Oráculo
 
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Essa seção tem por finalidade promover a integração entre membros e visitantes. Através dela os visitantes podem enviar perguntas sobre qualquer assunto. As perguntas selecionadas serão publicadas juntamente com o nome e o e-mail do autor.

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As perguntas estão sempre em fonte Times New Roman, tamanho 12, cor preta e as respostas em fonte Arial Narrow, tamanho 10, cor azul. Quando mais de uma pessoa participa da resposta, a segunda resposta é apresentada em cor verde.
  
42 - QI da humanidade inteira numa só pessoa 11/11/2003
41 - A maçã e a Lua
21/01/2003
40 - Xadrez e QI - parte 2 08/12/2002
39 - Inteligência e QI 08/12/2002
38 - Fim do mundo? 28/11/2002
37 - Gauss e paranormalidade? 13/09/2002
36 - O teto do Sigma Teste VI é superestimado? 30/08/2002
35 - Xadrez e QI - parte 1 18/08/2002   
34 - Quem vota em quem? 15/08/2002   
33 - Problema de Lógica 14/08/2002   
32 - Ambiente x Genética 13/08/2002   
31 - Como chegar a zero Kelvin? 13/08/2002   
30 - Karatê Kid ou Tartaruga Ninja? 07/08/2002  
29 - Inteligência e carreira. 06/08/2002  
28 - A anti-matéria e o perigo das salsichas. 05/08/2002  
27 - Um ponto pode girar? Spin, elétrons e Realidade. 03/08/2002  
26 - Por que o céu da Terra é azul e o de Marte vermelho? E mais... 21/07/2002  
25 - Beleza x Fealdade no processo de Seleção Natural  15/07/2002  
24 - Chuva de perguntas depois de uma longa estiagem... 10/07/2002   
23 - Come-come proibido. 21/06/2001   
22 - Paradoxo dos gêmeos. 30/05/2001   
21 - Meditação e levitação. 23/05/2001   
20 - Matricídio e viagem no tempo. 03/12/2000   
19 - Deus, deuses e políticos. 17/11/2000   
18 - Existem extraterrestres? 16/11/2000   
17 - O que se passa fora do universo? 09/11/2000   
16 - Máquinas que pensam! - parte 1 19/10/2000   
15 - Máquinas que pensam! - parte 2 19/10/2000   
14 - O tempo pode ser granuloso? 05/08/2000   
13 - Desenvolvimento motor nas crianças 05/08/2000   
12 - Velocidades superiores à da luz - parte 2 28/07/2000   
11 - Neutrinos adquirem massa do nada? 28/07/2000   
10 - Pode-se aumentar a inteligência? - parte 2 23/06/2000   
9 - Podem existir velocidades superiores à da luz? 19/06/2000   
8 - Testes de inteligência são confiáveis? 11/06/2000   
7 - Figuras de linguagem 07/06/2000   
6 - Pode-se aumentar a inteligência? 06/06/2000   
5 - Xadrez - Brancas, Pretas ou Tablas? 14/05/2000   
4 - Talentosos "incompetentes" 14/04/2000   
3 - Talentosos "incompetentes" - parte 2 17/04/2000   
2 - Inteligência e Genética 01/04/2000   
1 - O ovo ou a galinha? 26/03/2000
 
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Perguntas & Respostas

Essa questão é resultado de duas mensagens trocadas com nosso amigo Alexandre Maluf, sendo que, para facilitar a leitura, o primeiro texto dele está em preto e o segundo está em vermelho. Os meus estão em azul e verde.


-----Mensagem original-----
De: Dote [mailto:alexandremaluf@centershop.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 3 de novembro de 2003 02:45
Para: Sigma Society
Assunto: Re:

Caro Hindemburg,
tudo bem?
1) Qual seria o QI da humanidade, se fosse reduzida a um indivíduo apenas? Quero dizer, qual seria o QI de um indivíduo que fosse ao mesmo tempo um Newton, Mozart, Kasparov, Goethe, Pelé, etc., ou seja, que sozinho pudesse corresponder ao que de melhor pode ser realizado por um ser humano, em todas as áreas ...?
Abs, Alex

 

Grande Alex!!

Beleza!!!

Excelente pergunta! Meu palpite é que você e o Eduardo pensaram nisso enquanto discutiam os pontos em que divergem de mim no método que proponho para normatizar testes. ;-) Se for isso, acho que a contestação é boa, porque realmente o método deve ter limites de validade que o impedem de fazer medidas seguras nesse nível, mas permite fazer estimativas boas e dar uma resposta a essa pergunta, que de outro modo seria impossível (a meu ver)! :-)

Acho que se fosse pra calcular o QI dos 99,9% menos brilhantes somados, ou mesmo dos 99,99% menos brilhantes, que estão vivos, seria cerca de 365. Se fosse de todos os vivos, seria 365,24219878125, para coincidir com o ano tropical de 1900, mas o cálculo está dando 365,21 (planilha anexa, com população mundial consultada em http://www.ibiblio.org/lunarbin/worldpop, às 10:51h de 4/11/2003). Se fosse de toda a história da humanidade, seria entre 390 e 396, dependendo da população considerada (estimativa mais modesta em 60bi, mais ousada em 100bi). Se fosse incluir os 0,01% mais brilhantes, teoricamente a diferença seria pequena e não passaria de 397, mas suspeito que uma afirmação dessas seria bastante duvidosa. Acho que podemos dizer que algo em torno de 400 seria um QI satisfatoriamente correto. Mas não significa que uma pessoa com QI 400 faria tudo que a humanidade fez. A tal pessoa faria coisas que a humanidade nunca sonhou, mas deixaria de fazer muitas outras coisas das quais a humanidade foi capaz. Produziria algumas idéias mais brilhantes que as de Newton e Gauss, mas talvez não tantos trabalhos quanto Euler ou Edison e seguramente não tantos quanto a humanidade inteira. Teria uma produção comparável à da humanidade inteira pesando quantidade e importância conjugados, e para compensar a menor quantidade deveria ter trabalhos muito mais importantes. Qual é sua opinião?

Acho que a hipótese funciona bem para QIs até 170 ou 180 (e funciona muito bem para QIs abaixo de 160). Uma pessoa com 176 acerta no Mega ou Titan tantas questões quanto 900 pessoas somadas com QI=100 ou 10 pessoas com QI=150, que é o esperado com base no meu método para normatizar testes. O "problema" é que acima de 170 a criatividade começa a produzir mais do que os testes podem medir, então não sei os limites de validade da idéia. Mas acho que o QI da humanidade deve ser menor que 450 e maior que 390. Eu diria que algo entre 390 e 410 seria razoável. Talvez eu devesse esperar pra fazer os cálculos amanhã, às 19:00h, assim o QI da humanidade seria igual à relação entre um ano tropical e um dia solar médio. ;o)

Se você permitir, eu gostaria de colocar essa pergunta no Oráculo.

Abração!
Melao



-----Mensagem original-----
De: Dote [mailto:alexandremaluf@centershop.com.br]
Enviada em: terça-feira, 4 de novembro de 2003 12:00
Para: Sigma Society
Assunto: Re:
Olá, Melão, tudo bem?

Grande Alex!!

Beleza!!!

Excelente pergunta! Meu palpite é que você e o Eduardo pensaram nisso enquanto discutiam os pontos em que divergem de mim no método que proponho para normatizar testes. ;-)


Não sei se eu já havia pensado nisso há mais tempo ou ouvido de alguém (minha memória está não boa), mas aparentemente tive essa curiosidade neste domingo à noite, enquanto dirigia na estrada, sob a mais forte neblina que já vi...

Se for isso, acho que a contestação é boa, porque realmente o método deve ter limites de validade que o impedem de fazer medidas seguras nesse nível, mas permite fazer estimativas boas e dar uma resposta a essa pergunta, que de outro modo seria impossível (a meu ver)! :-)

Acho que se fosse pra calcular o QI dos 99,9% menos brilhantes somados, ou mesmo dos 99,99% menos brilhantes, que estão vivos, seria cerca de 365. Se fosse de todos os vivos, seria 365,24219878125, para coincidir com o ano tropical de 1900, mas o cálculo está dando 365,21 (planilha anexa, com população mundial consultada em http://www.ibiblio.org/lunarbin/worldpop, às 10:51h de 4/11/2003). Se fosse de toda a história da humanidade, seria entre 390 e 396, dependendo da população considerada (estimativa mais modesta em 60bi, mais ousada em 100bi). Se fosse incluir os 0,01% mais brilhantes, teoricamente a diferença seria pequena e não passaria de 397, mas suspeito que uma afirmação dessas seria bastante duvidosa.


Minha primeira idéia seria a de que deveríamos fazer algo diferente: desprezar todos aqueles abaixo de um certo valor crítico, abaixo do qual não haveria possibilidade de grandes realizações, e acima disso estabelecer uma relação entre QI e nível de descoberta, tipo uma ponderação análoga à do seu método. ex.: uma humanidade com 1000 indivíduos com QIs entre 50 e 150 poderia ser resumida aos 10 que estariam acima de 137 (sendo esse o valor crítico para o início de realizações relevantes para tal humanidade), podendo-se desprezar os 990 abaixo deste valor. Aí fazer-se-ia uma redução do tipo, para cada QI achar o equivalente acima, até esse equivalente acima ficar em um único indivíduo.

Pensei tb em algo do tipo: existem sete áreas distintas de inteligência: matemática, espacial, verbal, musical, física/manual, interpessoal e intrapessoal. Minha intuição faz buscar a correspondência "raridade de QIh= (1 em 100 bilhões)^7". Quanto seria o QI relativo à essa raridade? É razoável tomar a humanidade apenas pelo melhor representante de cada área? (Eu acho que não, mas creio que um grupo com cerca de 10 melhores de cada área deve representar muito bem quase a totalidade da capacidade humana). O que Newton, Gauss, Leibniz, Euler, Bernoulli, ... juntos não poderiam fazer que outro matemático menor poderia? Muito pouco, eu tenho essa impressão.


Acho que podemos dizer que algo em torno de 400 seria um QI satisfatoriamente correto. Mas não significa que uma pessoa com QI 400 faria tudo que a humanidade fez. A tal pessoa faria coisas que a humanidade nunca sonhou, mas deixaria de fazer muitas outras coisas que a humanidade fez. Produziria algumas idéias mais brilhantes que as de Newton e Gauss, mas talvez não tantos trabalhos quanto Euler ou Edison e seguramente não tantos quanto a humanidade inteira. Teria uma produção comparável à da humanidade inteira pesando quantidade e importância conjugados, e para compensar a menor quantidade deveria ter trabalhos muito mais importantes. Qual é sua opinião?

Não acredito que um ser humano com uma configuração cerebral normal, mesmo que muito otimizada, possa ter idéias qualitativamente mais brilhantes que aquelas de Newton ou Gauss, acho só que seriam diferentes, não superiores. Quanto à produção eu concordo, pois aí existe um limitante físico/temporal óbvio. Mas fora a parte de trabalho duro, como é típico de certo campos do conhecimento, há outros em que idéias rápidas já bastam para criam algo simplesmente revolucionário, como uma composição musical ou um insight sobre a natureza física.

Acho que a hipótese funciona bem para QIs até 170 ou 180 (e funciona muito bem para QIs abaixo de 160). Uma pessoa com 176 acerta no Mega ou Titan tantas questões quanto 900 pessoas somadas com QI=100 ou 10 pessoas com QI=150, que é o esperado com base no meu método para normatizar testes. O "problema" é que acima de 170 a criatividade começa a produzir mais do que os testes podem medir, então não sei os limites de validade da idéia. Mas acho que o QI da humanidade deve ser menor que 450 e maior que 390. Eu diria que algo entre 390 e 410 seria razoável. Talvez eu devesse esperar pra fazer os cálculos amanhã às 19:00h, assim o QI da humanidade seria igual à relação entre um ano tropical e um dia solar. ;o)

Se você permitir, eu gostaria de colocar essa pergunta no Oráculo.


Claro, fique à vontade. Abs, Alex

Abração!
Melao

Grande Alex!

Tudo bem?


Acho que se fosse pra calcular o QI dos 99,9% menos brilhantes somados, ou mesmo dos 99,99% menos brilhantes, que estão vivos, seria cerca de 365. Se fosse de todos os vivos, seria 365,24219878125, para coincidir com o ano tropical de 1900, mas o cálculo está dando 365,21 (planilha anexa, com população mundial consultada em http://www.ibiblio.org/lunarbin/worldpop, às 10:51h de 4/11/2003). Se fosse de toda a história da humanidade, seria entre 390 e 396, dependendo da população considerada (estimativa mais modesta em 60bi, mais ousada em 100bi). Se fosse incluir os 0,01% mais brilhantes, teoricamente a diferença seria pequena e não passaria de 397, mas suspeito que uma afirmação dessas seria bastante duvidosa.

Minha primeira idéia seria a de que deveríamos fazer algo diferente: desprezar todos aqueles abaixo de um certo valor crítico, abaixo do qual não haveria possibilidade de grandes realizações, e acima disso estabelecer uma relação entre QI e nível de descoberta, tipo uma ponderação análoga à do seu método. ex.: uma humanidade com 1000 indivíduos com QIs entre 50 e 150 poderia ser resumida aos 10 que estariam acima de 137 (sendo esse o valor crítico para o início de realizações relevantes para tal humanidade), podendo-se desprezar os 990 abaixo deste valor. Aí fazer-se-ia uma redução do tipo, para cada QI achar o equivalente acima, até esse equivalente acima ficar em um único indivíduo.

Intuitivamente é mais ou menos como eu pensava (90% de toda a criação intelectual é devida aos 0,00001% mais criativos), porém deixei de pensar assim desde que li o artigo de Towers e fiz alguns testes com dados empíricos, e fiquei convencido de que provavelmente não é assim depois de mexer com dados empíricos do ST, do Mega e Titan. Repare que uma questão muito dura, que 50% das pessoas com QI 170 não acertam, pode ser resolvida por um grupo com umas 1000 pessoas de QI entre 99 e 101 (528 pessoas teriam 50% de chances de resolver). Isso você observa na prática, vendo a quantidade de pessoas que acertou as questões e os respectivos QIs dessas pessoas. A tese de que as pessoas de QI 100 nunca poderiam resolver um problema de nível 170 falha. Em outras palavras: reúna quantidade suficiente de pessoas com QI 100 e coloque-as para trabalhar com Matemática (remunerando-as por descobertas) e elas acabarão desenvolvendo o Cálculo.

Pensei tb em algo do tipo: existem sete áreas distintas de inteligência: matemática, espacial, verbal, musical, física/manual, interpessoal e intrapessoal.

Qual é sua opinião sobre essa hipótese das 7 inteligências? Parece que atualmente se fala em 8, mas acho a idéia muito improvável. Quero dizer, esses talentos (que o cara chama "inteligências") provavelmente não são independentes uns dos outros, eles se relacionam intimamente, mas de uma maneira até agora pouco compreendida.

Minha intuição faz buscar a correspondência "raridade de QIh= (1 em 100 bilhões)^7".
Isso daria um QI 398. Curiosamente nós chegamos a resultados bem próximos usando métodos completamente diferentes. :-) O Maple diz que para 1-(10^-77) temos 18,6254sd. E o mais curioso é que se o número de inteligências for 6 ou 8, isso não muda muito o resultado (apesar de mudar a raridade em 11 ordens de grandeza). Para 6 inteligências teríamos 17,2164sd (QI 375) e para 8 inteligências teríamos 19,9356sd (QI 419).

Quanto seria o QI relativo à essa raridade? É razoável tomar a humanidade apenas pelo melhor representante de cada área? (Eu acho que não, mas creio que um grupo com cerca de 10 melhores de cada área deve representar muito bem quase a totalidade da capacidade humana).
Pois é, eu acho que não. Se você pegar a quantidade de idéias que Newton não teve, mas poderia ter tido, verá que não é pouco. Veja o caso de Arquimedes: ele não desenvolveu o Cálculo, mas alguns historiadores acreditam que, a julgar pelo método que ele usou para calcular o volume de um cone, se ele tivesse à disposição um conjunto apropriado de símbolos, muito provavelmente teria inventado o Cálculo. Mas a invenção de símbolos apropriados me parece ser um trabalho de importância menor, porém imprescindível. Suponha outros trabalhos de importância menor combinados, e chegará ao ponto que uma pessoa com QI 100 (ou várias em sinergia) acabariam inventando o Cálculo simplesmente porque haveria tanta informação convergindo pra isso que não teriam como escapar, e a invenção quase aconteceria por si.

O que Newton, Gauss, Leibniz, Euler, Bernoulli, ... juntos não poderiam fazer que outro matemático menor poderia? Muito pouco, eu tenho essa impressão.

Pois é, intuitivamente, eu também tinha essa mesma impressão. Dê uma olhada na quantidade de pessoas com QI 100-120 que acertaram questões do Mega e Titan que 50% do pessoal com 160-170 não acertou.

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Acho que podemos dizer que algo em torno de 400 seria um QI satisfatoriamente correto. Mas não significa que uma pessoa com QI 400 faria tudo que a humanidade fez. A tal pessoa faria coisas que a humanidade nunca sonhou, mas deixaria de fazer muitas outras coisas que a humanidade fez. Produziria algumas idéias mais brilhantes que as de Newton e Gauss, mas talvez não tantos trabalhos quanto Euler ou Edison e seguramente não tantos quanto a humanidade inteira. Teria uma produção comparável à da humanidade inteira pesando quantidade e importância conjugados, e para compensar a menor quantidade deveria ter trabalhos muito mais importantes. Qual é sua opinião?

Não acredito que um ser humano com uma configuração cerebral normal, mesmo que muito otimizada, possa ter idéias qualitativamente mais brilhantes que aquelas de Newton ou Gauss,
Acho que muitas das idéias brilhantes podem ser dissecadas em partes mais básicas e acessíveis a qualquer pessoa. Não digo que isso acontece a todas as idéias brilhantes e talvez realmente muitas delas sejam inacessíveis à maioria das pessoas, mas digo que muitas (talvez a maioria) das grandes idéias consiste numa estrutura complexa formada por idéias menores, cada uma das quais pode ser bem compreendida ou mesmo ter origem numa mente não tão poderosa quanto a de Newton ou Einstein.


acho só que seriam diferentes, não superiores. Quanto à produção eu concordo, pois aí existe um limitante físico/temporal óbvio. Mas fora a parte de trabalho duro, como é típico de certo campos do conhecimento, há outros em que idéias rápidas já bastam para criam algo simplesmente revolucionário, como uma composição musical ou um insight sobre a natureza física.
Sim, nesses casos eu concordo com você. Há coisas que uma pessoa genial pode fazer, mas zilhões de pessoas com potencial normal, trabalhando juntas, não podem. Mas (isso é uma coisa que não pensei quando escrevi o e-mail anterior) também há coisas que zilhões de pessoas com potencial normal podem fazer, mas uma única pessoa genial não pode e não importa o quão genial ela seja, ela continuará não podendo. Assim, acho que uma coisa compensa a outra e na prática acabamos tendo algo do tipo: 8794 pessoas normais produzem tanto quanto 100 pessoas com QI 150 (as normas do Mega e Titan sugerem isso). Essa hipótese é especialmente eficaz no caso da nova norma do Sigma Teste, que usa questões com pesos ponderados.

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Acho que a hipótese funciona bem para QIs até 170 ou 180 (e funciona muito bem para QIs abaixo de 160). Uma pessoa com 176 acerta no Mega ou Titan tantas questões quanto 900 pessoas somadas com QI=100 ou 10 pessoas com QI=150, que é o esperado com base no meu método para normatizar testes. O "problema" é que acima de 170 a criatividade começa a produzir mais do que os testes podem medir, então não sei os limites de validade da idéia. Mas acho que o QI da humanidade deve ser menor que 450 e maior que 390. Eu diria que algo entre 390 e 410 seria razoável. Talvez eu devesse esperar pra fazer os cálculos amanhã às 19:00h, assim o QI da humanidade seria igual à relação entre um ano tropical e um dia solar. ;o)

Se você permitir, eu gostaria de colocar essa pergunta no Oráculo.

Claro, fique à vontade. Abs, Alex
Vou colocar na próxima atualização, incluindo seus novos comentários.

Abração!
Melao

-----Mensagem original-----
De: Leandro [mailto:cedeno@uol.com.br] 
Enviada em: segunda-feira, 20 de janeiro de 2003 15:47
Para: sigmasociety_info@yahoo.com.br
Assunto: Pergunta para o Oráculo
Olá Hindemburg
Sou o Leandro C. Hernandes, tenho 16 anos
Eu te mandei um e-mail, um tempo atrás, sobre as Olimpíadas de Física, e pensando bem no assunto, considero que há uma margem de segurança, não basta somente as estatísticas.Recentemente recebi o resultado final em que fiquei em 42º lugar em nível nacional, fiquei muito feliz com o resultado e muito motivado para o estudo da Física que resolvi tirar uma dúvida que tenho já a um certo tempo.
A dúvida é a seguinte: ''Quando um corpo cai livremente de uma determinada altura, consideramos que ele adquire um movimento de aceleração constante, no caso do planeta Terra, perto dos 10m/s^2.Essa aceleração resulta de uma força, que é a gravitacional.Até ai tudo bem, mas pensando em gravidade consideramos que quanto mais próximo está um objeto do outro, maior será a força gravitacional entre eles, no caso essa força seria inversamente proporcional ao quadrado da distância, mas se a força então for maior, como a massa é a mesma, irá resultar em uma aceleração maior, disso concluímos que a aceleração da gravidade é variável, uma espécie de ''aceleração da aceleração'', a medida que o objeto vai caindo, mais força atua sobre ele, ao contrário do que os livros didáticos de Física dizem, que o objeto sofrerá uma aceleração apenas, devido a força constante que age sobre ele.A variação é pouca de força, mas existe.Esse pensamento é certo?É realmente o que ocorre?E mais uma coisa, se elaborássemos um gráfico de impulso, força em função do tempo, para o que está nos livros didáticos resultaria numa reta, com força constante, mas se esse gráfico fosse baseado nesse meu pensamento, com força variável, resultaria numa parábola, já que há a lei do inverso do quadrado?''
Parabéns pelo site, que continua melhorando a cada dia e um grande abraço!!!
Até mais!!!
 

Olá, Leandro! 
 
Tudo bem? 
 

Fico feliz por saber que está aumentando seu interesse pela Física e tendo bons resultados em Olimpíadas. Desejo-lhe sucesso. 

 

Em alguns casos, os livros apresentam informações erradas porque o autor não conhece o assunto. Em outros casos, ninguém conhece o assunto, inclusive o autor, e isso geralmente acontece quando o livro está tratando de teorias de ponta. Outras vezes o autor conhece o assunto, mas, para simplificar, ele aborda a questão de uma maneira “inexata” e isso é muito comum em livros didáticos. No volume 1 do “Curso de física Básica” de Herch Moysés Nussenzveig, o autor comete mais de 200 "erros", sendo que praticamente todos consistem em simplificações e não devem ser considerados propriamente “erros”, pois certamente o autor sabe que a informação não é exatamente aquela que ele apresenta, mas ele a simplifica com a finalidade de torná-la mais acessível. Entre outras coisas, ele fala em “distância média da Terra ao Sol”, quando deveria dizer “semi-eixo maior da órbita da Terra”. Quando ele diz “distância média”, o leitor pode concluir que se trata do raio que teria uma circunferência cuja área fosse igual à da elipse representada, ou (o que seria a mesma coisa) que se fossem aferidos vários (N) raios uniformemente distribuídos ao longo da órbita, depois todos esses raios fossem somados e o resultado fosse dividido por “N” (com N tendendo ao infinito), o quociente da divisão representaria “a distância média da Terra ao Sol”. Mas o que o autor desejava expressar não era isso. O que ele queria dizer era “a metade da distância que separa as duas extremidades mais afastadas da órbita”. Numericamente a diferença é notória: o semi-eixo maior da órbita terrestre em 1996 foi medido em cerca de 149.597.870.691m (com incerteza estimada em 3m), enquanto a distância média da Terra ao Sol é de aproximadamente 149.576.985.930m. Praticamente todas as vezes que se faz alusão à distância média, o que se pretende dizer é “semi-eixo maior“, porque é o semi-eixo maior que se usa para calcular o período orbital, entre outras coisas. 

 

Primeiro se ensina que a Terra é redonda, tal como Aristóteles percebeu no século IVa.C.; depois se aprende que ela não é redonda, mas elíptica, tal como previu Newton, no século XVII; depois se aprende que não é elíptica, porque um dos pólos é mais achatado que o outro, como ficou constatado no século XX, com medições por satélite; depois se aprende que além de um dos pólos ser mais achatado que o outro, existem diversas protuberâncias no equador e em outras latitudes, como ficou constatado depois de muitas medidas de alta precisão, usando vários satélites. Por fim, aprende-se que a Terra é um geóide-elipsóide tri-axial com diversas pequenas irregularidades. Não precisaríamos de alta tecnologia para perceber isso; bastaria olhar em nosso redor, para chegar à essa conclusão (sobre as irregularidades), mas essa conclusão diz muito pouco sobre a forma do nosso planeta e é muito mais importante saber que a Terra é redonda do que saber que ela tem irregularidades, porque as irregularidades são evidentes, mas para perceber que ela é redonda Aristóteles precisou associar o fato de os cascos dos navios desaparecerem antes dos mastros, quando os navios se afastam, e isso acontece em qualquer direção (se fosse apenas num par de direções, a Terra poderia ser um cilindro, como pensara Anaximandro, dois séculos antes). Também é importante perceber que ela é uma elipse, como resultado forças concorrentes, e que um pólo é mais achatado que o outro, devido à distribuição heterogênea das massas continentais (há mais continentes no Hemisfério Norte que no Hemisfério Sul, portanto a altura média é maior), é importante perceber que existem protuberâncias e irregularidades, como resultado de efeitos geológicos, acidentes (colisões com meteoros), librações etc. Se fizermos um desenho da Terra numa folha de papel, ela não poderia ser distinguida de um círculo, porque num desenho com raio de 30mm (~bola de bilhar) o achatamento polar seria 0,1mm (espessura de uma folha de papel) e se todas as irregularidades (Monte Everest, K2, Fossa das Marianas etc.) fossem representadas numa maquete do tamanho de uma bola de bilhar, essa maquete ainda seria mais lisa e teria um aspecto mais perfeito (em relação a uma esfera) que uma bola de bilhar típica. Portanto é muito satisfatório ensinar a uma criança que a Terra é esférica. Para o adolescente que já aprendeu o que é uma elipse, pode ser conveniente fornecer dados mais acurados, e para quem vai pesquisar o assunto é necessário conhecer todos os dados disponíveis. Analogamente, se você lançar uma pedra para cima e usar g=10m/s^2, seu cálculo sofrerá muito mais prejuízo devido à viscosidade do ar do que devido às variações em função da altitude. Se em vez de jogar algo para cima você usar um sistema estático (gravímetro), vai anular o efeito do ar e obter resultados diferentes em altitudes diferentes. Se você lançar um foguete a alguns milhares de quilômetros de altitude, também vai poder constatar que a fórmula que presume g constante não funciona bem. No entanto o livro didático está presumindo que você tem à mão uma pedra, mas não um gravímetro ou um foguete. Para a esmagadora maioria das pessoas que vai ler esse livro didático, a fórmula simplificada já constitui uma dificuldade excessiva e poucas vezes essas pessoas conseguem perceber, pelo enunciado, qual fórmula deve ser aplicada. Só uma quantidade bem pequena de alunos vai entender com facilidade a fórmula e se questionar sobre sua validade. E quem escreve livros didáticos geralmente está preocupado em atender às necessidades da maioria. 

 

Sempre que você ler alguma coisa, procure interpretar pesando no que lhe parece mais provável que aconteça numa situação real, e geralmente você vai chegar a conclusões mais corretas do que se confiar no conteúdo do livro. A aceleração gravitacional varia em função da latitude, da altitude e da densidade. Os outros corpos também influem, mas relativamente pouco. A temperatura também influi pouco (mudando a densidade do ar e, portanto, alterando a intensidade do empuxo). 

 

Basta você pensar que um corpo vai subindo, subindo, subindo, até chegar à órbita da Lua, para concluir que em grandes altitudes a aceleração gravitacional é diferente do que é na superfície e a fórmula que supõe g constante falha. No universo real, também é preciso levar em conta as posições do Sol, da Lua e, dependendo da precisão que você deseja, é preciso considerar também outros corpos celestes e eventuais objetos próximos que tenham grande massa (montanhas). E por falar em influência gravitacional que o Sol exerce sobre o peso de objetos situados na Terra, vou aproveitar a oportunidade para citar um problema interessante, para o qual Sagan apresenta uma solução equivocada: 

 

Para eliminar elementos que compliquem excessivamente o problema, vamos considerar um sistema constituído exclusivamente por uma bola de gude de um grama, uma balança de mola com precisão de 10^-9 grama, a Terra (sem atmosfera) e o Sol, sendo que a balança está no equador, o eixo de inclinação da Terra deve ser considerado zero e a órbita da Terra deve ser considerada uma circunferência perfeita. O sistema fica isolado de tudo o resto, de modo que nenhuma pessoa ou objeto pode causar qualquer perturbação sensível na medição. Com exceção dessas especificações, tudo o mais acontece como em situações reais. Nessas condições, o peso da bola, determinado pela balança, naturalmente vai mudar ao longo do dia, de acordo com a variação da posição relativa do Sol. O problema consiste em determinar qual o peso máximo atingido pela bola (com 9 decimais) e em que horário se verifica o peso mínimo. Sagan trata desse problema num artigo em que desmistifica a astrologia calculando as influências que os astros podem exercer sobre as pessoas, e embora ele não use as especificações de ausência de atmosfera, órbita circular, eixo não-inclinado e isolando o sistema do resto do universo, isso pode ser presumido. Eu não tenho certeza, mas acho que exatamente o mesmo erro foi cometido por Asimov, ao tratar de um problema análogo. O problema fica aqui como desafio. Se alguém acertar, o nome será divulgado. 
 
Outro erro dos livros didáticos é dizer que a força gravitacional é igual G*m1*m2/r^2, quando na verdade deveria ser G*(m1+m2)*m2/r^2, porque obviamente uma pedra com massa 10kg é atraída pela Terra com uma força maior do que uma pedra com massa 1kg (se ambas forem colocadas à mesma distância do baricentro da Terra). Claro que a proporção entre as intensidades não é 10 para 1. A proporção é (MT+10)/(MT+1), onde MT = Massa da Terra (5,9747*10^24kg), portanto a diferença só será notada na 25ª. decimal. Mas quando se tratam de corpos grandes, as diferenças são fáceis de notar. A Lua, por exemplo, é atraída para a Terra com intensidade 1,23% maior que um satélite artificial situado exatamente à mesma distância. Para chegar a essa conclusão, basta você ir imaginando pedras sucessivamente maiores, até que a pedra atinja o mesmo tamanho (e massa) da Terra. Então ficará claro que duas Terras não vão se atrair com a mesma força que a Terra atrai uma bola de tênis. Muitos professores insistem que o correto é G*m1*m2/r^2, em vez de G*(m1+m2)*m2/r^2, e depois que você sugere que eles confirmem pelos dados empíricos, alguns tentam remendar a situação dizendo que “r” se refere à distância entre o baricentro do sistema e baricentro do corpo de menor massa. Mas não é isso que diz a teoria. A teoria fala em “distância do baricentro do corpo de menor massa ao baricentro do corpo de maior massa” ou “distância entre os centros dos corpos”. Esse é de fato um erro conceitual que muitos cometem. Também é comum encontrar cálculos sobre a aceleração gravitacional a diferentes profundidades (escavando em direção ao centro) sem levar em conta o fato da densidade não ser uniforme, mas isso é feito para simplificar, não é propriamente um erro. Muitas vezes o autor sabe o que de fato acontece, porém ele apresenta o problema de maneira simplificada, cuja única intenção é verificar se o aluno tem coordenação motora para copiar a fórmula. Em alguns casos o consenso geral é errado: há vários séculos se sabe que o Sol tem um movimento de rotação axial em relação às estrelas de fundo, sabe-se que o período é cerca de 24,6 dias no equador e 36 dias nas proximidades dos pólos, sabe-se que todo corpo que gira tem achatamento polar resultante da força centrífuga, no entanto, pensava-se que o Sol fosse esférico!! Foram necessárias medidas empíricas para constatar um achatamento de 24km, exatamente o que seria esperado para um corpo com as características do Sol (raio 696.000km, massa 1,989*10^30kg, rotação 25 dias). Até mesmo a Lua, que é formada por rocha sólida (em vez de plasma, como é o caso do Sol) tem um achatamento muito semelhante ao que seria esperado, devido ao seu passado líquido, em que ela esteve mais susceptível às deformações causadas pela força centrífuga. Outro exemplo é o desvio da luz na presença de um campo gravitacional, que também poderia ter sido previsto usando mecânica newtoniana e considerando o fóton uma partícula com massa zero. O resultado seria exatamente o mesmo previsto pela Relatividade, mas sem usar absolutamente nada de Relatividade. Os desvios no periélio de Mercúrio e várias outras pretensas “confirmações” da Teoria da Relatividade também podem ser explicadas usando mecânica newtoniana. Eu não conheço o suficiente sobre teoria de supercordas para me certificar de que é certo o que vou dizer, posso estar dizendo uma grande bobagem, mas eu acho que usando o modelo de supercordas é possível descrever todos os fenômenos quânticos, recorrendo apenas à mecânica newtoniana, sem precisar de nada de relatividade e nada de mecânica quântica.
 
Outro “erro” que aparece com freqüência em livros de Astronomia é a fórmula para calcular a que distância “d” se pode enxergar o horizonte quando o observador está “h” metros acima do solo. Geralmente as fórmulas são “d=k*raiz(h)”, onde k costuma variar entre 3800 e 3900 quando é levada em conta a refração atmosférica, e 3570 quando não se leva em conta a atmosfera. Obviamente isso só funciona quando h é muito pequeno em comparação ao raio do planeta. A fórmula correta, como você já deve ter deduzido, usaria um triângulo retângulo etc. e seria complementada pela refração atmosférica para diferentes latitudes, altitudes, temperaturas e comprimentos de onda.

Muito do que você encontra em livros sobre pêndulos também é incorreto. Como conseqüência da variação da gravidade em função da altitude e da massa do corpo pequeno, pode-se presumir que a massa e a altitude do pêndulo influem em seu período, mas numa proporção imperceptível, causando erro lá pela 20ª. decimal. No entanto, três outros fatores causam erros mensuráveis na terceira ou até na segunda decimal: a massa do fio em relação à massa pendurada (porque desloca o baricentro), a amplitude de oscilação e a viscosidade do ar. 
 
Enfim, é recomendável que você leia com reservas e bons critérios, sempre se questionando sobre a possibilidade da informação ser incorreta e tentando refutá-la. Se não encontrar uma refutação e se a idéia lhe parecer pertinente, é possível que seja correta. Suponhamos, por exemplo, que você nunca tivesse lido nada sobre Astronomia, e assistisse na TV a uma entrevista com Ronaldo Mourão em que ele comentasse que a Lua fica a 380km da Terra. Você simplesmente poderia considerar que a distância entre São Paulo e Rio de Janeiro é de 430km,  portanto algo deve estar errado... Ou se você fosse ao observatório do capricórnio e o palestrante lhe dissesse que o periélio é o ponto em que um corpo fica mais distante do Sol e afélio é o ponto em que fica mais próximo, bastaria você ter noções sobre prefixos para perceber o erro. Nesses dois casos, são descuidos de pouca importância. Nos casos de informações simplificadas o assunto é discutível. E os verdadeiros erros conceituais, estes são graves, mas são comparativamente muito mais raros. 
 
Um abraço! 
Piu 

-----Mensagem original----- 
De: Humberto Chagas [mailto:humberto.chagas@bol.com.br] 
Enviada em: domingo, 8 de dezembro de 2002 14:19 
Para: sigma@ sigmasociety.com 
Cc: sigmaegroup@yahoo.com.br 
Assunto: QI x Rating FIDE 
 

Boa tarde caro amigo Hindemburg Melão Jr. ! 

Estou escrevendo para tirar uma antiga dúvida minha mas que só agora consigo escrever-lhe. 
Eu vi em uma parte do site do Sigma falando que existiria uma relação entre o tamanho do QI de uma pessoa e o rating FIDE. Havia até umas fórmula que calcularia de acordo com o QI, qual o rating FIDE que a pessoa teria. Bom, mas logo eu pensei: O QI não pode ser aumentado, pois é algo que nasce com a pessoa. Mas o rating FIDE pode ser aumentado. Minha pergunta é: Então, isto significa que uma pessoa pode durante a vida aumentar seu QI estudando e se aperfeiçoando ? Ou se a pessoa não pode aumentar seu QI, quer dizer que a pessoa nunca passará de um certo limite de pontuação FIDE ? 
Eu parei de jogar xadrez profissionalmente em 2000 por entre vários fatores, isto também, pois eu pensei: Que graça tem então jogar xadrez se a pessoa precisa ter um QI alto para ser bom jogador ? Que adianta você treinar a vida inteira se não tiver um QI alto, então nunca serás campeão mundial ? Isto me desanimou um pouco, mas não foi o único motivo. Mas agora ando com vontade de voltar a jogar, e queria tirar esta dúvida, para ver se tive uma impressão errada ou é isto mesmo. Ficarei muito grato se puder responder-me mesmo que de forma simples e direta, apenas dizendo se meu pensamento foi errado ou certo. Muito obrigado mesmo, isto irá me ajudar e muito ... Desculpe amolá-lo mais uma vez com minhas dúvidas pessoais ..... Fique com Deus ... 

Obs.: Eu mandei este email para estes dois endereços pois não sabia em qual você prefere atender. 

Humberto Chagas 
 
 
Caro amigo Humberto,  
  
É bom ter notícias suas! Espero que esteja bem!  
  
O coeficiente de correlação entre QI e ELO é alto. De acordo com informação de nosso amigo Eduardo Corrêa, alguns experimentos apontam algo na faixa de 0,7.  
  
Em primeiro lugar, é importante saber como interpretar o coeficiente de correlação. O peso e altura, por exemplo, estão correlacionados. Em média, as pessoas mais altas são também mais pesadas, mas é claro que existem algumas pessoas baixas mais pesadas que outras altas. O fato do coeficiente de correlação entre peso e altura ser positivo indica que se você pegar dois grupos grandes de pessoas, o grupo com maior altura média provavelmente também terá maior peso médio. À medida que os grupos forem maiores, também serão maiores as chances desse prognóstico ser correto. Inversamente, se os grupos forem pequenos, as chances de “erro” aumentam, até o ponto que ao considerar indivíduos, as chances de erro se tornam tão grandes que praticamente não dá para perceber que o coeficiente de correlação existe (exceto intuitivamente). O mesmo se aplica ao caso de ELO e QI, exceto pela diferença quantitativa que o coeficiente de correlação entre ELO e QI é melhor do que entre peso e altura.  

Nenhuma característica de seres materiais macroscópicos permanece inalterada ao longo do tempo. A altura das pessoas varia do dia para a noite, mas não numa proporção tão grande quanto o peso. O ELO varia e o QI também varia, e isso depende de aptidão, treinamento, conhecimento, disposição e outros fatores.  

A altura das pessoas tem um certo limite para o intervalo em que pode variar (creio que alguns milímetros entre a hora que a pessoa se levanta e a hora que vai se deitar), e esse intervalo pode ser alterado com tratamentos hormonais ou até mesmo cirúrgicos. O mesmo acontece ao peso, com a diferença que o intervalo de variação do peso é muito maior. Uma pessoa geneticamente propensa ao nanismo não poderá, com a tecnologia atual, chegar a 2m de altura, mas certamente ela pode ganhar alguns centímetros. No caso do QI e do rating, também existem esses intervalos inatos, e cada pessoa pode trabalhar para chegar aos seus limites.  
  
Boa sorte!  
Piu 

-----Mensagem original----- 
De: israel migdalski [mailto:israel_mig88@yahoo.com] 
Enviada em: sábado, 30 de novembro de 2002 18:23 
Para: sigma@ sigmasociety.com 
Assunto: pergunta-oraculo 
Oi Melao, 
  Gostaria de saber qual e o qi do ser mais inteligente do Brasil, dos EUA? 
Sei que inteligencia e populacao estao relacionados, mas faz alguma diferenca na pratica? 
obrigado, 
Israel Migdalski. 
 

Olá, Israel!  
  
Tudo bem?  
  
Mesmo que sua pergunta fosse “quem tem o QI mais alto dos EUA e do Brasil”, seria difícil responder, porque existem muitos testes diferentes e não há como comparar os escores obtidos em escalas diferentes. Mesmo quando os desvio-padrão são iguais e o coeficiente de correlação é alto, ainda assim os testes estarão medindo habilidades diferentes e não há como comparar os escores. O Sigma Teste avalia habilidades que representam bem a inteligência, talvez melhor que outros testes, mas não representa tão bem como os problemas da vida real. A diferença principal é que no Sigma Teste a pessoa tem um conjunto de 36 problemas e não pode fugir daquilo, enquanto na vida real as pessoas dispõem de uma vastíssima diversidade de problemas e podem escolher aqueles com os quais encontram mais afinidade.  
  
