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Duas fotos da simultânea às cegas a 10 tabuleiros, realizada
no salão de festas do Centro do Professorado Paulista, em 27 de
setembro de 1998. À esquerda em primeiro plano, o simultanista Hindemburg
Melão Jr.. À esquerda ao fundo e à direita, os 10
participantes.
Tomaram parte nesse evento representantes do Clube de Xadrez Epistolar
Brasileiro (CXEB), do Grêmio de Xadrez Belém, do Instituto
Tecnológico da Aeronáutica (ITA), da Universidade de São
Paulo (USP) e do Centro Cultural São Paulo.
O evento teve duração de 7:40h e terminou empatado, com o
escore 5 x 5. O rating médio dos simultaneados foi 2022,5. O jogador
do tabuleiro 1 tinha na ocasião 2165 de rating FPX. Clique
aqui para ver essa partida comentada com animação java
e duas outras partidas selecionadas.
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Glossário Coordenadores Projeto 2002 - Recorde Brasileiro / Projeto 2003-2004 - Recorde Mundial update 20.03.02 O que é Xadrez às cegas? O que diz a Ciência sobre o jogo às cegas? O que dizem os grandes intelectuais sobre o jogo às cegas? Recorde mundial de mate anunciado - 1997 Simultânea às cegas do CPP - 1998 Resumo Histórico sobre o jogo às cegas update 20.03.02 Celebridades que se interessam por Xadrez update 19.03.02 Quem é quem? - atual recordista: Hélder Câmara - aspirante ao recorde: Hindemburg Melão Jr. Partidas comentadas de simultâneas às cegas realizadas no CPP e CCSP Partidas comentadas de simultâneas às cegas de Najdorf, Morphy, Blackburne, Huebner, Kasparov, Movsesian, Shirov, Kortschnoj e Karpov |
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Em 2002 realizaremos um circuito de simultâneas às cegas
que culminará com a quebra do recorde nacional nessa modalidade.
Ao longo do ano, serão disputadas 4 etapas oficiais (com 4,
6, 8 e 10 tabuleiros) e várias etapas intermediárias
(de treinamento).
A etapa final será com 16 tabuleiros e terá o status de recorde brasileiro. Além de ser o recorde brasileiro, será uma das 10 maiores simultâneas às cegas realizadas no mundo nos últimos 50 anos e uma das 30 maiores de todos os tempos.
As etapas preliminares serão realizadas em universidades, shopping
centers, clubes, colégios, centros culturais, parques etc.
A etapa final será no salão para convenções
de um dos maiores hotéis do Brasil e serão convidados embaixadores,
atores, compositores, cantores, escritores, estadistas, legisladores, administradores,
atletas e outras
personalidades que se interessam por Xadrez, sendo que dos 16 tabuleiros,
8 vagas serão destinadas às celebridades convidadas, 4 vagas
serão abertas a qualquer pessoa que tenha interesse em se inscrever
(haverá uma taxa) e 4 vagas ficarão a critério do
patrocinador, que pode preenchê-las por indicação,
por sorteio ou distribuí-las como melhor lhe aprouver. Para 2003-2004 temos um projeto mais ambicioso, cuja etapa principal será uma tentativa de quebrar o recorde mundial. No ‘Moderno Dicionário de Xadrez’, do Dr. Byrne J. Horton _ Ph.D. em Filosofia e consagrado enxadrista norte-americano, podemos encontrar a seguinte definição:
O que diz a Ciência sobre o jogo às cegas? O psicólogo francês Alfred Binet tornou-se mundialmente famoso por ter criado os testes de inteligência que posteriormente deram origem aos testes de QI. Em fevereiro de 1891, depois de assistir a uma exibição de simultâneas às cegas, realizada em Paris _ mais precisamente no Café de La Régénce _, Binet ficou tão impressionado que decidiu realizar um estudo minucioso a esse respeito. Depois de cerca de dois anos e meio de trabalho, em junho de 1893, Binet publicou um artigo em que resumia suas impressões sobre o jogo às cegas. Ao longo desses 28 meses, Binet entrevistou dezenas de grandes jogadores, como o aspirante ao título mundial Siegbert Tarrasch e o ex-recordista mundial de simultâneas às cegas Joseph Henry Blackburne. Muitos desses enxadristas chegaram a prestar extensos depoimentos no laboratório de Sorbone, em que descreveram pormenorizadamente o processo de visualização, de memorização, de cálculo etc. Isso permitiu a Binet reunir um vasto material sobre o assunto, a partir do qual pode compreender muitos aspectos sobre a mente do jogador às cegas em particular e a mente humana de modo geral.
