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Na Europa Ocidental o zero só começou a ser adotado a partir do século XIII, mais precisamente no ano 1202, depois que Leonardo Fibonacci publicou seu Liber Abaci, comentando as vantagens de usar os algarimos indo-arábicos, em lugar dos tradicionais algarismos romanos. Na época em que Cristo nasceu, cerca de 746 a 749 da Fundação de Roma (entre 7a.C. a 4a.C.), utilizava-se o sistema romano de numeração, por isso é que depois de 1a.C. vem 1d.C., sem que haja um ano “0” intermediário. Desse modo, o século I teve início no ano 1 da Era Cristã. O mesmo se aplica no Primeiro Milênio, que também teve início no ano 1d.C. Por extensão, o século II começa em 101d.C. e assim sucessivamente. Disso decorre que o Terceiro Milênio começará às 0:00h do dia 1 de janeiro do ano 2001. Os comentários sobre a data do nascimento de Jesus suscitam uma nova questão: se nosso tempo é contado a partir do nascimento de Cristo, como é possível Jesus ter nascido antes do ano 1d.C.? A resposta é que não se sabe ao certo qual a data em que Jesus nasceu. Houve uma conjunção entre os planetas Júpiter e Saturno, no ano 7a.C., e alguns acreditam que a luminosidade intensa resultante dessa configuração planetária tenha sido a ‘Estrela de Belém’. Mas creio que sejam desprovidas de sentido as investigações sobre um possível fenômeno astronômico ou meteorológico que possa ter sido registrado como ‘Estrela de Belém’. Se fosse um cometa cuja órbita tivéssemos registros, e se o período orbital desse cometa fosse inferior a 2000 anos, então nós já o teríamos identificado. E mesmo que fosse um cometa de órbita hiperbólica ou parabólica (que só se aproxima ao Sol uma vez), ou com órbita elíptica e período maior que 2000 anos, isso também não ofereceria uma explicação satisfatória, porque não seria possível explicar o deslocamento angular desse astro, que, pela descrição bíblica, sugere uma velocidade que estaria em completo desacordo tanto com a gravitação clássica como com a relativística. Um meteoro também não explica o caso, porque esses objetos só permanecem visíveis durante poucos segundos. A conjunção planetária, que já foi citada na época de Kepler, entre Júpiter e Saturno, também não teria o movimento angular necessário, e a luminosidade seria muito inferior à de Vênus, portanto muito menor do que a luminosidade atribuída à ‘Estrela de Belém’. Se pensássemos num fenômeno atmosférico, rapidamente poderíamos descartar também essa possibilidade, porque dificilmente algo dessa natureza teria durado tempo suficiente para que se sucedessem os episódios descritos na Bíblia. Se fosse uma Nova ou Supernova (estrelas que explodem), ou qualquer outro fenômeno astronômico, seria de se esperar que observadores de regiões vizinhas tivessem registrado esse acontecimento, tal como foram registrados muitos outros de menor vulto. Porém, não há referência alguma sobre um objeto celeste que tenha chamado a atenção na primeira década que precedeu o nascimento de Cristo. O mais provável é que haja alguma interpretação figurativa para isso, do mesmo modo que para o Grande Dilúvio, a abertura do Mar Vermelho, o Maná etc. Sob o ponto de vista histórico, o que se pode assegurar é que Jesus não nasceu depois do ano 4a.C, porque existem documentos fiáveis e datados com acurácia sobre o rei Herodes, assinalando que sua morte ocorreu no ano 749 da fundação de Roma, que corresponde a 4a.C. Foi Herodes quem ordenou a matança das crianças, logo depois do nascimento de Jesus, portanto ele precisava estar vivo na época em que nasceu Jesus. A comemoração do Natal no dia 25 de dezembro também é uma convenção, porque não se sabe em que época do ano Jesus nasceu. Num trecho da Bíblia consta que havia ovelhas pastando no dia de seu nascimento, mas no mês de dezembro a vegetação costuma (e costumava também naquela época) estar coberta por neve nas altas latitudes do hemisfério norte, inclusive na Galiléia. Teólogos e historiadores situam seu nascimento num período compreendido entre março e maio, mas há também quem calcule datas no mês de setembro. Em todos os casos, é consenso geral que Jesus não nasceu no mês de dezembro. O ano 2000 tem uma particularidade interessante, que merece um comentário adicional, porque nos últimos 400 anos será o único ano bissexto terminano em “00”. Isso acontece porque nosso calendário vigente, o Gregoriano, tem duração de 365,2425 dias, e é organizado de tal forma que a cada 4 anos de 365 dias, 1 é bissexto (366 dias), exceto os anos terminados em “00”, que só são bissextos se os dois primeiros algarismos (20, nesse caso) forem divisíveis por 4 sem deixar resto. Por isso é que os anos 1900, 1800 e 1700 não foram bissextos (porque 17, 18, 19 não são divisíveis por 4). Novamente somos remetidos a uma nova questão: por que o ano tem 365,2425 dias, em vez de simplesmente 365? Bom, vamos deixar isso para nosso próximo artigo. ;-)
São Paulo, 31 de dezembro de 1999 |
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