Ultimamente eu tenho recebido mais perguntas para o Oráculo que o habitual, e como estou tentando promover novas atividades em Sigma, não estou conseguindo administrar o tempo e responder a todos, mas vou aproveitar essa oportunidade para responder também a uma pergunta enviada por duas pessoas (Pedro Bessa e João A. C. Silva), sobre institutos que oferecem prêmios milionários para quem conseguir resolver determinados problemas. Esse gênero de concurso não tem muito a ver com inteligência, porque cada problema cobre um único campo altamente especializado, e alguém que tenha pesquisado 20 ou 30 anos naquele campo levará uma vantagem enorme sobre alguém que nunca estudou aquele assunto. Os concursos desse gênero não são para todos, mas para um pequeno grupo que está bem familiarizado com aqueles tópicos específicos, e o fato de conhecerem esses tópicos não significa que sejam mais inteligentes. Um teste com 36 questões variadas e razoavelmente livres de cultura, reduz esse problema e pode atingir um público mais numeroso, mas ainda assim é limitado. O melhor jeito é realmente a pessoa ter completa liberdade para fazer o que ela bem entender, e depois o trabalho dessa pessoa ser avaliado por especialistas. É assim com o prêmio Nobel, com a medalha Fields, com a medalha Bruce etc. Os examinadores não estipulam como devem ser os trabalhos dos examinados. É justamente o inverso: é o trabalho dos examinados que determina as especialidades dos examinadores.  
  
Os testes de QI aplicados em clínica funcionam bem até o nível 130 ou 140 e os testes sem limite de tempo podem chegar a medir corretamente até 160 ou 170, com sorte, podem chegar a medir até 190 sem grandes disparidades. Os testes podem medir “alguma coisa” acima de 180 e 190, porém não se sabe exatamente o que é essa “coisa”, e muito provavelmente essa coisa não é a inteligência. Uma maneira adequada de avaliar a inteligência acima do nível 170 e 180 é comparando o desempenho das pessoas dentro de uma determinada especialidade que esteja intrinsecamente relacionada à inteligente. Mesmo esse método não funciona para todas as pessoas, porque quando alguém concentra seus esforços num único campo, e dedica pouco tempo às outras atividades, é natural que essa pessoa terá mais chances de alcançar excelência em sua especialidade. Por outro lado, uma pessoa que distribui seu tempo entre meia dúzia de atividades diferentes, terá menos chances de obter resultados notáveis em cada uma delas. Esse é um dos motivos pelos quais Da Vinci, Pascal e Leibniz são considerados fenômenos, pois conseguiram resultados extraordinários em muitos campos diferentes. O fato deles conseguirem destaque em mais áreas diferentes não significa que eram mais inteligentes do que especialistas como Gauss ou Morphy. Significa apenas que tinham uma inteligência mais versátil.  
  
Também é importante não confundir problemas trabalhosos com problemas difíceis. Por exemplo: o problema 4 do Sigma Teste VI é difícil, mas não é trabalhoso. É um problema muito bom para avaliar a inteligência, mas não pode ser usado isoladamente. O problema 5 é difícil e também é muito trabalho, ele é bom para avaliar a inteligência, mas também exige dedicação e paciência. O problema 42 do Titan Test é fácil, mas é muito trabalhoso, é ruim para avaliar a inteligência, porque algumas pessoas poderiam resolvê-lo, mas não o fazem porque não querem perder tempo (dezenas ou centenas de horas) com isso. E os primeiros problemas do Sigma Teste não são nem difíceis nem trabalhosos, são apropriados para avaliar a inteligência num nível básico. Aqueles problemas sobre peças que precisam ser encaixadas para formar figuras, envolvem pouca inteligência e muita paciência. Alguns levam meses ou até anos para serem resolvidos, e tudo que a pessoa precisa para resolver é ficar tentando várias possibilidades e usando alguns critérios básicos para que as tentativas não sejam completamente furtivas. O mesmo se aplica às séries de figuras. Mas alguém que demonstra uma compreensão profunda do espírito humano, como Dostoiévsky, ou uma compreensão profunda da Natureza, como Newton, certamente é muito inteligente. E a avaliação é feita subjetivamente e também objetivamente. Newton foi muito inteligente porque resolveu muitos problemas que muitas pessoas tentaram, mas não conseguiram. Além disso, ele foi muito inteligente porque fez a si mesmo perguntas importantes e soube dar respostas adequadas, e os problemas que ele investigava envolviam pensamento e imaginação. É diferente do que acontece à maioria dos outros pesquisadores, que geralmente apenas aplicam técnicas conhecidas para confirmar se determinados fenômenos se comportam de acordo com o esperado.  
  
No futuro, provavelmente a inteligência das pessoas será avaliada fisiologicamente, e então será possível saber quem é a pessoa mais inteligente do mundo. Mas, por enquanto, o melhor de que dispomos são testes baseados em perguntas e respostas, que medem o desempenho intelectual da pessoa, não a inteligência propriamente dita. Além disso, esses testes falham quando são aplicados às pessoas muito inteligentes. Algumas pessoas muito inteligentes exploram essa impossibilidade de determinar com segurança quem é de fato a pessoa mais perspicaz, e reivindicam para elas próprias o título. Como as pessoas que reivindicam isso realmente são muito inteligentes, conseguem boa publicidade e isso acaba institucionalizando suas reivindicações. Cada pessoa da população geral tem contato com cerca de 1.000 pessoas, portanto se você pegar uma pessoa aleatória na rua, provavelmente a pessoa mais inteligente que ela conhece pessoalmente tem QI na faixa de 150. Se ela vê na TV alguém com QI 170 ou 180, demonstrando uma capacidade claramente superior à da pessoa mais inteligente que ela conhece, não é difícil persuadir essa pessoa de que a pessoa que está na TV é a mais inteligente do país, ou do mundo, ou do universo.  
  
Sua pergunta, portanto, não pode ser respondida. O que podemos fazer é dizer que para uma distribuição gaussiana com média 100 e desvio-padrão 16, o cut-off de 1/286.000.000 corresponde a 5,79 desvios-padrão (192,65) e o cut-off de 1/177.000.000 corresponde a 5,71 desvios-padrão (191,35). Mas isso obviamente não significa que a pessoa com QI mais alto dos EUA tem exatamente 192 ou 193 de QI, ou que a pessoa mais inteligente do Brasil tem 191 ou 192, porque naturalmente a pessoa com QI mais alto faz parte de grupos com populações menores (estado, cidade, bairro etc.) e maiores (continente, planeta, galáxia etc.), e sobretudo porque a curva teórica é apenas uma aproximação. Na prática, as crianças e os adultos com QI muito alto são mais abundantes que o previsto pela teoria. Seria preciso fazer um longo trabalho estatístico, usando o método que proponho em http://www.sigmasociety.org/Normas_novo.html, para poder estimar o QI provável da pessoa mais inteligente do mundo.  
  
Um abraço.  
Piu 

-----Mensagem original----- 
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br] 
Enviada em: quinta-feira, 28 de novembro de 2002 16:03 
Para: Hindemburg 
Assunto: ao Oráculo 
 

Como se constrói uma bomba atômica? 
Como se constrói uma bomba de nêutrons? 



-----Mensagem original----- 
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br] 
Enviada em: quinta-feira, 28 de novembro de 2002 16:06 
Para: Hindemburg 
Assunto: ao Oráculo 
 

Eu tentei enviar essa mensagem, deu erro 
dizendo que a mensagem não havia sido 
enviada e depois a mensagem apareceu 
nos Itens enviados. (?) 

Como se constrói uma bomba atômica? 
Como se constrói uma bomba de nêutrons? 



-----Mensagem original----- 
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br] 
Enviada em: quinta-feira, 28 de novembro de 2002 16:09 
Para: Hindemburg 
Assunto: bomba de anti-matéria 
 

Eu não perguntei como se constrói uma bomba de anti-matéria 
porque eu acho que a humanidade não tem responsabilidade p/ 
lidar com uma. 
 

Olá, Pedro!  
  
Tudo bem?  
  
Eu estava feliz por ver que suas últimas perguntas não estavam mais relacionadas a matar sua mãe, mas agora começo a ficar preocupado novamente. Espero que sua intenção não seja destruir o mundo. :o) 
  
As questões sobre bomba atômica e bomba nuclear são triviais, você pode encontrar vasto material na Net. Mas a questão sobre bombas de anti-matéria é mais interessante. De qualquer modo, como a maioria do material sobre energia atômica disponível na Net é muito mal explicado e acrítico, vou dar uma pincelada nesses assuntos também e depois tratar de bombas de anti-matéria.  

Basicamente uma explosão atômica resulta da fissão de núcleos de átomos grandes e instáveis (Urânio, Plutônio etc.) em átomos menores. Isso se consegue fazendo incidir nêutrons de alta energia sobre os núcleos desses átomos. Se o átomo grande tiver meia-vida longa (for pouco radioativo), como o U-238, então o processo será muito difícil (talvez impossível). Por isso é que em vez de U-238, utilizam-se seus isótopos mais instáveis: U-235, U-234, U-233. O U-235 é cerca de 140 vezes mais escasso que o U-238, e o próprio U-238 não e um elemento abundante, portanto a construção deve começar pela extração de matéria prima, ou seja, de Urânio. O Urânio encontrado na natureza não é separado em quadrinhos, como nas tabelas periódicas; ele se encontra misturado, tanto U-238, como 237, 236 são encontrados em forma de rochas e estão incrustadas umas nas outras, porém em proporções diferentes, sendo o U-238 o mais abundante e o U-233 o mais raro. Por isso, para obter U-235 (e menor quantidade de 234 e 233) você precisa reunir muito U-238 e depois “peneirar” repetidas vezes, até conseguir quantidade suficiente de U-235 (e mais leves). Esse processo é caro, exige alta tecnologia e abundância de matéria-prima. Depois que você tiver uns 3,5kg de U-235, precisará de elementos radioativos que lhe permitam gerar nêutrons de alta energia. Esses elementos serão a “espoleta” que vai desencadear o processo. Tendo esses materiais em mãos, basta obter a estrutura onde serão colocados o explosivo e o detonador. Precisa ser um receptáculo com dois compartimentos separados e de modo que a separação posse ser removida (para que ocorra a explosão). Providencie uma caixa, com dois compartimentos. Num dos compartimentos ficará o U-235 e no outro ficará o detonador. Deve ser colocado um isolante adequado entre ambos (chumbo espesso, por exemplo). Quando o isolante for removido (quando a bomba cair e se deformar), os nêutrons emitidos pelo detonador atingirão o combustível/explosivo e cada núcleo de U-235 atingido vai se dividir em núcleos menores + outros nêutrons + energia, de modo a produzir uma reação em cadeia, em que os nêutrons gerados pela fissão atingirão outros núcleos, produzirão outras fissões, e assim por diante. Para que a fissão seja auto-sustentável, é necessário que haja uma determinada quantidade de matéria físsil (massa crítica), caso contrário o processo inicia, libera um pouco de energia e termina sem haver explosão. Dependendo da quantidade de matéria físsil e das condições para regular o ritmo do processo, pode-se ter uma reação controlada e produzir energia gradativamente, durante longo tempo, para suprir as necessidades da população (reator nuclear), ou ter uma reação descontrolada e produzir muita energia num curto intervalo de tempo (bomba).  

A bomba de hidrogênio funciona devido ao processo inverso: em vez de dividir um átomo em outros átomos menores, o processo consiste em unir átomos leves para formar outros mais pesados. É o que acontece nas estrelas. No Sol a temperatura superficial é 5770K e no núcleo chega a 16.000.000K. As regiões mais “frias” são as manchas solares, que atingem cerca de 4300K. Em estrelas azuis, a temperatura superficial pode chegar até 50.000K na superfície e mais de 200.000.000K no interior. Nas anãs vermelhas a temperatura na superfície pode ser de apenas 2300K, e quando a temperatura é muito menor que isso, não chega a ocorrer fusão nuclear, o astro não emite luz no espectro visível e não é classificado como “estrela”. No caso de Júpiter, por exemplo, ele emite mais energia do que recebe do Sol, porém a energia que ele emite não é no espectro visível, portanto ele é considerado um planeta joviano, não uma estrela.  
  
Com temperaturas centrais da ordem de 10.000.000K, toda a matéria se encontra em estado de plasma, isto é, os elétrons ficam “livres” dos núcleos dos átomos. Nessas condições, os núcleos não ficam protegidos por eletrosferas que se repeliriam e evitariam que os núcleos entrassem em contato, por isso as partículas colidem umas com as outras, e em alguns casos ocorre fusão nuclear. Há vários processos desse gênero, dos quais o mais simples é o p-p I. Vejamos o p-p II: o próton é constituído por dois quarks up (cada um com carga +2/3) e um quark down (-1/3). O nêutron é constituído por dois quarks down e um quark up. Quando dois núcleos de hidrogênio (isto é, dois prótons) colidem, um dos quarks up que constitui um dos prótons emite uma partícula virtual W+, e assim o quark up se transforma num quark down (+2/3 menos +1 = -1/3), ou seja, um dos prótons se transforma num nêutron e o outro próton continua sendo próton, portanto os hádrons resultantes formam um núcleo de deutério. O bóson W+, emitido nesse processo, rapidamente se transforma num pósitron e num neutrino (o neutrino é para manter o número leptônico balanceado). Esse bóson W+ é uma partícula virtual e precisa ter um tempo de vida muito curto, para não violar o Princípio da Incerteza. Em seguia, outro núcleo de hidrogênio (leia-se “outro próton”) colide com o de deutério, formando um núcleo de Hélio 3 e liberando um par de fótons. Depois, um núcleo de Hélio 4 (2 prótons e 2 nêutrons) colide com o de Hélio 3, formando um núcleo de Berílio 7 e liberando um par de fótons. Então incide um elétron sobre esse núcleo, e esse elétron transforma um dos quarks up de um dos prótons, em um quark down, transformando o próton em nêutron, assim o átomo de Berílio se transforma em Lítio 7 e libera um neutrino. Por fim, incide um próton sobre o núcleo de Lítio 7, que se transforma num par de núcleos de Hélio 4. O resultado líquido do processo é a conversão de 4 núcleos de Hidrogênio em 1 de Hélio, e cerca de 0,7% da massa envolvida é convertida em energia pela famosa equação E=mc^2. Isso é muito maior que a energia liberada no processo de fissão.  

Essa explicação é contraditória, mas é a explicação convencional e todo mundo a engole. Um dos problemas é que a massa de repouso do próton é menor que a massa de repouso do nêutron, no entanto, na primeira etapa do processo um próton desprende um pedaço e em vez de sua massa diminuir, sua massa aumenta e ele se transforma num nêutron. O pior é que a massa do bóson W+ é cerca de 90 vezes maior que a massa do próton, ou seja, o próton libera uma parte de si que é 90 vezes maior que ele inteiro. Mas para que a história tenha um final feliz, o bóson só existe durante um intervalo muito pequeno e depois se transforma num pósitron+neutrino. Para justificar essas hipóteses, foi proposta a idéia de que uma partícula pode “tomar emprestada” do nada (do vácuo quântico) uma certa energia, desde que a devolva num intervalo curto. Típico “remendão”. Em vez de se empenhar para formular uma teoria decente, os teóricos se satisfazem com qualquer explicação esdrúxula e depois procuram justificar a teoria com alguns retoques. Mas para construir uma bomba você não precisa saber porque ela funciona. Basta que saiba como fazer para ela explodir. :o) O fato das câmaras de bolhas exibirem rastros que sugerem a existência de partículas e processos como estes, não significa que esta seja uma boa explicação (como de fato não é). Os mesmos rastros podem ser explicados de outras maneiras, sem abusar nas contradições. Provavelmente, no futuro esses processos serão melhor compreendidos e terão uma explicação razoável, sem invocar fantasmas.  

No caso de uma bomba de anti-matéria, a dificuldade para obter matéria prima seria muito maior do que para obter U-235, em compensação ela teria um poder de destruição 150 vezes maior. U-235 você pode minerar e extrair da terra, mas você não encontra anti-matéria em lugar nenhum do nosso planeta. Se em algum momento existiu um átomo de anti-matéria em nosso planeta, em pouco tempo (menos de 1 segundo) ele colidiu com alguma partícula da vastidão de matéria ao redor, e foi convertido em energia. Se em alguma parte do universo houver anti-matéria em quantidade significativa, talvez seja possível detectar traços disso, mas não haveria como coletar essa anti-matéria, porque ao entrar em contato com qualquer matéria (por exemplo, um saquinho plástico no qual nós  tivéssemos a intenção de guardá-la), ela se transformaria em energia (e também converteria em energia uma massa equivalente da matéria em que tocou). A pouca anti-matéria que já pudemos detectar foi produzida em laboratório, ou seja: foi usada energia para produzir matéria + anti-matéria, mas a finalidade de uma bomba é justamente o contrário: usar matéria + anti-matéria para produzir energia. Uma fantasia seria obter anti-matéria dos mésons, porque os mésons são formados por um quark e um anti-quark. Mas em minha opinião isso é mais uma contradição grosseira da teoria, porque matéria e anti-matéria não poderiam co-existir sem que se transformassem em energia.  

O fato é que não se sabe o que é a matéria, e muito menos o que é a anti-matéria. Sabe-se que aquilo a que se chama “matéria”, quando entra em contato com aquilo a que se chama “anti-matéria”, as massas se convertem em energia. O modelo teórico sugere que seja muito difícil (impossível) construir uma bomba de anti-matéria, mas como o modelo provavelmente está errado, talvez seja só uma questão de tempo.  
  
Uma bomba de anti-matéria ou bomba de quarks pode ser muito útil para desviar asteróides em rota de colisão com a Terra ou, em casos de asteróides pequenos, podem até mesmo ser despedaçados em fragmentos pequenos o bastante para que sejam pulverizados ao entrar na atmosfera. Quanto aos perigos que representariam essas bombas, eu suponho que seriam pequenos, porque elas provavelmente seriam armazenadas na face oposta da Lua (é o lugar seguro mais próximo em que posso pensar). Conforme sabemos (basta olhar pra Lua mais de duas vezes), ela mantém sempre a mesma face voltada para a Terra, porque seus movimentos de rotação e translação são iguais (cerca de 27,321661 dias), e qualquer coisa situada na face oposta não teria como atingir a Terra a menos que atravessasse a Lua inteira, e isso seria improvável até mesmo para uma bomba de anti-matéria.  
  
As armas nucleares são suficientes para exterminar milhares de vezes toda a vida no planeta, portanto as bombas de anti-matéria não somariam perigo algum à situação atual. Claro que se as bombas de anti-matéria fossem mais susceptíveis à detonação involuntária e se fossem armazenadas na Terra, o perigo seria maior.  
  
Eu acredito que nenhuma fonte de energia conhecida atualmente será suficiente para abastecer a humanidade nos próximos anos a menos que haja uma política rigorosa de controle de natalidade e racionamento. Qualquer descoberta nesse campo abriria um vasto leque de possibilidades, tanto no sentido de possibilitar transportes a longas distâncias (outros sistemas planetários) como no abastecimento de energia e na prevenção contra desastres naturais, especialmente asteróides. Por isso seria interessante algo como “energia gerada por anti-matéria”, desde que a existência da vida não seja ameaçada pelo perigo de acidentes em larga escala.  
  
Um abraço! 
Piu

-----Mensagem original----- 
De: Javier Rodríguez Doval [mailto:jrguezd@hotmail.com]  
Enviada em: sexta-feira, 13 de setembro de 2002 11:32 
Para: sigma@ sigmasociety.com 
Assunto: Oráculo: temas paranormales 
 
 

Estimado Hindemburg Melao Jr: 

 En primer lugar desearos a ti y a Sigma Society muchos éxitos para vuestros  
proyectos presentes y futuros. Y a ti personalmente manifestarte mi  
admiración por tu biografía y por tu forma de escribir, tan amena. 
 El tema de la inteligencia siempre me ha fascinado y he leído muchas cosas  
en vuestras páginas que me han gustado y satisfecho profundamente. Gracias  
por ello. 
 Mis preguntas son: 
 -¿Sabes, o puedes estimar, el CI de Nietzsche y el de Gauss?¿y el de  
personajes de ficción como Sherlock Holmes? 
 -Y quería saber tu opinión, tanto la racional como la intuitiva, sobre  
temas paranormales como la telepatía, telequinesia, adivinación del futuro o  
del presente, fantasmas, levitación... 

  Muchas gracias. Atentamente, 
    Javier Rodríguez Doval 
 

Prezado Javier Rodríguez Doval, 

            Muchas gracias por sus palabras amables! :-) 

            Bertrand Russell estimou o QI de Nietzsche em 180+. Há que se levar em conta que na época de Russell não havia testes adequados para medir QIs acima de 150. O Mega Test foi criado no início da década de 1980 e o LAIT em 1979. Então a estimativa de Russell provavelmente se baseava num padrão inadequado. Algumas fontes mencionam 200, mas isso provavelmente está exagerado. Eu conheço pouco sobre a obra de Nietzsche, por isso não tenho como fazer uma estimativa acurada. Comecei a ler “Assim falava Zaratustra”, não gostei do livro e não terminei de ler (li cerca de 1/3). Por outro lado, alguns aforismos de Nietzsche são muito bons. Eu diria que o QI de Nietzsche pode ser qualquer coisa entre 150 e 180. 

            No caso de Gauss, é mais fácil fazer uma estimativa, por meio de comparações. Nas estimativas de Catherine Cox, Newton tinha 190 e Laplace também. Então Gauss ficaria no mesmo nível. Mas em minha avaliação, seguramente Newton tinha mais que 190, talvez uns 205, e Laplace deveria ter de fato uns 190. Então Gauss talvez ficasse na faixa de 195 a 200. Aquele problema que ele resolveu aos 11 ou 12 anos, sobre a soma de uma PA, é relativamente fácil até mesmo para uma criança, e conheço várias pessoas que fizeram o mesmo tão ou mais jovens do que ele. A demonstração que ele deu sobre a impossibilidade de construir um polígono de 7 lados usando apenas régua e compasso, isso pode ser um indicativo interessante de pelo menos 180+. O método para cálculos de órbitas planetárias foi algo mais ou menos “feijão com arroz”, sem muita importância do ponto de vista intelectual, mas constitui uma importante ferramenta operacional. É equivalente ao efeito brawniano (Einstein é referido muito mais vezes, em revistas técnicas, por ter descoberto o efeito brawniano do que por seus trabalhos sobre Efeito Fotoelétrico ou pela Teoria da Relatividade, isso porque o efeito brawniano é industrialmente aplicado com freqüência). A famosa distribuição normal também não representa satisfatoriamente a capacidade de Gauss. Acho que os trabalhos atribuídos a ele sobre Geometrias não-euclidianas (bem antes de Lobachevsky, Bolyai e Riemann) foram o que ele fez de mais interessante, e também a soma de vários outros trabalhos, representam bem sua versatilidade e a profundidade de suas idéias. A obra de Gauss é muito vasta e expressiva, provavelmente equivalente à de Newton (na Matemática) e superior à de Euler (qualitativamente). Mas minha estimativa é de um leigo. Sei que Euler é autor de muitos trabalhos “pequenos” (seriam considerados grandes ou mesmo grandiosos pela maioria dos acadêmicos), enquanto Gauss é autor de uma quantidade menor de trabalhos realmente grandes. Euler jogava Xadrez e Russell também. Mas eles não estudavam muito e fica difícil fazer uma avaliação com base nisso. Euler foi o primeiro a chegar perto de resolver o problema do salto do Cavalo, em que é preciso fazer um Cavalo passar por todas as casas do tabuleiro, caindo só uma vez em cada uma, e numerando as casas de 1 até 64, de modo que as somas de cada coluna, cada fileira e cada grande diagonal seja igual a 260. Ele conseguiu as somas nas colunas e fileiras, mas nas grandes diagonais obteve algo como 264 e 256. Mas isto é um problema que envolve muito trabalho braçal e pouco trabalho intelectual, e hoje em dia pode-se resolver com o auxílio de computadores. Enfim, Para Gauss, calculo que algo entre 195 e 200 e para Nietzsche algo entre 150 e 180.  

            Sobre Sherlock Holmes, podemos estabelecer como teto o QI de Conan Doyle: uns 150. O autor pode criar situações em que o personagem consegue resolver problemas que ele próprio não conseguiria, mas na verdade muitos desses problemas se baseiam em falácias. Os dados disponibilizados pelo autor, algumas vezes não são suficientes e podem ter mais de uma solução. Assim o personagem não está sendo inteligente ao resolver um problema que outros não conseguem, em vez disso, o autor está trapaceando e levando o personagem a chegar a conclusões do que aconteceu (porque ele quer que tenha acontecido) com base em evidências que poderiam levar a conclusões diferentes. 

            Sobre paranormalidade, eu sou muito cético, mas não uso viseiras. Atualmente pode-se mover ponteiros do mouse com o pensamento (na verdade não é propriamente com o pensamento), e algumas pessoas conseguem ouvir o som das cordas vocais enquanto pensamos (quando pensamos, normalmente verbalizamos nossos pensamentos e movimentamos nossas cordas vocais). Mas não sei até que ponto isso pode ser encarado como indício de que comunicação telepática seja possível. De qualquer modo, num futuro distante é quase certo que desenvolveremos alguma maneira de estabelecer contato a longa distância e com quase simultaneidade.  

            Eu não sei o que é “telequinesia”. Pela sonoridade, suponho que possa ser “telecinesia”, mas não sei se tal palavra existe em português e se existe eu não sei o que é, mas posso presumir que “cinesia” diz respeito à movimento. Seria algo como teletransporte? Projeção astral? Em caso afirmativo, o teletransporte tem sido realizado em alguns laboratórios, mas não exatamente como nos filmes de ficção. O objeto (um feixe de laser, no caso) que some num lugar não é o mesmo que aparece no outro lugar. É um feixe idêntico, mas não com a mesma identidade. Eu não conheço os detalhes dessas experiências, mas estou supondo que eles usem EPRB para isso. Em escala humana, isso não será possível por um bom tempo. Com relação à projeção astral, eu não conheço nenhuma experiência séria sobre o assunto, o que me leva a pensar que não existe nenhuma evidência de que isso seja possível. Uma experiência simples seria uma pessoa que se diz capaz de projetar-se fora do corpo, ser levada para uma sala fechada e permanecer nessa sala. Num outro local, alguém escreveria um número com 20 algarismos. Se a pessoa puder ir à outra sala (fora do corpo), voltar e repetir o número, seria uma evidência 99,99999999999999999% segura de que projeção astral é possível. Se a pessoa alegar que não consegue memorizar 20 algarismos, ela pode fazer 4 seções com 5 algarismos. Mas até onde sei, nunca foi feita uma experiência desse gênero em que o resultado tenha sido positivo. Mas acho que num futuro muito distante, talvez seja possível. Nossa capacidade de enxergar a olho nu objetos situados a milhões de anos-luz, é uma forma de percepção incrível. Nossa capacidade de distinguir cores e profundidades também. A visão não está presente em algumas formas primitivas de vida, o que nos leva a pensar que depois de mais alguns bilhões de anos de evolução, provavelmente nosso organismo desenvolverá novos sentidos e será capaz de algumas coisas que hoje não podemos sequer imaginar. A habilidade de estabelecer contato telepático e de projetar-se fora do corpo me parece útil para a sobrevivência da espécie, por isso, se for fisicamente possível, deve ser uma tendência evolutiva. Mas nossa Física atual impõe algumas limitações para isso. Certamente há muitos erros em nossa Física, mas não há como saber se este é um dos pontos errados. De qualquer modo, eu creio que atualmente essas coisas não existem, mas não descarto a possibilidade de existirem no futuro.  

            Sobre adivinhar o futuro, isto nós fazemos o tempo todo. Os mesopotâmios, assírios, egípcios e chineses previam eclipses com muitos anos de antecedência. Isso é relativamente fácil com fenômenos cíclicos ou predominantemente determinísticos. Mas prever um terremoto, uma tempestade ou o comportamento do mercado de ações, requer uma matemática mais pesada e as previsões são muito limitadas. No caso das pessoas, não há como fazer previsões. Astrologia, por exemplo, não tem nenhum fundamento. Se o planeta Urano tivesse recebido o nome de “Georgium”, como pretendia Herschell, em vez de receber o nome “Urano”, então provavelmente os astrólogos atribuiriam a este planeta traços típicos da personalidade do rei Jorge III, em vez de traços do personagem Urano da mitologia, e a influência que Urano teria sobre as pessoas seria diferente. Na verdade, a Astrologia é tão vazia de fundamento que não vale a pena qualquer esforço para mostrar esse fato.  

            Mas quando você fala em “adivinhar o futuro” eu suponho que quer dizer a pessoa (ou a mente da pessoa) ir adiante no tempo, receber informações, recuar novamente para o presente e preservar a informação do que acontecerá no futuro. Essa é uma questão que já foi discutida nessa seção, quando nosso amigo Pedro Bessa estava querendo matar a mãe dele. :-) Mas naquele caso, falamos sobre uma viagem física no tempo. Em sua pergunta, você pode estar se referindo a uma viagem mental. Eu acho que das duas, a viagem mental é a menos difícil. Não tenho idéia de como poderia ser feito, e acho que poderia ter o mesmo problema que citei na resposta ao Pedro: o futuro que você vai encontrar em sua viagem mental não será necessariamente o mesmo que vai encontrar quando ele chegar fisicamente. Eu não estou dizendo que você vai influir no futuro e mudá-lo (embora essa também seja uma possibilidade), mas digo que podem existir tantos futuros diferentes como o número de ramificações que existem num fractal escolhido ao acaso, ou seja, é um número virtualmente infinito. E em sua viagem mental, você pode ir para um deles, voltar, e depois pode ir materialmente para qualquer outro futuro diferente daquele para o qual sua mente visitou. Mas isso tudo é muito fantasioso, porque nem sequer podemos saber se existe algo como “futuro”. Nosso amigo Rodrigo Horst tem uma idéia muito interessante sobre tempo. Ele vincula o tempo aos eventos, mas precisamente ao movimento. Se no universo houvesse somente duas bolas e elas estivessem unidas, depois estivessem separadas e depois novamente estivessem unidas. Isso não significa que o tempo teria avançado e depois recuado à origem, mas também não significa que não tenha acontecido isso, porque as situações antes e depois seriam indistintas. No nosso caso, temos memória, por isso saberíamos que a situação estaria se repetindo, em vez do tempo estar avançando e recuando. Mas suponha que, assim como as bolas foram e voltaram exatamente para as mesmas posições, que também todos os componentes de seu organismo e tudo à sua volta avançasse e recuasse exatamente para a posição de origem. Então as informações registradas em sua memória sobre a situação anterior seriam apagadas e você não teria como saber se aquela situação estava acontecendo pela primeira, pela segunda ou pela n-ésima vez. Isso não é recuar e avançar no tempo. É avançar a recuar no espaço com a ilusão de estar avançando e recuando no tempo. Mas qual é a diferença? Objetivamente, nenhuma. Conceitualmente, porém, há uma grande diferença. Hawking fez muitas especulações sobre o assunto, mas o que ele fez foi meramente usar equações que ele julga representarem o comportamento do universo, e analisou como essas equações se comportam. Ele constatou que se o universo se comportasse como as equações, então o tempo não poderia recuar. Isso não quer dizer nada, porque as equações são uma representação grosseiramente incompleta do que ele supõe que seja o universo. O fato é que não se sabe o que é o tempo. Então não há como saber o que aconteceria num caso desses. Eu não conheço nenhum caso de previsão do futuro confirmada. Algumas vezes acontecem coisas muito estranhas, somos levados a pensar que houve premonição, mas se analisarmos a quantidade de vezes que essas premonições acontecem ao longo da vida, eu acho que podemos constatar que de cada zilhão de eventos aleatórios, um se configura como premonição, porque na verdade isso é uma coincidência estatisticamente previsível. No caso da mãe dinah (eu não sei se ela é conhecida em seu país, mas aqui no Brasil há muitos que acreditam nas previsões dela), ela indica números para as pessoas jogarem em diversas loterias, e algumas vezes as pessoas ganham. No Brasil há 170 milhões de habitantes, e não me surpreenderá se uns 100 milhões de pessoas confiarem nas previsões da mãe dinah. Digamos que dessas 100 milhões, talvez 0,1% estejam dispostas a jogar nos números indicados pela futuróloga. Então serão 100.000 apostadores. Como algumas loterias oferecem chances de ganho na faixa de 1/10.000, é natural que muitas pessoas confiem nessas previsões, porque a mídia só vai divulgar os 0,01% de casos bem sucedidos e omitir os 99,99% restantes, transmitindo a idéia fraudulenta de que as previsões foram corretas.  

            Sobre fantasmas, algo como uma vida imaterial, que temos animando nosso corpo material, e que permanece fora do corpo depois da nossa morte, eu acho que as pesquisas apontam para inexistência disso, mas são pesquisas tendenciosas, que partem do pressuposto de que isso não existe e tentam provar que não existe. Infelizmente, as pesquisas que tentam provar o contrário não são sérias e não merecem crédito. Alguns fotografam o calor (geralmente infravermelho e comprimentos de onda longos) emanado pelo corpo humano e dizem que é a foto da aura, evidenciando a existência do espírito. Mas se você fotografar um forno quente, verá que o forno também tem “aura” e, portanto, tem alma. Eu comecei a ler o Evangelho Segundo o Espiritismo, mas eu não agüentei. Toda minha família é kardecista e eu fui educado nesse ambiente, mas há muitas idéias erradas nessa e em qualquer outra doutrina. Logo no início, o autor apresenta uma falácia atrás da outra, e vai chegando a conclusões cada vez mais absurdas. Algo como: Todos os gatos têm pelos e todos os cachorros têm pelos, portanto gatos são cachorros. E alguns gatos comem pássaros e pássaros podem voar, então gatos também podem, e como os cachorros também são gatos, eles também podem voar. As laranjas são redondas e a Terra também é redonda, portanto existe purgatório. Enfim, eu não tive paciência para ler mais do que as primeiras páginas. Mas o fato de alguém (Kardec) defender uma idéia interessante (vida imaterial) com argumentos ruins, não torna a idéia ruim. Eu acho que podem existir vidas imateriais, e presenciei algumas evidências que me impressionaram, mas tento me manter cético e só aceito algo como válido quando as provas são realmente muito fortes. As pessoas que procuravam Chico Xavier, geralmente o faziam em condição de completo desespero, e estavam propensas a acreditar naquilo quem queria acreditar, por isso os depoimentos sobre assinaturas e caligrafias psicografadas não me parecem evidência suficiente, mas, em alguns casos, as pessoas exibem cartas escritas pelo ente falecido e assim é possível fazer uma comparação objetiva. Os resultados são bastante impressionantes. Mas existem explicações alternativas. Pode ser, por exemplo, que aconteça alguma transmissão involuntária de informação da pessoa que busca contato com o ente falecido para  o médium que recebe a mensagem. Mas nesse caso estaríamos tentando remendar o ceticismo sobre vida após a morte, mediante a renúncia ao ceticismo sobre telepatia. Em todos os casos, parece que é necessário abrir mão de alguns dogmas impostos pela nossa limitada Ciência e aceitar que existem fenômenos difíceis de explicar. Mas é preciso ter em mente que o fato de não haver uma boa explicação científica, não significa que devemos acorrer a qualquer explicação esotérica. Devemos nos manter com a mente aberta para eventuais novas possibilidades e não renegar a existência de alguma coisa apenas porque não conseguimos entender como essa coisa funciona. Também não podemos forjar uma explicação mística e estapafúrdia apenas para fingir que sabemos algo que não sabemos.  

            Quanto à levitação, na década de 1990 foram feitas algumas experiências sobre efeitos de anti-gravidade, produzido por discos girando a altas velocidades. Mas parece que ninguém conseguiu reproduzir essas experiências em outros laboratórios, então é muito provável que sejam resultados induzidos. As experiências revelaram que um disco girando a cerca de 3000rpm podia reduzir em 2% o peso de uma bola de ping-pong pesada numa balança logo acima do disco giratório. Se fossem dois discos, o peso diminuía 4%. Essa questão foi discutida há poucos dias num grupo de alto QI. Minha hipótese é de que a experiência não foi levada a cabo com o devido rigor. Mas suponhamos que a experiência esteja correta, então pensei que talvez o disco giratório pudesse reduzir a quantidade de grávitons que o atravessam, atenuando o efeito da gravidade. Por exemplo: se você faz incidir partículas alfa sobre uma fina folha de ouro, a quantidade que vai atravessar a folha será maior com a folha parada do que com a folha girando. O motivo é que o átomo é 99,9999999% de espaço vazio. Se a folha de ouro tiver espessura de 100.000 átomos (0,01mm), então 99,99% das partículas alfa atravessarão a folha parada. Se você girar a folha rapidamente, a probabilidade da partícula colidir com algum pedaço “sólido” do átomo, e não atravessar a folha, será muito maior, portanto, dependendo da velocidade, pode ser que apenas 98% das partículas atravessem a folha girando. Um efeito análogo, porém com grávitons em lugar de partículas alfa, e com um disco de cerâmica em lugar de uma folha de ouro, pode explicar o fenômeno observado. Quando eu citei a possibilidade do giro drenar a quantidade de grávitons, alguém contestou dizendo que a quantidade de fótons que atravessam um copo parado ou um copo girando é a mesma. Mas quando citei o exemplo das partículas alfa, deixaram de contestar a hipótese. Contudo, depois eu percebi que havia alguns problemas. Se os grávitons realmente fossem bloqueados por um fino disco giratório, então pouquíssimos grávitons conseguiriam atravessar um corpo tão grande como a Terra, e a intensidade da gravidade não seria proporcional à massa (um gráviton que parte do centro da Terra teria menores chances de chegar à superfície do que um gráviton que parte de uma região próxima à superfície) e isso está em desacordo com a experiência, porque significaria que uma bola pequena teria gravidade mais intensa na superfície do que a esperada pela teoria (e confirmada na prática), enquanto uma bola grande (ex.: o sol) teria gravidade menor que a esperada pela teoria e confirmada na prática, e essas desproporções seriam muito grandes, ao ponto de serem facilmente detectáveis. Mas não há nenhuma evidência disso, portanto não deve ser assim.  

            Levitar com o pensamento, como parece ser a intenção da pergunta, eu acho que não é possível. Há algum tempo, eu vi uma reportagem sobre um homem que esteve próximo ao Dalai Lama durante décadas, mas decidiu afastar-se porque constatou muitas fraudes. Não quero colocar em discussão a questão dele ter levado décadas para perceber as fraudes, por isso não vamos nos desviar do assunto. Bom, o tal homem começou a fazer declarações sobre a lenda de que o Dalai Lama era capaz de voar, e uma das coisas que ele disse é que se ele realmente podia voar, para que precisava de dois helicópteros particulares? A reportagem era ruim e fez alguns comentários sem fundamento. Disseram, por exemplo, que se alguém pudesse levitar, que essa pessoa escaparia para o espaço numa trajetória tangente à superfície da Terra. Isto é evidentemente errado. Bastaria que uma pessoa tivesse densidade menor que a do ar próximo à superfície e maior que a do ar a uma certa altitude, para ficar flutuando naquela altitude. O problema é que para ter densidade menor que a do ar (1,293kg por metro cúbico a 0oC, no equador, 760mHg), a pessoa precisaria expandir-se umas 700 vezes ou diminuir sua massa umas 700 vezes. Creio que seria necessário haver algum outro meio de anular a gravidade, porque pela densidade seria realmente difícil. Claro, existe uma maneira tradicional e bem conhecida para anular a gravidade, que consiste em fazer um mergulho parabólico com um avião. Assim a pessoa pode levitar sem problema, durante alguns segundos. Em órbita, a pessoa também pode levitar. Esses são os casos que conhecemos atualmente que permitem levitar. Em outras circunstâncias, atualmente não é possível.  

            Um abraço!  
            Piu 

-----Mensagem original----- 
De: gusmonzon@zipmail.com.br [mailto:gusmonzon@zipmail.com.br]  
Enviada em: sexta-feira, 30 de agosto de 2002 13:41 
Para: melao@sigmasociety.com 
Assunto: Inteligência Absoluta, não Relativa 
 

Olá Hindemburg! Um dia desses uma idéia me surgir: Como os dois testes que você produziu podem "mensurar" QI's acima do seu!!??? Aliás, qual é seu QI? SE o seu e o do Petri forem na casa de 180-190(pela escala que consta no teste), como poderiam formular questões e idéias de pessoam que alcançem um nível de pemsamento mais elevado que o de vcs e com isso poder "mensurá-los"??? Quem acerta integralmente o teste, no máximo possui o nível de capacidade intelectual que vcs possuem, ou não??  SE não, de onde tiraram tais questões?  
 Com certeza, você consegue perceber o tipo de questionamento que estou buscando compreender e suas implicações... 