Entre outras coisas, Binet constatou que praticamente todo jogador de primeira
categoria consegue jogar uma ou mais partidas às cegas (a exceção
mais curiosa parece ser o caso do ex-campeão mundial Dr. Max Euwe,
que se dizia incapaz de jogar uma partida às cegas).
Verificou-se também que a força de jogo não é
necessariamente proporcional à capacidade de jogar um grande número
de partidas às cegas. Por outro lado, em se tratando da força
de jogo tático e combinativo, a correlação parece
ser muito boa: quanto maior o número de partidas às cegas
que um jogador é capaz de conduzir simultaneamente, tanto maior
é sua força no jogo de combinação.
Binet, Taine e outros pesquisadores do assunto, chegaram à conclusão
de que para jogar às cegas _ sobretudo para jogar um número
elevado de simultâneas às cegas _, era imprescindível
possuir uma excelente memória, muita imaginação, um
profundo conhecimento de Xadrez, boa concentração e uma prodigiosa
capacidade de abstração. Além disso, o vigor físico
e diversas outras faculdades mentais são de grande importância.
Sobre o vigor físico, se faz notar sua necessidade principalmente
nas simultâneas às cegas de grandes proporções
_ contra 6 ou mais oponentes _, em que o simultanista permanece 5, 6 ou
até 20 horas seguidas numa posição quase fixa, muitas
vezes com a musculatura tensa. Em seu artigo, Binet expressa muito bem que durante uma simultânea às cegas não basta memorizar todos os lances de todas as partidas, o que não exigiria muito mais do que memorizar um número com 800 ou 1000 algarismos. Para jogar uma simultânea às cegas é necessário memorizar cada um dos diagramas que se sucedem no decorrer das partidas, pois a avaliação e o cálculo não são possíveis tomando-se por base unicamente a notação dos lances; é preciso “enxergar” os diagramas, com o tabuleiro e todas as peças (não necessariamente num quadriculado, mas é preciso saber todos os pormenores sobre como as peças estão interagindo). Isso corresponderia a memorizar um número com 10.000 ou 15.000 algarismos. É importante ter em mente que essa estimativa está considerando apenas os lances efetivamente executados, sem levar em conta as variantes e sub-variantes que afloram e desaparecem na mente do simultanista durante as partidas, muitas das quais permanecem na memória até algumas semanas depois de concluída a exibição, mas não aparecem concretamente e por isso quase poderiam deixar de serem computadas nesse cálculo. Sob esse ponto de vista, pode-se dizer que jogar uma simultânea às cegas contra 8 ou 10 oponentes equivale a memorizar um número com cerca de 1.000.000 ou 2.000.000 algarismos.
Mas essa não é uma comparação fiel, já
que os números aleatórios são mais difíceis
de serem retidos na memória do que os lances e diagramas de Xadrez.
Uma analogia mais próxima seria o equivalente a aprender idiomas.
Uma simultânea às cegas como a de Najdorf, jogada em 1947,
foi equivalente a aprender três idiomas inteiros e fluentes em um
só dia! Isso proporciona uma idéia mais próxima do
real grau de dificuldade, pois aprender idiomas, do mesmo modo que jogar
às cegas, é mais fácil que memorizar números
aleatórios. Convém esclarecer que jogar às cegas e
aprender idiomas envolvem habilidades distintas, portanto se uma pessoa
aprende um idioma em um dia, não significa que será capaz
de jogar 15 simultâneas às cegas, do mesmo modo que uma pessoa
que joga 15 simultâneas às cegas não será necessariamente
capaz de aprender um idioma em um dia.
