Pergunta
Em
caráter excepcional, estamos incluindo nessa seção
uma questão proposta em nosso foro:
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-----Mensagem original-----
Sigma Fórum -----
De: Jorge Miguel Ramos Domingues Ferreira Vieira <egrojarieiv@clix.pt>
Assunto: Física-velocidades superiores à da luz
12:31:51 - 16/06/2000
Ouvi recetentemente
que a velocidade da luz tinha sido ultrapassada numa experiência
realizada por alguns cientistas. Gostava que se alguém
me elucidasse um pouco sobre essa experiência (já
que não consegui encontrar nada sobre isso) e sobre as
possiveis consequências que daí adveêm, como
a possibilidade de uma partícula se descolocar para trás
no tempo etc.
Gostava também que me explicassem como é possivel
uma partícula ser acelerada até velocidades superiores
à da luz se para isso, esta tem que ultrapassar esse suposto
limite que segundo Einstein, faria a sua massa crescer ao infinito
e portanto ser necessária uma quantidade infinita de energia
para a fazer acelerar a tal velocidade.
Desde já obrigado
Resposta
1
Olá,
Jorge!
A teoria precisa estar sempre se adaptando aos resultados das
evidências empíricas. A Teoria da Relatividade reza
que um corpo não pode ultrapassar a velocidade da luz no
vácuo, porque isso é necessário para dar
consistência à Teoria. Sem essa premissa, não
é possível descrever os resultados das experiências
de Michaelson e Morley.
A coisa funciona mais ou menos assim: existe um fenômeno
físico observado, e deseja-se criar uma teoria que descreva
tal fenômeno. A teoria procura ser acurada e genérica.
Mas, no fundo, não temos nenhum motivo para acreditar que
a teoria efetivamente descreve todos os aspectos do fenômeno
observado. A teoria é um modelo matemático que tenta
representar, de forma simplificada, o fenômeno real que
observamos, e por meio da teoria podemos fazer previsões
e generalizações, capazes de descrever aproximadamente
o que acontecerá na teoria e projetar isso no mundo real.
Desde que uma teoria nos sirva em alguns casos, isso basta para
que ela seja adotada até que se disponha de outra melhor.
Quanto mais amplas e mais acuradas forem as aplicações
da teoria, tanto maior será sua credibilidade.
No caso da Teoria da Relatividade, algumas experiências
foram sugeridas para conferir sua validade, e em algumas delas
a teoria foi confirmada _ como no caso dos desvios observados
no periélio de Mercúrio, o desvio da luz ao passar
pelas proximidades de corpos massivos, o aumento na massa de partículas
elementares em aceleradores de partículas etc. Em outros
casos, a teoria simplesmente não funciona, como acontece
em Einstein-Podolsky-Rosen e Einstein-Podolsky-Rosen-Bohm.
Estou procurando me manter numa linha de pensamento mais ou menos
séria, sem abordar os táchions e outros
fantasmas, que, em minha opinião, são
vôos muito altos de imaginação, a tal ponto
que se distanciam muito do conhecimento de suporte
de que dispomos, e acabam entrando no mundo da fantasia, bem pouco
consistente de baixo teor científico.
Um detalhe importante: sempre que se fala em velocidade
luz como limite de velocidade, deve-se especificar o meio
de propagação: o vácuo. Em meios densos,
como a água, o vidro e até mesmo o ar, existem partículas
que viajam mais rapidamente que a luz, produzindo um efeito conhecido
como radiação Cherenkov.
Eu desconheço as experiências que você citou,
mas é possível que estejam relacionadas à
descoberta de objetos distantes, cuja velocidade de recessão
pode ultrapassar a da luz. Se for esse o caso, é importante
tomar os cuidados necessários antes de fazer qualquer afirmação,
porque deformidades no espaço-tempo podem produzir efeitos
muito variados _ do tipo lentes-gravitacionais, entre
outros _, e isso pode interferir nos resultados das medições,
pois as velocidades de tais objetos são determinadas com
base no desvio para o vermelho, e as cores dependem do comprimento
de onda, que pode ser alterado por lentes.
Enfim, é isso. Talvez nosso amigo Edinilson possa prestar
um esclarecimento mais detalhado sobre o assunto.