  Acredito que o que se chama de inteligência, seja "natural" ou artificial(computacional) nada tem de inteligente, são apenas programações provenientes das mais diversas condições e experiências, e ou adaptações do tipo tentativa-erro e, dependendo do estímulo que se recebe se reaje baseado nestas programações, ou o que pode se chamar de "experiência de vida", fato este observável em qualquer espécie, incuindo humanos.  

  Não acredito que ISTO seja inteligência, pelo simples fato que isto nos reduziria a meras máquinas: sendo nossos corpos, hardwares, nossas mentes, sistemas operacionais e os vários softwares(programas) seriam as ditas "experiências de vida" que vamos adquirindo. Então (numa contínua analogia grosseira) a evolução dos seres seria meramente o GANHO de capacidade de processamento 
--> 386,486,pentium, pentium II, III, IV...e por aí vai ????!!!! Isso  
--> seria 
a inteligência?? Me recuso a acreditar. Pois assim o único ser realmente inteligente, ou melhor, o único SER, seria a causa primária, ou eja, DEUS. 

  Claro que estou sendo leviano e grosseiro em minhas observações, por se tratar de algo complexo e eu estar especulando com analogias simples e pouco significativas, mas meu intuito é despertar a reflexão, não o de estar certo sobre tudo que digo. Meu intuito é SEMPRE este, e não chamo isso de humildade, mas bom-censo. :-) 

  Espero suas idéias sobre esta questão e nossa possível discussão(?) sobre 
elas... Se desejar poderia adaptá-la e inseri-la no quadro ORÁCULO.  
        té mais!!...    Gustavo M 
 
 

Olá, Gustavo!  
  
Tudo bem?  

Olá Hindemburg! Um dia desses uma idéia me surgir: Como os dois testes que você produziu podem "mensurar" QI's acima do seu!!??? Aliás, qual é seu QI?  
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Quando era mais novo, eu achava que era o mais inteligente e o mais ágil do mundo. À medida que fui me tornando mais velho e mais burro, fui percebendo que não é possível mensurar certas coisas. Por comparação, é possível ter estimativas aproximadas, baseadas no desempenho em determinados testes, mas nada melhor que isso. Eu tentei criar instrumentos de medida que fossem melhores do que os que eu conhecia, mas não sei se fui bem sucedido.  
Hoje eu vejo algumas pessoas mais velhas do que eu dizendo que são a mais inteligente dos universos, do mundo ou das Américas. Eu acho que todos essas pessoas têm razão, e como eu não quero entrar nessa disputa, porque é muito acirrada e estressante, decidi reivindicar para mim um título que ninguém ainda reivindicou: o de ter o QI mais baixo do mundo. Eu já conversei com o Petri e nós vamos fundar uma sociedade de baixo QI. Para se associar, basta ter QI acima de 0 e ter feito alguma coisa muito estúpida, do tipo não saber a pronúncia correta do próprio nome (como no meu caso) ou errar a própria data de nascimento (como um amigo, não sei se ele vai querer que o nome dele seja citado aqui, por isso não vou dizer por enquanto), ou possuir algum documento emitido por uma entidade credenciada, atestando um baixo QI, como no caso de Ossip Bernstein, que tem um documento atestando que ele é “Mestre idiota”, reconhecido em cartório e rubricado pelo campeão mundial Emmanuel Lasker.  
  
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SE o seu e o do Petri forem na casa de 180-190(pela escala que consta no teste), como poderiam formular questões e idéias de pessoam que alcançem um nível de pemsamento mais elevado que o de vcs e com isso poder "mensurá-los"??? Quem acerta integralmente o teste, no máximo possui o nível de capacidade intelectual que vcs possuem, ou não??  SE não, de onde tiraram tais questões?  
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Das 10 questões do ST-VI, a primeira foi criada para o ST e até agora foi resolvida por 5 pessoas, a segunda foi criada para o ST e até agora foi resolvida por 1 pessoa. A terceira foi criada para o ST-VI e ainda não teve nenhuma resposta correta. A quarta foi publicada no livro de George Gamow, e existe desde 1958, mas ninguém resolveu corretamente (a solução proposta por Gamow e repetida há quase 50 anos está errada). A quinta existe há mais de 500 anos e ninguém resolveu corretamente. Eu acho que se o teste for nivelado com base nisso, podemos estabelecer com certa segurança que 1 certo > 160, 3 certos > 170 e 5 certos > 185. Daí para a frente, são extrapolações. Particularmente, eu acredito que seja mais fácil conseguir 180 no ST do que no ST-VI. Mas acho que 200 é mais fácil de conseguir no ST-VI do que no ST. Estou apenas chutando, porque não dispomos de amostragem que permita confirmar isso. A dificuldade intrínseca das questões é alta. Das 10 questões, 8 são inéditas. As 2 que não são inéditas (4 e 5) têm soluções inéditas, e muitas pessoas inteligentes trabalharam nessas 2 questões durante décadas (na 4) ou séculos (na 5). Por isso acho que a norma está razoável. A questão 3 talvez seja trivial para quem trabalha com matemática discreta em espaços n-dimensionais, mas já consultei algumas pessoas da área que me disseram que deve haver no mundo no máximo umas 100 pessoas que dominem o conhecimento necessário para resolver esse problema, e as outras 6.336.572.921 pessoas (agora que você está lendo, já nasceram outras...) terão que improvisar um método, e isso não será fácil. Portanto, se o nível de dificuldade dos problemas do ST-VI não for adequado para discriminar no nível 190+ ou 200+, eu não sei se existe algum teste que sirva para isso.  
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 Com certeza, você consegue perceber o tipo de questionamento que estou buscando compreender e suas implicações... 

Acredito que o que se chama de inteligência, seja "natural" ou artificial(computacional) nada tem de inteligente, são apenas programações provenientes das mais diversas condições e experiências, e ou adaptações do tipo tentativa-erro e, dependendo do estímulo que se recebe se reaje baseado nestas programações, ou o que pode se chamar de "experiência de vida", fato este observável em qualquer espécie, incuindo humanos.  
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A questão 4 do ST-VI não pode ser resolvida por nenhuma máquina inteligente, não importa o quão veloz ela seja nem o quão elaborado seja seu algoritmo. Quem encontrar a resposta, perceberá o que pretendo dizer. A questão 1 pode ser facilmente resolvida por uma máquina que consiga interpretar o enunciado. A 2 pode eu acho que talvez possa ser resolvida também. A 3 e a 5 com certeza podem ser resolvidas. As duas últimas não podem. As outras 3 (6,7,8) eu não tenho certeza, mas acho que podem resolver desde que sejam velozes e com algoritmos suficientemente bem elaborados.  
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Não acredito que ISTO seja inteligência, pelo simples fato que isto nos reduziria a meras máquinas: sendo nossos corpos, hardwares, nossas mentes, sistemas operacionais e os vários softwares(programas) seriam as ditas "experiências de vida" que vamos adquirindo. Então (numa contínua analogia grosseira) a evolução dos seres seria meramente o GANHO de capacidade de processamento 

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Evolução não precisa estar relacionada à inteligência. Os dinossauros evoluíram para ter corpos grandes e cérebros pequenos; com isso se tornaram bem adaptados ao meio e dominaram o planeta. Outros animais com cérebros maiores que os deles não podiam competir com eles. Os motivos pelos quais os humanos sobrepujaram os outros animais são complexos e envolvem muitos fatores combinados. O cérebro grande e com muitas sinapses não torna os humanos mais evoluídos que outros organismos. Nos torna apenas mais inteligentes. Por exemplo: um cavalo de hoje é mais evoluído (evoluiu durante mais tempo) que um humano de 10.000a.C., porém o humano de 10.000a.C. era mais inteligente que o Cavalo de hoje. Os humanos não constituem o topo de uma pirâmide evolutiva, mas apenas uma entre as muitas sub-sub-sub...sub-ramificações de um tronco principal iniciado há cerca de 3 ou 3.5 bilhões de anos. Eu arrisco o palpite de que em algum momento de nossa história futura evoluiremos para uma condição imaterial. Não se trata de um palpite bizarro e místico. Trata-se de reconhecer que sabemos muito pouco sobre a Natureza. No século XVII, ninguém levaria a sério a idéia de que energia e matéria são a mesma coisa, ninguém pensaria que pode existir uma velocidade limite, ninguém pensaria que um objeto pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. E provavelmente o pessoal do século XVII tinha razão. :-) mas hoje a maioria dos pesquisadores ditos “sérios” considera que essas coisas acontecem. Eu acho que dispomos de evidências boas de que energia pode ser transformada em matéria e vice-versa. Mas ainda não temos evidências suficientes sobre muitas coisas.  
Com relação à inteligência, eu não vejo motivo para que seja uma qualidade estritamente humana ou estritamente orgânica. Na minha concepção, a inteligência consiste na participação sinérgica dos elementos heurísticos. Grosseiramente, uma das manifestações da inteligência é a resolução de problemas, outra manifestação é a criação mental de estruturas complexas, a elaboração de textos, a demonstração de teoremas, a capacidade de aprender e aplicar o conhecimento adquirido no tratamento de questões novas etc. Sendo assim, uma máquina que resolve problemas, aprende e cria, é uma máquina inteligente. Algumas pessoas muito céticas podem querer mudar a definição de “inteligência” sempre que uma máquina conseguir se enquadrar na definição vigente, e logo em seguida os cientistas cognitivos vão alcançar a nova definição com máquinas cada vez mais sofisticadas, e novamente os céticos vão mudar a definição de modo a excluir as máquinas etc. Ao longo desse processo, a inteligência das máquinas vai se aproximar cada vez mais à definição idealizada, enquanto a nossa inteligência orgânica ficará mais ou menos como está, então chegará a um ponto que os céticos perceberão que as máquinas atendem melhor ao conceito de inteligência do que os humanos, e começarão a se perguntar se nós podemos ser considerados seres inteligentes. :-)  
  
Um abraço  
Piu 

-----Mensagem original----- 
De: JOSEB.NOVOA [mailto:JOSEB.NOVOA@terra.es]  
Enviada em: domingo, 18 de agosto de 2002 06:39 
Para: sigma@ sigmasociety.com 
Assunto: capacidad y ajedrez 

Hola, 
Me gustaría hacerle dos preguntas: 
¿cuál cree usted que sería el máximo ELO FIDE que podría alcanzar una  
persona 
con un cociente intelectual de 125-130, con un buen entrenamiento y  
práctica a lo largo de varios años? 

¿existe un mínimo de capacidad mental para jugar ajedrez a la ciega (1,2 o más simultáneamente) y qué habilidad es más importante para jugar a ciegas: memoria, velocidad mental, pesamiento lógico, habilidad mental espacial, etc...(aparte del conocimiento ajedrecístico, claro está)? Gracias por su atención, Atentamente, José 
  
  
  
Hola, José!  
  
            Saludos!  

            Nosso amigo Eduardo Corrêa da Costa, há algum tempo me enviou uma lista com os nomes de várias personalidades e seus respectivos QIs. Entre os nomes de enxadristas, constava o de Kasparov, com QI 123 no RAPM e 135 no Eysenck. Ambos são testes credenciados. Também sabemos que Kasparov superou a marca dos 2850 de rating e que esse rating corresponde a cerca de 190. Como interpretar esses dados?  

            O RAPM é principalmente um teste de velocidade, e o desempenho em testes de velocidade pode variar amplamente em comparação ao desempenho em testes de pensamento profundo e imaginação, mas essa não é uma explicação adequada para o caso de Kasparov, porque além de ser muito veloz, ele também é muito profundo e original. A diferença gritante pode ser atribuída a um ou mais entre uma vasta gama de fatores: pressa, ansiedade, insegurança sobre as respostas ou, ao contrário, excesso de confiança. Mas a explicação que atualmente considero a mais plausível é excesso de profundidade na análise! Embora isso possa parecer contraditório, na verdade é uma explicação pertinente, porque uma pessoa excepcionalmente criativa e veloz, como Kasparov, tende a enxergar mais associações e analogias do que outras pessoas, assim, ao ser obrigado a escolher apenas uma resposta, os riscos dele escolher uma que não seja a mesma do gabarito são maiores. Desse modo, ele pode ter sido prejudicado por sua criatividade, que talvez o tenha levado a pensar em soluções que não são levadas em conta pelos criadores dos testes nem pelos examinadores. Mas no caso do RAPM, até onde sei, é um teste de boa qualidade e isento de questões dúbias. A única maneira de dar respostas diferentes das consideradas corretas é realmente “errando”. Existe também a possibilidade de ser outra pessoa chamada Kasparov, em vez de Garry. Eu não sei qual foi a fonte de onde foram extraídas as informações sobre esses escores, e não encontrei nenhuma referência que confirme esses números em nenhum livro, por isso não podemos descartar a possibilidade de um homônimo. Particularmente, eu prefiro acreditar que o QI de Kasparov situa-se em algum lugar em torno de 180-210.  

            Quanto ao ELO que pode ser alcançado por uma pessoa que tenha obtido um determinado escore em teste de QI, isso vai depender da semelhança entre o que o teste está medindo e o que o ELO está medindo. O ELO mede pensamento profundo e criador, pensamento veloz para questões complexas, cálculo mental veloz e complexo, memória, pensamento abstrato, pensamento espacial, imaginação, aplicação engenhosa de conhecimentos específicos, capacidade para descoberta de sutilezas. Os testes de QI aplicados em clínica geralmente medem pensamento veloz para questões básicas, cálculo com auxílio de lápis e papel em ritmo lento e em questões elementares, repetição simples de conhecimento. Alguns testes medem pensamento espacial e pensamento abstrato, outros medem memória. Enfim, o que é medido pelo Xadrez está mais intimamente relacionado ao que habitualmente chamamos “inteligência” do que aquilo que se mede em testes de clínica. Já o desempenho em testes sem limite de tempo pode ser mais semelhante ao ELO. O ST e o ST-VI pretendem medir algo semelhante ao que mede o ELO, mas o ELO é seguramente mais acurado, porque no ST a pessoa resolve todas as questões ao longo de umas 10 ou 20 horas, no máximo umas 100 horas, porém o ELO vai se formando ao longo de milhares de horas. Além disso, o ST está mais carregado de subjetividade do que o ELO. Por outro lado, o ST é mais diversificado e muito mais isento de conhecimento específico. Existem pontos positivos e negativos tanto no ST como no ELO, e em linhas gerais eles são bastante semelhantes.  

            Eu diria que uma pessoa que pontua bem no ST, próximo ao teto, pode alcançar mais de 2600 ou 2700 em Xadrez Postal. A correlação (hipotética) com Xadrez ao vivo não é tão boa, mas o nível que pode ser alcançado é semelhante.  

            Quanto aos testes aplicados em clínica, qualquer que seja o teto, quem estourar o teto pode ter mais de 2000 de ELO. Note que eu disse “mais de 2000”, inclusive mais de 2500 ou mais de 3000. O problema é que os testes de clínica não têm dificuldade adequada para medir nada acima de 140 (que corresponde a cerca de 2000 ELO), e mesmo que o teto seja 150 ou 170, o que na verdade se está medindo é a diferença de velocidade entre desempenhos no nível 140. Em outras palavras, uma pessoa que pontua 130 ou 140 num teste de clínica tanto pode ter QI 130 como pode ter QI 200.  

            No caso do ST, em média, uma pessoa que pontua 140 deve chegar a cerca de 2000 ELO, outra que pontua 170 deve chegar a mais de 2500, desde que ambas estudem o bastante. Repare, eu disse “em média”. Nada impede que alguém pontue 120 ou 130 no ST e chegue a ter mais de 2600 FIDE ou ICCF, enquanto outra pessoa pode pontuar 190 e estudar muito Xadrez, mas nunca ir além de 2000.  

            Na década de 1960, os primeiros computadores para jogar Xadrez tinham nível semelhante ao de jogadores com rating 1200, e o mesmo hardware usado para resolver testes de QI (baseado em figuras), podia chegar a mais de 110. Eu não tenho conhecimento sobre experimentos modernos desse gênero, mas suponho que máquinas velozes, usando bons algoritmos, possam pontuar acima de 150 em testes com figuras e talvez mais de 180 em séries numéricas. Quanto ao rating, existem muitas informações disponíveis na rede. Eu acho que o melhor software atual para PC é o Hiarcs 8.0, com uns 2700 de rating rodando em Athlon 2GHz ou Pentium IV 2GHz. Mas é claro que os computadores não conseguem resolver questões em que seja necessário interpretar enunciados nem desenvolver planos estratégicos no Xadrez. O que isso mostra é que algumas deficiências no Xadrez ou em testes podem ser compensadas com algumas habilidades excepcionalmente desenvolvidas. No caso dos computadores, a capacidade seletiva é muito ruim, mas eles compensam isso com uma velocidade absurdamente grande. Uma pessoa associa figuras com facilidade, por meio de poucas comparações, e elege o melhor lance a um ritmo bem lento (cerca de um lance por segundo, contra milhões de lances por segundo analisandos pelos computadores), mas a pessoa usa seus conhecimentos de maneira ótima, enquanto os computadores são incapazes disso no momento. Por isso nenhum computador poderia obter QI 120 no ST, por exemplo, mas poderia estourar o teto do RAPM e de muitos outros testes. Também não existem computadores capazes de encontrar o melhor lance em determinadas posições, não importa quanto tempo eles fiquem analisando. Enquanto um jogador humano pode, por intuição, perceber o melhor lance em poucos segundos.  

            Em geral, uma pessoa com QI 130 deve atingir um rating abaixo de 1900. Mas você me enviou um e-mail há alguns meses informando que um GM (francês?) tinha QI 130. Na verdade ele não tem QI 130. Ele apenas obteve escore 130 num determinado teste. Isso é uma evidência preliminar de que seu QI seja 130. Mas esse teste deve ter durado cerca de 1 hora e mediu umas poucas habilidades pouco importantes. Por outro lado, a capacidade dele foi testada ao longo de vários anos em torneios de Xadrez, e nessa modalidade ele revelou um desempenho equivalente a mais de 170. Então sua real capacidade é seguramente mais próxima daquela indicada pelo seu ELO do que aquela indicada pelo escore que ele obteve num teste.  

            Usar um teste de QI, com duração de uma hora, para prognosticar o ELO a que se pode chegar no Xadrez é como fazer uma previsão sobre o comportamento de uma amostragem grande partindo dos resultados coletados de uma amostragem pequena, com a agravante que QI e ELO medem habilidades diferentes. Tendo em conta tudo isso, e ciente de que a incerteza nas previsões pode ser grande, basta usar a fórmula de Bill McGaugh: ELO = 1282 + 17,3*(QI-100). Assim, um QI de 128 deve corresponder a cerca de 1770. Mas é preciso levar em conta que a correlação entre ELO e QI é calculada com base numa amostragem de pessoas que apresentam a provável tendência de ser tanto mais estudiosa se tanto maior for sua aptidão natural, ou seja, uma pessoa com QI 160 tende a se dedicar mais que outra com QI 110, portanto a pessoa com 160 vai estudar mais horas por dia e conseqüentemente chegar mais perto de seu ELO limite do que a pessoa com QI 110. Levando isso em conta, você pode presumir que uma pessoa com QI 128 geralmente não se dedica ao máximo, mas talvez apenas duas horas por semana, e assim chega geralmente aos 1770. Porém se essa mesma pessoa com 128 de QI se dedicasse 8 horas por dia, talvez chegasse a 2000 ou mais.  

            Com relação à sua pergunta sobre jogar às cegas, um bom conhecimento do tabuleiro é muito útil, especialmente para quem não é jogador visual, ou seja, quem não visualiza o tabuleiro, mas apenas sabe onde estão as peças e como elas interagem, num processo semelhante ao que permite aos computadores transformar sinais 0 e 1 em imagens (estou fazendo uma analogia grosseira). Nesses casos, é preciso ter um bom conhecimento sobre casas que se situam na mesma diagonal ou nas extremidades do mesmo “L”. Isso agiliza o cálculo e poupa energia. Esse conhecimento se adquire e se aprimora por meio de treinamento. Quase todos os simultanistas às cegas de grandes proporções são “não-visuais”, portanto a capacidade de visualizar mentalmente imagens não é imprescindível, embora possa ajudar em alguns casos. O pensamento lógico e todas as demais habilidades necessárias para jogar Xadrez ao vivo continuam sendo necessárias para jogar às cegas, e a estas habilidades devem ser somadas a capacidade para memorizar cada uma das posições, evitar confusões entre as posições de diferentes tabuleiros e evitar confusões entre variantes calculadas e variantes efetivamente jogadas. A faculdade mental que permite memorizar e gerenciar tais informações é predominantemente inata, mas talvez possa ser melhorada com treinamento.  

            Não apenas para jogar às cegas, mas para qualquer atividade existe um limite mínimo de capacidade que é exigida. Para jogar às cegas é preciso conhecer bem algum sistema de notação e memorizar a partida inteira. Para jogar mais de uma partida às cegas, é preciso memorizar todas as partidas e não confundir uma com a outra. Eu calculo que a maioria das pessoas com QI na faixa de 130 pode jogar pelo menos uma partida às cegas. Claro que muitas pessoas com QI abaixo de 130 também podem jogar, enquanto outras com mais de 150 podem não conseguir. O campeão mundial Max Euwe, por exemplo, dizia-se incapaz de jogar uma única partida às cegas, mas isso pode ser uma brincadeira dele, do mesmo modo que Isaac Newton dizia que era incapaz de fazer cálculos mentais.  

            Un abrazo! 
            Piu

-----Mensagem original----- 
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br]  
Enviada em: quinta-feira, 15 de agosto de 2002 21:23 
Para: Hindemburg 
Assunto: eleição 
 

Melão, 
os brasileiros superinteligentes e supercultos votam em quem? 
  
  
Olá, Pedro.  
  
                Tudo bem?  
  
                Você está fazendo a pergunta para a pessoa errada. Eu não tenho essas qualidades e também não entendo nada de política. Eu apenas gosto de dar palpites sobre esses assuntos.   
                Acho que se as pessoas que não cultivam o hábito de pensar votam em quem a mídia manda, provavelmente as que pensam votam nos outros candidatos, especialmente naqueles com os quais se identificam melhor.  
                Se sua pergunta fosse “em quem eu pretendo votar”, provavelmente eu não lhe responderia mesmo que eu soubesse. :-) Eu não me identifico com nenhum. Minha mãe, minha tia vão votar na mesma pessoa, que é também a que me parece mais razoável. A Juçana também disse que gosta desse tal candidato.  
                Eu acho que a partir do momento que um candidato começa a fazer sucesso entre os eleitores, as empresas se aproximam dele e fazem ofertas. Se ele recusa essas ofertas, fica mais difícil para ele continuar crescendo, porque sem dinheiro não se faz campanha. E se ele aceitar as ofertas, ficará devendo alguma coisa a alguém, e esse alguém não é o povo.  
                Uma eleição se ganha com publicidade, e boa publicidade se faz com muito dinheiro. Eu comentei uma propaganda que você me enviou outro dia e propus um método alternativo para seleção de governantes. O texto está aqui 
  
                Um abraço! 
                Piu

-----Mensagem original----- 
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br]  
Enviada em: quarta-feira, 14 de agosto de 2002 11:38 
Para: Hindemburg 
Assunto: Re: questão do ITA 

O seguinte trecho de artigo de um jornal local relata uma  
corrida beneficente de bicicletas. "Alguns segundos após  
a largada, Ralf tomou a liderança, seguido de perto por  
David e Rubinho, nesta ordem. Daí em diante, eles não  
mais deixaram as primeiras três posições e, em nenhum  
momento da corrida, estiveram lado a lado mais do que  
dois competidores. A liderança, no entanto, mudou de  
mãos nove vezes entre os três, enquanto que em mais  
oito ocasiões diferentes aqueles que corriam na segunda  
e terceira posíções trocaram de lugar entre si. Após o término  
da corrida Rubinho reclamou para nossos repórteres que David  
havia conduzido a sua bicicleta de forma imprudente pouco  
antes da bandeirada de chegada. Desse modo, logo atrás de  
David, Rubinho não pode ultrapassá-lo no final da corrida." 

Com base no trecho acima (referindo-se ao texto da questão), você conclui que: 
A) David ganhou a corrida. 
B) Ralf ganhou a corrida. 
C) Rubinho chegou em terceiro lugar. 
D) Ralf chegou em segundo lugar. 
E) não é possível determinar a ordem de chegada, porque o trecho não apresenta uma descrição matematicamente correta. 
  
 
Olá, Pedro.  
  
        Tudo bem?  
        Sem as alternativas o problema poderia ser divertido, mas com alternativas perde um pouco do interesse. Você pode descartar 'd' logo de cara. Depois você pode constatar que se 'b' for certo, então 'c' também seria certo. Mas há somente uma certa. Então 'a' é a certa. Se 'e' dissesse apenas "não é possível determinar", então poderia ser 'a' ou 'e', mas o que 'e' diz é o seguinte: "não é possível determinar a ordem de chegada, porque o trecho não apresenta uma descrição matematicamente correta", e isso está errado, pois não é este o motivo que impede de determinar. Portanto 'e' também deve ser descartado e 'a' é a solução. O problema poderia ficar um pouco mais interessante se não houvesse 5 alternativas, e em vez de 9 e 8 trocas, a primeira colocação tivesse mudado um número desconhecido de vezes "N" e a troca entre segundo e terceiro tivesse mudado somente uma vez. Sabendo que "N" é múltiplo de 90, determine a classificação final dos três primeiros colocados. Esse fica como desafio para os visitantes. Para ver a solução, clique aqui. 
  
        Um abraço!  
        Piu 

-----Mensagem original----- 
De: joao silva [mailto:ac_silvat@yahoo.com.br]  
Enviada em: sábado, 10 de agosto de 2002 16:44 
Para: sigma@ sigmasociety.com 
Assunto: inteligencia 
 

Oi Hindemburg!! 

Obrigado por ter respondido minha pergunta.Fiz a pergunta pois queria ver sua opiniao sobre a relaçào profissao/qi. Minha dúvida era decorrente do fato de que, segundo algumas pesquisas, ao quererem "quantificar" os ingredientes que compoem a inteligencia, o fator genetico seria responsavel por 30%, eqto o ambiental seria de aprox. 70%....se nao me engano, vi estes dados no site vademecum.....e com certeza vc já deve ter lido sobre o tema em outras fontes.Dessa forma, minha duvida advem disto, se as pesquisas apontam neste sentido: uma pessoa  que no desenvolvimento escolar de ´primeiro e segundo grau nao apresenta nenhuma habilidade em matematica e/ou fisica, muito pelo contrario, talvez uma deficiencia e, no entanto, deseja e mto chegar ao maximo qto a titulaçào academica. Pois bem, diante de tal problema ( deficiencia especifica em exatas )  recorre ao maximo para se aperfeiçoar e provavelmete com esforço, poderá obter exito, ressa! ltando que provavelmente começará numa fase tardia, por volta de 19, 20 anos ( graduação ) e um doutorado lá pelos 28 ou mais, qdo tbem segundo pesquisas, o potencial de desenvolvimento ja estaria reduzido, e pelo q entendi em sua resposta, certos cursos tendem a deselvolver certas habilidades ou seja, "desvendar o oculto, o escondido" em uma pessoa, e é justo aqui que encontro a dificuldade: a referida pessoa no exemplo nao apresenta habilidades para com exatas, apenas admiração....será q tenho certa razão?!?!?....ei, espero que voce nao tenha perdido a paciencia com isto....:)....talvez na verdade o que procuro é uma boa razão para tentar ficar genio...heheh 

um grande abraço Hindemburg! 
  
  
Olá, João.  
  
Tudo bem?  
  
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Oi Hindemburg!! 
Obrigado por ter respondido minha pergunta. 
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Disponha. 
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Fiz a pergunta pois queria ver sua opiniao sobre a relaçào profissao/qi. Minha dúvida era decorrente do fato de que, segundo algumas pesquisas, ao quererem "quantificar" os ingredientes que compoem a inteligencia, o fator genetico seria responsavel por 30%, eqto o ambiental seria de aprox. 70%.... 
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Esses números só fazem algum sentido como parte de um contexto que indique de que forma foram calculados. Você pode obter 95% a 5% a favor do ambiente ou 95% a 5% em favor da constituição genética, basta mudar o método usado para fazer o cálculo. Por exemplo: se você for considerar o desempenho em testes de QI de irmãos gêmeos homozigóticos criados separados e irmãos gêmeos homozigóticos criados juntos, depois analisar irmãos adotivos criados separados e criados juntos, pode obter uma porcentagem muito favorável ao componente genético, talvez 90% a 10%. Se você usar uma experiência diferente para fazer o cálculo, o resultado pode se inverter. E nenhum dos resultados é mais certo nem mais errado. Simplesmente nenhum dos métodos está sendo capaz de medir de forma abrangente a grandeza desejada.  
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se nao me engano, vi estes dados no site vademecum.....e com certeza vc já deve ter lido sobre o tema em outras fontes.Dessa forma, minha duvida advem disto, se as pesquisas apontam neste sentido: uma pessoa  que no desenvolvimento escolar de ´primeiro e segundo grau nao apresenta nenhuma habilidade em matematica e/ou fisica, muito pelo contrario, talvez uma deficiencia e, no entanto, deseja e mto chegar ao maximo qto a titulaçào academica. Pois bem, diante de tal problema ( deficiencia especifica em exatas ) recorre ao maximo para se aperfeiçoar e provavelmete com esforço, poderá obter exito, ressa! ltando que provavelmente começará numa fase tardia, por volta de 19, 20 anos ( graduação ) e um doutorado lá pelos 28 ou mais, qdo tbem segundo pesquisas, o potencial de desenvolvimento ja estaria reduzido,  
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Em média as pessoas continuam se desenvolvendo até os 15-17 anos e só começam a cair de desempenho por volta dos 40. Algumas continuam se desenvolvendo até os 8-12 anos, outras até os 20-25. Isso varia de pessoa para pessoa.  
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e pelo q entendi em sua resposta, certos cursos tendem a deselvolver certas habilidades ou seja, "desvendar o oculto, o escondido" em uma pessoa, e é justo aqui que encontro a dificuldade: a referida pessoa no exemplo nao apresenta habilidades para com exatas, apenas admiração....será q tenho certa razão?!?!?.... 
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Não sei se entendi exatamente qual é a pergunta. Você quer saber se uma pessoa com doutorado em Física, por exemplo, que não tenha apresentado desempenho brilhante no colégio, que tenha tido desenvolvimento tardio e se formado a muito custo, você quer saber se tal pessoa não tem talento, mas apenas esforço? Bom, você acaba de fazer um resumo da história de Einstein.  
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ei, espero que voce nao tenha perdido a paciencia com isto....:)....talvez na verdade o que procuro é uma boa razão para tentar ficar genio...heheh 
um grande abraço Hindemburg!  
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Eu acho que se você realmente quer alguma coisa, não importa se é ser gênio, santo, presidente, imortal, imaterial, seja lá o que for, não deve perguntar a ninguém se seu objetivo é tangível. Pouco deve lhe interessar se eu acho que a genialidade é predominantemente genética ou se é resultante de estudos. Você deve apenas perseguir seu objetivo e ignorar as opiniões, tendências, probabilidades etc. Acho que apenas deve tomar os cuidados necessários para que seus objetivos não o façam se esquecer de seus princípios, seus conceitos éticos e seus ideais. O resto você precisa ignorar. Não estou dizendo que se você proceder dessa maneira que vai atingir seus objetivos, mas o contrário eu posso garantir: se você não fizer assim, com certeza não vai atingir nenhum objetivo.  
Outra coisa: acho que antes de estabelecer qualquer meta, é necessário avaliar com cuidado as conseqüências. Ninguém pode conseguir tudo, por isso se você quer algumas coisas, terá que renunciar a outras. Precisa avaliar se está disposto a tais renúncias e se valerá a pena o esforço. Quando você assiste a uma modelo desfilando numa passarela, não vê o sacrifício e as privações que ela teve que passar para conseguir aquele corpo, com dietas desumanas, crises depressivas, assédios nas agências, ciúmes dos namorados, repressão familiar etc. Algumas acabam enfrentando mais obstáculos que outras, mas todas encontram dificuldades. A Sandy, como cantora, por exemplo, teve muitas portas abertas graças ao sucesso dos pais, mesmo assim precisou estudar muito ballet e canto. Na maioria das vezes o caminho é espinhoso e cheio de armadilhas. Como regra geral, qualquer grande objetivo envolve grandes esforços e grandes sacrifícios.  
  
Um abraço.  
Piu 

-----Mensagem original----- 
De: Wilton P. Silva [mailto:wiltonps@uol.com.br]  
Enviada em: segunda-feira, 5 de agosto de 2002 21:38 
Para: sigma@ sigmasociety.com 
Assunto: oráculo 
 

Olá Hindemburg. Meu nome é Diogo Diniz (participei do puzzle challenge), em primeiro lugar gostaria de dar os parabéns pela rapidez com que respondeu aos meus e-mails. Certa vez, em uma prova de física o professor pediu para dizermos um meio de atingir o zero absoluto. Em vez disso eu argumentei que isso seria altamente improvável, já que o calor flui naturalmente dos corpos de maior temperatura para corpos de menor temperatura. Mas ainda sim é possível que o contrário ocorra(o calor fluir "ao contrário"), imagino que a baixas temperaturas a probabilidade de que isso ocorra seja bem maior que a altas temperaturas. Como exitem experiências que buscam atingir o zero absoluto creio que isto não seja impossível. Gostaria que vc comentasse o meu comentário e informasse um meio de atingir o zero absoluto. 

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Outgoing mail is certified Virus Free. 
Checked by AVG anti-virus system (http://www.grisoft.com). 
Version: 6.0.350 / Virus Database: 196 - Release Date: 17/04/2002 
  
  
Olá, Diogo.  

            Tudo bem?  

            A interpretação talvez não seja exatamente essa. Não é o calor que vai de corpos quentes para frios. A energia (talvez o “grau de agitação”, mas também não gosto dessa idéia) é que tende a uma distribuição aproximadamente uniforme. Se um corpo está quente e o outro frio, a tendência é de que com o passar do tempo ambos atinjam a mesma temperatura, e para que a quantidade total de energia do sistema permaneça inalterada, o corpo que estava à temperatura mais alta vai arrefecer e o outro vai esquentar. Não houve “transmissão” de calor. O que aconteceu foi uma homogeneização da energia total presente no sistema. Um exemplo mais claro: se você tem uma caixa de 100cm^3 dividida em dois compartimentos de 50cm^3 cada, e um dos compartimentos está cheio de gás. Se não houver algo separando os dois compartimentos, o mais provável (mas não única possibilidade) é que o gás vá progressivamente ocupando todo o compartimento numa distribuição quase uniforme, em vez de ficar concentrado apenas de um lado ou em vez de se comprimir em espaço cada vez menor. Mas é um fenômeno estatístico, portanto existe a probabilidade (muito remota) de o gás se contrair, em vez de se expandir. Como o número de partículas envolvidas geralmente é muito grande, as chances de que o gás se contraia (ou mesmo de que não se expanda) é tão pequena que, em nossa suposta caixa com 100cm^3, provavelmente isso nunca será observado ao longo da história do universo. Porém, conforme você comentou, quanto menor for o número de partículas envolvidas e menor for a mobilidade média dessas partículas, maior será a chance de que todas elas conspirem para um comportamento oposto ao que observamos na maioria das vezes.  

            O grande problema de tratar de limites extremos, como zero Kelvin, é que começamos a lidar com os conceitos em seus fundamentos mais íntimos. Não sabemos exatamente o que é temperatura. Tradicionalmente se considera que a temperatura é o grau de agitação das partículas, mas não é. A temperatura apenas está associada diretamente ao grau de agitação entre as partículas. Se você aumenta o grau de agitação, a temperatura aumenta aproximadamente na mesma proporção. Mas se você remover todas as partículas, deixando apenas espaço vazio, realmente vazio, sem partículas virtuais, sem bósons de Higgs, sem nada, simplesmente não há como responder se essa região tem uma temperatura, e caso tenha, não sabemos como avaliar sua intensidade. Se inserirmos nessa região uma partícula perfeitamente rígida, ou seja, cada parte dessa partícula estará em repouso em relação às outras partes, poderíamos precipitadamente presumir que ela estará a zero Kelvin. Mas as partes mais externas dessa partícula serão atraídas pelo centro da partícula, devido à gravidade. Não importa que a força seja muitíssimo pequena, o que importa é que haverá ou uma tendência à deformação. Se houver tal tendência, isso pode ser interpretado como pressão. Então as questões são: essa pressão implica aumento de temperatura? Essa pressão resulta da ação de grávitons? Em caso afirmativo, esses grávitons estariam em movimento e isso violaria nossa hipótese inicial de que a partícula é rígida. Então podemos tentar remendar e dizer que a partícula é um gráviton e está em repouso em relação a si mesmo. Mas o que é um gráviton? O fato dele ter spin=2 implica movimento? E se ele for puntiforme? Mas ele pode ser puntiforme? Não sabemos. Suponhamos que seja puntiforme, então ele não poderá ter massa. Lá estará o gráviton, parado, puntiforme, sem massa, a zero Kelvin. O que significa tudo isso? Se o gráviton é um bóson, assim como o fóton, é possível colocá-lo em repouso? Não há como lidar com esse tipo de problema. Nem sequer sabemos de que estamos falando, não sabemos se existem as entidades que estamos invocando para nosso experimento imaginário.  

            Note que até aqui apenas discutimos uma situação hipotética de ausência de movimento, mas isso ainda não é o mesmo que zero Kelvin. É possível que temperatura e grau de agitação mantenham uma fortíssima correlação em fenômenos macroscópicos, mas a curva degringole à medida que se aproxima de zero Kelvin. E mesmo que a correlação fosse sempre perfeita, estamos tratando de experiências imaginárias, com situações altamente idealizadas, impossíveis de serem reproduzidas empiricamente. Podemos concluir, pela dificuldade para formular uma situação imaginária em que se possa chegar a ausência de movimento, que é impossível atingir empiricamente (e talvez até teoricamente) a temperatura de zero Kelvin. O melhor que se pode fazer é usar campos magnéticos para deixar algumas poucas partículas quase em repouso umas em relação aos outras, construindo pequenos cristais no interior de aceleradores de partículas. Tenha em conta que uma temperatura de 0,1K ou 0,0000001K ou mesmo 10^-1000K ainda é infinitamente mais alta que 0K. Portanto, não pode haver experiência capaz de produzir um ambiente de zero Kelvin. O melhor que se pode fazer é ir progressivamente ganhando decimais. No Guinness Book de 1998, o recorde de temperatura mais baixa era de 2,8*10^-10K, obtida no Laboratório de Baixas Temperaturas da Universidade de Helsíquia (do nosso amigo Petri Widsten), na Finlândia, em 1993. Um detalhe importante: o que eles afirmam que foi resfriado a esse ponto é a região do núcleo de um átomo. Obviamente não é possível medir essa temperatura por vias diretas, inserindo um termômetro ou algo parecido. O cálculo é feito com base numa série de hipóteses, sendo a principal delas a correlação entre a temperatura e o grau de agitação. E nesse caso, o grau de agitação é determinado por meios também indiretos.  

            Portanto não existe nenhum método que permita chegar a zero Kelvin.  

            Um abraço!  
            Piu 
            P.S.: Nosso amigo Peter Bentley trabalha com baixas temperaturas. Se você quiser enviar a pergunta em inglês, posso repassar a ele e ver se ele tem algo a acrescentar. 

-----Mensagem original----- 
De: Rodrigo Malizia [mailto:ilvangelo@yahoo.com.br]  
Enviada em: domingo, 4 de agosto de 2002 16:34 
Para: Hindemburg 
Assunto: Artes Marciais 
 

Ola Melao, tudo bem ? 

(o primeiro parágrafo foi suprimido da mensagem original) 
  
Queria te perguntar uma coisa: tenho opcao de fazer 
como atividade extracurricular da faculdade nos EUA 
uma arte marcial, sendo que as duas que eles oferecem 
sao karate e ninjitsu. O que voce recomenda ? 

Abracos, 
Rodrigo 
 

Olá, Rodrigo!  
  
Tudo bem?  
  