Aprender três idiomas num dia ou jogar 45 simultâneas às
cegas é mais fácil que memorizar 12.000.000 de algarismos
aleatórios, mesmo assim, é indiscutível que essas
três realizações constituem proezas extraordinárias
e situam-se no limiar da capacidade humana. Prova disso é que já
se considera extraordinário jogar uma partida às cegas, aprender
um idioma fluente em um mês ou memorizar um número de 1.000
algarismos aleatórios, e apenas três pessoas na história
da humanidade (Miguel Najdorf, George Koltanowski e Janos Flesh) foram
capazes de jogar 45 ou mais simultâneas às cegas, somente
uma pessoa teve a capacidade de aprender um idioma em um dia (William James
Sidis) e somente uma pessoa foi capaz de memorizar mais de 40.000 algarismos
aleatórios (Hiroyuki Goto).
Na Europa do século XVIII, período em que se começava
a fomentar as idéias que culminariam com a Revolução
Francesa, viveu um dos maiores gênios de todos os tempos: François
André Danican Philidor. Philidor nasceu em 7 de setembro
de 1726, em Dreux, na França. Foi um menino prodígio
que se destacou na Música e no Xadrez. Quando adulto, tornou-se
um dos maiores compositores da França e o maior jogador de
Xadrez do século XVIII. Na música foi elogiado por Mozart
e outras autoridades de grande envergadura. No Xadrez era ele próprio
a maior autoridade do mundo.
Philidor foi a primeira pessoa a jogar uma simultânea de Xadrez às
cegas perante um público consideravelmente numeroso, sob condições
controladas e cujos resultados foram devidamente registrados.
Sua primeira apresentação aconteceu em 1746, no Old
Slaughter’s Coffee, em Londres. Desde então, até
o fim de sua vida, fez exibições por toda a Europa, mantendo
o pleno vigor de suas faculdades mentais até os 69 anos de idade.
Entre os que assistiam às suas simultâneas ‘sans voir’,
havia renomadas personalidades das ciências e das artes, inclusive
grandes celebridades históricas, como Voltaire, Robespierre, Rousseau,
Diderot, D’Alembert, Conde Brühl e vários outros membros da
nobreza, vários estadistas, cientistas e artistas (possivelmente
Franklin e Napoleão, que eram freqüentadores do Café
de La Régénce, também assistiram e participaram
de simultâneas às cegas com Philidor).
As proezas de Philidor causaram tão grande impressão aos
eruditos europeus, que chegaram ser incluídas na famosa Encyclopédie
de Diderot e D’Alembert, no verbete relativo ao Xadrez, onde o jogo às
cegas foi considerado “Uma das
mais fenomenais manifestações da mente humana.”
Philidor também foi citado em jornais de toda a Europa. O periódico
inglês World (de 28 de maio de 1783), depois de relatar uma de suas
apresentações às cegas, finalizou com os seguintes
dizeres: “O ato de Philidor
deverá manter-se para sempre nos compêndios históricos,
como um dos melhores exemplos de até que ponto pode chegar a mente
humana.”
Um cronista que presenciou uma das simultâneas de Philidor, não
conteve sua admiração e declarou que assistira a algo que
bem podia ser qualificado como “um
milagre”.
E prosseguiu afirmando que tal proeza situava-se no limiar da capacidade
humana, e que seria “impossível” a um ser humano jogar muito mais
que 2 simultâneas às cegas.
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Duas fotos da simultânea às cegas a 9 tabuleiros, realizada
no Clube de Xadrez São Paulo, em 2 de março de 1997. À
direita, em primeiro plano, o simultanista Hindemburg Melão Jr..
À direita ao fundo, um dos participantes, à esquerda, todos
os 9 participantes.
Nesse evento foi estabelecido o novo recorde mundial de mate anunciado
mais longo em simultâneas às cegas e essas duas fotos foram
publicadas no Guinness Book of Records, edição 1998, páginas
110-111.
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