta questão e nossa possível
discussão(?) sobre elas... Se desejar poderia adaptá-la
e inseri-la no quadro ORÁCULO.
té mais!!... Gustavo M
Resposta
Olá, Gustavo!
Tudo bem?
Quando era mais novo, eu achava que era o mais inteligente e
o mais ágil do mundo. À medida que fui me tornando
mais velho e mais burro, fui percebendo que não é
possível mensurar certas coisas. Por comparação,
é possível ter estimativas aproximadas, baseadas
no desempenho em determinados testes, mas nada melhor que isso.
Eu tentei criar instrumentos de medida que fossem melhores do
que os que eu conhecia, mas não sei se fui bem sucedido.
Hoje eu vejo algumas pessoas mais velhas do que eu dizendo que
são a mais inteligente dos universos, do mundo ou das
Américas. Eu acho que todos essas pessoas têm razão,
e como eu não quero entrar nessa disputa, porque é
muito acirrada e estressante, decidi reivindicar para mim um
título que ninguém ainda reivindicou: o de ter
o QI mais baixo do mundo. Eu já conversei com o Petri
e nós vamos fundar uma sociedade de baixo QI. Para se
associar, basta ter QI acima de 0 e ter feito alguma coisa muito
estúpida, do tipo não saber a pronúncia
correta do próprio nome (como no meu caso) ou errar a
própria data de nascimento (como um amigo, não
sei se ele vai querer que o nome dele seja citado aqui, por
isso não vou dizer por enquanto), ou possuir algum documento
emitido por uma entidade credenciada, atestando um baixo QI,
como no caso de Ossip Bernstein, que tem um documento atestando
que ele é Mestre idiota, reconhecido em cartório
e rubricado pelo campeão mundial Emmanuel Lasker.
Das 10 questões do ST-VI, a primeira foi criada para
o ST e até agora foi resolvida por 5 pessoas, a segunda
foi criada para o ST e até agora foi resolvida por 1
pessoa. A terceira foi criada para o ST-VI e ainda não
teve nenhuma resposta correta. A quarta foi publicada no livro
de George Gamow, e existe desde 1958, mas ninguém resolveu
corretamente (a solução proposta por Gamow e repetida
há quase 50 anos está errada). A quinta existe
há mais de 500 anos e ninguém resolveu corretamente.
Eu acho que se o teste for nivelado com base nisso, podemos
estabelecer com certa segurança que 1 certo > 160,
3 certos > 170 e 5 certos > 185. Daí para a frente,
são extrapolações. Particularmente, eu
acredito que seja mais fácil conseguir 180 no ST do que
no ST-VI. Mas acho que 200 é mais fácil de conseguir
no ST-VI do que no ST. Estou apenas chutando, porque não
dispomos de amostragem que permita confirmar isso. A dificuldade
intrínseca das questões é alta. Das 10
questões, 8 são inéditas. As 2 que não
são inéditas (4 e 5) têm soluções
inéditas, e muitas pessoas inteligentes trabalharam nessas
2 questões durante décadas (na 4) ou séculos
(na 5). Por isso acho que a norma está razoável.
A questão 3 talvez seja trivial para quem trabalha com
matemática discreta em espaços n-dimensionais,
mas já consultei algumas pessoas da área que me
disseram que deve haver no mundo no máximo umas 100 pessoas
que dominem o conhecimento necessário para resolver esse
problema, e as outras 6.336.572.921 pessoas (agora que você
está lendo, já nasceram outras...) terão
que improvisar um método, e isso não será
fácil. Portanto, se o nível de dificuldade dos
problemas do ST-VI não for adequado para discriminar
no nível 190+ ou 200+, eu não sei se existe algum
teste que sirva para isso.
A questão 4 do ST-VI não pode ser resolvida por
nenhuma máquina inteligente, não importa o quão
veloz ela seja nem o quão elaborado seja seu algoritmo.
Quem encontrar a resposta, perceberá o que pretendo dizer.
A questão 1 pode ser facilmente resolvida por uma máquina
que consiga interpretar o enunciado. A 2 pode eu acho que talvez
possa ser resolvida também. A 3 e a 5 com certeza podem
ser resolvidas. As duas últimas não podem. As
outras 3 (6,7,8) eu não tenho certeza, mas acho que podem
resolver desde que sejam velozes e com algoritmos suficientemente
bem elaborados.
Evolução não precisa estar relacionada
à inteligência. Os dinossauros evoluíram
para ter corpos grandes e cérebros pequenos; com isso
se tornaram bem adaptados ao meio e dominaram o planeta. Outros
animais com cérebros maiores que os deles não
podiam competir com eles. Os motivos pelos quais os humanos
sobrepujaram os outros animais são complexos e envolvem
muitos fatores combinados. O cérebro grande e com muitas
sinapses não torna os humanos mais evoluídos que
outros organismos. Nos torna apenas mais inteligentes. Por exemplo:
um cavalo de hoje é mais evoluído (evoluiu durante
mais tempo) que um humano de 10.000a.C., porém o humano
de 10.000a.C. era mais inteligente que o Cavalo de hoje. Os
humanos não constituem o topo de uma pirâmide evolutiva,
mas apenas uma entre as muitas sub-sub-sub...sub-ramificações
de um tronco principal iniciado há cerca de 3 ou 3.5
bilhões de anos. Eu arrisco o palpite de que em algum
momento de nossa história futura evoluiremos para uma
condição imaterial. Não se trata de um
palpite bizarro e místico. Trata-se de reconhecer que
sabemos muito pouco sobre a Natureza. No século XVII,
ninguém levaria a sério a idéia de que
energia e matéria são a mesma coisa, ninguém
pensaria que pode existir uma velocidade limite, ninguém
pensaria que um objeto pode estar em dois lugares ao mesmo tempo.
E provavelmente o pessoal do século XVII tinha razão.
:-) mas hoje a maioria dos pesquisadores ditos sérios
considera que essas coisas acontecem. Eu acho que dispomos de
evidências boas de que energia pode ser transformada em
matéria e vice-versa. Mas ainda não temos evidências
suficientes sobre muitas coisas.
Com relação à inteligência, eu não
vejo motivo para que seja uma qualidade estritamente humana
ou estritamente orgânica. Na minha concepção,
a inteligência consiste na participação
sinérgica dos elementos heurísticos. Grosseiramente,
uma das manifestações da inteligência é
a resolução de problemas, outra manifestação
é a criação mental de estruturas complexas,
a elaboração de textos, a demonstração
de teoremas, a capacidade de aprender e aplicar o conhecimento
adquirido no tratamento de questões novas etc. Sendo
assim, uma máquina que resolve problemas, aprende e cria,
é uma máquina inteligente. Algumas pessoas muito
céticas podem querer mudar a definição
de inteligência sempre que uma máquina
conseguir se enquadrar na definição vigente, e
logo em seguida os cientistas cognitivos vão alcançar
a nova definição com máquinas cada vez
mais sofisticadas, e novamente os céticos vão
mudar a definição de modo a excluir as máquinas
etc. Ao longo desse processo, a inteligência das máquinas
vai se aproximar cada vez mais à definição
idealizada, enquanto a nossa inteligência orgânica
ficará mais ou menos como está, então chegará
a um ponto que os céticos perceberão que as máquinas
atendem melhor ao conceito de inteligência do que os humanos,
e começarão a se perguntar se nós podemos
ser considerados seres inteligentes. :-)
Um abraço
Piu