 Estou meio surpreso que hoje em dia Ninjutssu seja ensinado em universidades. Até pouco tempo atrás, não era ensinado nem sequer em academias! Faz 8 anos que eu não pratico e não estudo artes marciais, exceto num rápido período de uns dois meses, em 1999, que pratiquei Karatê Shotokan, Ballet Clássico e Jazz. Quando o seu xará Rodrigo de Almeida Rodrigues veio aqui, eu queria tirar um cigarro da boca dele com um shuriken, mas ele achou que seria perigoso. Depois ele ainda me ganhou na queda-de-braço. Estou desatualizado, enferrujado, velho, gordo, fraco e burro... Pelo menos a produção de testosterona continua boa. ;-)  
 A grafia de Ninjitsu pode variar muito, com ou sem hífen, com 1 ou 2 ‘ss’ e com ‘u’ em lugar ‘i’ (Nin-jutssu). É uma arte muito completa, mas você deve assistir aos treinamentos e escolher com base na habilidade dos professores, na didática, na sua finalidade: se quer para preparo físico, para defesa pessoal ou para competição. 
 Se você quiser defesa pessoal eficaz, o Ninjitsu é muito bom. Se quiser competição, tem que ser o Karatê. Se quiser exercício físico, então vai depender do seu gosto. O Ninjitsu moderno, pelo que sei, é bem diferente do tradicional. Durante o feudalismo japonês, o Ninjitsu incluía estudo de meteorologia (bem rústica, claro), hipnose, Química (especialmente explosivos e venenos) etc. Era uma arte de espionagem, inclusive a indumentária do ninja se chamava “Shinobi Shozugui” (Shinobi = espião, gui=roupa, ‘Shozu’ eu não sei o que é :-)) ou “Shinobi Shokuzo”. Atualmente o Ninjitsu focaliza principalmente o combate, atribuindo uma importância bem menor aos outros estudos. Talvez no Japão o Dai-Sensei Masaaki Hatsumi (se é que ele ainda está vivo...) ensine algo semelhante ao Ninjitsu tradicional. Na época que eu gostava muito de artes marciais, cerca de 1981-94, só se ensinava Ninjitsu (em academia) em 3 países do mundo: Japão, França e EUA, segundo a revista Kombat Sport. Depois que os filmes de ninja fizeram sucesso, muitos professores de Qwankidô (ou Viet-vo-dao) e Hapkidô começaram a ensinar Ninjitsu, mas somente a parte relativa a combate. Mestres de Wu-Shu também poderiam (tecnicamente) ensinar Ninjitsu, mas não sei de nenhum que faça isso. Artes marciais semelhantes entre si, como Judô, Ju-Jutssu, Go-Shin-Jutssu, Nomi, podem ser todas ensinadas por um mestre que domine apenas uma delas, basta que ele faça uma breve especialização de poucos anos, por isso os mestres de Qwankidô (vietnamita) e Hapkidô (coreano) podem ensinar Ninjitsu depois de apenas aprender pronúncias e alguns detalhes ao aplicar os golpes. No caso do Hapkidô, será necessário também complementar com algo equivalente ao Ju-Jutssu, porque as técnicas de projeção do Hapkidô, à semelhança do Aikidô, são executadas à distância, por meio de torções, sem tanto contato como no Ju-Jutssu, enquanto o Ninjitsu cobre tanto projeções à distância como corpo-colado. Também as técnicas de socos e chutes diferem um pouco. O Hapkidô, embora mais completo que o Taekwondô e o Tangsudô, envolve maior variedade de chutes altos, com poucos chutes baixos, enquanto o Ninjitsu inclui muitos chutes altos e baixos. Enfim, o Ninjitsu é uma das artes marciais mais completas e eficientes.  
 A história do Ninjitsu é bastante controversa. Os que defendem o Ninjitsu dizem que teve origem quando alguns samurai deliberadamente se afastaram dos feudos, porque se revoltaram com as injustiças cometidas pelos senhores feudais contra os camponeses, e aliaram-se aos camponeses, por isso muitas armas do Ninjitsu derivam de instrumentos agrícolas: Naginatá (alfange), Kama (foice), Nunchaku (era usado para malhar palha de arroz) etc. (eu não estou mantendo concordância, porque essas palavras _ samurai, ninja, kunoichi etc. _ não têm plural). Outras versões dizem que os ninja eram samurai expulsos de seus feudos, por terem violado o código de honra (Bushido), e à medida que foram se tornando mais numerosos, fundaram clãs, que foram crescendo e se dividindo em hierarquias. Existe um pouco de fanatismo, misticismo e militarismo no Ninjitsu tradicional, algo relacionado à obediência cega e fidelidade absoluta aos superiores. Eu não conheço o suficiente para tratar disso com detalhes. Com relação às origens, talvez as duas versões extremas sejam duvidosas. Deve haver um meio-termo que situe os ninja numa condição de ‘pessoa com defeitos e qualidades’, nem mocinhos super-do-bem, nem bandidos super-do-mal. Há também versões que dizem que o Ninjitsu veio do Tibet e deriva do Vajramushti, enriquecido com técnicas nipônicas. Outros dizem que veio da China e deriva do Wu-Shu. No caso do Xadrez, atualmente se admite que a origem é incerta, sendo o Egito, a Índia e a China os candidatos mais prováveis a ‘berço do Xadrez’. Suponho que no caso do Ninjitsu a dúvida seja semelhante, diferindo apenas nos hipotéticos locais de origem. Também é preciso tomar alguns cuidados para não misturar lendas à história. No caso do Xadrez, isso é bem claramente separado, mas nas artes marciais parece não haver uma interface definida entre mito e realidade. 
 Quanto ao Karatê, é bem mais conhecido. Deriva do Naha-tê e do Tode, ambos de Okinawa. Eu não tenho certeza, mas acho que o Karatê é esporte olímpico (o Judô é com certeza absoluta). Existem muitos estilos de Karatê, e embora as técnicas sejam muito semelhantes, as regras variam muito. O estilo mais eficiente (para combate real) é Shorinji-Kempô. Quase todos os outros estilos (Shotokan, Wado-Kai, Shito-Ryu, Goju-Ryu etc.) não permitem soco no rosto (à semelhança do Taekondô), projeções, chutes nas pernas, cotoveladas etc. e os golpes não podem ser concluídos com intensidade, devem apenas parar perto do alvo ou tocar de leve no alvo para marcar ponto. O estilo Kiyokushin-Kai-Kan-Oyama permite golpear com força e atingir o alvo com potência máxima, exceto soco no rosto, golpes nas articulações, cotoveladas (eu já não me recordo claramente de algumas regras. Talvez sejam permitidas cotovelas). No Kiyokushin-Kai-Kan-Oyama a vitória pode ser por pontos ou por nocaute. Nos outros estilos, se você nocautear seu adversário, é capaz de você perder por ter batido muito forte. :-)  
 Espero que você faça uma boa escolha. :-) Aqui entre nós, se eu estivesse em seu lugar, e se tivesse como opção Ballet ou Aeróbica, eu acho que uma dessas seria minha preferência. Não creio que haja muitas mulheres no Karatê ou no Ninjitsu. Acho que Aeróbica é a melhor opção, porque as do Ballet costumam ser muito magras.  
  
 Um abraço.  
 Piu 

-----Mensagem original----- 
De: joao silva [mailto:ac_silvat@yahoo.com.br]  
Enviada em: segunda-feira, 5 de agosto de 2002 12:53 
Para: sigma@ sigmasociety.com 
Assunto: sua inteligencia 
 

oi! 

achei o site mto interessante e quero fazer algumas perguntas, na verdade algumas curiosidades...qual sua ocupaçao?....caso nao seja, voce ja pensou em ser professor?...claro q a falta de consideraçao para com os professores é enorme, mas acho que o que falta mais, sao pessoas inteligentes, capazes de saber liderar alunos e principalmente despertar uma vontade nos alunos para se dedicarem aos estudos...nao sei qual sua formacao, mas com certeza que seria muito compensador...quantos professores despreparados encontramos por aí.......e isso nao passa de uma prejuizo que enfrentaremos a longo prazo, com as consequencias de uma educacao precaria...... 

sobre inteligencia, veja se esou correto......vi no site algumas informacoes sobre qi......consta que certas profissoes se tem um dado qi.....entao determinada faculdade pode ajudar, ou influenciar, p.ex, a desenvolver a inteligencia?ao menos imagino que realmente conseguir um doutorado em fisica ou matematica alguma vantagem nos neuronios devemos conseguir...ou nao...heheh?!as areas exatas relamente podem nos ajudar?e se assim for, entao alguem que comece por exemplo um curso universitario acima dos 30 anos e apos 10 anos consegue um doutorado, será que nao vai mostrar um bom desempenho num teste de qi? 

outra.....sua capacidade para responder as perguntas sao extraordinarias......voce dedica isso apenas ao raciocinio ou tambem possui um forte habito para leitura que o acaba  ajudando? 

aguardo respostau 

um abraço para vc Hindemburg 
  
  
Olá, João.  
  
Tudo bem?  
  
achei o site mto interessante e quero fazer algumas perguntas, na verdade algumas curiosidades...qual sua ocupaçao?....caso nao seja, voce ja pensou em ser professor?...claro q a falta de consideraçao para com os professores é enorme, mas acho que o que falta mais, sao pessoas inteligentes, capazes de saber liderar alunos e principalmente despertar uma vontade nos alunos para se dedicarem aos estudos...nao sei qual sua formacao, mas com certeza que seria muito compensador...quantos professores despreparados encontramos por aí.......e isso nao passa de uma prejuizo que enfrentaremos a longo prazo, com as consequencias de uma educacao precaria...... 
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Nietzsche dizia que preferia ser professor a ser Deus. No contexto, ele queria dizer que ser professor era a penúltima coisa que ele desejaria ser. No meu caso, não tenho nada contra ser professor, e embora estejamos muito aquém de sermos deuses, acho que se o conceito de Deus for um Ser Onisciente, Onipresente e Justo, é um ideal que todos deveríamos tentar alcançar.  
Agradeço pelos comentários amáveis.  
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sobre inteligencia, veja se esou correto......vi no site algumas informacoes sobre qi......consta que certas profissoes se tem um dado qi..... 
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Você viu que a média do QI em determinadas profissões varia.  
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entao determinada faculdade pode ajudar, ou influenciar, p.ex, a desenvolver a inteligencia? 
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Pessoas com determinadas aptidões tendem a preferir determinadas carreiras. E determinadas carreiras tendem a estimular o desenvolvimento de certas aptidões.  
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ao menos imagino que realmente conseguir um doutorado em fisica ou matematica alguma vantagem nos neuronios devemos conseguir...ou nao...heheh?! 
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Se você jogar tênis e for destro, seu braço direito vai ficar mais musculoso que o esquerdo, mesmo fazendo exercícios com o esquerdo para atenuar o efeito. Mas o cérebro não incha com a prática de exercícios mentais, nem aumenta a quantidade de neurônios. Mas as sinapses, estas podem se multiplicar e se robustecer, dependendo dos seus hábitos. Eu não sei nada sobre Neurologia (material). Eu conheço um pouco sobre a mente (imaterial). Do ponto de vista mental, toda informação que você adquire contribui para melhorar seu desempenho, desde que você seja crítico na hora de usar esse conhecimento.  
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as areas exatas relamente podem nos ajudar? 
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Isso depende do seu objetivo. Se quiser conquistar a Britney Speers, provavelmente não vai lhe ajudar muito e ainda pode atrapalhar ;-). Se quiser descobrir uma cura para AIDS, talvez ajude um pouco. Se quiser atingir o Nirvana, talvez ajude muito.  
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e se assim for, entao alguem que comece por exemplo um curso universitario acima dos 30 anos e apos 10 anos consegue um doutorado, será que nao vai mostrar um bom desempenho num teste de qi? 
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Os cérebros não são iguais, as mentes não são iguais, os hábitos não são iguais. Esse “alguém” que você diz é muito genérico. Precisa ser mais específico, porque 50% dos “alguéns” têm QI abaixo da média e passam a vida marginalizados, trabalhando em atividades operacionais. Uns 3% apresentam deficiências mentais e não conseguem aprender muito mais do que ler e escrever. Uns 5% têm inteligência elevada e arrogância dez vezes mais elevada e alguns podem ter, digamos, 50% de chances de aprovação numa boa universidade, dos quais uns 50% terminam o curso e 50% fazem doutorado. Isso representa uns 0,5% de uma população não seleta, ou seja, pessoas com doutorado nas áreas de Exatas terão QI médio na faixa de 140. Os vários “50%” que citei foram meio chutados, mas não estão muito errados.   
A pessoa que vai mais longe na carreira acadêmica, geralmente é porque está encontrando desafios num nível em que consegue superar. Se os desafios forem mais difíceis do que podem superar, tendem a abandonar o curso. Se não houver desafios, também tendem a abandonar o curso.  
Uma pessoa não pode aumentar sua capacidade física nem mental, mas pode explorar ao máximo a capacidade latente que possui, com exercícios físicos ou mentais.  
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outra.....sua capacidade para responder as perguntas sao extraordinarias...... 
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Obrigado. Você é muito gentil. :-)  
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voce dedica isso apenas ao raciocinio ou tambem possui um forte habito para leitura que o acaba  ajudando? 
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Eu sou muito lento pra ler. Talvez eu tenha uma dislexia branda. Além de ser lento (e talvez justamente por ser lento) eu não gosto de ler. Mas a leitura é necessária, então acabo lendo um pouco. Nos últimos meses eu não li nenhum livro inteiro. Em 1992 eu lia uns 2 ou 3 por quinzena, geralmente sobre Física de Partículas ou Cosmologia. Eu passava várias horas por dia lendo e outras tantas escrevendo. Atualmente eu escrevo umas 30 a 100 vezes mais do que leio. Só leio para dormir, normalmente não chego a terminar de ler uma página inteira, então no dia seguinte volto a ler a mesma página, e assim quase não saio do lugar, como o caracol que sobe no poste 10cm durante o dia e cai 9cm durante a noite.  
  
Um abraço.  
Piu 

-----Mensagem original----- 
De: José Antonio Francisco [mailto:tonioito@uol.com.br]  
Enviada em: domingo, 4 de agosto de 2002 23:28 
Para: melao@sigmasociety.com 
Assunto: Oráculo 
  
Prezado Hindemburg, 
  
Sempre me interessou muito a questão da antimatéria. Não tenho muito conhecimento a respeito do assunto, mas, certa vez, me ocorreu uma idéia, a partir da atração e repulsão entre partículas e antipartículas. A questão é: seria possível admitir que corpos formados por antimatéria poderiam exercer força gravitacional de repulsão a corpos formados por matéria. Já que, em nível "microscópico", cargas iguais se repelem e diferentes se repelem, não poderia acontecer algo parecido em nível "macroscópico" (matéria atrai matéria, antimatéria atrai antimatéria, matéria repele antimatéria)? 
  
Um abraço.  
Zé Antonio.  
  
  
Prezado Zé Antonio,  
  
Tudo bem?  
  
            Eu sempre gosto de contar historinha antes de responder, mas a que eu gostaria de ilustrar esse caso é repetida. Aliás, acho que já repeti mais de uma vez, porque é uma analogia boa, em minha opinião. Espero que quem já leu outros textos meus não se aborreça com a reprise, e espero mudar um pouco o enredo para tornar a história menos maçante. Ou melhor, antes de contar a história, vamos falar sobre salsichas. Eu não sei exatamente como são feitas, mas eu suponho que a pessoa amarra uma extremidade, depois vai enfiando carne até encher. Por fim, amarra a outra extremidade. Se ficar meio flácida ou disforme, então pode-se abrir e colocar mais carne, repetindo o processo quantas vezes forem necessárias, até que o resultado final atenda ao perfeccionismo do salsicheiro. Agora vamos ver um exemplo semelhante: Os antigos gregos viam o Sol nascer no Leste, atravessar o céu e se pôr no Oeste. As estrelas também pareciam girar de Leste para Oeste, porém com período um pouco diferente. Enquanto o Sol completava, em média, uma volta a cada 24 horas, as estrelas levavam 23h56m04s. A lua e os planetas também tinham seus próprios ciclos, todos com aproximadamente 24h. A maneira mais simples de explicar isso era imaginando que a Terra é o centro em torno do qual giravam esferas cristalinas, e as estrelas estavam numa dessas esferas, o Sol em outra, a Lua em outra e cada planeta em uma esfera. O modelo era bom e interessante, e como foi formulado a partir de dados experimentais, naturalmente permitia fazer algumas previsões com pequena margem de erro. Com o desenvolvimento da Astronomia, os observadores perceberam que a salsicha estava flácida e precisa de um ajuste, porque as trajetórias dos planetas em relação ao fundo de estrelas não eram regulares como as do Sol ou da Lua. Em vez disso, os planetas davam laçadas (movimento retrógrado). Foram criados, então, os epiciclos, que eram pequenas esferas na superfície das grandes esferas. Imagine que as esferas se interpenetravam (os modelos matemáticos sempre exigem que acreditemos em alguns absurdos). Os planetas estavam nas superfícies dessas pequenas esferas, não das grandes, portando eles tinham um movimento composto, que resultava nas laçadas observadas. Conforme a precisão das medidas foi melhorando, a salsicha foi aberta outras vezes, a fim de inserir mais carne e acabar com a flacidez. Com o passar dos anos, foram criados mais epiciclos e deferentes. O modelo ficou excelente, capaz de satisfazer aos salsicheiros mais exigentes, pois permitia fazer previsões com grande exatidão, desde que não fossem previsões para períodos muito longos (séculos, por exemplo). Hoje em dia, a MQ permite calcular algumas “constantes” com 10 ou 15 algarismos significativos, e os resultados correspondem quase exatamente às medidas diretas, mas alguns cálculos apresentam erro logo na terceira decimal, e outros, como a massa dos quarks, têm erro tão grande quanto a própria grandeza medida, tudo muito semelhante ao modelo geocêntrico. Mas voltemos aos gregos. Os eclipses do Sol e da Lua podiam ser previstos até milênios à frente, mesmo antes da Astronomia grega, por outro lado, as posições dos planetas eram incertas. Isso não constituía grande problema, porque, afinal, o nome planeta significa “errante”, e era natural que não tivessem comportamento previsível. Assim, um modelo matemático representava muito bem o universo e permitia fazer cálculos precisos. Obviamente, um modelo com tantas virtudes só podia ser o modelo certo, por isso foi transformado em dogma. :-) Eu já não me recordo dos modelos alternativos, mas alguém (Filolau?) chegou a propor um modelo em que havia um fogo central em torno do qual girava o Sol, a Terra e tudo o mais, outrem propôs um modelo com Sol girando em torno da Terra e os planetas girando em torno do Sol, e outros propuseram modelos mais exóticos. Aristarco, por volta do século IIIa.C., sugeriu o primeiro modelo heliocêntrico de que se tem registro. Pela observação da curvatura da sombra da Terra projetada na Lua durante alguns eclipses parciais (já se sabia que a Lua refletia luz do Sol), ele calculou o tamanho relativo entre a Terra e a Lua, e com base no ângulo formado entre a Lua e o Sol durante os quartos crescente e minguante (se o Sol estivesse a uma distância infinita, o ângulo sempre seria reto nessas fases), calculou também o tamanho relativo do Sol (o tamanho aparente é conhecido, portanto, ao calcular a distância ele determinou o tamanho real). Os valores que encontrou foram (tomando a Terra por unidade): 0,3 para a Lua e 7 para o Sol. E concluiu: se o Sol era 7 vezes maior que a Terra, seria mais natural que a Terra girasse em torno dele, não o contrário. Um argumento muito ruim, em comparação às idéias de Aristóteles em favor da Terra estática. Por isso ninguém o levou a sério. Antes de prosseguir, convém esclarecer que os cálculos de Aristarco para o tamanho da Lua foram razoáveis, porque o método permitia uma boa precisão, mas no caso da distância (e conseqüentemente o tamanho) do Sol, o ângulo a ser medido era muito pequeno, e ele também não tinha conhecimento sobre as distorções causadas pela refração atmosférica. Os tamanhos relativos corretos seriam 0,27 para a Lua e 109 para o Sol.  

            O modelo geocêntrico vigorou durante toda a Idade Média e início do Renascimento. No século XVI, Copérnico tomou conhecimento sobre as idéias de Aristarco e constatou que a posição dos astros podia ser determinada com maior precisão e por períodos mais longos se o Sol estivesse no centro do sistema, e escreveu um tratado sobre o assunto. Ele ainda usava epiciclos, mesmo assim, a reabilitação das idéias de Aristarco foi um avanço muito importante. Ele apresentou o modelo como uma fórmula matemática para calcular as posições dos planetas, sem a pretensão de que a aquele modelo fosse representativo da realidade. A repressão sempre é ruim, mas se houvesse Inquisição hoje em dia, provavelmente os físicos tomariam mais cuidado antes de propor um modelo descaradamente inconsistente, e sugerir que tal modelo seja representativo de todo o universo ou da natureza íntima da matéria.  

            Bruno (num âmbito mais filosófico que científico), Kepler e Galileu se impressionaram muito com o trabalho de Copérnico e julgaram que não se tratava apenas de um modelo. Julgaram ser mais provável que o sistema de Copérnico fosse uma representação da realidade do que o modelo imposto pela Igreja. Naquela época se acreditava que absolutamente tudo girava em torno da Terra, e quando Galileu observou, em sua luneta, 4 pequenos objetos girando em torno de Júpiter, foi a primeira prova de que pelo menos uma parte do antigo modelo estava incorreta. Kepler, por sua vez, usou os dados cuidadosamente coletados ao longo de várias décadas por Tycho Brahe, e constatou que o modelo de Copérnico era melhor que o antigo, mas também não servia muito bem. Ele rasgou a salsicha. Substituiu o modelo com mais de 50 circunferências encaixadas num complexo padrão de engrenagens, por apenas 7 órbitas elípticas. Tycho teria ficado furioso se visse isso, porque durante décadas ele trabalhou com a intenção de salvar o antigo modelo geocêntrico, e seu aluno usou suas preciosas informações justamente para demolir o antigo modelo e dar um grande passo na direção da Verdade. Por fim, chegou nosso amigo Newton e mostrou quem é que manda. :-) Mas Newton morreu, e daí para a frente o pessoal voltou a fazer salsichas. O que se pensa saber hoje sobre matéria e anti-matéria é o típico modelo salsicha. Inventaram uma explicação simplista, depois foram remendando para salvar as aparências e garantir um método eficiente do ponto de vista operacional. Feita essa importante ressalva, vamos à questão da anti-matéria:  

            O que diferencia a matéria da anti-matéria são as cargas e algumas propriedades definidas por quarks (cores e sabores) e por léptons. Os quarks determinam os números quânticos bariônico, os sabores (estranheza, charme, beleza etc.) e as três cores primárias, que nada têm a ver com as cores tal como as conhecemos (o termo ‘cor’ poderia ser substituído por _ vou inventar umas palavras _ ‘gênero quárkico’ ou ‘quarkonidade’, e o mesmo se aplica aos “sabores”). Outras propriedades são iguais em matéria e anti-matéria. A massa e a meia-vida, por exemplo, são iguais em partículas e anti-partículas. O pósitron (anti-elétron) tem massa igual à do elétron, mas sua carga é positiva e seu número leptônico é oposto ao do elétron. O nêutron não tem carga, mas é constituído por dois quarks down (carga -1/3) e um quark up (carga +2/3) enquanto um anti-nêutron também tem carga zero, porém é constituído por dois anti-quarks down (carga +1/3) e um anti-quark up (carga -2/3). Cada anti-partícula tem mesma massa que a partícula correspondente, tem sinal de carga contrário, número leptônico contrário, número bariônico contrário, estranheza contrária etc. 

            Quando matéria e anti-matéria se tocam, as massas são convertidas em energia, por isso onde há predominância de matéria, como no Sistema Solar, dificilmente serão encontrados blocos grandes de anti-matéria, porque a qualquer contato ela vai se anular com uma quantidade equivalente de matéria e ambas vão se transformar em energia. Isso é um problema para a teoria dos quarks, bem semelhante ao antigo problema do núcleo do átomo. Depois do modelo de gelatina de Thomson, Rutherford propôs o modelo com cargas positivas no centro e negativas orbitando ao redor, mas como as cargas positivas se repelem, inventaram os nêutrons e a força nuclear forte, para compensar a repulsão colombiana e manter os prótons unidos no núcleo. :-) No caso de matéria e anti-matéria, o problema é que há basicamente três tipos de partículas: os léptons, que são fundamentais, ou seja, não são constituídos por nada menor. Os bárions (que incluem prótons, nêutrons, híperons), que são formados por 3 quarks. E os mésons, que são formados por um quark e um anti-quark. Mas como um quark e um anti-quark podem coexistir numa proximidade de 10^-30m? Logo alguém vai inventar algo equivalente ao nêutron para remendar o problema. Por falar em mésons, o “méson mu” ou “méson mi” ou ainda “múon” é um lépton, não um méson, um detalhe da nomenclatura que os físicos não acharam importante corrigir, e com razão, porque o modelo tem muitos problemas lógicos que devem ter prioridade.  

            Sua hipótese de anti-gravidade é interessante e válida, não entra em contradição com a experiência nem com o modelo teórico, porque embora as anti-partículas tenham massa “normal”, por assim dizer, isso não significa que essa massa (supostamente “normal”) vai ter gravidade necessariamente atrativa. É possível que a massa das anti-partículas exerça repulsão, em vez de atração. Mas a intensidade dessa força não seria suficiente para produzir fenômenos sensíveis em corpos pequenos (a intensidade é cerca de 10^40 vezes menor que a da força eletromagnética), e como a anti-matéria não pode ser encontrada em blocos grandes (pelo menos não se conhece em parte alguma), seria difícil verificar experimentalmente essa hipótese. Talvez quasares sejam colisões de matéria e anti-matéria, mas é só uma especulação. A tal matéria escura que tem sido manchete ultimamente, dificilmente poderia ser considerada anti-matéria, porque ela parece estar espalhada por toda a parte, e se fosse anti-matéria (se tivesse o comportamento do que chamamos “anti-matéria) ela aniquilaria a matéria em volta e se auto-aniquilaria junto. Então não vejo uma maneira de investigar se a idéia é correta. É importante ter em mente que o prefixo “anti”, quando usado no caso de anti-matéria, não tem propriamente o significado que atribuímos a ele. Por exemplo: a anti-água seria idêntica à água, desde que todos nós fôssemos feitos de anti-matéria. Se não fôssemos de anti-matéria, a anti-água continuaria sendo percebida  como idêntica à água, exceto pelo detalhe que não poderíamos chegar muito perto dela. :-) Em vez de “matéria” e “anti-matéria”, seriam mais apropriadas as expressões “matéria do tipo A” e “matéria do tipo B”. 
  
            Um abraço! 
            Piu 
 

-----Mensagem original----- 
De: rrdyow [mailto:rrdyow@bol.com.br]  
Enviada em: quinta-feira, 1 de agosto de 2002 14:32 
Para: melao@sigmasociety.com 
Assunto: spin 
 

ola !  
meu nome é rafael tenho 18 anos , tenho uma duvida que  
persiste a muito tempo . na escola aprendemos que o ponto  
central de uma roda quando em movimento , nao tem  
rotacao , mas apenas o movimento de translacao . mas  
tambem aprendemos que os eletrons sao pontos ' 
"infinitamente" pequenos e que fazem um movimento de  
rotacao . isso me parece uma contradicao , nao é ?  

nao sei se visitantes podem mandar perguntas , mas em  
todo caso agradeco . 
 

Olá, Rafael.  
  
            Tudo bem?  
  
            Em primeiro lugar, vamos discutir os conceitos de “rotação”, “translação” e “ponto”. 
  
            Depois de definir um referencial estático, quando um corpo está animado por um movimento (em relação ao referencial estático) que o leva a circunvoluir em torno de um eixo que o atravessa, podemos dizer que ele está em rotação. Se o corpo está girando em torno de um eixo que não o atravessa, isso pode ser uma translação. Um ponto é um ser adimensional, ou seja, tem medida 0 em qualquer direção considerada.  

            Tanto um movimento de rotação quanto um de translação envolvem ‘deslocamento’. Um ponto pode girar em torno de algo, mas não faz sentido dizer que gira em torno de si mesmo. Se ele gira em torno de algo, obviamente ele não pode ao mesmo tempo ser o centro do giro, portanto o ponto central de uma roda não pode ter rotação nem translação. Uma outra maneira de concluir isso é considerando que as partes mais externas da roda possuem velocidade maior que as partes mais internas. À medida que os pontos estiverem mais próximos do centro, a velocidade se torna menor, até que ao chegar no centro, vai a zero. Estamos falando de velocidade em unidades de espaço por unidade de tempo, mas se estivéssemos tratando de unidades de ângulo por unidade de tempo, a velocidade seria sempre a mesma, e nesse sentido teríamos uma situação degenerada no ponto central, porque um ângulo é definido por duas linhas, mas cada linha tem 1 dimensão, portanto você precisa de um espaço com pelo menos 2 dimensões para traçar um ângulo. Como um ponto tem 0 dimensões, ele não pode ter velocidade angular.  

            Agora vamos tratar da questão das partículas. Vamos supor que possa existir uma partícula puntiforme. Nesse caso, se essa partícula tiver massa de repouso, ela necessariamente vai gerar um horizonte de eventos de raio ‘r’, sendo r>0, portanto, se ela tem raio=0, vai estar “dentro” do horizonte de eventos, mais precisamente ela será uma singularidade. Seria melhor não tentar "adivinhar" o que acontece nesse caso, porque vamos estar apenas especulando (não se sabe o que acontece numa singularidade), mas só para não deixar em branco, vamos supor que as idéias de Hawking-Penrose sobre evaporação de buracos-negros sejam corretas, ou pelo menos vamos supor que acontece algo semelhante ao que eles propõem (eles não tratam de singularidades, mas de ergosferas). Então um buraco-negro tende a se evaporar tanto mais rapidamente quanto menor for sua massa. No caso de um buraco-negro com massa de Planck (10^-5g), ele se evaporaria no tempo de Planck (5,39*10^-44s). No caso de um buraco-negro com a massa de um elétron, deveria se evaporar em 10^-118s, mas, em vez disso, sabemos que o elétron tem meia-vida maior que 10^31 anos (talvez seja estável). Então algo está errado. Ou o elétron é uma esferinha (em vez de ser um ponto), ou a idéia de radiação de buracos-negros e partículas virtuais está errada, que implicaria também uma falha na teoria do Princípio da Incerteza, e envolveria toda uma propagação de falhas, desmantelando a Mecânica Quântica. Nada disso tem muita importância, porque não podemos observar diretamente nada no mundo quântico, e as interpretações sobre os resultados das experiências podem variar segundo o gosto do pesquisador. Se o universo for formado por supercordas, em vez de partículas, não haverá lugar para o conceito de spin ou de elétron. Um elétron é uma idéia, apenas uma idéia, assim como as outras partículas, e o spin é uma propriedade atribuída às partículas. Não sabemos se existe o ente fantástico, com número leptônico 1, bariônico 0, massa 511MeV, carga 1,6*10^-19C etc., que chamamos “elétron”. Não temos nenhuma evidência de que existam elétrons. Temos evidência de que existem cargas elétricas e existem “coisas” que deixam rastros quando atravessam câmaras de Wilson, e com base nesses rastros, podemos supor que se tais rastros são produzidos por partículas, essas partículas podem ter determinadas propriedades. Em aceleradores de “cargas”, que chamamos “aceleradores de partículas”, os físicos pensam estar produzindo colisões entre partículas, e a partir dos resultados dessas colisões, inferimos mais propriedades para essas partículas. Experiências diferentes permitem identificar outras possíveis propriedades para as tais partículas, mas devido à impossibilidade de observação direta, não sabemos sequer se existe aquilo que estamos habituados a chamar de elétron, e não sabemos se, quando ele se comporta como partícula, se é puntiforme. Mas se for puntiforme, muita coisa precisa ser reformulada.  

            Vale lembrar que quando você vê uma imagem produzida por um microscópio de tunelamento, aquela imagem não é gerada por luz, porque nada menor que 360 nanômetros pode ser observado em luz visível. No caso de um microscópio eletrônico, você está enxergando um feixe de elétrons, no caso de um microscópio de tunelamento, você está vendo os efeitos gerados por campos eletromagnéticos. Se você olha para um átomo de benzeno, o que você está vendo não é sólido. Embora você enxergue como quase 100% sólido, é quase totalmente espaço vazio (cerca de 99,999999999% a 99,9999999999999% de espaço vazio, dependendo da substância). Isso porque as informações sobre o campo gerado foram transformadas em uma imagem. Isso é uma hipótese, a famosa hipótese ou teoria atômica, atualmente tão amplamente aceita, que já é confundida com a própria realidade. Mas o menor que podemos enxergar diretamente são objetos com 360 nanômetros. Acreditamos que os menores objetos vistos com telescópios eletrônicos sejam “reais”, como as estruturas internas das organelas das células, por exemplo. Mas quando chegamos ao tamanho do átomo, atingimos a fronteira atual do observável por meios diretos. Não há como saber se existe uma partícula chamada elétron ou se existe uma superstring que explica os mesmos fenômenos para os quais normalmente invocamos a existência de elétrons, simplesmente porque não há como observar objetos tão pequenos. E mesmo que pudéssemos observá-los, teríamos incertezas (mas seriam incertezas menores).  

            Vejamos um exemplo: Antes das primeiras sondas interplanetárias serem lançadas, muitos pesquisadores extrapolavam os limites do que podiam enxergar para formular teorias fantásticas. No caso de Vênus, antes da espectrometria, alguns pensaram que suas nuvens fossem de água, que sua superfície fosse um gigantesco pântano habitado talvez por répteis gigantes, que sua temperatura superficial fosse de uns 25 a 45 graus Celsius. No caso de Marte, os pesquisadores julgavam estar enxergando imensos aquedutos construídos por uma civilização muito avançada, que derretia a água dos pólos e a distribuía por todo o planeta. Chegaram a ser desenhados mapas cuidadosos desses canais, por Lowell, Schiaparelli e outros. Quando Galileu apontou sua luneta para Saturno, seu instrumento era demasiado rudimentar para discernir os anéis, de modo que estes se apresentavam como protuberâncias, dando ao planeta o aspecto de um charuto com comprimento 4 ou 5 vezes maior que a largura (ou diâmetro). A cada 14,73 anos, o plano dos anéis se alinha com o plano orbital da Terra, o que os torna invisíveis durante algum tempo. Para um observador situado na Terra, à medida que o ângulo entre os planos vai diminuindo, a impressão é de que os anéis vão sumindo, até que reste só o disco do planeta. Quando Galileu observou esse fenômeno, ficou muito impressionado, e como na mitologia o deus Cronos (Saturno para os romanos) havia devorado seus filhos, Galileu chegou a pensar nessa possibilidade e fez alguns comentários a respeito. Talvez tenha até desconfiado da fidelidade das imagens produzidas pelo telescópio e repensado sobre os comentários dos eclesiásticos, que diziam que os satélites de Júpiter eram ilusões criadas pelo instrumento.  

            Hoje achamos graça de teorias sobre dinossauros em Vênus, porque sabemos que as nuvens são predominantemente de enxofre e ácido sulfúrico, e a superfície é um deserto escaldante de 450 graus Celsius. Sabemos que os canais de Marte não existem e conhecemos a explicação para os “filhos” de Saturno que desapareciam. Mas não sabemos o que é um elétron, nem mesmo sabemos se tal coisa existe, então ficamos mistificando e forjando teorias fantásticas para explicar a Natureza, com objetos que ora são onda, ora partícula (dualidade), que podem estar em dois lugares ao mesmo tempo (difração), que podem ter velocidade infinita (EPRB) e ao mesmo tempo acreditamos na existência de um limite de velocidade (c), acreditamos que algumas partículas podem ser puntiformes e ao mesmo tempo terem massa (léptons), que podem ter um giro que não é propriamente um giro (spin e isospin), e do mesmo modo que Aristóteles estabelecia distinção entre as leis que regiam os fenômenos sub-lunares e extra-lunares, hoje se estabelece distinção entre as leis do mundo subatômico e do mundo macroscópico. 
 
            O fato é que existe nosso universo tangível, no qual podemos realizar experimentos objetivos que produzem resultados diretamente observáveis. E existe o universo idealizado pelos físicos teóricos, com leis que eles inventaram (não foram leis “descobertas”), com partículas que eles inventaram (também não foram partículas descobertas) e uma série de propriedades que eles inventaram para explicar os resultados empíricos que eles supõem que sejam indicadores do comportamento das partículas.   

            Os físicos teóricos deveriam ter algum respeito pela Lógica, e respeito por eles mesmos, e tentar formular teorias que não exigissem que as pessoas engolissem tantos absurdos. Por outro lado, precisamos ter em mente que nosso universo em escala humana, tal como o sentimos, não precisa ser mais fidedigno do que o universo subatômico, e as Teorias da MQ talvez sejam a verdade mais íntima sobre a Natureza, enquanto nossa realidade macroscópica não passa de uma ordem ilusória resultante do comportamento estatístico dos objetos e leis exóticas que regem o mundo subatômico. Claro que eu prefiro acreditar que nosso universo macroscópico é real, enquanto as idéias sobre MQ são fantasia, mas não podemos descartar completamente as hipóteses da MQ apenas porque elas nos dizem coisas diferentes do que nossos sentidos nos sugerem, porque nossos sentidos também são limitados e sujeitos a produzir ilusões. Nossos olhos, por exemplo, nos proporcionam uma falsa idéia de tridimensionalidade a partir de uma imagem bidimensional recebida pela retina. Conhecendo as falácias usadas nessa interpretação “impossível”, podemos facilmente enganar nosso cérebro com estereogramas. Experimente desenhar (ou imprimir) 7 círculos escuros numa folha de papel, todos iguais, alinhados horizontalmente, espaçados por cerca de 1cm. Depois faça um “x” 6cm abaixo do círculo central. Então feche os olhos e coloque a folha perto do rosto, de modo que o “x” fique encostado na ponta do seu nariz. Então abra os olhos e conte quantos círculos você vê. Há muitas maneiras de enganar nosso cérebro, a partir das falácias que nossos sentidos usam para representar a realidade. Nossos sentidos servem apenas para representar a maioria (não todos) dos fenômenos que acontecem na Terra com uma quantidade de informações maior do que a que poderíamos dispor licitamente, ou seja, nossos sentidos inventam informações para completar o que está inacessível, e nesse processo, podemos acertar em mais de 99,99% ao interpretar os casos de fenômenos que ocorrem naturalmente, mas podemos ser enganados em situações cuidadosamente construídas para esse fim. O fato de acertarmos em mais de 99,99% das interpretações dos fenômenos que ocorrem em escala humana e na superfície da Terra, não significa que os acertos sejam igualmente bons em escalas de outras ordens de grandeza ou em condições diferentes das presentes na superfície da Terra. Por isso nossos sentidos podem nos induzir a erros e não há como ter certeza sobre nada. Contudo, as incertezas são ainda maiores quando além das limitações impostas pelos sentidos, as experiências são indiretas, de modo a somar nossas falhas na interpretação a outras falhas nas teorias, nos instrumentos, nas causas imprevistas. Quando se fala em spin do elétron, não é muito diferente de falar que o Cavalo comeu a Torre no Xadrez. O spin não é propriamente um giro e o elétron não se sabe se é uma esferinha ou um ponto, nem sequer se sabe se ele existe de fato. O spin tem a ver com momento angular, mas não no sentido em que estamos habituados. As regras inventadas para a MQ são tão arbitrárias quanto as de um jogo, com a diferença que as regras de um jogo não são contrastadas com resultados experimentais, por isso podem manter coerência interna. Porém, as regras da MQ, à medida que são comparadas ao que de fato acontece na Natureza, e ao verificar que surgem contradições, as regras vão sendo mudadas. Isso acaba fazendo com que algumas regras entrem em conflito com outras, sugerindo que muita coisa esteja errada. No século XVII a quantidade de informações disponíveis era muito menor que hoje, então podia surgir um Newton e colocar ordem na casa. Mas hoje em dia isso é quase impossível. Então a casa vai virando uma bagunça cada vez maior. A Teoria das Supercordas é uma tentativa interessante de resolver os problemas lógicos sem usar remendões, mas ainda precisa amadurecer e ser usada para fazer algumas previsões ou explicar alguns fenômenos que não sejam previstos ou explicados pela MQ.   
 
            Um abraço! 
            Piu

Questão postada em “Sabesabe”, seção de Astronomia. 
De: aew1  
Categoria: Astronomia  
Assunto: Marte  
Pergunta: 1-Por que o céu de Marte é vermelho? 
2-Por que a Nasa se enrola tanto para ir à Marte, sendo que foi à lua de uma hora pra outra? 
3-Como é as "Tempestades de areia" que surgem no planeta? como surgem? como terminam? como funcionam? É aquilo que mostra um filme (não lembro o nome) que duas ou três pessoas são pegas por uma tempestade de areia e elas giram tanto que se despedaçam. O que aconteceria com o corpo de um ser humano em uma tempestade dessas? resumindo: TUDO sobre estas tempestades.  
   
Olá.  

            Tudo bem?  

            No caso da Terra, o céu é azul devido ao efeito Rayleigh. A luz das estrelas, como o sol, não é monocromática, mas cobre todo o espectro visível e também irradia em ultra-violeta, infra-vermelho e vários outros comprimentos de onda que o olho humano não pode perceber. Por isso é que se você fizer a luz atravessar um prisma, poderá enxergar todas as cores do arco-íris. Isso não acontece se você usar aquelas canetas laser, porque é uma luz monocromática, ou seja, o comprimento de onda daquela luz se situa num intervalo muito estreito. O arco-íris é como um grande prisma produzido por partículas de água suspensas na atmosfera depois de uma chuva ou nas proximidades de grandes quedas d’água.  