Por minha parte, eu espero que a velocidade da luz realmente possa
ser ultrapassada, porque assim a minha posição sobre
a inexistência de corpos rígidos terá um ponto
a favor. :-)
Um grande abraço!
Piu
Resposta
2
Ola.
Existem medidas feitas de QSOs (Quasares) distantes e de lentes
gravitacionais a qual sugerem medidas acima da velocidade da luz
"c", ditas velocidades superluminais, jatos astrofisicos,
como por exemplo, jatos que saem de estrelas binarias de Rios-X,
ou mesmo de nucleo de galaxias ativas "AGNs", sao jatos
superluninais, ou seja acima da velocidade da luz.
No entanto sabe-se que isto nao passa de efeito de perspectiva,
ou seja, pura ilusao otica, pois nao e' possivel ultrapassar a
velocidade da Luz "c", isto e'por enquanto uma impossibilidade
fisica. Nenhum experimento tanto de laboratorio quanto Real no
Universo mediu uma velocidade "Real" maior que "c".
Lembremos que o efeito Cherenkov e' para velocidades que nao estao
no Vacuo, ou seja, sempre menor que "c". O efeito Cherenkov
diz que a velocidade ultrapassa a velocidade da "luz"
em um determinado meio, so que a velocidade da luz aqui e' em
um meio diferente do vacuo, ou seja, neste meio a velocidade da
luz e' menor que "c" absoluto. Por exemplo, se em um
meio (nao o vacuo) a maxima velocidade da luz e' por exemplo 250.000
km/s entao pode acontecer um tunelamento e a velocidade ir a 260.000
km/s, porem esta velocidade que e' maior do que a da luz naquele
meio, esta longe de ser maior do que a velocidade da luz no vacuo
que e' de aproximadamente 299.792 km/s.
Porem e' possivel viajar , pelos menos na teoria acima da velocidade
da luz... como isto pode ser possivel? Viagem no Tempo e' possivel?
Na teoria da relatividade geral de Einstein, o tempo se acelera
e desacerela quando passa por corpos massivos, como estrelas e
galáxias. Um segundo na Terra não é um segundo
em Marte. Relógios espalhados pelo Universo se movem com
velocidades diferentes.
Em 1935, Einstein e Nathan Rosen (1909-1995) deduziram que as
soluções das equações da relatividade
geral permitiam a existência de pontes, originalmente chamadas
de pontes de Einstein-Rosen, mas agora chamadas de redemoinhos
. Estas pontes unem regiões do espaço-tempo distantes.
Viajando pela ponte, pode-se mover mais rápido do que a
luz viajando pelo espaço-tempo normal, olhe aqui que estou
falando de um atalho, a ponte.
Antes da morte de Einstein, o matemático Kurt Gödel
(1906-1978), trabalhando na Universidade de Princeton, como Einstein,
encontrou uma solução para as equações
da relatividade geral que permitem a viagem no tempo. Esta solução
mostrava que o tempo poderia ser distorcido por rotação
do Universo, gerando redemoinhos que permitiam que alguém,
movendo-se na direção da rotação,
chega-se ao mesmo ponto no espaço, mas atrás no
tempo. Einstein concluiu que como o Universo não está
em rotação, a solução de Gödel
não se aplicava.
Em 1963, o matemático Roy Patrick Kerr (1934-), da Nova
Zelândia, encontrou uma solução das equações
de Einstein para um buraco negro em rotação. Nesta
solução, o buraco negro não colapsa para
um ponto, ou singularidade, como previsto pelas equações
para um buraco negro não rotante, mas sim em um anel de
nêutrons em rotação. Neste anel, a força
centrífuga previne o colapso gravitacional. Este anel é
um wormhole que conecta não somente regiões do espaço,
mas também regiões do tempo, e poderia ser usado
como máquina do tempo. A maior dificuldade á a energia:
uma máquina do tempo necessita de uma quantidade fabulosa
de energia. Seria preciso usar-se a energia nuclear de uma estrela,
ou antimatéria. O segundo problema é de estabilidade.
Um buraco negro em rotação pode ser instável,
se acreta massa. Efeitos quânticos também podem acumular-se
e destruir o redemoinho. Portanto, embora possível, uma
viagem no tempo não é praticável.
Ednilson