            Ao passar pela atmosfera, a luz solar com menores comprimentos de onda (azul-violeta) se dispersa mais do que a luz solar com maiores comprimentos de onda (vermelho). Isso faz com que a luz azul pareça vir de todas as direções com predominância sobre todas as outras cores, e assim percebemos o céu terrestre diurno como sendo azul. A cor depende da constituição do gás. Quando a luz solar atravessa uma nuvem, todas as cores se dispersam igualmente, e a nuvem assume coloração branca, porque o branco é a soma de todas as cores. Quando não há gás nenhum, ou quando há um gás muito disperso, como no caso da Lua, cuja pressão atmosférica é muito menor que a terrestre (humanamente imperceptível), o céu permanece preto mesmo durante o dia, porque não existe um meio fluido pelo qual a luz possa se dispersar. 

            No caso se Marte, a coloração ocre-salmão resulta de um efeito diferente. O solo marciano é rico em óxido de ferro, cuja coloração é predominantemente vermelha, ou seja, essa substância absorve os comprimentos de onda curtos (violeta, azul) e reflete os comprimentos longos (vermelho, laranja, amarelo), que são as cores que chegam aos olhos do observador ou aos sensores das sondas espaciais. No caso da Terra, a atmosfera é relativamente “limpa” de poeira, mas a atmosfera marciana é impregnada, portanto essa poeira absorve a luz azul e reflete a luz vermelha, a amarela e a laranja, resultando no efeito observado. 

            Quanto à sua segunda pergunta, um dos motivos é a distância. A Lua fica a 384.400km da Terra, atingindo 355.000km no perigeu e 307.000km no apogeu. Marte fica a 227.940.000km do Sol, variando entre 249.000.000km e 207.000.000km, e a Terra fica a 149.597.871km do Sol, variando entre 147.100.000km e 152.100.000km. Para que o consumo de combustível seja mínimo, é preciso que a Terra e Marte ocupem posições estratégicas. Obviamente não faz sentido enviar uma sonda a Marte quando ele estiver de um lado do Sol e a Terra do outro. Também não é correto pensar que quando estão os três alinhados (Marte-Terra-Sol) seja a situação ótima, porque isso estaria presumindo uma trajetória retilínea e uma viagem instantânea. A configuração ideal é determinada considerando que a trajetória será uma elipse, tendo a distância de partida como periélio e o ponto de chegada como afélio. Como a órbita de Marte é mais excêntrica, então precisamos escolher o ponto de chegada como sendo o periélio de Marte, ou seja, cerca de 207.000.000km, e o ponto de partida será a aproximadamente 150.000.000km. Assim, a órbita da sonda terá um semi-eixo maior de 178.500.000km, ou seja, 1,193A (A = unidade astronômica = distância média da Terra ao Sol), portanto, levará 1,193^(3/2)/2 anos para ir da Terra a Marte, ou seja, uns 238 dias.  

            Se os problemas fossem apenas esses, então um ano seria folgadamente suficiente para fazer tudo. Mas há mais um problema técnico e vários problemas burocráticos relacionados às limitações orçamentárias. Vamos abordar apenas os problemas técnicos. :-) O período orbital da Terra é cerca de 365,25636 dias e o de Marte é 686,9798 dias. Portanto, se as órbitas de ambos fossem circulares, a cada 780 dias eles voltariam a ocupar a mesma configuração, mas as órbitas são elípticas, especialmente a de Marte, por isso as boas configurações vão ocorrer em 15 anos, 17 anos, 32 anos, 47 anos, 64 anos e as configurações ótimas acontecerão em 79 anos, 158 anos, 205 anos etc. Então, se for perdida uma boa oportunidade (uma janela de lançamento), só depois de 15 anos acontecerá outra. Claro que, dependendo do caso, em 2 anos pode podem se produzir duas configurações boas consecutivas.  

            Outro fator a ser considerado é que para ir à Lua basta escapar à gravidade da Terra, cuja velocidade de escape é de 11.180m/s, mas para ir a Marte é preciso escapar à gravidade do Sol nas cercanias da Terra, que é de 42.100m/s. Felizmente pode-se aproveitar o movimento da Terra, fazendo o lançamento numa trajetória tangencial à órbita terrestre, e assim se pode somar a velocidade orbital da Terra, de 29.780m/s, à da sonda, de modo que para atingir os 42.100m/s só será preciso que a sonda tenha um pouco mais que a velocidade de escape da Terra, e como não pretendemos escapar para o infinitivo, então não é preciso atingir a velocidade parabólica de 42.100m/s, mas basta a velocidade que teria um objeto com órbita à 1,193A e periélio a 1A.  

            São utilizados alguns recursos adicionais, para economizar tempo e combustível, como o “estilingue gravitacional”, fazendo a sonda ir e voltar até a Lua algumas vezes, antes de partir definitivamente para Marte (sempre tenha em mente trajetórias elípticas, parabólicas ou hiperbólicas, nunca linhas retas, tanto para ir da Terra à Lua como da Terra a Marte ou da Lua a Marte). Esse recurso permite que a sonda inicie o percurso com uma trajetória hiperbólica, e quando ela se aproxima de Marte, a trajetória é corrigida para que ela assuma uma órbita elíptica.  

            Para ir à Lua, uma semana é suficiente. Para ir a Marte, pode ser necessário aguardar 15 anos por uma boa oportunidade e mais uns 240 dias serão gastos na viagem.  

            Com relação às tempestades de areia em Marte, são semelhantes às que acontecem nos desertos da Terra. As principais diferenças são:  

1 - A gravidade na superfície de Marte, ao nível médio do elipsóide marciano (nível do mar, se houvesse mar) e na latitude zero (equador marciano) é cerca de 37,88% da Terra gravidade na superfície da Terra, ao nível do mar e na latitude zero.  

2 - A pressão atmosférica na superfície de Marte é 0,7% da pressão atmosférica na Terra, podendo variar entre 0,4% até 1,1% ou mesmo em amplitudes maiores.  

3 - As partículas de óxido de ferro suspensas na atmosfera são muito menores que os grãos de areia dos desertos da Terra.  

            Não há como simular um modelo como este na Terra para estudar as diferenças entre o que acontece lá e aqui, mas de modo geral é basicamente a mesma coisa. A pressão pode ser reproduzida sem problemas, e também se pode borrifar partículas com 400 a 700 nanômetros nessa atmosfera artificial. Com quedas parabólicas, pode-se simular a microgravidade, mas não se pode simular uma gravidade de 38% da terrestre. Mas não é a impossibilidade de simular a gravidade marciana que impõe o maior obstáculo. O maior problema é que tempestades são fenômenos caóticos, em que pequenas mudanças no estado inicial podem mudar completamente os estados subseqüentes. Então mesmo que fosse possível construir nas vizinhanças da Terra um planeta inteiro, com o tamanho de Marte, com a massa de Marte, mesma constituição, mesma atmosfera e mesmos acidentes geológicos, mesmo período de rotação, enfim, uma réplica idêntica, o simples fato dele estar mais próximo do Sol, elevaria sua temperatura e isso modificaria completamente o comportamento das partículas. Ainda que fosse possível reproduzir também a temperatura, os efeitos de maré da Terra e da Lua já produziriam diferenças decisivas em nosso modelo de Marte, tornando-o diferente do original. Portanto não é possível reproduzir as tempestades observadas em Marte, não há como estudá-las daqui, exceto pela observação à distância, muito pobre em detalhes. Uma simulação feita por computador ou qualquer modelo teórico usado para fazer previsões, também não passaria de um palpite. Os meteorologistas estudam a atmosfera terrestre há muito tempo, conhecem as variações gravimétricas, geomagnéticas e altimétricas de qualquer região do planeta, e sabem também a constituição precisa da nossa atmosfera, conhecem a pressão, a temperatura, a umidade relativa, a concentração de CO2 a cada momento e em cada ponto da superfície, com boa precisão. Mas nem assim conseguem prever como será o clima num prazo de duas semanas, nem conseguem prever qual será a temperatura no dia seguinte (com incerteza menor que 1 grau). Enfim, não há como saber muito sobre o que acontece nas tempestades de Marte. Pode-se apenas observar eventos específicos, mas não há como fazer previsões ou formular regras gerais.  

            Um abraço! 
            Piu

-----Mensagem original----- 
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br] 
Enviada em: segunda-feira, 15 de julho de 2002 18:27 
Para: Hindemburg 
Assunto: Re: saca só 
Por que a aparência das mulheres 
importa na seleção de parceiras? 
 
Eu quero uma resposta do ponto 
de vista biológico. 
----- Original Message 
 

Olá.  

            Tudo bem?  

            Devido ao processo de seleção natural, desde que surgiram os primeiros hominídeos, as fêmeas mais férteis que acasalaram com os machos mais férteis produziram maior número de descendentes, e esses descendentes herdaram essa fertilidade bem como outras características, e retransmitiram esses traços à geração seguinte. Os casais menos férteis produziram menos descentes. Com o passar do tempo, devido à luta pelos recursos, estes tenderam à extinção enquanto aqueles tenderam à proliferação, porque os recursos são demasiados escassos para atender às necessidades de subsistência de todos os organismos, então os menos adaptados perecem para que os melhor adaptados sobrevivam.  

            As fêmeas férteis desprovidas de traços fenotípicos que as identifique como sendo mais férteis, têm menos chances de acasalar com machos férteis do que as fêmeas férteis que possuem traços marcantes que evidenciam sua fertilidade superior. Por isso, com o passar das gerações, os machos com predisposição para se sentirem atraídos por fêmeas com características férteis mais pertinentes no sentido de combinar o traço identificador com algum aspecto útil para maximizar as chances de proliferação, terão mais chances de acasalar com fêmeas capazes de gerar mais descendentes, e todos esses traços “favoráveis” serão transmitidos às gerações seguintes. Esses machos e essas fêmeas com traços favoráveis se tornarão mais numerosos com o passar do tempo. Não me refiro apenas aos traços físicos (seios fartos, quadris largos e cintura fina), mas também os traços de personalidade que relacionados às tendências de preferir seios fartos, quadris largos e cintura fina. Pois os machos que acasalarem com mulheres com menos chances de serem mais férteis terão menos chances de gerar descendentes que perpetuem suas preferências, em contrapartida, os machos que apreciarem seios fartos, quadris largos e cintura fina terão maiores chances de gerar mais descendentes que preservem essas mesmas preferências. Depois de alguns milhares ou milhões de anos, praticamente todas as fêmeas serão identificáveis por traços que sugerem maior ou menor fertilidade. Geralmente as assimetrias e deformidades indicam doenças, portanto menores chances de elevada fertilidade, e também a obesidade não é uma característica promissora para machos nem para fêmeas. Quadris largos em relação à cintura numa proporção de 5 para 3 (ou mais precisamente [(1+raizde5)/2]=razão áurea) e igual proporção entre busto e cintura acabam se tornando traços que indicam maiores chances de fertilidade superior não apenas por uma questão de serem marcas aleatórias que emergiram com o tempo, mas também por favorecerem uma compleição que assegura melhores chances de que a mãe seja eficiente na produção de alimento para amamentar a prole, no caso dos seios maiores, e uma anatomia dos quadris mais adequada para acasalar com machos robustos, ou seja, machos com maiores chances de serem mais férteis e de gerar descendente mais saudáveis. Além disso, quadris mais largos contrabalançam melhor seios volumosos. Os seios não poderiam ser demasiado grandes, porque em animais que andam com a coluna ereta o peso causaria problemas de saúde. E se os seios fossem grandes mas os quadris fossem pequenos, quando a mulher se inclinasse para a frente ela teria dificuldades para se levantar. Portanto as glândulas mamárias precisam ser grandes o bastante para alimentar a prole com fartura, porém não podem ser grandes demais ao ponto de comprometer a saúde. Nos casos dos machos, o tórax largo, os braços e pernas robustas indicam vigor físico que determina mais chances de sucesso na caça, portanto sugere mais alimento para os descendentes, maximizando suas chances de sobrevivência e disseminação dos genes que transmitem essas mesmas características. Traços assimétricos muito acentuados ou deformidades no rosto também podem ser indício de doença, e tantos os machos quanto as fêmeas que sejam apaixonados por assimetria terão menores chances de gerar descendentes do que os machos e fêmeas que são apaixonados por simetria e outros traços efetivamente relacionados à saúde e fertilidade.  

            Por isso os homens e as mulheres vão buscar simetria e traços de saúde e fertilidade em seus parceiros. Esse é o procedimento instintivo, e modernamente pode ser enganado com lipoaspiração, silicone, fisiculturismo, plásticas corretivas ou rejuvenescedoras etc. Os efeitos dessa interferência no processo natural de evolução devem ser notados nos próximos milênios. Além dessas “tendências instintivas”, novas “tendências conscientes” têm surgido. Por exemplo: o “instinto” sugere às mulheres que acasalem com o homem mais robusto e com rosto sem deformidades, mas a “razão” sugere que elas acasalem com os homens melhor sucedidos economicamente, porque no mundo atual a habilidade para caçar já não representa o principal indício de abundância de alimento, então serão os homens abastados que oferecerão melhores chances de sobrevivência à prole. Assim, em média as mulheres vão copular com seus amantes robustos usando preservativos, e atender a seus instintos, e vão gerar filhos com seus esposos abastados, atendendo à razão.  

            Tudo muito interessante e esclarecedor, mas é uma teoria embrutecida pela ausência de moral e romantismo, é superficial, fria e provavelmente incompleta. A partir do momento que o ser humano se tornou um animal moral, o processo de Evolução já não pode ser abordado sem levar em conta esse fator. Com certeza a esmagadora maioria das mulheres prefere um homem muito rico ou muito robusto a um homem muito ético, e a maioria dos homens prefere uma mulher muito bonita a uma mulher muito virtuosa. Mas uma sociedade formada por homens ricos e sem ética, homens corruptos e indiferentes à Justiça/injustiça é uma sociedade fadada ao colapso. Enquanto uma sociedade constituída por pessoas esclarecidas, justas e íntegras terá melhores perspectivas de se manter estável a longo prazo. Portanto, as comunidades injustas tendem à auto-destruição, enquanto às justas _ se não forem destruídas pelas injustas (que talvez representem a maioria) _, tendem ao crescimento. Portanto, a longo prazo, mesmo que agora talvez existam mais pessoas injustas do que justas, com o passar do tempo as injustas vão se auto-destruir, diminuindo progressivamente a proporção de injustas em comparação às justas. E desde que as injustas não exterminem as justas, estas vão povoar o planeta. Existem dois caminhos que a humanidade pode seguir: ou seremos melhores (no sentido ético), ou nos auto-destruiremos. Isso bom, porque não existe o perigo de a humanidade prosperar sendo nociva, então a vida pode surgir em outras partes e ter chances de sucesso (também sujeita à destruição, caso siga um caminho ruim).  

            Eu sou um desses selvagens estúpidos que sente mais atração por mulheres bonitas do que por mulheres virtuosas, mas procuro contornar essa falha em meu instinto seletivo, elegendo parceiras que reúnam os dois quesitos. :-)  

            Um abraço!  
            Piu 

-----Mensagem original----- 
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br] 
Enviada em: terça-feira, 9 de julho de 2002 18:47 
Para: melao@sigmasociety.com 
Assunto: Oráculo 
Por que você parou de atualizar a seção do Oráculo? 
Quando é que ela voltará a ser atualizada? 
 
 
-----Mensagem original----- 
De: Hindemburg [mailto:melao@sigmasociety.com]  
Enviada em: terça-feira, 9 de julho de 2002 18:57 
Para: 'Pedro Bessa' 
Assunto: RES: Oráculo 
Olá.  
    
É só enviar perguntas interessantes.   
   
Um abraço.   
Melao  
 
 
-----Mensagem original----- 
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br] 
Enviada em: terça-feira, 9 de julho de 2002 20:08 
Para: Hindemburg 
Assunto: Re: Oráculo 
Por que todo mundo parou de fazer perguntas interessantes? 
Acho que foi você que tornou mais rigoroso o critério de escolha das perguntas... 
 
Eu vou tentar fazer uma difícil. 
 
Quantas dimensões tem o universo? Justifique sua resposta. 
 

-----Mensagem original----- 
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br] 
Enviada em: terça-feira, 9 de julho de 2002 20:21 
Para: Hindemburg 
Assunto: a sua educação 
Em que posição você passou no vestibular quando tentou? 

-----Mensagem original----- 
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br] 
Enviada em: terça-feira, 9 de julho de 2002 20:41 
Para: Hindemburg 
Assunto: o futuro da nossa espécie 
Seremos mortos por alienígenas? 
Seremos mortos por nós mesmos? 
Subdividiremos em várias espécies? 
Qual será o futuro da nossa espécie? 

-----Mensagem original----- 
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br] 
Enviada em: terça-feira, 9 de julho de 2002 20:53 
Para: Hindemburg 
Assunto: Chris Langan 
O que você acha das teorias do Chris Langan? 
Você entende elas? 
 

-----Mensagem original----- 
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br] 
Enviada em: quarta-feira, 10 de julho de 2002 18:09 
Para: Hindemburg 
Assunto: Re: Oráculo 
Por que você mesmo não inventa as perguntas? 
Eu quero de volta a seção do Oráculo! 

-----Mensagem original----- 
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br] 
Enviada em: quarta-feira, 10 de julho de 2002 18:19 
Para: Hindemburg 
Assunto: dinheiro 
Quanto de dinheiro ganha o melhor enxadrista do mundo? 
 

Olá de novo. 

            Vou responder rapidamente cada pergunta, porque são muitas. 
            Sobre o vestibular, eu devo ter ficado entre os últimos.  
            Eu espero não ser morto por alienígena nem por mim mesmo. Aliás, se eu pudesse não ser morto, provavelmente seria essa minha escolha.  
            Acho que conhecemos pouco sobre a nossa Evolução e esse conhecimento é muito recente, também temos poucos dados históricos para nos basear, então o jeito é usar dados arqueológicos, que são escassos e imprecisos. Mas suponho que diferenças étnicas sejam prenúncios de futuras ramificações em diferentes espécies.  
            Suponho que no futuro devemos seguir as mesmas tendências dos últimos milênios: teremos menos pelos e mais cérebro, os homens serão mais ricos e terão automóveis mais velozes para impressionar as mulheres, e elas usarão mais silicone e maquiagem para nos impressionar. ;-) Espero que além dessa tendência das massas, tenhamos também homens preocupados com Ética e mulheres virtuosas. 
            Com relação ao número de dimensões do universo, eu acredito que uma possibilidade razoável seja algo entre 4 e 5, porém só temos acesso à hiper-superfície fractal que tem entre 3 e 4 dimensões. A Teoria das Supercordas sugere a existência de 11 ou até mais dimensões, das quais 7 ou 8 estariam enroladas (quase puntiformes). Essas hipóteses são baseadas nos modelos de Lamaître, De Sitter, Friedman e Greene. Particularmente, eu gosto da idéia de um universo ilimitado em todas as direções. Nesse caso, o número de dimensões seria algo entre 3 e 4. Por questões estéticas, eu acho que gostaria de viver num Universo com pi-dimensões. :-) A única afirmação segura que se pode fazer com base na experiência cotidiana é que o universo tem mais de 3 dimensões. Pela Teoria das cordas, o universo pode ter número inteiro ou fractal de dimensões, pelos modelos tradicionais, que admitem a existência de forças e partículas, o número de dimensões é necessariamente fractal. Em escala humana, nossa sensação será sempre de 3 dimensões porque a fragmentação só se faz sentir em escalas astronômicas.  
            Sobre a renda do melhor enxadrista do mundo, é cerca de 1/20 do melhor futebolista.  
            Por fim, a tarefa de responder às perguntas enviadas ao Oráculo é divertida, mas também consome tempo. Se além de responder eu ainda tivesse que inventar as perguntas, teria o problema ético de estar promovendo uma fraude e o problema prático de estar usando meu tempo numa atividade que só tem algum sentido se envolver uma relação de interação.  
            No que diz respeito à Teoria de Langan, se você quiser traduzir o texto e me enviar, eu posso dar uma examinada e depois opinar.  

            Um abraço! 
            Piu

-----Mensagem original----- 
De: Muniz Jose Maria [mailto:jose.muniz@scania.com] 
Enviada em: quarta-feira, 20 de junho de 2001 18:35 
Para: 'sigma.2000@sti.com.br' 
Assunto: Alo pessoal da Sigma Society! 
 

Gostei muito da "home page" . 
Principalmente do Oráculo...  Um espaço de discussão deste nível deveria ser 
patrocinado... 
Não passo de um leigo, porém já pensei muito sobre o universo usando o pouco 
que li. 
No paradoxo dos gêmeos, concordo com o raciocínio sobre o referencial 
absoluto... Gosto de fazer analogia da propagação da luz com as ondas 
causadas por uma pedra jogada numa lagoa de águas  calmas. 

Desejo fazer uma pergunta sobre Xadrez: 
Para tomar um peão em "En passant" eu posso usar outra peça que não um outro 
peão?... Um bispo por exemplo? 

Até a próxima!!! 
[[[ ]]] 

Muniz, José Maria 
Scania Latin América Ltda. 
Quality and Product Engineering 
Power train 
*  -  55 11  4344  9593 
*   -  55 11  4344  9405 
*  jose.muniz@scania.com <mailto:jose.muniz@scania.com> 

Olá! 
  
          Tudo bem? 
  
          Comer de tudo que é jeito não pode! Isso é coisa de tarado! ;-) Só pode comer com Peão. O 'en-passant' foi introduzido no final do século XV, com a finalidade de reduzir a quantidade de partidas empatadas por bloqueio. Aplica-se exclusivamente a Peões na quinta fila, que podem capturar Peões adversários da segunda fila quando estes avançam duas casas, e a captura só pode ser feita no lance imediatamente posterior ao duplo avanço. 
          As regras do Xadrez nem sempre foram como são hoje. A Dama e o Bispo tinham nomes e movimentos diferentes. O roque era executado em dois movimentos: o Rei saltava duas casas em direção à Torre, então era a vez do adversário jogar, e no lance seguinte a Torre saltava sobre o Rei, caindo na casa adjacente e concluindo o roque. Nos países cristãos discutiam-se questões éticas relacionadas à promoção do Peão: poderia o Rei ter mais de uma Rainha? 
          Foi com a publicação do tratado de Ruy López, em 1561, que o Xadrez assumiu basicamente as mesmas regras que adotamos atualmente. A essa altura, já vigorava a regra do empate em 50 lances sem captura ou sem movimento de Peão, o roque em um único movimento e o en-passant. Contudo, algumas regras continuam mudando e novas regras (anexos) estão sempre sendo incorporadas. Recentemente (cerca de 1988) foi cogitada a possibilidade de aumentar de 50 para 75 lances a regra supracitada, porque em alguns finais são necessários mais de 50 lances para forçar o mate. Aliás, em alguns casos é preciso mais de 250 lances (Rei, Torre e Cavalo contra Rei e dois Cavalos). No site da Chess Base foi colocada uma nota na página de entrada informando que o roque seria abolido. Nossa querida Juçana imediatamente desconfiou dessa notícia, porque foi colocada on-line justamente no dia 1 de abril de 2001, e como nenhum outro site tocava nesse assunto, nem a Chess Base voltou a falar nisso, ficou claro que se tratava de uma brincadeira. 
          Além das mudanças oficiais nas regras, há muitas variações que permitem aumentar ou diminuir a complexidade do jogo, ou simplesmente excluir o fator “conhecimento teórico”. Fischer, por exemplo, propôs embaralhar as peças antes de iniciar a partida. Os Peões permanecem na posição normal, mas as outras peças são distribuídas randomicamente na primeira fila (mas mantendo simetria entre Brancas e Pretas). Capablanca sugeriu adicionar mais peças e casas, existem muitos modelos de Xadrez com 10x10 casas, 5x5 e até 12x12. Há também casos em que se modifica o movimento de uma peça, como no “Cavalo-alado” (os Cavalos combinam movimentos de Cavalo e Bispo). 
          Nada impede que seja criada uma variação em que o en-passant admita capturas com outras peças, mas uma coisa é certa: tal mudança provocaria alterações tão significativas que provavelmente poucos jogadores a adotariam. Não porque não seja uma boa mudança, mas porque aceita-la implicaria renunciar a quase tudo que já estudaram até então. Quando foi sugerido que os algarismos indo-arábicos substituíssem os algarismos romanos, a esmagadora maioria dos eruditos europeus recusou a idéia. A transição foi acontecendo lentamente, principalmente devido à necessidade do zero. No caso de modificar a regra do en-passant, seria preciso um ‘zero’ que justificasse a mudança, mesmo assim a aceitação seria muito difícil. 
          Se tiver interesse, você pode encontrar para download o regulamento completo da FIDE em inglês, português e espanhol. Visite os sites dos nossos amigos Sandro (Xadrez Genial) e Maximiliano (Super Ajedrez) para mais detalhes. 
  
          Um abraço! 
          Piu

No “SabeSabe” foi postada uma pergunta muito interessante sobre o paradoxo dos gêmeos. Em vez de responder diretamente no site do SabeSabe, pedi ao autor da pergunta que escrevesse para o Oráculo. As intenções eram identificar o autor e também publicar a resposta em nossa seção. Porém, o rapaz sumiu... J De qualquer modo, fica aqui a mensagem que ele postou e a nossa resposta. (Nota: o nick do rapaz é “zaguleu”) 

Olá 

Considere a situação bem conhecida do "Paradoxo do Gêmeos" da Relatividade Restrita. Um dos gêmeos permanece na superfície da Terra enquanto o outro embarca em um foguete que viaja a uma velocidade muito próxima da velocidade da luz. O foguete viaja durante alguns anos com velocidade constante, REVERTE SUA VELOCIDADE e viaja mais outros anos com velocidade de mesmo módulo de encontro à Terra. A Teoria afirma que o gêmeo que permaneceu sobre a Terra terá idade maior que o que estava no foguete. A origem do paradoxo está no fato de que ambos os gêmeos podem dizer que o outro é que se afastou a uma velocidade próxima da luz, reverteu o sentido da velocidade e voltou. Tanto o que estava no foguete quanto o que estava na Terra pode afirmar isso. Sendo assim, onde está a quebra da simetria que ocasiona o fato de o gêmeo do foguete resultar realmente mais jovem? 
A resposta é que o referencial ligado ao foguete não permaneceu inercial todo o tempo. Na verdade, no instante da reversão de velocidade o referencial não era inercial. 
As Transformações de Lorentz prevêem que uma régua de comprimento L1 em repouso em K` medida por O` apresentará um comprimento L2 (L2<L1) quando medida por O. As mesmas Transformações de Lorentz prevêem que uma régua em repouso em K de comprimento L1 medida por O apresentará um comprimento L2 quando medida por O`(L2<L1). 
O mesmo acontece com os intervalos de tempo medidos pelos dois observadores. Cada uma achará que o tempo do outro é que está dilatado. Isso é conseqüência direta das transformações de Lorentz. De outro modo, teríamos dois referenciais em movimento relativo uniforme não-equivalentes. 
O problema é que as Transformações de Lorentz para dois referenciais em movimento relativo uniforme prevêem esses efeitos completamente simétricos, de cada observador medir uma dilatação no tempo do outro e de contração no espaço do outro. Portanto, não são puramente as Transformações de Lorentz que explicam a diferença de idade dos gêmeos. Elas prevêem efeitos simétricos. Essa simetria é quebrada, no problema dos gêmeos, no instante em que o foguete reverte sua velocidade. É apenas nesse instante que não há simetria. Na viagem de volta, tudo passa a ser simétrico novamente. Tudo isso que eu comentei até agora está de acordo com a teoria. 
O que ocasiona a não inercialidade do referencial do foguete durante a reversão de sua velocidade em relação à Terra? Não adianta dizer que se deve à aceleração. Definindo a aceleração como a segunda derivada da posição, tanto o gêmeo que estava no foguete quanto o que estava na Terra pode afirmar que a segunda derivada da posição do outro foi diferente de zero durante o período de reversão. Portanto, para falar de aceleração, é necessário dar alguma outra definição que não o "x dois pontos". 
Outra maneira de pensar é que apenas o referencial do foguete teve uma variação de velocidade em relação ao resto da matéria do Universo. Se propusermos essa solução, estaremos dizendo que o resto da matéria do Universo influencia os fenômenos de inércia locais, e, portanto, também os fenômenos de gravitação, segundo o princípio de Relatividade Geral. 
Até aqui, concluí que a assimetria dos gêmeos pode ser devida a dois fatores: 
a) Movimentos acelerados são absolutos. 
b) O resto da matéria do Universo influencia fenômenos inerciais, e, portanto, fenômenos gravitacionais locais. 
Há alguma outra alternativa? 
A hipótese a) é completamente contrária ao princípio de Relatividade Geral, e não me parece satisfatória. 
Analisemos, portanto, a hipótese b) . 
Se o resto da matéria do Universo influencia fenômenos gravitacionais, onde esta influência aparece nas teorias de gravitação atuais? Ao que me conste, essas teorias apenas levam em conta as massas dos corpos em questão, a distância entre eles e a contante gravitacional G. 
Ora, é evidente então que essa influência do resto do Universo, se existir, está embutida de alguma forma em G. 
Mas então G não é necessariamente constante, pois, o Universo estando em expansão, a influência das massas sobre outras pode alterar, alterando, assim, o valor de G. 
Outra forma de pensar é que o que denominamos hoje Leis da Natureza na verdade são casos específicos de leis mais gerais, já que a distribuição específica da matéria em nosso Universo influencia até o que chamamos de constantes universais. Nesse caso, se a matéria do Universo tomar uma distribuição diferente da atual, as "Leis" serão outras... 
Gostaria de ter comentário de você sobre tudo isso. 

Abraço 
 

Olá, zaguleu! 
  
          Se queremos entender o problema que você expõe, em primeiro lugar precisamos reformular o enunciado. Em vez de um objeto de pequena massa e a Terra, vamos considerar dois objetos de massas iguais. Em vez de ir e voltar, ambos traçarão uma trajetória circular, partindo do mesmo ponto, viajando em direções opostas e se encontrando no ponto diametralmente oposto ao de partida. Mais adiante explicaremos a razão dessa modificação na maneira de formular o problema. Também é importante que ambos se movam ou na direção do ápex solar, ou ambos na direção oposta, e que o plano da circunferência esteja inclinado 90 graus em relação ao plano da eclíptica, para assegurar que um deles não se sujeitaria a uma interação gravitacional mais intensa com o Sol, que embora diminuta, não nos custaria nada cuidar para que não estivesse presente atrapalhando nossos resultados (na verdade, ainda teríamos alguns empecilhos, porque o ápex solar está inclinado 30 graus em relação à eclíptica e não haveria um modo de assegurar perfeita simetria no movimento dos dois objetos). Mais um detalhe evidente e presumível: os objetos precisariam viajar a velocidades próximas de c, para que as possíveis variações fossem sensíveis. Seria irrelevante o movimento ser uniforme ou acelerado. 
          O que aconteceria quando se encontrassem? Qual deles teria relógio defasado? Não existe motivo algum para supor que em algum deles o tempo teria se passado mais lentamente, por isso a conclusão natural é que os relógios permaneceriam sincronizados durante todo o trajeto, e marcariam o mesmo tempo quando se encontrassem. 
          Uma explicação possível seria a existência de um referencial inercial absoluto, e o melhor referencial que podemos assumir, parece-me, é a radiação de fundo de 2,7K. Aceitando isso, a “velocidade absoluta” da Terra na direção do ápex solar varia de 610km/s a 670km/s, e ao considerar as velocidades dos objetos, seria preciso somar ou subtrair o movimento da Terra, dependendo do caso. 
          Uma evidência de que é realmente isso que acontece pode ser encontrada nos aceleradores de partículas. Tanto num acelerador linear como num anular, se você faz duas partículas viajarem a altas velocidades, uma em relação a outra, e ambas se movendo à mesma velocidade em relação à Terra, no momento da colisão ambas terão aumentado suas massas na mesma proporção. Será como se ambas estivessem o tempo todo se movendo em relação a um referencial absoluto, em vez de uma estar se movendo em relação a outra. Em tal caso, a Terra poderia ser assumida como esse referencial, porque sua velocidade absoluta de cerca de 640km/s é desprezível em comparação às velocidades das partículas. Note que a Terra não aumentaria sua massa em relação às partículas, mas as partículas é que aumentariam em relação à Terra, isso porque o “movimento absoluto” da Terra determinaria a que ritmo o tempo estaria fluindo para ela, bem como sua energia cinética, enquanto a velocidade absoluta das partículas teria efeito análogo sobre elas. 
          Note que assumindo a existência de um referencial absoluto, não importa quão grande seja o número de elementos distintos, com movimentos distintos, nunca teremos paradoxos como o dos relógios, o dos gêmeos ou similares. 
          Quanto à possibilidade das constantes fundamentais mudarem ao longo do tempo, parece bastante razoável que isso aconteça, embora não existam indícios que confirmem isso. Há mais de 10 anos estão sendo feitas medições tão acuradas quanto possível com a finalidade de determinar ínfimas variações em algumas constantes, mas não tenho conhecimento de qualquer resultado definitivo nesse sentido. Sabe-se apenas os limites abaixo dos quais não ocorrem tais variações (ex.: G não varia mais do que 0,001% a cada século, mas ainda não se dispõe de dados suficientemente acurados para saber se ocorrem em G variações menores). Outra consideração a ser feita é que as constantes podem variar não só ao longo do tempo, mas também sob diferentes condições de temperatura ou gravidade, para citar apenas duas possibilidades. Em condições extremas de temperatura, como 0K, não faço idéia do que poderia acontecer (talvez um fóton congele, e com a “anulação” da atividade do bóson mediador da interação eletromagnética, essa força deixaria de existir. Será?). No âmago de uma singularidade, nada pode ser previsto com base nos conhecimentos que se dispõe hoje em dia. A questão é: em condições menos extremas que uma singularidade ou 0K (zero Kelvin), teríamos variações menores nas pretensas Leis físicas e/ou nas constantes fundamentais? Creio que não se pode dar uma resposta a isso por enquanto. 
  
Um abraço! 
Piu

-----Mensagem original----- 
De: Rodrigo de Almeida [mailto:rodrigocientista@ig.com.br] 
Enviada em: quarta-feira, 23 de maio de 2001 02:39 
Para: Sigma Society 
Assunto: Re: Genialidade 

Fala fera! 
Muito obrigado pelos elogios!Gostei muito da pequena homenagem, vc tb é meu amigo e pensador profundo ;-)))!! 
Pena que vc abandonou a física :-{, pois vc saca muita coisa p/ quem abandonou o curso com apenas 6 meses!!!!!!!!!! 
Como é esse tal curso de heurística????¿¿¿¿ 
Eu acessei no 01.Ainda não está pronto né? 
Estou organizando um torneio de xadrez p/ divulgação do mesmo na uerj!Alguma dica de sistema de competição? 
No sistema suíço o no. de rodadas é pré-estabelecido? 
Se a Terra rotacionasse de forma a gerar uma força centrípeta igual a gravitacional flutuaríamos!Nesta velocidade, a rotação da terra geraria vendavais como em Júpter(não tão fortes é claro, mas um ventinho pelo menos)?Lembre do problema do ovo e da resposta que eu propus!! 
OBS:Um professor (coordenador das olimpíadas de astronomia) da uerj disse que não, e eu acho(ah,tenho certeza porra ;-} ) que sim ;-)!!O que vc acha? 
beijo 
Rodrigo 
 
 
Fala, Gui!! 
  
       Cuidado com essa viadagem de beijo, que tem muita gente lendo isso ;-) (estou colocando sua pergunta no Oráculo, porque achei muito interessante!) 
       Quanto ao torneio, sugiro eliminatória. Não é fácil fazer emparceiramento suiço. Você precisa ler um livro inteiro sobre arbitragem e praticar um pouco. Têm softwares que fazem isso, tipo Swiss 48 ou Swiss Perfect, mas também levaria tempo até dominar o programa. Se você ler o livro do Calleros ou do Sangiorgi agora, pode usar sistema suíço no próximo torneio.  
       Mas a parte que mais gostei foi sobre sua idéia de levitação! Realmente muito interessante! Mas da maneira como você colocou, acho que não daria certo. Se você forçar a barra e disser que a Terra é perfeitamente rígida (de outro modo ela se deformaria, ficando mais achatada, e a F.c. deixaria de ser igual à F.g.), perfeitamente esférica, homogênea e sem qualquer traço de atmosfera, e se você estivesse em pé exatamente no equador e acompanhasse o movimento de rotação, seu baricentro (cerca do umbigo) estaria sujeito a uma gravidade menor e a uma força centrífuga maior do que a presente no solo, portanto isso o faria “alçar vôo” numa órbita ligeiramente excêntrica. Você começaria a subir, porque sua velocidade seria maior do que a velocidade circular à altura de seu umbigo, e sua velocidade diminuiria até que você atingisse o apocentro de sua órbita, a 7m do solo, então você começaria a descer e sua velocidade orbital aumentaria novamente, até igualar-se com a velocidade angular de rotação da superfície, o que ocorreria em seu pericentro. Desse modo, exceto quando estiver no pericentro, você estará sempre a uma velocidade angular menor do que a da superfície. Sabendo a altura de seu umbigo (cerca de 1m), podemos calcular as propriedades de sua órbita. Você descreveria aproximadamente uma órbita geoestacionária, “atrasando” menos de 5 milésimos de segundo a cada volta completa, ou seja, a cada hora você recuaria, em média, 9 m em relação à superfície, sempre no sentido leste. Se inicialmente houvesse atrito, bastaria encolher as pernas e ficaria "flutuando" ("orbitando" me parece a expressão mais apropriada). Com atmosfera, você ficaria pululando, bem suavemente, sem o risco de se quebrar, e talvez escorregasse em espiral para um dos pólos, onde a F.c. seria nula (não escorregaria necessariamente até chegar a um pólo, mas escorregaria uma parte do caminho). Se a nossa Terra fictícia não fosse perfeitamente esférica, a situação não mudaria muito, porque você se moveria muito lentamente em relação à superfície, logo não haveria risco de colidir bruscamente com uma montanha, ou algo assim. Mas, a longo prazo, o simples fato de subir (apocentro) e descer (pericentro) o faria interagir com grandes estruturas (edifícios, montanhas etc.) em proporções diferentes, e o acúmulo de pequenas perturbações em sua órbita poderia causar uma queda ou colisão. Se a queda ocorresse no equador, você novamente alçaria vôo. Se fosse numa latitude mais elevada, então dependeria da latitude e da altura do seu umbigo (estou sempre falando em “umbigo”, mas subentenda “baricentro”, pois dependendo do jeito que você cair, todo contorcido, seu baricentro pode ficar longe do umbigo). Após a queda, dependendo, você poderia permanecer em repouso no chão (alta latitude, umbigo baixo), ou novamente alçar vôo (baixa latitude, umbigo alto). Quando caísse de pé (ou se levantasse após cair), a latitude máxima a partir da qual ainda poderia decolar seria 1'55".5 (3,57km do equador). Uma colisão seria bem suave, e você poderia simplesmente contornar o obstáculo.  
   
       Abração! 
       Piu 
       P.S.: Vamos aproveitar o embalo e fazer propaganda do seu artigo.

-----Mensagem original----- 
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br] 
Enviada em: Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2000 23:06 
Para: sigma.2000@sti.com.br 
Assunto: sobre viagens no tempo 
 

Caro Piu-piu, 
 
Se eu viajo para 1983, um ano antes de ter nascido, 
e mato a minha mãe, quem matou a minha mãe? 
 
Já fiz esta pergunta, em allexperts.com, para um 
físico, mas ele não ousou responder... 
 
Aliás, enviei uma tradução incorreta do inglês para 
o português desta pergunta. Ela era "Who killed 
myself?" e ficou "Quem me matou?", o que não 
faz sentido por si só. Ignore-a, por favor. 
 
Pedro Bessa 
 

Olá, Pedro!  
  
 Tudo bem?  
  
 Reuben Fine escreveu um livro sobre Xadrez e Psicanálise em que afirma que o desempenho das mulheres no Xadrez deve-se ao fato delas raramente terem o desejo de matar o pai. Mas o caso do filho que quer matar a mãe é um assunto sobre o qual não sei opinar. J 
 Para falar sobre viajam no tempo, seria necessário entender o que é o tempo, mas não sabemos o que é e conhecemos pouco sobre suas propriedades. Todas as experiências que temos até hoje sugerem que o tempo seja unilateral. A nível quântico podem ocorrer fenômenos em que os resultados das experiências sugerem que o tempo vai para frente e para trás, mas a mecânica quântica não é muito digna de confiança. Uma teoria cujos resultados vão de encontro ao bom senso não pode ser levada muito a sério pelo bom senso. Eu não sei se no caso das teorias das supercordas o tempo também pode ir em duas direções, mas tanto no caso das supercordas como no caso da física de partículas, não temos contato com a “verdade” do que acontece. Apenas tentamos interpretar a “verdade” por meio de observações indiretas, tão indiretas que envolvem sistemas de longas engrenagens, e se uma delas não for consistente, o resultado final pode ser discrepante. Há muitas teorias baseadas em entes hipotéticos que nunca foram e jamais poderão ser observados diretamente (quarks e glúons), porque parte da teoria afirma que não podem existir isoladamente, e a mecânica quântica se constrói sobre hipóteses desse tipo, em que as teorias, de antemão, já estabelecem que não podemos saber certas coisas. O princípio da incerteza diz que você não pode saber, ao mesmo tempo, a posição e a quantidade de movimento de uma partícula, mesmo que essa partícula faça parte de um par simétrico em que você mede a posição de uma e a quantidade de movimento da outra. Os fundamentos da mecânica quântica estão no fato de que um elétron não espirala até cair no núcleo dos átomos, como é previsto pelas equações. Em vez disso ele se mantém numa órbita estável. A explicação que todos aceitam (depois de algumas brigas) é que o elétron não pode orbitar em qualquer lugar. Para mudar de uma órbita para a outra, ele dá um salto, em vez de fazer uma transição gradual. Foi assim que se começou a trabalhar com a possibilidade de existirem quantidades discretas indivisíveis de tempo, espaço, massa etc. Embora esse modelo explique muita coisa, a teoria como um todo apresenta muitos pontos contraditórios e os resultados das experiências podem ser interpretados de muitas maneiras alternativas, entre as quais a mecânica quântica foi erigida a partir de apenas uma dessas interpretações. No futuro alguma teoria melhor deve ser elaborada, mas por enquanto o que temos é isso (e não é pouco). E as “supostas evidências” de que o tempo pode ir pra frente e pra trás acontecem exclusivamente a nível quântico. 
 Na época de Aristóteles, falava-se em fenômenos sublunares e supralunares, acreditava-se que as leis vigentes abaixo da órbita da Lua eram diferentes daquelas que atuavam no cosmos. Essa crença foi demolia por Newton, mas hoje os físicos voltaram a adotar essas crenças, aplicando um determinado conjunto de leis ao mundo quântico e outras leis diferentes ao nosso mundo macroscópico. Isso me parece um descarado subterfúgio. De qualquer modo, mesmo que a mecânica quântica estivesse bem fundamentada, a Física atual diz que você não pode viajar no tempo a não ser que você seja uma partícula elementar. 
 Muitas pessoas já trataram do tema “viagem no tempo”, mas poucas o fizeram com seriedade e até hoje não existe nada conclusivo. As teorias sobre o universo mostram que se ele possuir massa acima de um valor crítico (cerca de 10^56g), continuará se expandindo até certo ponto e depois começará a se contrair, colapsando sobre si mesmo. Mas ao que tudo indica, quando ele se contraísse o tempo não voltaria, o tempo continuaria fluindo no mesmo sentido, enquanto o espaço diminuiria até chegar numa singularidade. 
 Estamos habituados com o tempo desde que nascemos, mas não sabemos o que ele é e quais são suas propriedades. Acreditamos que ele flui num sentido só, mas se fluir num sentido contrário, possivelmente será assim para todo o universo, como voltar um filme, em que não é possível fazer apenas uma personagem do filme voltar para interagir com outras. Mas se você imagina o espaço-tempo como um tubo que vai da esquerda para a direita, e se você pudesse sair do tubo (no ano 2000), voltar a um ponto anterior (1990) e entrar novamente nesse ponto do tubo, nada indica que você encontraria naquele ponto o mesmo que você encontrou quando passou lá pela primeira vez. E se voltar ao ano 1983 (ou 1990 ou qualquer outra data), sua mãe não estará mais nesse ponto, ela estará no ponto 2000 em diante, por isso é melhor você pensar em outro plano para matá-la. J Se o que passa pelo tubo é um fluxo contínuo de espaço-tempo _ que podemos substituir por água, peixes, vegetais etc. _, quando retornar você não encontrará a mesma água, nem os mesmos peixes ou vegetais. Se o que passa pelo tubo não é um fluxo contínuo, então você simplesmente pode encontrar um “nada” em 1983, porque “tudo que existe” está em 2000 e continuamente mudando de posição-tempo. O tubo é uma forma simplificada de representar o universo, uma forma que atende aos nossos propósitos imediatos de representar o que desejamos, mas na verdade acredita-se que o universo seja uma hiperesfera (ou hiperelipsóide ou hiper-hiperbolóide). 
 Naturalmente a única maneira de saber com segurança se uma viagem no tempo é possível e como ocorreriam as interação entre diferentes épocas, seria entendendo o que é o tempo e esboçando uma teoria de como seria possível empreender uma viagem através dele. 
 Espero que a essa altura você já tenha feito as pazes com sua mãe. Caso contrário, pode se inscrever em nosso curso de Xadrez e talvez isso o ajude a perceber que o verdadeiro bandido da história é seu pai. J Mas antes de encerrar, há mais algumas coisas a serem consideradas. Se você sai do tubo onde existe tempo, seu movimento será baseado em que? E se existe tempo fora do tubo, então enquanto você volta o fluxo dentro do cano prossegue... E quando você chegar a 1983, é possível que sua mãe esteja por volta de 2017 (supondo que ambos viajaram ao mesmo ritmo). Mas vamos um pouco mais longe. Vamos admitir que o tempo não é um tubo reto, mas uma rede toda entrelaçada, de modo que você pode passar várias vezes no mesmo ponto, assim quando chegar o ano 2017, sua mãe estará chegando ao mesmo ponto do tudo pelo qual passou em 1983, e se você chegar nesse ponto junto com ela, poderá reencontrá-la. Mas ela não será a mocinha de 1983. Ela será a senhora de 2017, e para todos os efeitos ela entenderá como se você tivesse sumido por 17 anos e, de repente, voltou. Ela terá gerado um filho, você terá nascido etc. Enfim, não haverá nenhum paradoxo, e nesse caso é bom você ter uma boa explicação para dar a ela, senão ela é quem vai matá-lo.  
   
Um grande abraço! 
Piu

-----Mensagem original----- 
De: Francisco Lacerda [mailto:clacerda@vicunha.com.br] 
Enviada em: sexta-feira, 17 de novembro de 2000 06:35 
Para: 'sigma.2000@sti.com.br' 
Assunto: Oráculo. 
Prioridade: Alta 
 

Bom dia piu-piu!!! 

        Bom dia! 

O problema em ser inteligente é que cada vez que você responde uma pergunta, 
vem alguém que não é tão inteligente como você e já faz outra, "não 
obrigatoriamente mais difícil". Corroborando com esta tese, estou cá eu, e 
lá vai! :-) 
 
        Não é um problema. É uma bênção que as pessoas inteligentes como você façam perguntas interessantes, e as pessoas pretensiosas como eu tentem responder. Assim as pessoas curiosas como nossos membros e visitantes podem se divertir. :-)  

As pessoas muito inteligentes, as famosas mentes brilhantes, acreditam em 
Deus? E por que nós Homo Sapiens temos esta necessidade enorme de crer em um "ou em alguns" Deus? Pois sabe-se que até mesmo entre os povos muito 
primitivos, acreditavam eles na existência de alguém superior! 
 
        Acredito que em questões polêmicas nas quais haja apenas duas alternativas, as opiniões devem se dividir em duas partes aproximadamente iguais. Sidis não acreditava em Deus, Einstein acreditava. Mas o Deus de Einstein não era “feito” à imagem e semelhança do homem. Einstein adotou o mesmo Deus de Spinoza, um Ser Cósmico que pode ser representado pela Natureza. Pascal, Newton e Descartes também acreditavam, mas eles viveram numa época em que não tinham muita liberdade para pensar sobre esses assuntos. Se acreditassem podiam viver em paz, se não acreditassem seriam queimados. Descartes e Santo Anselmo, entre outros, tentaram provar a existência de Deus. Recentemente Paul Davies e Chris Langan também se ocuparam com essa questão. Eu já tentei provar que Deus não existe, e com isso consegui reunir uma boa quantidade de argumentos que reforçam a opinião contrária, ou seja, de que Deus existe. As idéias de Santo Anselmo, embora muito antigas (século XIII ou XIV), permanecem sem refutação até hoje. Os acadêmicos já tentaram refutações formais, mas parece que essas foram contra-refutadas. Se você tiver muito interesse no assunto, pode visitar http://plaza.powersurfr.com/delajara/ , onde encontrará as estimativas de QI para 300 personagens destacadas de nossa história. Depois você pode pesquisar na Internet ou em alguma enciclopédia, sobre as biografias de cada uma dessas personagens, e montar uma estatística sobre como se comporta a curva “crença em Deus” em função do QI. Se houver algum relação entre uma coisa e outra, a informação pode emergir dessa curva, e creio que ninguém ainda tenha feito esse trabalho, portanto você será o pioneiro. 
        Se por um lado existem divergências quanto à existência ou inexistência de Deus, por outro há um consenso com relação ao deus bíblico. Conheço muitas pessoas que acreditam em Deus e outras que não acreditam, mas entre as que acreditam e cultivam o hábito de pensar e investigar profundamente as questões, a idéia predominante é de que o deus bíblico é estritamente comercial, um mero instrumento para manipulação política. Mas a Bíblia que chegou aos nossos dias não é a mesma escrita nos primeiros anos do Cristianismo. Foram suprimidos os Evangelhos Apócrifos e certamente foram adulterados muitos outros trechos, de acordo com as conveniências do clero, sobretudo durante a Idade Média e especialmente antes da invenção dos tipos móveis (séc. XV), quando as cópias ainda eram feitas manualmente. Além disso, eu estou me baseando numa amostra pequena de opiniões, portanto essa inferência pode estar incorreta. Particularmente eu acredito que existe um Deus e também acredito que seja completamente diferente dAquele descrito na Bíblia. Não penso num Ser abstrato, mas num Ser de existência física, não no sentido ‘físico’ em que concebemos a palavra. O que digo é que acredito num Ser provido com vontade própria e pensamento, algo bem diferente do “Deus = Universo” ou “Deus = Natureza”. Eu já escrevi algumas páginas sobre o assunto e discuti a questão com nosso amigo Luis Dantas, que é ateu. Faz mais de seis meses que enviei meus argumentos, depois nos encontramos pessoalmente, conversamos ao telefone e trocamos mais alguns e-mails, mas ele ainda não se opôs às minhas idéias com outros argumentos. O espaço está aberto para que ele possa se manifestar (como ele anda meio sumido, será excelente se essa texto o trouxer de volta à ativa). 
 
Sim, queria que você desenvolvesse uma equação para sabermos o percentual de 
políticos honestos do Brasil ! Pois ha tempos que procuro por um danado 
desses, mas tá difícil demais! quem sabe com uma forcinha eu encontre um!!! 
(:-) 
 
        Você mesmo pode fazer essa equação, pesquisando entre seus amigos e vizinhos. Os políticos apenas refletem a mentalidade e os sentimentos da população geral. Se somos corruptos e se vamos eleger políticos com os quais nos identificamos, fatalmente eles também serão. Se o rapaz que foi ao seu Manoel da padaria comprar leite, e ao receber o troco percebeu que tinha dinheiro em excesso, se esse rapaz simplesmente coloca o troco no bolso e vai embora, ele está propenso a eleger políticos semelhantes a ele. O administrador que na hora de selecionar um funcionário dá prioridade aos parentes e amigos, em vez de analisar os currículos, não está propriamente cometendo uma injustiça (eu acho), mas ele tende a votar em políticos que façam o mesmo. O executivo que escolhe sua secretária pela silhueta e/ou pelo semblante, vai eleger políticos com a mesma maneira de pensar e agir. E por aí vai... Portanto, se fizermos uma pesquisa entre nossos amigos e vizinhos, vamos encontrar proporções de desonestidade semelhantes às que encontraríamos entre os políticos. O problema é que o povo se acomodou a jogar a culpa de tudo nas costas dos políticos (terremotos, incêndios, raios etc.), e com isso procuram fugir de suas responsabilidades e atribuir seu fracasso ao governo. Não devemos esperar que o governo trabalhe por nós. Nem sequer devemos esperar que o governo cumpra a parte que lhe cabe. Convém apenas cuidar de nossas vidas e das pessoas que estão mais diretamente ligadas a nós, e procurar fazer isso independente das facilidades e benefícios que o Estado oferece. 

Sobre sua resposta anterior, concordo em cada vírgula! Também acho que nós 
não conhecemos nem nosso planeta inteiro ainda, mas vamos esperar que os 
pesquisadores sérios encontrem algum vizinho para nós, pois não agüento mais 
essa solidão! A idéia de só existirmos nós no Universo é muito cruel! ! !  E 
é bom que encontremos logo um lugar para irmos, pois acho que este planeta 
não vai durar mais 5000 anos não!. :-). 
 
Bem acho que já chega... 
 
Obrigado pelo espaço, Carlos Lacerda, direto de Pacajus - Ce - BRA. 
 
        É sempre um prazer manter contato! Naturalmente eu não vou dar conta de manter um ritmo desses por muito tempo. Só estou conseguindo responder logo porque estou praticamente sem nada economicamente rentável pra fazer. :-) Mas as perguntas são sempre bem-vindas! Fique à vontade pra enviá-las sempre que quiser. Eu me viro pra administrar o tempo. :-) 
Um grande abraço! 
        Piu

-----Mensagem original----- 
De: Francisco Lacerda [mailto:clacerda@vicunha.com.br] 
Enviada em: quinta-feira, 16 de novembro de 2000 12:01 
Para: 'sigma.2000@sti.com.br' 
Assunto: Oráculo!. 
Prioridade: Alta 
 

Olá piu-piu!!! :-) 

Obrigado pela rápida resposta a minha dúvida anterior, e aproveitando vou 
fazer logo mais uma perguntinha : 

Você acredita em vida "mesmo não inteligente" fora da terra? Será que nestes 
15 bilhões de anos -luz de universo, só estamos nós a viver??? 
Um detalhe importante: “ano-luz” é uma unidade de espaço, não de tempo. Um ano-luz tropical corresponde a cerca de 9.460.528.243.917km. 
 
Ansioso aguardo, Carlos Lacerda, Direto de Pacajus _ Ce BRA. 

Oi, Carlos! 

 Não sei se faz algum sentido procurar por vida inteligente fora do nosso planeta, se ainda não a encontramos nem mesmo aqui na Terra. J De qualquer modo, na opinião de muitas pessoas essa é uma investigação fascinante. Eu já me interessei por esse assunto e acho que ainda conservo algum resquício desse sentimento. Mas atualmente estou preocupado com outras coisas. 
 Existe um projeto chamado SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence), que tem por objetivo encontrar vida inteligente em outras partes do universo. Consiste em usar diversos radiotelescópios para receber possíveis mensagens alienígenas. Houve um caso interessante, na época em que foi descoberta a radiação de fundo de 2,7K, porque muitos pombos depositaram seus coprólitos na antena de um radiotelescópio, e isso produzia um ruído regular, que levou alguns pesquisadores a pensar que eram mensagens de extraterrestres. J Depois que limparam a antena, os ruídos persistiram, e isso entusiasmou muita gente, mas logo essa idéia foi descartada, porque as ondas vinham de todas as direções (deveriam vir de uma região pequena, quase um ponto, caso fosse provenientes de outro planeta). Atualmente admite-se que essa radiação de fundo seja o ‘eco’ do Big-Bang. 
 Se você tiver interesse, pode colaborar com o projeto SETI, disponibilizando seu computador. Vá até http://sites.netscape.net/eznail/ e veja como participar. 
 Quem conhece melhor esse assunto é nosso amigo Ricardo Gerber. Se ele quiser enviar algum comentário adicional, será muito bem vindo. 
 Existem algumas chances de que possamos estabelecer contato com seres de outros planetas, mas até onde sabemos, são chances pequenas. Quanto à possibilidade de termos recebido alguma visita alienígena, é extremamente remota. Por outro lado, a chance de que existam outras civilizações no universo são muito grandes. Existe até mesmo uma equação, proposta por Frank Drake _ fundador do projeto SETI _, que prevê as probabilidades de existirem outros mundos habitados. Considere que existem cerca de 100 bilhões de estrelas na Via-Lactea e que no universo existem cerca de 100 bilhões de galáxias. Isso significa que existem 10^22 estrelas no universo. Estima-se que uma em cada 3 estrelas possui em torno de si um sistema planetário, portanto o número de planetas no universo deve ser da mesma ordem de grandeza que o número de estrelas. Também se sabe que a água é um elemento mais comum do que se pensava até poucos anos atrás. E desde a década de 1950, sabemos que pode-se produzir moléculas orgânicas complexas partindo de substâncias mais simples e submetendo-as a intensas descargas elétricas. Tendo em conta esses informações, podemos concluir que existem muitos planetas que reúnem as condições necessárias para o surgimento e desenvolvimento da vida. 
 Quanto à existência de vida em estágio mais elementar, ainda não foi completamente descartada a possibilidade de existir dentro do sistema solar. Europa (satélite de Júpiter), Titã (satélite de Saturno) e Marte são fortes candidatos. 
 Existem pesquisadores sérios trabalhando nisso, e embora eventualmente precisem apelar ao sensacionalismo para conseguir apoio público e governamental, o fato é que existem indícios autênticos que sugerem algumas possibilidades de vida microbiana em Marte. 
 Se algum dia a humanidade conseguir chegar a um planeta habitado, teremos que lidar com alguns problemas éticos. A colonização das Américas provocou a dizimação quase completa dos povos nativos, e a imposição do cristianismo levou os índios quase à extinção. Isso mostra que tais intervenções podem provocar o colapso de uma cultura, e significa que as pesquisas sobre vida alienígena precisam ser dirigidas com muita responsabilidade _ uma virtude rara entre os habitantes do nosso planeta. 

Um grande abraço! 
Piu

-----Mensagem original----- 
De: Francisco Lacerda [mailto:clacerda@vicunha.com.br] 
Enviada em: quinta-feira, 9 de novembro de 2000 06:29 
Para: 'melao@sigmasociety.com' 
Cc: 'angelam@unifor.br' 
Assunto: Dúvida cruel... 
Prioridade: Alta 
 

Pessoal, gostaria muitíssimo de ter a resposta a uma pergunta, e, acho que 
aí, do outro lado da telinha, deve ter alguém que pode responder com alguma 
parcela de segurança! 

O universo é mesmo infinito??? 
Se for infinito, é necessário que haja matéria escura suficiente para que não ocorra o paradoxo de Olbers, mas as teorias vigentes sugerem que seja finito e com tamanho relativamente bem conhecido.  

Minha pobre mente não consegue entender o 
infinito! E mesmo antes do big-bang, algo existia, não é verdade? 
É uma boa pergunta! :-) Para tratar do que acontece alguns instantes depois do Big-Bang, precisamos de uma teoria de gravitação quântica, que permita entender o que se passa sob o raio de Schwarzschild. Mas não dispomos de uma teoria unificada que inclua a gravitação. Para entender o momento do Big-Bang, precisamos de mais do que isso, porque seria preciso compreender o se passa numa singularidade, e perguntar o que acontece “antes” disso, eu não creio que faça algum sentido, porque os modelos cosmológicos vigentes supõem que o tempo começou a existir com o universo, ou seja, sem universo não há tempo e não podemos falar em “antes”. 

Mas o que? 
E desde quando? 
A expressão "Quando" implica em "tempo". "Antes" também requer existência de tempo. Mas se havia alguma coisa "antes" do Big-Bang, essa coisa não era propriamente o tempo, uma vez que o tempo e o espaço começaram a existir com a origem do universo. Um detalhe importante: o Big-Bang é apenas uma das teorias sobre a origem do universo, e a partir dela se pode formular diferentes modelos. 

È possível que algo sempre tenha existido e sempre 
exista??? 
Você está usando muitas expressões ligadas ao conceito de tempo. Não temos nenhum motivo para acreditar que o tempo seja "eterno". Aliás, "eterno" é uma expressão que pressupõe a existência do tempo. Se você deseja formular uma pergunta sobre alguma coisa que esteja fora dos limites do universo, precisa respeitar o fato de que o tempo e o espaço estão contidos no universo, não fora dele, nem antes dele. A questão é muito delicada e para fazer perguntas que tenham algum sentido, antes precisamos estabelecer um conjunto de normas coerentes e uma linguagem apropriada. 

Pois mesmo que morramos, mesmo que todo o universo encolha e 
expluda, mesmo assim, algo permanecerá! Mas o quê ??? 

Desculpem-me se vocês acham isso uma baboseira, mas esta é uma de minhas 
dúvidas! ! ! 
É uma boa dúvida! :-) Porém não temos uma resposta a altura. Por isso vamos dar uma enrolada... 

Carlos Lacerda, direto de Pacajus - Ce - BRA. 

Fui... 

 O fato é que nosso modelo matemático de universo não representa o universo propriamente. Se retrocedermos até as culturas mais primitivas, encontraremos muitas concepções bizarras, com chacais comendo pedaços da lua ou a Terra sustentada sobre a carapaça de tartarugas. Se avançarmos até os tempos áureos da Grécia, encontraremos modelos mais racionais, formulados por filósofos que observavam os céus e procuravam representar os fenômenos celestes por meio de modelos coerentes. Os primeiros sistemas cosmológicos consistiam em esferas concêntricas de cristal, todas girando em torno da Terra (Pitágoras), ou tudo girando em torno de um “Fogo Central” (Filolau), ou ainda tudo girando em torno do Sol (Aristarco). O mais lógico era o sistema geocêntrico, conforme demonstrou Aristóteles, por meio de argumentos tão persuasivos que só foram refutados 2 mil anos depois. Isso é um detalhe muito importante! Aristóteles e seus contemporâneos não eram menos inteligentes do que os pesquisadores modernos, e os critérios que usavam não eram inferiores aos atuais. Eles pecavam por negligenciar a experiência, e hoje pecamos por burocracia científica, entre outras coisas. A ausência de paralaxe estelar e a queda perpendicular dos corpos foram possivelmente os melhores argumentos em favor do modelo da terra imóvel. E a Teoria da Relatividade talvez seja um dos melhores argumentos em favor do universo finito e em expansão. Mas vamos aguardar alguns milhares de anos antes de garantir que nossas teorias atuais são corretas. 
 Como a resposta ficou muito curta, vamos encher um pouco de lingüiça. J Os gregos se perguntavam o que havia por traz da última esfera, onde estavam as estrelas fixas, e alguns achavam que as estrelas eram na verdade furos na última esfera (essa esfera era um pano escuro), e que por traz dela havia muita luz, que atravessava tais furos. 
 Hoje tudo isso nos parece rudimentar, do mesmo modo que nossa concepção moderna será obsoleta num futuro distante. Alguns pesquisadores, provavelmente quase todos, podem ter a impressão de que esgotamos os limites de até onde se pode enxergar, mas essa visão me parece um tanto ingênua. Antes da Mecânica Quântica e da Relatividade, também se acreditava que o conhecimento científico estava quase esgotado. 
 Se pudermos entender a evolução das idéias sobre o universo, teremos uma noção mais adequada sobre o assunto. Os modelos vigentes naquela época (voltando aos gregos) eram compatíveis com os conhecimentos disponíveis, do mesmo modo que nossos modelos atuais (Lemaître, De Sitter etc.) são compatíveis com nosso atual estágio tecnológico, nada além disso. Se julgamos que nossos modelos são representativos da realidade, é por mera vaidade e arrogância, a mesma vaidade e a mesma arrogância que conduziram ao fanatismo pelo modelo geocêntrico. Mas agora trata-se de um fanatismo diferente, pelo paradigma científico ou, no extremo oposto, o fanatismo pelas idéias de Thomas Khun (de anti-paradigmas). A grande verdade é que vivemos numa busca constante pelo conhecimento, e vamos subindo um degrau de cada vez, eventualmente tropeçamos, caímos, voltamos a subir... Mas nunca chegaremos ao topo, se é que existe um topo. As duas "grandes" teorias do nosso século me desagradam profundamente. Tanto a Mecânica Quântica como a Relatividade são um tanto mirabolantes e repletas de paradoxos. São apelações abstratas que usamos para prosseguir investigando além dos limites do que podemos entender. Elas agridem nosso bom senso, e seus defensores tentam sustentá-las com equações, como se tais equações fossem o esqueleto dourado sobre o qual está erigida toda a Natureza. É importante não nos esquecermos de que uma teoria que funciona em 99% dos casos é incorreta, e nem a Relatividade nem a Mecânica Quântica dão conta de prever 99% dos fenômenos que deveriam. Mas isso não significa que deveríamos abandonar essas teorias, porque embora sejam incompletas, continuam sendo o melhor de que dispomos. Do mesmo modo, o sistema geocêntrico só foi abandonado quando o heliocêntrico se tornou suficientemente bem demonstrado (e ainda foi preciso vencer algumas barreiras que são típicas durante as transições de um modelo tradicional para outro inovador). Portanto, o jeito é aguardar até que teorias melhores venham substituir ou complementar as duas grandes teorias supracitadas. Ou, em vez de aguardar, você pode investigar o assunto e tentar revolucionar a Física. Note que eu não gosto das idéias apregoadas pela Mecânica Quântica ou pela Relatividade, mas eu não proponho nada melhor, isso porque é bem mais fácil criticar do que "criar" ;-) 
 Voltando novamente aos gregos, à medida em que as observações foram se refinando, os modelos tiveram que ser modificados a fim de se manterem ajustados aos dados empíricos. Eudoxo teve que “aperfeiçoar” (remendar) o modelo de Pitágoras, e mais tarde Ptolomeu levou esse modelo aos seus limites de precisão, usando um conjunto com mais de 50 epiciclos e gradientes para representar o movimento dos planetas, do sol e da lua. Esse modelo ainda não comportava os cometas ou os meteoros, que eram considerados fenômenos atmosféricos. 
 No século XV, isto é, cerca de 2000 anos depois do modelo geocêntrico ter sido adotado, as discrepâncias entre a teoria e os dados observados chegaram ao seu apogeu, então Copérnico propôs uma mudança fundamental no modelo, deslocando a Terra do centro do universo e colocando o Sol nesse lugar. Ele manteve os epiciclos, que só foram eliminados cerca de um século depois, com as órbitas elípticas de Kepler. A mudança de posição tinha implicações importantes nas dimensões do universo, porque se a Terra se movia, necessariamente produziria um efeito paralático, mudando a posição relativa das estrelas de fundo. Se essa paralaxe não era observada, significava que as estrelas se encontravam muito mais afastadas do que os planetas. Isso levou Kepler a estimar que as estrelas (ele ainda conservava a noção de esferas de cristal e imagina todas à mesma distância do Sol) ficavam a cerca 500 bilhões de quilômetros do Sol. É importante lembrar que nessa época Cassini ainda não havia determinado a distância Terra-Sol, com base na observação de Marte (em sua oposição periélica) de dois pontos diferentes na superfície terrestre (em sincronia com Richer), e as estimativas de Kepler situavam o Sol a apenas 24 milhões de quilômetros. 
 Giordanno Bruno chegou mais próximo da verdade, concebendo um modelo de universo infinito, com estrelas espalhadas por todas as partes, cada uma delas um sol, como o nosso, em torno das quais giram planetas habitados por civilizações. Mas Bruno era um filósofo, não um astrônomo, por isso suas “divagações” não se baseavam em dados empíricos e não poderiam ser encaradas pela comunidade científica com algo além de “palpites” (bons palpites, sem dúvidas). Além do mais, a idéia de universo infinito uniformemente povoado por estrelas implica num paradoxo, que foi notado mais tarde por Olbers. 
 Com a invenção do telescópio, na Holanda, e sua rápida reprodução por Galileu e Kepler, a precisão das observações deu um grande salto e desde então foi crescendo rapidamente. À medida que os instrumentos foram se tornando maiores, foi sendo possível determinar paralaxes cada vez menores, e mesmo assim não era possível notar nenhum efeito paralático nas posições estelares, portanto a distância das estrelas foi sendo “empurrada” para cada vez mais longe... Até que Bessel, no século XIX, finalmente conseguiu determinar a paralaxe de uma estrela. O resultado foi 60 trilhões de quilômetros (6 anos-luz), e nos anos seguintes foram determinadas paralaxes ainda menores, para estrelas situadas a quatrilhões de quilômetros. Esse método apresenta limitações relacionadas à capacidade dos equipamentos, e usando a órbita terrestre para produzir o efeito paralático não se pode medir nada muito além de 1.000 anos-luz. Por isso foram usadas outras técnicas combinadas. Eu estou tentando abordar todos os detalhes importantes, e colocá-los mais ou menos em ordem cronológica, mas acabo de me lembrar que não mencionei as estimativas de Herschell sobre o tamanho da Via-Láctea. E, mais importante do que isso, acabo de me lembrar que preciso dormir. J Por isso vou dar uma arrematada nisso. Bom, depois vieram as técnicas de paralaxe estatística, variação de luminosidade das cefeidas e, finalmente, com Hubble, chegamos ao desvio para o vermelho, que assumindo como correta a Teoria da Relatividade, sugere a recessão das galáxias e implica num universo finito. 
 Entendemos por “universo” o espaço-tempo onde se encontram os corpos que podemos observar. Se forem corretas as estimativas sobre paralaxe estatística, sobre luminosidade das cefeidas e sobre desvio para o vermelho, o universo deve ter cerca de 10 a 15 bilhões de anos-luz. A incerteza nesses valores é grande, porque os cálculos envolvem muitos métodos indiretos, cuja propagação de erros torna o resultado final bastante impreciso. Além disso, o resultado se baseia num conjunto de teorias e hipóteses que podem não ser corretas, como a variação de brilho das cefeidas obedecer a uma regra geral, a teoria da relatividade estar correta em toda sua extensão, entre outras coisas. 
 Nossa situação atual não é muito diferente da situação dos gregos. Temos à disposição equipamentos mais sofisticados, ferramentas matemáticas mais poderosas, computadores para tratar as equações que não oferecem soluções analíticas etc., mas nossa capacidade intrínseca de pensar e criar não mudou muito de lá para cá, e continuamos nos debatendo para entender o que acontece nos estreitos limites do que podemos enxergar, e nos esforçamos para transcender e saber o que se passa além do que enxergamos. Na década de 1960 ninguém jamais tinha observado diretamente um átomo, mas todos já acreditavam na existência de prótons, nêutrons e elétrons, que são 100.000 vezes menores, e já se começava a especular sobre a existência dos quarks. A Ciência nos permite isso, graças aos métodos indiretos usados para estudar o comportamento dessas partículas, por isso é possível conhecer as características que elas devem ter, mesmo sem nunca tê-las observado. O mesmo se aplica ao universo. Acreditamos compreender algumas de suas propriedades, e procuramos nos manter nos limites de onde nosso conhecimento empírico pode ser comparado à teoria, afim de corroborá-la ou refutá-la. Por isso não faz sentido, sob o ponto de vista científico, especular sobre o que existe além das fronteiras do que podemos estudar. Precisamos de novas teorias que permitam tratar melhor das informações disponíveis e também precisamos de equipamentos mais sofisticados para coletar dados mais acurados. Por enquanto só podemos opinar sobre o existe num raio de 10 a 15 bilhões de anos-luz. Fora desses limites, é campo para os escritores de ficção, religiosos e esotéricos, que gostam de falar sobre o que não conhecem. 

Um abraço! 
Piu

Parte I 
 
-----Mensagem original----- 
De: afreitas [mailto:afreitas@usp.br] Em nome de Antenor de Freitas Filho 
Enviada em: sábado, 12 de agosto de 2000 15:47 
Para: sigma.2000@sti.com.br 
Assunto: Divagação! 

Olá Melão, 

outro dia estava lendo uma carta enviada para ser respondiada pelo 
Oráculo, onde vc tem a impressão, acertada na minha opinião, que a 
pessoa que fazia a pergunta estava mais se exibimdo que querendo saber 
uma resposta para a dúvida dela, espero que não seja o caso agora com 
essa mensagem! 

    Eu tenho alguma dificuldade em ter muitos amigos, ou pelo menos 
alguns que tenham interesses paracidos com os meus; ai entrei para fazer 
pós-graduação e o ambiente melhorou um pouco, pelo menos no começo, 
agora depois de alguns anos quando ?a ficha começa a cair? e as coisas 
começam a ficar mais claras, a impressão que se tem é que 80% do seu 
tempo aqui dentro passa-se fazendo algum trabalho "burrocratico" , para 
fazer meu doutorado,p. ex., perderei pelo menos dois dos quatro anos 
mínimos necessários para terminá-lo. Mas não era bem esse assunto que 
estava querendo te falar - foi só para desabafar um pouco, me desculpe 
se o faço perder tempo lendo estas bobagens- foi então que encontrei as 
sociedades de HIQ, e a esperança renasceu no sentido de se começar a 
fazer coisas interessantes que nem ousaria comentar com meu orientador; 
e olhe que ele tem ADD, ou seja um QI altíssimo, estou tentando montar 
um clube de pessoas que gostem de robôs, dotá-los de alguns sentidos 
humanos tais como visão, fala e principalmente inteligência, no sentido 
de  saberem como resolver problemas para os quais não foram programados 
para saberem a solução, mas o sonho maior seria conseguir uma 
?interface? entre nossa mente com um computador no sentido de ter na 
tela do micro uma imagem do que estamos pensando, não tendo a 
necessidade de tentar traduzir aquilo em palavras; e de quebra 
imortalizar todos que tenham interesse em tal experiência no sentido de 
ter todos os dados gravados em um disco rígido e poder fazer com que 
outras pessoas possam conversar com ele/a mesmo quando este já tivesse 
nos deixado, além do que estes dados do disco poderiam continuar se 
"evoluindo" indepente do ser original que deixou as informações 
originais; minha nossa agora eu exagerei mesmo!! Em todo caso quando 
estou sonhando é com isso que perco meu tempo, será que teria mais 
alguem na sociedade que tenha interesses parecidos com esses?! 
    Parece que não tenho muito poder de síntese não é, era só isso que 
estava interessado em saber, se teria mais alguém que se intersse por 
imortalidade, pelo menos do pensamento, não seria igual ao do livro 
escrito pela pessoa mas o próprio pensamento dela ainda vivo entre nós. 
 

Grande Antenor!  
  
 Tudo bem?  
  
 A Mariangel me enviou outros e-mails depois daquele. Cerca de 10 ao todo. Ela parece uma pessoa simpática, mas naquela mensagem me pareceu claro que realmente a intenção dela era aquela, pois da maneira como ela descreve os termos utilizados, deixa transparecer que não acredita que a pessoa a quem ela dirigiu a pergunta saberá sequer o significado daquelas expressões, e muito menos a resposta à sua pergunta. Se no seu caso a intenção é a mesma que a dela, isso não sei dizer, mas pelo menos você está sendo mais sutil. ;-)  

 Acho muito interessante sua idéia de construir robôs pensantes. Digo “interessante” porque inicialmente o perigo será bem pequeno, já que eles serão pouco “inteligentes”. Mas à medida em que forem ganhando autonomia e se tornando capazes de tomar decisões próprias, fica difícil prever o que eles vão fazer conosco. Basta analisar a maneira como tratamos os animais para ter uma idéia do que pode nos acontecer. Acho que qualquer especulação nesse sentido, não conduz a lugar algum. Por isso vamos tentar encaminhar o assunto de modo que cheguemos a algum lugar. 
 A impressão que tenho é de que mal começamos a engatinhar nesse campo. Pelos softwares de tradução, pelos programas que ministram sessões de Psicanálise e pelos programas para jogar Xadrez, podemos perceber o quão pouco sabemos sobre como atua o pensamento. Um programa de Xadrez, por exemplo, precisa calcular 1 milhão de lances por segundo para conseguir equilibrar a força de jogo com um grande mestre humano, que calcula somente 1 ou 2 lances por segundo. Além disso, o programa não entende nada do que está fazendo. Ele elege o melhor lance pela “força bruta”, comparando os resultados de numerosas variantes, selecionadas com base em critérios extremamente rudimentares. Se um programa de Xadrez chegar a uma posição semelhante a outra contida em seu banco de dados, ele será incapaz de compará-las e tirar proveito de seu “conhecimento”. Vejamos um exemplo: o Hiarcs 7.32 é uma das engines mais sofisticadas que existe. Na maior parte das vezes, é capaz de avaliar estrategicamente uma posição com tanta acurácia quanto um grande mestre. É um dos programas que ‘aprende’ com as próprias partidas, incorporando à sua engine as valorações que vai fazendo, tendo em conta todo o histórico pregresso e o transcurso posterior das partidas, e usa essas informações nas análises de outras partidas. Em muitos casos ele é capaz de evitar cometer o mesmo erro quando se depara pela segunda vez com a mesma posição, o que já é algo bastante representativo em comparação a qualquer outra máquina moderna, mas ainda é muito pouco em comparação à capacidade de raciocínio de um cachorro ou de um rato.  
 Pois bem, o Hiarcs 7.32 é incapaz de concluir que se no diagrama 1 as Brancas dão mate em 16 lances, no diagrama 2 também haverá o mesmo mate, pois a mudança na posição do Rei branco é irrelevante. E não apenas o Hiarcs, mas também o Fritz 6, o Junior 6 e qualquer outro software de ponta. Nenhum deles é capaz de entender algo que nos parece tão “óbvio”. 

Diagrama 1                                                  Diagrama 2
 

 Além disso, nenhum desses softwares consegue “entender” que a posição do diagrama 3 é empatada, embora qualquer jogador inteligente, mesmo que tenha acabado de aprender a mover as peças, possa concluir isso sem grande esforço. 

Diagrama 3

 Os softwares de Xadrez e de tradução são importantes indicadores do estágio em que se encontram os estudos sobre inteligência artificial, e eles revelam que já é possível simular com eficiência, por meio da “força bruta”, a capacidade de pensar sobre processos muito simples. Mas à medida em que esses processos vão se tornando mais complexos, os programas começam a falhar sistematicamente. O que os programas fazem atualmente é processar instruções com rapidez. Fazem isso melhor do que os mais velozes calculistas mentais, sorobanistas ou enxadristas. Porém, coloque os computadores diante de uma situação em que seja preciso improvisar, e eles serão incapazes de colocar uma caixa em cima da outra para conseguir alcançar um cacho de bananas _ coisa que chimpanzés e gorilas fazem sem ter que meditar muito.  
 Na vida as decisões são tomadas aproximadamente com base em parâmetros similares aos que usamos para decidir qual o melhor lance numa posição de Xadrez. A diferença principal é que no Xadrez existe um número discreto de variáveis a serem consideradas, e a posição final de cada variante pode ser valorada assumindo que muitos parâmetros subjetivos podem ser quantificados, de modo a estabelecer uma ordem de prioridades a serem seguidas, e com isso é possível acertar nas decisões recorrendo a um pequeno número de informações sobre os princípios gerais do jogo. Pode-se dizer, por exemplo, que uma Dama vale 88, uma Torre vale 45, um Bispo vale 32, um Cavalo vale 30 e um Peão vale 10 (mais grosseiramente, pode-se dizer que os valores são, respectivamente: 9, 5, 3, 3, 1). Além disso pode-se dizer que esses valores devem ir aumentando à medida em que as peças forem saindo do tabuleiro, a fim de “ensinar” aos programas a “Teoria da Simplificação”. Para tanto, basta dizer ao programa que o valor de cada peça deve ser multiplicado por 800 e dividido por x, onde “x” representa a soma dos valores das peças presentes no tabuleiro + 400. Pode-se também atribuir algo como 1 ponto (0,1 Peão) por casa dominada, 0,1 ponto por Peão central etc., e assim obter uma estimativa das vantagens estáticas (espaço) e dinâmicas (mobilidade das peças) em cada posição. Mas ainda existem problemas técnicos extremamente difíceis de serem resolvidos, como avaliar a segurança dos Reis ou a importância justa de uma estrutura de Peões defeituosa. Naturalmente os primeiros programas de Xadrez eram muito ruins, e depois de 3 décadas temos acumulado alguma experiência, que permitiu compilar programas “sábios e lentos” (Hiarcs, Genius, M-Chess Pro) tão bons como os “tolos e velozes” (Fritz, Nimzo). Os “sábios e lentos” assemelham-se mais ao jogador humano, na aparência dos lances, mas ainda diferem muito na essência. Um programa veloz calcula 500.000 a 2.000.000 de lances por segundo, enquanto um programa lento calcula entre 10.000 e 50.000, portanto, mesmo os programas lentos e sábios são muito mais rápidos e mais tolos que os humanos. 
 A única maneira de saber se foram “ensinados” bons conceitos a um programa é colocando-o para jogar com humanos e com outros programas, e fazendo uma estatística dos resultados. Com isso pode-se escolher algumas poucas variáveis e ir mudando-as gradualmente, depois comparando o desempenho do programa antes e depois da mudança. Se o desempenho melhorar, as mudanças são mantidas, caso contrário, restabelecemos os parâmetros antigos. Por exemplo, em vez de dizer que cada Peão central vale 1, podemos dizer que vale 1,15 e verificar se isso aumenta ou diminui a performance do programa.  
 Como está claro, a tarefa é absurdamente laboriosa e dispendiosa, portanto requer muito tempo, uma equipe numerosa e pesados investimentos. Não é como inventar o Cálculo, a Teoria da Relatividade ou o Teorema de Pitágoras, em que basta dispor de uma vareta e um chão arenoso para rabiscar, ou no máximo uma folha de papel, uma caneta e algumas ferramentas matemáticas adequadas, um sistema de símbolos conveniente e coisas do gênero. Mas os problemas que surgem nas pesquisas sobre I.A. não são tão simples. Isso já torna extremamente difícil e retarda imensamente o desenvolvimento de programas destinados a uma finalidade muito específica, como “um programa que jogue bem Xadrez”, ou “um bom software de tradução”, e quando se pretende algo mais ambicioso, como um programa capaz de pensar sobre qualquer assunto, capaz de aprender sobre qualquer assunto, ou capaz de tomar decisões, então a tarefa se torna praticamente impossível em nosso atual estágio de desenvolvimento tecnológico, porque na vida existe uma variedade muito maior de informações a serem consideradas na hora de tomar uma decisão, portanto seria preciso um tempo imenso para reunir todos os dados relevantes e programar um robô capaz de diferenciar uma mulher bonita e que faria sucesso como modelo, de uma mulher que não se enquadra nos padrões de beleza vigentes em nossa sociedade. E quando falamos em tempo imenso, estamos nos referindo também a grandes investimentos e numerosas equipes. Creio que a tarefa seria muitíssimo mais árdua do que o projeto Manhattan, que consumiu mais de 1 bilhão de dólares na década de 1940, com vários pesquisadores de ponta trabalhando em conjunto ao longo de alguns anos. Penso que o máximo que se pode fazer, por enquanto, é robôs altamente especializados, capazes de tarefas simples de raciocínio convergente.  
 Seria extremamente difícil elaborar um programa que lesse e interpretasse um texto simples, do tipo: “Vá ao mercado comprar guaraná. Se não tiver, traga coca-cola.” Para que tal programa pudesse lidar com muitas frases que não tivessem sido previamente incluídas em seu banco de dados, ele teria que simular muito bem o “entendimento”, e mesmo assim cometeria muitos erros graves, que os humanos não cometem. O interessante é que depois de dar o primeiro passo, os passos seguintes seriam mais fáceis. Por exemplo: daqui a alguns séculos, depois que alguém (ou “alguéns” J) conceber um programa com as características acima, será relativamente fácil aprimorá-lo para que, apenas dizendo “O guaraná está acabando.” E a partir disso o próprio programa conclua que precisa ir ao mercado, e que se não encontrar guaraná pode trazer coca-cola ou então procurar guaraná em outro mercado, e, diante desse dilema, o programa será capaz de tomar a iniciativa de nos perguntar: “O senhor quer que eu vá ao mercado buscar? E se não tiver guaraná, quer que eu traga coca-cola ou prefere que eu vá a outro mercado?” Enfim, a dificuldade reside nos fundamentos do programa. Os passos seguintes, de rebuscá-lo com recursos mais sofisticados, seriam comparativamente fáceis. 
 Esse quadro é ao mesmo tempo terrível e estimulante! Terrível porque para todos os lados que olhamos, tudo o que vemos é um vasto terreno estéril. E estimulante porque praticamente tudo no campo da I.A. ainda está por ser descoberto. Antes de colher os primeiros frutos, ainda é preciso adubar a terra, inseminá-la, cultivá-la... Cuidar de muitas etapas antes de ver algum resultado concreto. Creio que estamos tão distantes de um robô inteligente quanto os antigos gregos estavam de nossa tecnologia atual. O fato é que não dispomos de ferramentas adequadas e não acumulamos conhecimentos suficientes. Temos apenas imaginação e avidez pela descoberta, e isso deve nos conduzir aos nossos objetivos, mas não tão cedo... 
 Bom, o que quero dizer com tudo isso é que considero sua intenção muito interessante, ambiciosa e quase impossível de realizar no momento. E vou ficar muito feliz se você mostrar que estou sendo pessimista e construir algo capaz de discernir visualmente (sem analisar quimicamente) uma laranja real de outra de plástico, e repita isso para qualquer outra fruta, e além disso possa chegar a outras conclusões corretas sobre questões variadas. Um programa que leia um problema do tipo: “João tinha dois ovos e seu irmão quebrou um deles. Com quantos ovos inteiros João ficou?” e seja capaz de dar a resposta correta, seria um grande passo! Mas acho que nem isso é possível nas próximas décadas. Talvez seja possível elaborar um programa de tradução tão eficiente em sua tarefa como os programas de Xadrez são na deles. Isso já seria um avanço muito importante, embora não representasse mais do que uma nova gota d’água de conhecimento em meio ao oceano do desconhecido. 
 Até o parágrafo acima, eu tinha respondido antes de nos encontrarmos pessoalmente e de você me falar sobre os detalhes de sua idéia, que envolve transmitir informação de um cérebro humano para uma máquina (um HD, DVD ou similar). Eu considero que o texto acima está inacabado, mas como ia seguindo um rumo meio diferente, vamos ver se agora abordamos o tema que você propôs. 
 A idéia de preservar as informações que uma pessoa vivenciou ao longo de sua existência é fascinante, principalmente se houver algum meio de processar essas informações num software (na falta de algo melhor) que simule o pensamento. Eu não sei dizer se algum dia será possível construir uma máquina dotada de criatividade e emoção, mas sabemos que no momento nem sequer sonhamos com os meios que permitam compilar um programa capaz de articular idéias básicas. Portanto, a impressão que tenho é de que essas idéias não podem ser encaradas como um “projeto”, mas como um interessante tema para um texto de ficção. Eu coloquei uma descrição resumida sobre a máquina da invisibilidade na seção dos Sigma Testes, em forma de problema. Creio que uma versão rudimentar da máquina da invisibilidade, capaz de funcionar em circunstâncias especiais, seja um projeto muito mais modesto e ainda assim inviável nos próximos séculos. Já a idéia de transmitir dados de um cérebro para um HD ou de um HD para um cérebro, isso eu considero muito distante. Mas o que realmente fascina nisso é que me parece viável, porque a conversão de uma linguagem na outra não seria impossível (ao menos até onde posso entender), já que ambos (cérebro e máquina) trabalham à base de pulsos elétricos. Eu não sei nada sobre neurologia, por isso não posso me arriscar nesse campo, pois fatalmente diria grandes sandices. Mas espero que outras pessoas com os mesmos interesses que você lhe escrevam, e que também se associem ao seu clube de pessoas que gostam de robôs. 
  
 Um grande abraço! 
 Piu 
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Parte II 
-----Mensagem original----- 
De: afreitas [mailto:afreitas@usp.br] Em nome de Antenor de Freitas Filho 
Enviada em: quinta-feira, 31 de agosto de 2000 05:05 
Para: sigma.2000@sti.com.br 
Assunto: Aumento do arquivo sobre piadas! 
  
(Mensagem editada, com exclusão das piadas, que serão publicadas na seção de humor) 
  
Olá, Melão 
  
        Obrigado pela resposta no Oráculo, muito instrutiva e 
estimulante, quanto à máquina ser mais inteligente que nós tenho uma 
resalva que talvez nos deixe um pouco mais ?confortáveis?, da mesma 
forma que pessoas como vc e eu não maltratamos os animais quem sabe 
poderemos ter a mesma sorte de não sermos maltratados pelas máquinas, e 
quanto ao atraso tecnológico da nossa civilização estar tão longe do dia 
em que poderemos ver tais máquinas quanto nosso atual estágio em relação 
ao antigo Egito (digamos 4.000 anos atrás), acredito que certamente não 
levaremos tanto tempo assim pois há um fato chamado ?espiral do 
conhecimento?, algo como quanto mais vc sobe a montanha do conhecimento 
mais longe vc enxerga, quanto mais conhecimento vc adquire mais rápido 
vc descobre outros, creio que até o final do próximo século deveremos 
ter ?andróides ? bastante razoáveis ! espero. 

Um abraço. 
 

Olá, Antenor!! 
  
 Tudo bem? 
  
 Não sei bem se a minha resposta foi instrutiva, conforme você disse. Espero que não esteja com esse papo pra tentar me seduzir ;-), porque sou um Piu-Piu macho, com um pauzinho (hífen) no meio dos “Piu”. O pouco que conheço sobre Inteligência Artificial está ligado à aplicação da mesma aos softwares de Xadrez. De certo modo, sou um “usuário” de Inteligência Artificial, tanto com softwares de Xadrez como softwares de Tradução, mas pelo fato de pesquisar com certa profundidade as diferentes engines de Xadrez (Fritz, Hiarcs, Junior, Craftty, Nimzo etc.), acabo tomando conhecimento sobre alguns processos que talvez possam ser de algum interesse. Em 1998, pela Escola Virtual de Xadrez, recebi um e-mail de um rapaz que precisa de alguma orientação sobre como elaborar a parte heurística de um programa de Xadrez que fosse capaz de vencer alguém que tivesse acabado de aprender a mover as peças. Eu não achava que estivesse habilitado para isso, mas fiz o que pude, atribuindo algumas valorações, meio que “chutadas”, sobre a importância de dominar o centro, linhas abertas etc., e ele me respondeu agradecendo muito, demonstrando grande entusiasmo e dando a impressão de que era exatamente o que ele procurava. No fim das contas, tive a impressão de que ele buscava apenas algumas informações sobre Xadrez, porque sobre I.A. propriamente, eu não conheceria o bastante nem sequer para entender um diálogo “light” entre estudantes nessa área. 
 Quanto à questão dos animais, para nosso referencial julgamos que não os maltratamos, mas não creio que algum de nós gostaria de trocar de posição com eles. Note que eles vivem sem liberdade, quase exclusivamente para nosso prazer e diversão. Podemos gostar deles, mas nem por isso lhes oferecemos o que talvez seria realmente o essencial a eles. 
 Quanto à espiral do conhecimento, de fato parece representar satisfatoriamente a evolução da Ciência e da Tecnologia. Um exemplo interessante seria o Evolucionismo, que de Lamarc passou por Darwin e Wallace e agora parece estar resgatando algumas idéias de Lamarc, como a segunda volta da espiral que passa sobre o antigo ponto, mas com uma visão mais elevada. Isso acontece em muitos casos, mas segue caminhos inteiramente distintos, com saltos ou quedas, desvios etc. Especialmente no caso da I.A., acredito que o desenvolvimento precisará de um salto para prosseguir, porque o tamanho dos chips já está chegando perto de atingir seus limites físicos. O que quero dizer é que não sei se algum dia será possível construir um processador com 1 THz ou um HD com 100THz. Se isso for possível, deve envolver uma tecnologia inteiramente nova e, portanto, representará um “salto” fora da evolução suave e contínua da espiral do conhecimento. 
 Quanto aos andróides, esse é um tema delicado! Um membro da Prometheus, chamado Graddy Towers, que faleceu nesse ano, escreveu um artigo muito interessante sobre a miscigenação entre homens e macacos. Ele considera a possibilidade de fazer experiências cruzando homens com chimpanzés e/ou gorilas, e cita que o número semelhante de cromossomos é um fator que favorece esse cruzamento, como acontece no caso de cruzar cavalos com jumentos, gerando mulas. Mas para conseguir o aval necessário a promover tais experimentos, seria preciso persuadir a Igreja e o Governo, e para tanto também seria preciso persuadir o povo. Em outras palavras, isso só seria possível se houvesse algum indício de que tais experimentos nos levariam a encontrar a cura para a AIDS ou algo assim, do mesmo modo que a NASA precisou apelar para a possibilidade de existência de vida (macroscópica) em Marte para conseguir fundos financeiros destinados às missões Viking, Mariner e outras... É a meta “elevada” (agradar aos olhos do povo e da mídia) que permite arrecadar fundos para o projeto mais “vulgar” (expandir os horizontes de nosso conhecimento). 
 Construir um andróide talvez já seja possível nos dias de hoje. Depende do que se entender por “andróide”. Se anexar um braço mecânico, capaz de responder aos impulsos elétricos adequados e corresponder com os mesmos movimentos de um braço orgânico, se isso já puder ser considerado um andróide, então já dispomos dessa tecnologia. Mas bem diferente disso é, conforme você disse, colocar um cérebro dentro de um conjunto de engrenagens, ligado a miríades de eletrodos, e esse cérebro comandar todo um corpo mecânico. Nesse caso, não bastaria que dispuséssemos de tecnologia suficiente, mas além disso seria necessário vencer a barreira dos dogmas religiosos e as tradições sociais. Se bem que, depois de atingir o estágio tecnológico adequado, a tarefa de driblar as restrições da Igreja e da Sociedade é a parte mais fácil. Contudo, existe algo mais grave e mais importante do que os preconceitos religiosos e sociais. É a Ética. E, sinceramente, eu não sei se é ético empreender algum esforço no sentido de preservar um cérebro em tais condições. Eu, por exemplo, acho que não gostaria de ter meu cérebro trabalhando num corpo mecânico, um “corpo” incapaz de se satisfazer sexualmente, gastronomicamente etc. 
 Enfim, no que diz respeito às limitações tecnológicas, creio que vamos precisar de muito tempo até que possamos enlatar um cérebro e mantê-lo ativo. Você deve estar mais apto do que eu para estimar o prazo para isso, pois está bem familiarizado com o ritmo em que a área está se desenvolvendo. Se serão 200 ou 2000 anos, isso realmente não sei dizer. Mas nas próximas décadas, como você supõe, considero bem pouco provável. 
 Mas basicamente só divergimos no ponto em que você diz “até o final do próximo século deveremos ter andróides bastante razoáveis! espero.” Talvez tenhamos andróides, de fato, mas não sei se “espero” por isso com entusiasmo ou com medo. É comum o pesquisador estar disposto a sacrificar tudo para atingir o conhecimento almejado, até a própria vida, até a vida de toda a humanidade e até mesmo a existência do Universo. Outro dia uma moça (Patrícia Rodrigues) me falou sobre um artigo publicado em Nature, que alude a uma experiência cujos detalhes ela não descreveu, mas deu a entender que implicava na construção de um gigantesco acelerador de partículas para produzir anti-matéria auto-replicante (ela citou os nomes das partículas, mas não era nada que tenha ouvido falar antes). :-\ Como se pode concluir, em tal experiência haveria o risco de que todo o Universo fosse convertido em energia. Por isso alguns pesquisadores estavam renunciando ao projeto e expondo os motivos ao Governo e às empresas que o financiariam. O risco de destruir o Universo com um relativamente pequenino equipamento é um tanto assustador. No caso de construir andróides, os riscos me parecem consideravelmente grandes, porque serão diferentes de nós, e as criaturas são naturalmente sectárias, tendendo a preferir seus semelhantes. O racismo, o patriotismo, as preferências por time de futebol ou por seitas religiosas, são algumas manifestações dessa natureza sectária. E nada nos garante que esses andróides, de uma hora para outra, não passariam a desenvolver uma ideologia nazista e trabalhar pelo nosso extermínio, alegando (com justiça) que somos nocivos à natureza e depredamos o planeta. E usariam isso como pretexto para generalizar a idéia de que “todo humano é ruim, nocivo ao planeta, e precisa ser eliminado”. 
 Pois é, e eu não gostaria de ver meu sonho se transformando em pesadelo. Robôs já me parecem consideravelmente perigosos, tomando por referência o que eles fazem no Xadrez e nas traduções, ou seja: ao traduzir do inglês para o português e depois traduzir o resultado novamente para o inglês, mudam o sentido de muitas frases. No caso do Xadrez, eles muitas vezes “acreditam” estar seguindo caminhos corretos e seguros, que para nós são evidentemente errados e podemos demonstrar isso, e o pior é que eles são “incapazes” de entender que estão errados. Isso já me assusta. E muito mais assustador é pensar num andróide, com paixões e pensamentos próprios, não um mero sistema cibernético que segue instruções, mas um cérebro com vontade própria e um “poder” que pode fugir ao nosso controle. Não sou um conservador, muito pelo contrário, mas tento considerar quais podem ser as conseqüências positivas e negativas. A possibilidade de construir andróides e o fato de que isso está se tornando cada vez mais próximo de ser uma realidade cotidiana, de algum modo me causa desconforto e preocupação, mas como não há nada que se possa fazer contra nem a favor, pois há milhões de pessoas envolvidas e bilhões de pessoas alheias ao que acontece, então simplesmente fico aguardando... E torcendo para que essas coisas demorem muito tempo para acontecer. :-) 
  
Um grande abraço! 
Piu

-----Mensagem original----- 
De: Jorge Miguel Ramos Domingues Ferreira Vieira [mailto:egrojarieiv@clix.pt
Enviada em: sábado, 5 de agosto de 2000 22:53 
Para: Sigma Society 
Assunto: uma estranha ideia 

Olá Melão! 
 
Como está 
 
Escrevo-lhe este e-mail para lhe mostrar uma estranha...devo dizer muito estranha ideia que me ocorreu já hà alguns anos. 
 
Estava deitado no sofá (não goze com a introdução por favor 8 ) )a olhar para a televisão quando subitamente apareceu-me uma ideia estranha na cabeça. 
Questionei-me sobre a continuidade aparente do movimento...sobre a diferença entre o rápido e o lento...e pensando de uma certa forma quase que me convenci que a nivel atómico imaginando-me um electrão não poderia saber a que velocidade me deslocaria (logo pela falta de referencial), e não poderia distinguir um e- a andar rápido de um a andar lento...será então o movimento descontino-o, em que a diferença de velocidades existe devido aos diferentes intervalos de tempo entre dois movimentos infinitamente rápidos e infinitamente pequenos? 
 
Gostava que opinasse sobre esta muito estranha e por ventura sem lógica alguma, não faço ideia, ideia. 
 
Desde já obrigado pela atenção 
Jorge 
 

Grande Jorge!  
  
        Como está, meu amigo?  
  
        Pois é. Essa é uma questão muito interessante. Demócrito formulou um modelo atômico para tudo, inclusive para o tempo, mas na época de Demócrito eram só especulações, e quando a teoria do átomo ganhou fundamentos científicos (Dalton, Thomson, Rutherford, Bohr etc.), a idéia de “átomos de tempo” foi deixada de lado. Depois depois, quando foram lançadas as bases da Mecânica Quântica, Planck sugeriu que existe um limite inferior de intervalo de tempo, algo da ordem de 5,4*10^-44 segundo. Isso não significa que o tempo seja necessariamente granuloso, constituído por “partículas” de 5,4*10^-44 segundo, mas significa que, se o Princípio da Incerteza e os fundamentos da Mecânica Quântica estiverem corretos, então não se pode estudar (nem mesmo em teoria) os eventos que ocorrem em intervalos menores do que esse, que é chamado de "Tempo de Planck". 
        Admitindo que a Teoria da Relatividade está correta e nada pode viajar mais rapidamente que a luz no vácuo, então existe também um limite inferior de espaço, que é o espacinho percorrido pela luz num intervalo igual ao Tempo de Planck. Esse espacinho corresponde a cerca de 1,6*10^-35m. 
        Quanto à sua suposição das diferentes velocidades serem conseqüência de diferentes intervalos de tempo entre cada um dos ‘movimentos quantizados’ (suponho que poderíamos chamar assim), em princípio não parece provocar contradição com as teorias vigentes. Mas se o tempo for constituído por partículas cujo intervalo tende a zero, creio que isso não representa nenhuma diferença de considerar que o tempo é um fluxo contínuo. Só haveriam diferenças revolucionárias se cada intervalo fosse diferente de zero (por exemplo: 10^-100 seg.), então isso poderia ter implicações muito importantes e interessantes, sobretudo se tais “grânulos de tempo” fossem maiores que o Tempo de Planck, porque nesse caso produziriam diferenças sensíveis em nossa apreciação do universo, ao ponto de nos obrigar a uma reformulação do modelo adotado. O problema seria como determinar a duração de tais intervalos. Pelo que sei, os intervalos de tempo mais curtos que se pode determinar com o auxílio dos equipamentos atuais são da ordem de 10^-23 segundo. São calculados com base na trajetória deixada por certas partículas, quando elas atravessam um fluido. Como as partículas viajam a uma velocidade conhecida (quase igual à da luz), medindo-se a trajetória pode-se saber o tempo de seu decaimento. Note que os intervalos mais curtos medidos em laboratório são cerca de um bilhão de trilhões de vezes maiores do que o Tempo de Planck, ou seja, uma desproporção mil vez maior do que entre o tempo de vida do universo e um piscar de olhos. :-)  
  
        Um grande abraço!! 
        Piu

-----Mensagem original----- 
De: mariangel [mailto:mariangel@bondinho.com.br
Enviada em: sábado, 5 de agosto de 2000 16:08 
Para: sigma.2000@sti.com.br 
Assunto: Reorganização Neurológica 
 

Olá! 

Quando uma criança está em desenvolvimento e ela não engatinha ela 
estará pulando uma fase (não maturará eficazmente o mesencéfalo, ou 
seja, o cérebo primitivo) e mais tarde ela poderá ter a vir um problema 
de escrita ou lateralidade etc.. 
Temple Fay, descobriu que através de movimentos padronizados (os que a 
criança faz ao nascer e continua fazendo ao longo de seu 
desenvolvimento..ex..o balançar pernas e braços em padrão  homolateral e 
cruzado, rolar, engatinharetc.. ..esses movimentos estariam preparando-a 
para o andar, falar e posteriormente o pensar..). 
A pergunta é: Como pode através desses movimentos haver a maturação do 
SNC? E pq? 

Obrigada! 

Mariangel 
 
Olá!  
  
        Tudo bem?  
  
        Eu não tenho nenhuma formação acadêmica, por isso é meio difícil responder a certas questões. Quando se trata de Xadrez, Física ou Astronomia _ áreas que adquiri algum conhecimento como autodidata _, ou quando se trata de qualquer assunto sobre o qual se possa chegar a uma solução por meio da reflexão, então dá pra especular um pouco e tentar oferecer uma resposta. Mas nesse caso estamos tratando de Neurologia, que foge completamente às áreas nas quais eu costumo me aventurar. Mas naturalmente eu não vou deixá-la sem uma resposta. J Todavia, esclareço que estou apenas tateando no escuro, sobre um assunto que desconheço. Vou tentar me conduzir pelo bom-senso e eventualmente apelar para a intuição. 
        Antes de começar, eu quero dizer uma coisa: há pessoas que nos escrevem porque buscam respostas a trabalhos escolares, muitas vezes sobre administração ou contabilidade, trabalhos de segundo grau, matemática, geografia etc. Geralmente eu não respondo a tais perguntas. No seu caso é diferente. Se eu não lhe respondesse, seria porque não estou qualificado para isso. De fato eu não estou, mas vamos brincar um pouco... J Bom, também há pessoas que escrevem para essa seção porque buscam esclarecimento sobre algum assunto, mas como não o encontram em outros lugares, usam nosso Oráculo como ‘último recurso’. Outras nos escrevem porque querem se divertir, trocar mensagens, coisas assim. Outras porque querem me testar, outras porque querem exibir conhecimento sobre um ou outro assunto. Enfim, temos gente de todo tipo por aqui, e meu “instinto selvagem e cruel” me diz que você é uma combinação dos dois últimos tipos citados. J Eu espero estar errado sobre isso e também espero que você não se sinta ofendida. 
        Bom, minha querida, você deve estar buscando uma descrição dos processos fisiológicos envolvidos, porque está bem claro que você é uma estudante na área de Biológicas. Se você realmente deseja obter tal resposta, pode simplesmente consultar um professor ou mesmo um livro, porque aparentemente essa é uma questão sem grandes mistérios e não exige nenhum esforço de abstração para compreender os processos envolvidos. Normalmente a seção Oráculo aborda assuntos que exigem não apenas conhecimento, mas uma boa dose de imaginação, além de raciocínio lógico bem desenvolvido. E é mais ou menos o que vamos tentar fazer com sua pergunta. Vamos pensar um pouco e ver se podemos descobrir alguma coisa. 
        Comecemos contestando uma de suas proposições: você diz que a criança que não engatinha pode futuramente manifestar dificuldades motoras e cinestésicas. Isso me parece improvável. Eu acredito que a criança que não engatinha já está manifestando deficiências psico-motoras, que se não forem devidamente tratadas, podem se agravar. O tratamento deve consistir em estimular a prática de exercícios pediátricos adequados, do tipo manipular objetos, e encorajar a criança para que ela tente engatinhar em direção de algo que lhe desperte o interesse (um brinquedo sonoro ou luminoso, por exemplo). 
        Na criança com motricidade e inteligência normais ou supranormais, os movimentos devem surgir naturalmente, sem necessidade de tais estímulos, enquanto as crianças propensas a manifestar inaptidão física ou mental tendem a apresentar indícios de tais dificuldades desde a mais tenra idade. O que digo é que o problema não surge porque a criança não engatinhou, mas o fato dela não engatinhar é um sintoma de que o problema já está presente e requer cuidados especiais. 
        A maneira como as atividades motoras atuam no desenvolvimento do sistema nervoso central (que você carinhosamente chama de “SNC”) deve estar estreitamente relacionada à memória cinestésica. Você certamente já assistiu, no circo ou na TV, àqueles homens que atiram facas numa roda giratória na qual está amarrada uma mulher. Depois ele é vendado e repete a proeza, sem acertar nenhuma faca na moça, deixando toda a platéia perplexa com sua destreza. Isso acontece porque o corpo dele está condicionado pela memória cinestésica. Eu pratiquei artes marciais durante algum tempo (uns 12 anos), e aprendi um pouco sobre o lançamento de shuriken e shaken (são aquelas estrelas dos filmes de ninja). Depois de algum tempo de prática, quando você lança um shuriken tanto faz você estar com os olhos abertos ou fechados. O corpo se condiciona a repetir o movimento, quase num gesto involuntário, e isso é feito com a mesma facilidade se você vê o alvo ou não. 
        Uma criança que começa a engatinhar precisa pensar em cada movimento que vai fazer. Isso é um esforço considerável, no início, mas com o passar do tempo ela vai se tornando cada vez mais hábil, até começar a andar sobre duas pernas, em princípio com dificuldade e também premeditando cada movimento, mas logo vai ganhando desenvoltura e esses movimentos (caminhar, comer, girar a cabeça para o lado etc.) vão se tornando espontâneos. 
        Existe uma doença, cujo nome não me recordo, que priva a pessoa de todos os movimentos porque danifica seriamente (ou totalmente) a cinestesia. Assisti a uma matéria sobre isso, exibida há alguns meses no Discovery, e creio que se possa encontrar algo sobre o assunto no site: www.discovery.com. Nesse documentário, mostraram um homem com cerca de 40 anos que estava completamente paralisado, e ele re-aprendeu a engatinhar, depois a andar, a pegar um copo e levar água até a boca, a escovar os dentes etc. Ele só conseguiu isso porque era um homem muito perspicaz e determinado, pois teve que aprender em condições muito mais difíceis do que uma criança. No caso dele, a memória cinestésica não tinha como atuar, pois sua cinestesia era nula. Então ele teve que emular a memória cinestésica, usando sua visão e seus outros sentidos. No caso da criança, a coisa é muito mais simples, porque todos os movimentos que ela faz ficam registrados na memória que cuida especialmente da cinestesia, e conforme as informações sobre esses movimentos vão se acumulando, a motricidade vai melhorando de qualidade. E não apenas isso, mas também os músculos e tendões tornam-se mais eficientes. Veja o exemplo de um ginasta olímpico. Para fazer uma série de saltos mortais ou flip-flops não basta saber como fazer o movimento. É preciso ter condicionamento adequado também. É preciso força, flexibilidade e coordenação, e isso se adquire por meio de treinamento regular, não pelo aprendizado no sentido restrito da palavra, ou seja: se uma pessoa aprende a dar salto mortal duplo, mas fica vários anos sem praticá-los, é bem provável que as informações cinestésicas permaneçam frescas em sua memória, mas o corpo terá perdido agilidade devido à falta de treino, e embora a pessoa saiba como fazer, ela não será capaz de fazer. Portanto, quando a criança engatinha e manipula objetos, ela vai se habituando a usar uma das mãos com mais freqüência que a outra, vai se aprimorando em tarefas diversas (segurar um objeto com firmeza, colocar comida na boca etc.). Isso não é um fator determinante na lateralidade, pois creio que sejam os genes que definem se uma pessoa será destra ou canhota. Mas esses hábitos vão se incorporando gradualmente à memória cinestésica e acentuando o conhecimento do próprio corpo, além de aperfeiçoar a coordenação motora e tonificar os músculos necessários para cada tarefa. Com o passar dos anos, as crianças mais ativas saberão diferenciar mais facilmente um lado do outro, serão mais ágeis etc., enquanto aquelas que tiveram vida mais sedentária podem encontrar dificuldades, porque não armazenaram volume suficiente de informação cinestésica e não exercitaram devidamente o corpo. 
        Com a escrita ocorre basicamente a mesma coisa. Soma-se a isso o fato de que, na maioria das vezes, as crianças que apresentam dificuldades motoras também apresentam deficiências mentais (algumas ligeiras, outras mais acentuadas, outras não apresentam nenhuma deficiência). Por isso é que para tais crianças é mais custoso todo o processo de aprendizagem, o que se faz notar na escrita, na fala etc. Existem exceções, obviamente, de crianças com dificuldades motoras e dificuldades com a linguagem, mas que são muito inteligentes e também existem crianças portadoras de deficiências mentais, mas com excelente coordenação motora. 
        Outro comentário importante: cada movimento que fazemos é constituído por um conjunto de outros movimentos mais elementares. Pela maneira de andar, pode-se reconhecer prontamente uma pessoa descoordenada, um bailarino ou um atleta. A pessoa com baixa coordenação anda jogando os membros desorganizadamente, o bailarino anda com graça e leveza, o atleta anda com determinação e segurança. Essas diferenças são o resultado do histórico da memória cinestésica combinada à aptidão natural de cada um. Antes de aprender a dar saltos acrobáticos é necessário aprender a andar, e antes de andar é preciso engatinhar, e antes de engatinhar é preciso aprender uma série de outros movimentos mais básicos. Se os conhecimentos mais fundamentais forem bem assimilados, então os outros movimentos mais complexos também serão desenvolvidos com mais facilidade e maior destreza. 
        Bom, minha querida, eu estou satisfeito comigo mesmo. Por alguns momentos eu achei que fosse ter que enrolar você, em vez de responder à sua pergunta. J Mas sinto que resposta ficou mais ou menos pertinente. De qualquer modo, sua pergunta ficará aberta às opiniões de outros membros, que eventualmente possam lançar alguma luz sobre o problema. Se você quiser enviar a pergunta em inglês (e outros idiomas), podemos postá-la em nosso eGroup e com isso aumentar as chances de você receber uma resposta de um pesquisador nessa área, porque cerca de metade dos nossos membros não fala português.  
  
      Até mais! 
      Piu

Posted by Jorge Miguel Ramos Domingues Ferreira Vieira on July 24, 19100 at 12:35:15: 

Olá! 

Venho rectificar a minha mensagem sobre a ultrapassagem da velocidade da luz. 
Esta foi conseguida sim (em cerca de 300 vezes), mas não foram partículas materiais a ultrapassa-la mas fotões de um raio laser. Diz-se que os cientistas observaram o raio a sair de uma certa camara antes de ter entrado! 
Gostava agora mais precisamente, saber as implicações desta experiencia na nossa vida, e porque razão se observou o raio a sair antes de ter entrado. 

Desde já obrigado 

Jorge 
  
Oi! 
  
        Pelo que você diz, suponho que os próprios autores da experiência ainda não saibam muito bem o que fazer com o resultado. J A primeira coisa é certamente divulgá-lo (é o que estão fazendo) e esperar que outros repitam a experiência com sucesso. Se for confirmado para vários pesquisadores independentes, será uma questão para se pensar, e pode até revolucionar a Física. 
        Na década de 1970, quando foi anunciado pela primeira vez que táquions (ou tachions) tinham sido observados, houve alguma agitação, mas ao mesmo tempo houve ceticismo. O tempo foi se passando, e parece que foi realmente um caso isolado, pois os táquions não voltaram a ser observados. Portanto, concluiu-se que eram apenas raios cósmicos produzindo radiação Cherenkov na atmosfera. 
        Desde 1982 (talvez antes), muitas vezes foi anunciada a descoberta do quark Top, sem que de fato tal descoberta tivesse ocorrido (parece que em 1994 foi confirmada a existência dessa partícula). Willian Herschell, no século XVIII, pensou ter descoberto 4 satélites orbitando em torno de Vênus, e chegou a calcular as órbitas desses satélites, mas depois constatou-se que fora uma ilusão (talvez asteróides, talvez estrelas distantes situadas no mesmo campo de visão). Bessel, em meados do século XIX, pensou ter descoberto anéis em Netuno. Quando a sonda Voyager II passou pelas proximidades de Netuno, em 1989, verificou-se que ele realmente possui um sistema de anéis muito tênues, que jamais poderiam ser observados pelos instrumentos da época de Bessel, e nem mesmo pelos instrumentos modernos situados na Terra. Por volta da década de 1960 ou 70, as excreções de pombos na antena de um grande rádio-telescópio produziram interferências que foram confundidas com mensagens de extraterrestres. J Percival Lowell, enxergava canais na superfície de Marte. E, ao longo da história da ciência, podemos encontrar muitos casos de sensacionalismo. Algumas vezes é a mídia que deturpa a informação, outras vezes são os próprios pesquisadores que fazem isso, ou buscando mais recursos para suas pesquisas (investigação da possibilidade de vida em Marte, por exemplo) ou tentando obter ilicitamente alguma glória pessoal. 
        É bom esperar antes de acreditar nas notícias muito recentes. Só depois que elas amadurecem um pouco é que se pode saber até que ponto estão corretas. Por outro lado, também é importante tomar certos cuidados com o ceticismo exacerbado. Um exemplo triste é o caso de um físico russo que previu a existência dos quarks antes de Gell-Mann (o russo os chamava de “ases”). Ele apresentou sua teoria para publicação numa revista russa, mas seu artigo foi rejeitado, sob a alegação de que não passava de especulação. Pouco depois, Gell-Mann, independentemente, publicou um trabalho praticamente idêntico, nos EUA. A diferença fundamental é que o russo (e lamento por não me lembrar o nome dele, porque ele certamente merecia ser citado) acreditava que sua teoria representava a verdade, enquanto Gell-Mann, sem maiores pretensões, admitia que se tratava apenas de uma “brincadeira matemática de como poderia ser o universo subatômico”. Posterirmente, a teoria dos octetos, em que se baseava a organização dos quarks, foi confirmada pela descoberta de novas partículas que se enquadravam muito bem no modelo teórico (se não me engano, uma dessas partículas foi o híperon lâmbda, com massa de 1679MeV, grandeza admiravelmente próxima da massa prevista teoricamente: 1681MeV), e isso valeu a ele o prêmio Nobel de 1968, enquanto o físico russo só é citado em algumas poucas publicações sobre o assunto. O próprio Einstein nunca ganhou nenhum prêmio por sua Teoria da Relatividade (o Nobel de 1921 foi por seus estudos sobre o efeito foto-elétrico). 
        Enfim, é preciso ter uma posição ponderada, sem acreditar em tudo que é dito ou escrito, mas também sem descartar a possibilidade de estar certo, pelo simples fato de não estar de acordo com os modelos vigentes. 
        Com relação aos pesquisadores terem “enxergado a luz saindo antes de ter entrado”, isso certamente quer dizer que os equipamentos usados indicaram uma leitura que sugere que a detecção da luz saindo precedeu a leitura que sugere a detecção da luz entrando. Sem maiores descrições de como foi o experimento, isso é extremamente vago, podendo inclusive ser um erro de leitura. 
        Naturalmente estou tentando explicar de acordo com meus poucos conhecimentos sobre o assunto. Poderia especular sobre tempo imaginário e fazer analogias com as propriedades hipotéticas dos táquions, mas enquanto não houver nada de concreto, vou encarar isso como ficção e prefiro não me prolongar na questão. Vamos esperar. Se esses pesquisadores ganharem um prêmio Nobel e se associarem a Sigma, é porque existem boas chances do resultado das experiências serem corretos. J 
        Eu fiz o que pude, mas não sei se esclareci alguma coisa... J 
  
        Um grande abraço! 
        Piu

Posted by Jorge Miguel Ramos Domingues Ferreira Vieira on July 06, 19100 at 14:01:26: 

Olá! 
Hà algum tempo atrás ao ler uma enciclopédia deparei com um assunto interessante, algo sobre as massas de partículas em repouso e com uma dada velocidade. Não estou bem certo mas julgo que a partícula em questão era o neutrino. Nesse artigo, era descrita uma experiência para determinar a massa de repouso dessa mesma partícula. A partir dela chegou-se à conclusão de que a sua massa de repuso deveria ser nula. Contudo não consigo compreender como uma coisa que não existe (com massa), quando é acelerada a uma determinada velocidade passa a existir com massa. 
Se a massa a uma dada velocidade for igual à massa de repouso sobre a raíz quadrada de um menos beta ao quadrado, e se a massa de repouso é igual a zero a massa a uma dada velocidade nuca poderia ser diferente de zero. Como é então isto possivel? 
(desculpem - me se tiver a confundir alguma coisa) 

Obrigado 
Jorge 
 
Grande Jorge! 
  
        Tudo bem?  
  
        Pra entender melhor a questão sobre a energia cinética das partículas elementares, é importante ver como funciona o processo de fusão nuclear.  
        Vamos tomar como exemplo a fusão de hidrogênio em hélio, que ocorre no interior do sol e de outras estrelas. 
        Bom, quatro átomos de hidrogênio são formados por 4 prótons e 4 elétrons. Cada próton é formado por dois quarks up (q = +2/3) e um quark down (q = -1/3). Dois desses prótons sofrem uma interação fraca, de modo que cada um deles emite um bóson W+. Esse W+ tem massa de repouso cerca de 90 vezes maior que a massa de repouso do próton, por isso ele precisa existir durante um intervalo muito curto, para não violar o princípio da incerteza (isso pode parecer meio difícil de “engolir”, mas parece ser o que acontece J). Quem emite esse bóson W+ é um dos quarks up que constituíam o próton, e prontamente converte-se num quark down: simplificadamente, sem falar em número bariônico, spin, isospin, número leptônico etc., ele _ up _ tinha carga +2/3 e emitiu uma partícula de carga +1, portanto ficou com -1/3, ou seja, tornou-se um quark down (pois a estranheza, o charme e outras propriedades foram preservadas). Assim, o próton torna-se um nêutron, formado por dois quarks down (-1/3) e um quark up (+2/3), com carga total zero. O bóson W+ colide com um elétron e, ao anularem suas cargas, emitem radiação em forma de luz (acho que um par de fótons) e um neutrino, necessário para manter equilibrado o número leptônico.  
        Ocorrem algumas coisas insólitas (beijos pra Jú), como um próton emitir uma partícula com massa 90 vezes maior que a dele, e depois disso ainda aumentar a própria massa (estamos falando em massa de repouso!), pois o próton tem cerca de 1836 vezes a massa do elétron, enquanto o nêutron tem 1838,6 vezes. 
        O importante é o resultado líquido do processo final. A massa do bóson W+ é “virtual”, enquanto a massa do elétron é real. A massa do elétron converte-se em três partículas sem massa, mas cada uma dessas partículas possui uma determinada energia cinética. O elétron tem energia cinética de repouso de cerca de 511keV (ou seja, tem massa de cerca 9,1*10^-28g), e essa energia é transferida às três partículas resultantes. Em resumo: uma partícula com massa dá origem a outras que não têm massa de repouso. Essa conversão de massa em energia se dá por meio da equação mais famosa que existe: E=mc^2. 
        Eu não sei atualmente se há algum consenso sobre o neutrino possuir massa de repouso, mas acho que é universalmente aceito que o fóton e o gráviton não têm massa. O fato de não terem massa não significa que não existem. A luz que você vê refletida nas coisas é prova disso, os raios catódicos que saem de seu monitor também e impressionam sua retina também. A luz é formada por pacotes de fótons, que têm calor, energia, spin, são os bósons mediadores da interação eletromagnética, e possuem muitas propriedades bem definidas, portanto eles existem. Aliás, uma das propriedades deles é justamente “não ter massa”. Na verdade, apenas admite-se que não tenham, porque simplesmente não existe um fóton ou um gráviton em estado de repouso. Essas (e outras partículas) são estudadas com base no rasto que elas deixam ao atravessarem determinados fluidos (câmaras de bolhas, câmaras de Wilson etc.), com base nas curvas que fazem, no comprimento dos rastos etc. 
        A equação que você cita é válida para partículas (e corpos macroscópicos em geral) que possuem massa de repouso. Não se aplica (ate onde sei) a corpos sem massa. 
  
       Um grande abraço! 
       Piu

-----Mensagem original----- 
De: jack.brother <jack.brother@bol.com.br
Para: hmjr@sti.com.br <hmjr@sti.com.br> 
Data: Terça-feira, 20 de Junho de 2000 16:58 
Assunto: nova dúvida... 

>Olá Melão!! 
>Tudo bem?! 

>Melão 
>Primeiramente quero lhe agradecer muito, muito mesmo por ter 
>respondido minha dúvida. 
>Gostaria de fazer alguns comentários a respeito de sua resposta e, 
>ficaria novamente grato caso você atendesse à dúvida. 

>Primeiro: Melão, conforme você diz, a inteligência seria, ou é, 
>composta de alguns elementos, dentre os quais você cita a 
>criatividade ( que seria a mais importante ), a cultura, e pelo que lí 
>em um comentárioa feito por você, a memória também seria um 
>elemento constitutivo da inteligência. Pois bem, você tem mantido 
>tal opinião, uma memória "boa" pode ser considerada como algo que 
>pode ajudar a desenvolver e melhorar a inteligência? 
 
         Em breve pretendo colocar on-line o texto integral sobre o novo modelo de estrutura mental. Inicialmente ficará numa seção restrita, disponível aos membros e visitantes registrados. Esse artigo esclarece as questões que você levantou. 
 

>Melão, você expõe também, que a inteligência pode ser "melhorada" 
>quando orientada, educada, conforme programas, atividades que 
>estimulem tal desenvolvimento. O que gostaria de saber, se deste 
>modo, pessoas com uma certa idade, eu p. ex., ( 22 ), há ainda 
>possibilidade de desenvolvê-la através quem sabe do xadrez? 
>Jogando xadrez, nesta fase, adiantaria de alguma forma, melhoraria 
>o raciocínio, ou outra capacidade? 
 
         Algumas pessoas acreditam que música clássica pode melhorar o desempenho mental de crianças e adultos, mas até onde sei, as evidências não são suficientes para que se possa assegurar nada de concreto. Alguns dizem que o ganho no desempenho é imediato e transitório, não se prolongando por mais de 15 minutos; outros acham que o hábito de ouvir regularmente música clássica vai gradualmente produzindo pequenos incrementos, que só se fazem sentir depois de um tempo considerável (meses ou anos).  
         Com relação ao Xadrez, tem sido constatado que, em média, crianças que jogam Xadrez apresentam melhor desempenho escolar do que as que não jogam. Isso indica apenas que existe uma “seleção natural” e as que se interessam por Xadrez possuem certas habilidades cognitivas que também são úteis para as atividades acadêmicas. Outras pesquisas revelam algo mais sugestivo e que pode ser efetivamente encarado como uma evidência de desenvolvimento mental: crianças que não jogavam Xadrez e depois passam a jogar Xadrez com regularidade, melhoram sensivelmente o desempenho na escola e em atividades sociais diversas, com destaque para Matemática e Ciências Exatas. O papel desempenhado pelo Xadrez consiste em: 

  • Cultivar o hábito de refletir antes de tomar decisões; 
  • Coibir a ansiedade durante uma tarefa desgastante, evitando que a pressa prejudique a qualidade; 
  • Estimular a capacidade de se concentrar; 
  • Exercitar a memória, a capacidade de cálculo e o discernimento. 

>Pergunto isto Melão, pois tempos atrás, conversando com um amigo 
>sobre inteligência, fiz a seguinte comparação: disse a ele que na 
>minha opinião, a inteligência pode ser comparada, talvez de amneira 
>distante, com o tipo físico de uma pessoa. Explicando: assim como 
>nascem pessoas naturalmente mais "fortes" que outras, algumas 
>pessoas, naturalmente, nascem com uma certa vantagem, no caso, 
>mais inteligentes que outras. Nesse sentido, queria dizer que: 
>àquelas que nascem mais "fracas", o que caberia a elas: tentar 
>superar tal deficiência, e de que maneira? umas praticam 
>musculação, outras, de acordo com a causa, alimentando-se melhor 
>para suprir uma falta de vitamina, procurando deste jeito, obter o 
>resultad: um corpo saudável, mais "forte". Assim, disse a ele, seria 
>com a inteligência. 

>Melão, fui feliz em tal comparação? 
>Quero, novamente lhe agradecer pela atenção dada! 
>Abraços! 
 
         Sua analogia é muito boa! Do mesmo modo que alguns elementos da estrutura física podem mudar facilmente e outros não, o mesmo acontece com os elementos da estrutura mental. A altura, por exemplo, depois de estabilizada, só pode ser mudada artificialmente, por meio de cirurgias (e talvez tratamentos hormonais). A aparência geral (fisionomia, principalmente) também só pode ser mudada artificialmente, por intervenção cirúrgica ou por algum acidente (claro que também existe a degeneração natural produzida pelo tempo). Por outro lado, o peso pode oscilar bastante, caso a pessoa siga determinados regimes e em tais casos as variações são naturais (o próprio organismo produz as mudanças, sem necessidade de cirurgias ou similares). Com a inteligência acontece algo muito semelhante, ou seja: alguns elementos que a constituem podem variar naturalmente, por meio de exercícios ou similares, enquanto outros simplesmente não mudam. 
         Outro ponto importante de sua analogia é que algumas pessoas nascem com uma predisposição natural para alcançar melhor desempenho em atividades mentais, do mesmo modo que algumas nascem com certos talentos para atividades esportivas, artísticas ou mesmo com uma tendência natural para ser altas ou obesas. E da mesma forma que a alimentação e os exercícios regulares são necessários para que um atleta ou artista talentoso possa desenvolver suas habilidades naturais até seus limites, a inteligência também precisa de ambiente fértil para se desenvolver. Isso se aplica a todos os casos, desde pessoas portadoras de deficiências acentuadas até pessoas severamente talentosas. Os treinamentos, portanto, são imprescindíveis. Não sei dizer, com segurança, se tais técnicas “aumentam a inteligência” ou se “ajudam a tirar melhor proveito da inteligência que se possui”. Seja como for, para todos os efeitos práticos o resultado de tais exercícios mentais é positivo. 
  
         Um grande abraço!  
         Melão 
 
           Em caráter excepcional, estamos incluindo nessa seção uma questão proposta em nosso foro: 

-----Mensagem original----- Sigma Fórum ----- 
De: Jorge Miguel Ramos Domingues Ferreira Vieira <egrojarieiv@clix.pt
Assunto: Física-velocidades superiores à da luz 
12:31:51 - 16/06/2000 
 
           Ouvi recetentemente que a velocidade da luz tinha sido ultrapassada numa experiência realizada por alguns cientistas. Gostava que se alguém me elucidasse um pouco sobre essa experiência (já que não consegui encontrar nada sobre isso) e sobre as possiveis consequências que daí adveêm, como a possibilidade de uma partícula se descolocar para trás no tempo etc. 
           Gostava também que me explicassem como é possivel uma partícula ser acelerada até velocidades superiores à da luz se para isso, esta tem que ultrapassar esse suposto limite que segundo Einstein, faria a sua massa crescer ao infinito e portanto ser necessária uma quantidade infinita de energia para a fazer acelerar a tal velocidade. 

Desde já obrigado 
  
Resposta 1:  
           Olá, Jorge!  

           A teoria precisa estar sempre se adaptando aos resultados das evidências empíricas. A Teoria da Relatividade reza que um corpo não pode ultrapassar a velocidade da luz no vácuo, porque isso é necessário para dar consistência à Teoria. Sem essa premissa, não é possível descrever os resultados das experiências de Michaelson e Morley.  
           A coisa funciona mais ou menos assim: existe um fenômeno físico observado, e deseja-se criar uma teoria que descreva tal fenômeno. A teoria procura ser acurada e genérica. Mas, no fundo, não temos nenhum motivo para acreditar que a teoria efetivamente descreve todos os aspectos do fenômeno observado. A teoria é um modelo matemático que tenta representar, de forma simplificada, o fenômeno real que observamos, e por meio da teoria podemos fazer previsões e generalizações, capazes de descrever aproximadamente o que acontecerá na teoria e projetar isso no mundo real. Desde que uma teoria nos sirva em alguns casos, isso basta para que ela seja adotada até que se disponha de outra melhor. Quanto mais amplas e mais acuradas forem as aplicações da teoria, tanto maior será sua credibilidade.  
           No caso da Teoria da Relatividade, algumas experiências foram sugeridas para conferir sua validade, e em algumas delas a teoria foi confirmada _ como no caso dos desvios observados no periélio de Mercúrio, o desvio da luz ao passar pelas proximidades de corpos massivos, o aumento na massa de partículas elementares em aceleradores de partículas etc. Em outros casos, a teoria simplesmente não funciona, como acontece em Einstein-Podolsky-Rosen e Einstein-Podolsky-Rosen-Bohm.  
           Estou procurando me manter numa linha de pensamento mais ou menos “séria”, sem abordar os táchions e outros “fantasmas”, que, em minha opinião, são vôos muito altos de imaginação, a tal ponto que se distanciam muito do “conhecimento de suporte” de que dispomos, e acabam entrando no mundo da fantasia, bem pouco consistente de baixo teor científico. 
           Um detalhe importante: sempre que se fala em “velocidade luz” como limite de velocidade, deve-se especificar o meio de propagação: o vácuo. Em meios densos, como a água, o vidro e até mesmo o ar, existem partículas que viajam mais rapidamente que a luz, produzindo um efeito conhecido como radiação Cherenkov. 
           Eu desconheço as experiências que você citou, mas é possível que estejam relacionadas à descoberta de objetos distantes, cuja velocidade de recessão pode ultrapassar a da luz. Se for esse o caso, é importante tomar os cuidados necessários antes de fazer qualquer afirmação, porque deformidades no espaço-tempo podem produzir efeitos muito variados _ do tipo “lentes-gravitacionais”, entre outros _, e isso pode interferir nos resultados das medições, pois as velocidades de tais objetos são determinadas com base no desvio para o vermelho, e as cores dependem do comprimento de onda, que pode ser alterado por lentes. 
           Enfim, é isso. Talvez nosso amigo Edinilson possa prestar um esclarecimento mais detalhado sobre o assunto.  
           Por minha parte, eu espero que a velocidade da luz realmente possa ser ultrapassada, porque assim a minha posição sobre a inexistência de corpos rígidos terá um ponto a favor. :-)  

           Um grande abraço!  
           Piu  
 
Resposta 2:  
           Ola. 
  
           Existem medidas feitas de QSOs (Quasares) distantes e de lentes gravitacionais a qual sugerem medidas acima da velocidade da luz "c", ditas velocidades superluminais, jatos astrofisicos, como por exemplo, jatos que saem de estrelas binarias de Rios-X, ou mesmo de nucleo de galaxias ativas "AGNs", sao jatos superluninais, ou seja acima da velocidade da luz. 
  
           No entanto sabe-se que isto nao passa de efeito de perspectiva, ou seja, pura ilusao otica, pois nao e' possivel ultrapassar a velocidade da Luz "c", isto e'por enquanto uma impossibilidade fisica. Nenhum experimento tanto de laboratorio quanto Real no Universo mediu uma velocidade "Real" maior que "c". 
  
           Lembremos que o efeito Cherenkov e' para velocidades que nao estao no Vacuo, ou seja, sempre menor que "c". O efeito Cherenkov diz que a velocidade ultrapassa a velocidade da "luz" em um determinado meio, so que a velocidade da luz aqui e' em um meio diferente do vacuo, ou seja, neste meio a velocidade da luz e' menor que "c" absoluto. Por exemplo, se em um meio (nao o vacuo) a maxima velocidade da luz e' por exemplo 250.000 km/s entao pode acontecer um tunelamento e a velocidade ir a 260.000 km/s, porem esta velocidade que e' maior do que a da luz naquele meio, esta longe de ser maior do que a velocidade da luz no vacuo que e' de aproximadamente 299.792 km/s. 
  
           Porem e' possivel viajar , pelos menos na teoria acima da velocidade da luz... como isto pode ser possivel? Viagem no Tempo e' possivel? 
  
           Na teoria da relatividade geral de Einstein, o tempo se acelera e desacerela quando passa por corpos massivos, como estrelas e galáxias. Um segundo na Terra não é um segundo em Marte. Relógios espalhados pelo Universo se movem com velocidades diferentes.  
  
           Em 1935, Einstein e Nathan Rosen (1909-1995) deduziram que as soluções das equações da relatividade geral permitiam a existência de pontes, originalmente chamadas de pontes de Einstein-Rosen, mas agora chamadas de redemoinhos . Estas pontes unem regiões do espaço-tempo distantes. Viajando pela ponte, pode-se mover mais rápido do que a luz viajando pelo espaço-tempo normal, olhe aqui que estou falando de um atalho, a ponte.  
  
           Antes da morte de Einstein, o matemático Kurt Gödel (1906-1978), trabalhando na Universidade de Princeton, como Einstein, encontrou uma solução para as equações da relatividade geral que permitem a viagem no tempo. Esta solução mostrava que o tempo poderia ser distorcido por rotação do Universo, gerando redemoinhos que permitiam que alguém, movendo-se na direção da rotação, chega-se ao mesmo ponto no espaço, mas atrás no tempo. Einstein concluiu que como o Universo não está em rotação, a solução de Gödel não se aplicava.  
   
           Em 1963, o matemático Roy Patrick Kerr (1934-), da Nova Zelândia, encontrou uma solução das equações de Einstein para um buraco negro em rotação. Nesta solução, o buraco negro não colapsa para um ponto, ou singularidade, como previsto pelas equações para um buraco negro não rotante, mas sim em um anel de nêutrons em rotação. Neste anel, a força centrífuga previne o colapso gravitacional. Este anel é um wormhole que conecta não somente regiões do espaço, mas também regiões do tempo, e poderia ser usado como máquina do tempo. A maior dificuldade á a energia: uma máquina do tempo necessita de uma quantidade fabulosa de energia. Seria preciso usar-se a energia nuclear de uma estrela, ou antimatéria. O segundo problema é de estabilidade. Um buraco negro em rotação pode ser instável, se acreta massa. Efeitos quânticos também podem acumular-se e destruir o redemoinho. Portanto, embora possível, uma viagem no tempo não é praticável. 
   
           Ednilson  

-----Mensagem original----- 
De: José António Ferreira Vieira <anemolifvieira@netc.pt
Para: sigma.2000@sti.com.br <sigma.2000@sti.com.br> 
Data: Sexta-feira, 9 de Junho de 2000 20:37 
Assunto: Dúvidas 

Caro Hindemburg Melão Jr: 
Tenho algumas dúvidas acerca de testes de inteligência: 
-Um individuo sendo inteligente pode não conseguir obter boas classificações em testes intelectuais? 
-Em alguns testes que por brincadeira realizo online tenho alguns resultados muito pouco concordantes, mesmo quando a escala utilizada é a mesma. Por exemplo no site de Carlos Simões existem 3 testes de matrizes, em que um deles achei-o mais ou menos dificil, outro um pouco mais e o teste de matrizes de Nicolas-Elena, apesar de o não ter realizado todo achei-o muito dificil. 
-Será que tudo isto faz de mim alguém não muito inteligente? 
 
Muito obrigado pelo seu tempo: 
Jorge Vieira 
egrojarieiv@clix.pt 
 
 
Olá, Jorge!  
  
           Existe uma grande variedade de testes de inteligência, e cada teste tem suas prioridades. Alguns valorizam muito a cultura, outros valorizam o pensamento lógico, outros levam em conta a criatividade ou a memória. 
           Os tradicionais testes de Binet, que deram origem aos primeiros testes de inteligência, estão intimamente ligados à linguagem, à velocidade de raciocínio e à cultura geral. Nesses testes as questões que envolvem raciocínio são extremamente fáceis e só exigem velocidade.  
           Os testes de QI continuam sendo aplicados no mundo todo, mas com maior reserva do que no início do século, porque agora sabemos que seus resultados podem apresentar grandes discrepâncias. 
           Os testes de nossos amigos Carlos Simões, Xavier Jouve e Nik Lygeros, bem como os testes de Ronald Hoeflin, Paul Coojimans e nossos Desafios, são muito mais difíceis que os testes de QI convencionais, e em vez de estabelecer um limite de tempo reduzido, eles oferecem liberdade total com relação ao prazo. Eu acredito que tais testes sejam muito superiores aos testes de QI convencionais, embora tenham as evidentes desvantagens decorrentes da impossibilidade de serem supervisionados. 
           O que acontece é que nem sempre a pessoa mais inteligente é também a mais veloz, ou a mais culta, ou tem a melhor memória. Portanto, é fundamental que um bom teste de inteligência leve em conta, se possível, apenas as características fundamentais que uma pessoa inteligente deve ter. Ainda assim, os resultados podem apresentar erros consideráveis. 
           É importante ter em mente que um teste de inteligência avalia "o desempenho de sua inteligência numa atividade específica"; ele não mede sua inteligência propriamente dita. E com base nesse desempenho, o teste nos permite estimar a magnitude intrínseca de sua capacidade intelectual. Não é como medir a altura de uma pessoa, em que se pode aferir diretamente a grandeza que se deseja determinar. Em vez disso, é como avaliar a força de um halterofilista. Nesse caso, não há como medir diretamente sua capacidade, mas podemos medir o desempenho de sua força quando aplicada a uma tarefa específica, que consideramos adequada para medir a grandeza que chamamos de "força". Por exemplo: colocando-o para levantar pesos. 
           Note que ao medir a altura de uma pessoa, o resultado é um valor seguro, que representa efetivamente a altura da pessoa no momento da medida. Mas quando desejamos medir a força de uma pessoa, o máximo que conseguimos é saber até que ponto a força dessa pessoa foi capaz de auxiliá-la na execução de uma tarefa que (consideramos que) exige força. 
           Se a tarefa usada como referência for adequada, teremos um resultado representativo da força da pessoa. Se a tarefa for inadequada, o resultado terá pouca ou nenhuma validade. Vamos supor que a força da pessoa fosse avaliada por meio de um combate. O resultado dependeria de agilidade, força, velocidade, coordenação, conhecimento de técnicas específicas a até mesmo a "sorte". A força, portanto, seria apenas uma das componentes, de modo que o resultado não indicaria a pessoa mais forte. Indicaria (talvez) a pessoa mais habilidosa para combate. 
           No caso dos testes de inteligência, é preciso que avaliem os elementos que constituem a inteligência. E é importante que avaliem todos esses elementos e exclusivamente esses elementos.  
           Um teste como o que acabo de descrever simplesmente não existe. O que tentamos fazer é criar um teste que se aproxime do ideal. Cada uma das pessoas que elabora testes de inteligência tem suas próprias convicções sobre quais devem ser as características mais importantes a serem medidas. Os testes do nosso amigo Carlos, por exemplo, usam séries de números, outros usam figuras, outros usam palavras ou frases. E é muito interessante que mesmo com toda essa variedade, os resultados sejam mais ou menos próximos. 
           Observa-se que entre testes de QI diferentes ocorrem discrepâncias de até 80 ou 100 pontos! Ou seja: a mesma pessoa pode obter 120 num determinado teste de QI e 200 em outro! Mas a margem de variação entre os testes sem limite de tempo é bem menor. Dificilmente você encontrará alguém que tenha obtido 150 num teste de Hoeflin e 190 num teste de Lygeros (ou o contrário). Creio que a eliminação do fator "tempo" seja um dos motivos dessa diferença diminuir. Ao eliminar um fator, é imprescindível que se tenha certeza de que tal fator (no caso o "tempo") é irrelevante. 
           Portanto, os instrumentos de que dispomos atualmente não são totalmente seguros, mas são melhores, em minha opinião, do que os testes de QI tradicionais. 
           Os testes que você citou, os do Carlos e os de Nicolas-Elena, são de fato difíceis. Eu não resolvi o problema que dá acesso para o site do Carlos (recentemente ele me enviou a resposta). É possível que eu conseguisse se tivesse me empenhado mais, mas isso não importa. O importante é que achei muito difícil. Por outro lado, outras pessoas podem achá-lo fácil pelo fato de suas mentes serem (ou estarem) melhor adaptada para lidar com problemas desse tipo. Um exemplo muito mais interessante é o de ligar água, luz e gás a três casas. Eu conheço esse problema há 15 anos, mas nunca havia chegado à solução. Recentemente o nosso amigo Wesley me disse que o tinha resolvido e eu teimei com ele que tal problema não tinha solução. ;-) Ele me disse que esse problema "não tem uma solução algébrica". Ainda não sei exatamente o que ele quis dizer com isso, mas tenho uma idéia vaga, e isso já ajudou muito! Essa informação me permitiu encontrar a solução em alguns minutos. Então apresentei o mesmo problema a nossa amiga Juçana, mas nada disse a ela sobre "não ter solução algébrica". E ela encontrou a solução em menos de uma hora! Ao todo eu levei mais de 15 anos, e ela o resolveu em alguns minutos. 
           Isso mostra que cada problema requer um tipo específico de "potencial". Se você fizer um teste que requer potencialidades diferentes das que você tem mais desenvolvidas, certamente sentirá dificuldades e o resultado não lhe será muito agradável. Por outro lado, se se submeter a um teste que exige justamente aquelas habilidades que você possui altamente desenvolvidas, então achará tudo fácil, terá melhor desempenho e terá melhores chances de ficar satisfeito com o resultado. 
           No caso de um teste diversificado e com grande número de questões, os resultados tendem a ser mais confiáveis. Além disso, é importante que os testes exijam o mínimo possível de conhecimento, de "exclusões por tentativa e erro" e de "trabalho mecânico" (ou trabalho repetitivo). Um bom teste deve exigir principalmente originalidade e engenhosidade. 
           Quanto à sua pergunta sobre uma pessoa inteligente poder se sair mal num teste de inteligência, isso é não só possível como também é provável, tendo em conta que existem muitos testes diferentes e nem todos eles avaliam realmente a inteligência. Mas se sua pergunta fosse: "uma pessoa que se sai bem num teste de inteligência pode não ser muito inteligente?" Então a resposta seria outra: eu acho quase impossível que uma pessoa que não tenha muita inteligência possa obter bons resultados num teste. Eu acho que um teste indica "o QI mínimo" de uma pessoa, portanto, se num teste você obtém 140, em outro 126, em outro 112 e em outro 171, então o mais próximo de sua capacidade real deve ser 171. Claro que estou pressupondo que sejam testes normados e com mesma escala.  
           Conheço muitas pessoas extremamente talentosas e inseguras, que se acham pouco inteligentes embora sejam brilhantes. Esse sentimento pode ter diferentes origens. É natural que uma pessoa que procura se comparar com Newton, Dostoiévsky, Nietzsche e Voltaire terá maior probabilidade de se achar pouco inteligente do que uma pessoa que se compara às outras pessoas com quem convive diariamente. Uma experiência interessante é você encher três bacias com água. Uma das bacias deve ter água bem fria, a outra deve ter água bem quente (mas não o suficiente para queimar a pele) e a outra deve ter água à temperatura ambiente. Deixe a bacia com água à temperatura ambiente no meio das outras duas, e mergulhe uma mão na água quente e a outra na água fria. Permaneça assim por alguns minutos. Depois retire simultaneamente as duas mãos e mergulhe ambas na bacia com água à temperatura ambiente. Você terá sensações diferentes nas duas mãos, porque cada uma delas se habituou a um meio diferente. O mesmo acontece em quase todas as comparações subjetivas. 
  
           Um abraço! 
           Piu

-----Mensagem original----- 
De: Alexandre <alexandre30@ieg.com.br
Para: Sigma Society <sigma.2000@sti.com.br> 
Data: Sábado, 3 de Junho de 2000 22:06 
Assunto: Olha isto: 

Oi Melão, tudo bom? 
Segue abaixo texto, para responder em 10 minutos as seguintes perguntas: 
1. O que eram as gemas? 
2. Quem era o herói? 
3. Quem eram as três irmãs? 
4. Quem eram as criaturas aladas? 
"... Com gemas para financiá-lo, nosso herói desafiou valentemente todos os risos desdenhosos que tentaram dissuadi-lo do seu plano."Os olhos enganam" disse ele. "um ovo e não uma mesa tipificam corretamente esse espaço inexplorado". 
Então, as três irmãs, fortes e resolutas saíram a procura de provasm abrindo caminho, às vezes através de imensidões tranquilas, mas amiúde vencendo vales e picos turbulentos. Os dias se tornaram semanas, enquanto os indecisos espalhavam rumores apavorantes a respeito da beira. Finalmente, sem saber de onde, criaturas aladas e bem vindas apareceram anunciando um sucesso prodigioso..." 
Melão, se você achar interessante me avise. eu recebi isso em um seminário que participei. Vou receber o nome da autora esta semana. O texto acima está sem título, porém se não conseguir resolver eu mando, e aí você achará a resposta na hora.É interessante. 
um abração e até mais. 
Alexandre Mendes 

Clique aqui para ver a resposta

-----Mensagem original----- 
De: jack.brother <jack.brother@bol.com.br> 
Para: hmjr@sti.com.br <hmjr@sti.com.br> 
Data: Segunda-feira, 5 de Junho de 2000 21:38 
Assunto: dúvida... 

Prezado Hindemburg, primeiramente quero parabenizá-lo pelo ótimo  
site. Estou escrevendo na tentativa de obter uma opinião sua a  
respeito de uma dúvida. Para você, a inteligência pode ser digamos,  
melhorada, pode-se "aumentar" o QI ?. Há tudo quanto é tipo de  
informação no assunto, desde reportagens, pesquisas e outros  
elementos do gênero. Pergunto isto, pelo seguinte: sou uma pessoa  
extrovertida e muito, e por ter um comportamento deste tipo, muitas  
pessoas, errôneamente, acabam por fazer um estereótipo, achando  
que pessoas assim nunca querem nada com nada. Alguns me definem  
como uma pessoa muito complexada, e de fato, quando reflito sobre  
isto, torna-se um fantasma devido à tal complexo. 
De fato, no meu segundo grau, não tinha muito interesse pelos  
estudos, mas tirava boas notas. Acontece que sempre fui um  
apaixonado por física ( embora cursando direito ), mas nunca fui um  
aluno do tipo gênio em tal matéria, muito pelo contrário, algumas  
vezes era satirizado por professores e por colegas. Provavelmente e,  
tenho quase certeza, que meu tamanho complexo teve origem por  
aí. Gostaria de uma opinião sua a respeito, e sobre o que lhe  
perguntei: há como melhorar o QI? e mais: há alguma explicação, p.  
ex., sobre histórias de gênios famosos ( inclusive Einstein, não sei se  
é verdade ) que eram tidos como péssimos alunos e que de repente  
acabam surpreendendo? Gostaria que você não " desprezasse "  
minha indagação, dado seu elevado QI. 
Obrigado  

Olá, Jack!  

           Tudo bem? 

           Agradeço pela visita e pelos elogios ao site.  

           Pela minha sensação, a inteligência é constituída por diferentes elementos que desempenham diferentes funções. Alguns desses elementos podem evoluir muito, outros podem variar muito pouco e outros simplesmente não podem variar. A cultura é o elemento mais fácil de ampliar e ao mesmo tempo é o menos "nobre" _ por assim dizer _ entre os que constituem a inteligência. A criatividade é possivelmente o mais nobre e um dos mais difíceis de aprimorar.  

           Eu acredito que seja possível melhorar o desempenho em atividades intelectuais em proporções sensíveis, mediante treinamentos adequados. Isso não é o mesmo que "aumentar a inteligência", mas, para todos os fins práticos, é quase a mesma coisa.  

           Tais "treinamentos" devem se basear na "educação do pensamento", a fim de torná-lo mais organizado, mais lúcido, mais profundo etc. Você pode encontrar mais alguns comentários sobre a possibilidade de incrementar a inteligência em nosso artigo "Um novo modelo de estrutura mental".  

           Se você é da área jurídica, certamente já fez algum curso de memorização e/ou leitura dinâmica. Eu nunca fiz nenhum curso desses, mas tenho uma idéia de como funcionam (ou deveriam funcionar). Por meio desses cursos, a pessoa consegue acelerar a velocidade de leitura, mas não acelera a velocidade do pensamento, de modo que o ganho em velocidade é contrabalançado por perdas em outros setores, como a compreensão menos profunda das leituras, por exemplo, ficando mais ou menos na mesma, ou seja, o resultado pode produzir algum ganho útil na leitura de textos simples ou de listas de palavras, mas não funciona para textos que exigem entendimento. Quanto à usar técnicas mnemônicas para organizar as informações em estruturas que facilitem o resgate futuro, isso eu considero eficaz e não vejo efeitos colaterais significativos.  

           Com relação aos outros assuntos que você coloca, eu também nunca fui um bom aluno e só tirava notas suficientes para ser aprovado.  

           Com relação a ter sido vítima de brincadeiras desagradáveis de professores e alunos, isso é realmente um problema triste. Creio que deveria existir algum mecanismo de proteção ao aluno, que impedisse que professores ou outros alunos fizessem comentários depreciativos, principalmente nos casos de crianças muito jovens, porque isso pode deixar seqüelas.  

           Eu desconfio que nossa amiga Juçana lhe recomendaria fazer psicanálise, em vez de procurar aumentar o QI, porque a questão principal é de insatisfação pessoal, não de incompetência. Digo isso porque em sua mensagem está claro que você é uma pessoa inteligente, que se expressa com clareza e objetividade, e não existe nenhum motivo para se sentir insatisfeito (ao menos não a um ponto em que isso represente um complexo).  

           A situação é mais ou menos como a de um homem de 1,80m que tenha complexo de altura, porque desejava ser jogador de basquete e queria ter 2,30m. O problema não está com a altura dele, que na verdade é até acima da média. O problema está na insatisfação com uma característica que não pode ser mudada com facilidade.  

           Veja bem: não estou dizendo que você não deve se empenhar para crescer intelectualmente. Muito pelo contrário: eu acho que todos devem se esforçar para crescer espiritualmente, mentalmente e fisicamente. Porém, é necessário identificar onde realmente está o problema que causa infelicidade ou desconforto. E no seu caso não se trata de falta de inteligência, por isso de nada lhe ajudaria (no âmbito emocional) aumentar seu QI. Se passasse de 120 a 125, logo você desejaria chegar a 128, depois a 130 e nunca estaria feliz nem satisfeito. Por outro lado, se você se empenhar para ter um melhor entendimento da origem do problema, isso sim o ajudará a se sentir melhor.  

           A insatisfação é importante para o crescimento, mas ela não pode gerar complexos. A insatisfação deve atuar como um estimulante, sem o qual não haveria evolução.  

           Minha opinião é que você deve procurar um especialista, porque eu conheço muito pouco sobre psicanálise e infelizmente não tenho como ajudar nisso.  

           Quanto à explicação para o fato de autênticos gênios terem se passado por incompetentes, isso pode ter muitas causas diferentes. Geralmente se os professores estiverem bem preparados _ coisa que raramente acontece _, os gênios serão reconhecidos independente de comportamentos extravagantes ou baixo rendimento escolar. Mas como a maior parte dos professores não está preparada para lidar com pessoas talentosas, e o sistema educacional não dispõe de uma estrutura adequada para atender a essas pessoas, o resultado é um ambiente de conflito, que conduz à falta de motivação, ao desinteresse e muitas vezes à evasão escolar.  

           Nos casos de crianças prodígio, quando provenientes de famílias cujo poder aquisitivo lhes proporciona um padrão vida melhor e culturalmente mais promissor, podem ser educadas num ritmo mais acelerado e com isso escapam da morosidade tradicional do sistema de ensino, mas nesses casos podem surgir outros problemas, como o desajuste social devido a falta de contato com outras pessoas de mesma faixa etária.  

           Trata-se de uma questão delicada e até o presente momento eu não conheço nenhum sistema pedagógico adequado para crianças e jovens severamente talentosos.  
  
           Abração! 
           Piu

-----Mensagem original----- 
De: san-x@uol.com.br <san-x@uol.com.br
Para: sigma.2000@sti.com.br <sigma.2000@sti.com.br> 
Data: Terça-feira, 9 de Maio de 2000 17:56 
Assunto: Pergunta para o Oráculo!! 

>Caro Piu-Piu, 

>Tenho uma dúvida enxadrístico-teológica que me intriga há algum tempo. 
>Suponhamos que em um determinado ponto da existência etérea, Deus 
>(Yaweh) resolva jogar xadrez contra, digamos, Alá ([*]admite-se que 
>sejam seres distintos). Como seria o desenrolar da partida? Considere 

>1) Ambos são omniscientes: E isto significa que um sabe exatamente o que 
>o outro está pensando, além de terem consciência de todos os lances até 
>o [**]final do jogo. 

>2) Ambos possuem inteligência infinita. Talvez esta hipótese seja 
>redundante, dado o item anterior. Porém, serve para ilustrar a situação. 

>3) Ambos são eternos. Mesmo assim, considere que os jogadores estejam 
>dispostos a terminar o jogo, para evitar a possibilidade de um ficar 
>olhando para a cara do outro indefinidamente. 


>*Obs: Caso as suas convicções religiosas não estejam compatíveis com 
>esta pressuposição politeísta, admita que [***]Deus joga com as peças 
>brancas e as pretas (algo que certamente não contraria a hipótese da 
>omnipotência). 

>**Obs: Há controvérsias a este respeito. 

>***Obs: Ou Alá, ou Sheeva, ou a Grande Mãe Gorda ou qualquer outra coisa 
>que satisfaça o seu critério. Para mim tanto faz pois eu sou ateu mesmo. 
>O importante é considerar que ambos jogadores possuam as características 
>especificadas nos itens acima. 


>Perguntas. (Justifique suas respostas) 

>a) Há um primeiro lance? 
>b) O jogo termina? 
>c) Quem ganha? As pretas? As brancas? Empate? 
>d) Os jogadores são livres para escolher seus respectivos lances? 

>Ok, eu enviarei mais perguntas, dependendo das suas respostas. 
>Portanto... Pense Bem! 

>Tenha um Bom Dia! 

>AS 

 
Prezado AAS,  
  
           Depois de pensar muito numa resposta que me mantivesse salvo de outras perguntas, conclui que a melhor (e talvez única) saída seria não responder. Mas isso seria uma indelicadeza. Além do mais, sempre é um desafio estimulante oferecer uma resposta com conteúdo, qualquer que seja a pergunta, portanto vou tentar enrolar.  
  
>a) Há um primeiro lance? 
  
           Não. De #1 pode-se inferir que o resultado final é previamente conhecido, portanto ou Eles devem concordar no empate ou um dEles deve abandonar na posição inicial (pois ambos são Justos).  
  
>b) O jogo termina?  
           Sim.  
  
>c) Quem ganha? As pretas? As brancas? Empate? 
  
           Admitindo que os condutores das Brancas e das Pretas não cometem erros, vamos responder à seguinte pergunta: “A posição inicial é ganha para as Brancas, para as Pretas ou está empatada?” Munidos dessa resposta, podemos aplicá-la para responder à sua pergunta. 
           Consultando meu banco de dados (Mega Data Base 99 ampliado), encontrei o seguinte (+ vitória das Brancas, - vitória das Pretas, = empate):  
  
1.181 partidas de jogadores com rating de 1800 ou menos, cujos resultados são 40%+ 29%- 31%= 
498 partidas de jogadores com rating entre 1801 e 1900, 34% 28% 38% 
1.333 partidas de jogadores com rating entre 1901 e 2000, 36% 27% 37% 
3.499 partidas de jogadores com rating entre 2001 e 2100, 34% 29% 37% 
11.042 partidas de jogadores com rating entre 2101 e 2200, 36% 29% 35% 
31.844 partidas de jogadores com rating entre 2201 e 2300, 35% 27% 38% 
41.786 partidas de jogadores com rating entre 2301 e 2400, 32% 23% 45% 
55.426 partidas de jogadores com rating entre 2401 e 2500, 29% 19% 53% 
28.345 partidas de jogadores com rating entre 2501 e 2600, 26% 16% 58% 
6.661 partidas de jogadores com rating entre 2601 e 2700, 27% 16% 57% 
723 partidas de jogadores com rating de 2701 ou mais, 27% 15% 58% 
167 partidas entre Kasparov e Karpov, 22% 5% 73% 
  
           O que podemos observar é que em intervalos de aproximadamente 100 pontos de rating, o número de empates permanece aproximadamente constante entre 1800 e 2300, depois aumenta até 2500 e novamente se estabiliza. Isso sugere que o empate é o resultado mais provável. Além disso, devemos observar que o número de vitórias das Brancas em proporção ao número de vitórias das Pretas vai aumentando desde 2000 de rating até o limite superior. No limite extremo de exatidão, podemos notar que as Pretas quase não conseguem obter vitória, e quando isso acontece (apenas 5% dos casos), podemos supor que seja meramente acidental. Isso sugere que o lance inicial efetivamente confere alguma vantagem às Brancas, por isso podemos descartar a possibilidade de zugzwang das Brancas na posição inicial. Na verdade, podemos descartar a possibilidade de zugzwang das Brancas por razões estratégicas muito mais convincentes do que os dados estatísticos.  
            Uma análise superficial desses dados poderia nos levar a conclusão equivocada de que existe cerca de 25% de chances de que a posição inicial seja ganhadora para as Brancas, 75% de chances de que a posição inicial esteja empatada e uma chance muito remota de que a posição inicial seja ganhadora para as Pretas. Porém, numa análise mais cuidadosa, temos que levar em conta que as vitórias das Brancas (assim como as das Pretas) podem ser ocasionadas por uma grande quantidade de erros das duas partes. Tais erros acontecem mesmo nas partidas de altíssimo nível, e são erros muito freqüentes. Como dizia Taratakower: “no Xadrez vence aquele que comete o penúltimo erro.”  
            Creio que a posição inicial seja muito equilibrada, e se o jogo for perfeito, o empate é o resultado único a ser esperado.  
  
>d) Os jogadores são livres para escolher seus respectivos lances?  
  
           Não é possível responder a essa questão com base nas características que você atribui aos “seus jogadores”.  
           Eu já fui ateu, depois agnóstico, e acho que atualmente sou mais ou menos deísta, mas não exatamente...  
           Tenho a impressão de que você pode criar inimizades gratuitas se brincar com assuntos que outras pessoas podem tratar com muita seriedade. Talvez você devesse se questionar sobre isso, porque, ao contrário da questão ontológica sobre Deus, esse é um problema que está ao alcance de nossa compreensão. O que quero dizer é que optimizar a qualidade de nossas relações sociais deve ser bom, portanto, se você não acredita que existe um Criador, creia ao menos que é bom para suas relações com outras pessoas ter em mente que a maioria delas não tolera divergências de opinião em assuntos teológicos, algumas poucas podem tolerar bem as divergências de suas crenças e são muito raras as que serão capazes de tolerar um desrespeito às crenças que elas cultivaram desde a infância, e foram transmitidas de geração a geração. Pouco importa se essas crenças estão certas ou não. O importante é saber que a agressão gratuita aos dogmas que as pessoas prezam pode não produzir efeitos muito positivos.  
           Durante a Idade Média o ateísmo podia ser encarado como um ato de coragem, nobreza de espírito e idealismo vigoroso, porque a adesão ao ateísmo ou a qualquer fé não-católica representava uma luta contra a opressão da Igreja. Hoje a situação é bem diferente, e me parece que o ateísmo é mais uma preferência pessoal, sem qualquer valor ideológico, e tão nocivo quanto qualquer outra religião. Creio que existem instituições grandes e poderosas, dominadas por pessoas ruins, e estas ocupam a posição opressora que outrora cabia à Igreja, e são essas pessoas que encabeçam tais instituições que precisam ser combatidas. Por isso o ateísmo não tem qualquer importância, não cheira nem fede. O povo e sobretudo os intelectuais precisam reconhecer o Mal e lutar contra ele. Se o mal está na Igreja, então o ateísmo pode ser bom, na medida em que se opõe à instituição que nos causa mal. Mas atualmente não me parece que a Igreja cause algum mal ostensivo à humanidade, portanto ela não representa um inimigo efetivo, que ameace o bem estar das pessoas. Os verdadeiros grandes inimigos que enxergo são o regime cleptocrata e a manipulação da mídia. E é contra estes que devemos nos levantar, não importa se somos ateus ou cristãos. 
           Se você é um ateu pelo prazer de negar a existência de Deus ou pelo simples capricho de querer se mostrar diferente da maioria, acho que está no caminho errado. Por outro lado, sendo ateu ou não, se você tem bons ideais, age de acordo com sua consciência, ajuda outras pessoas e faz o bem indiscriminadamente, então certamente Deus o recompensará, independente de sua fé, porque, em última instância, crer em Deus não é rezar todos os Domingos nem ler a Bíblia todos os dias, nem tampouco se confessar regularmente ou cumprir os rituais de quaisquer religiões. Crer em Deus é ser bom; apenas isso. Todavia, nosso discernimento é tão precário que nem sempre conseguimos avaliar o que é bom, mas se ao menos formos capazes de seguir nossa consciência e fazer aquilo que nos parece bom, provavelmente estaremos sendo bons na maior parte das vezes. Isso deve bastar. Bastar para quê? Não sei. Mas deve bastar. :-)  
  
           Abração!  
           Piu  

-----Mensagem original----- 
De: mauro raphael junior <mmraphael@uol.com.br
Para: sigma.2000@sti.com.br <sigma.2000@sti.com.br> 
Data: Sexta-feira, 14 de Abril de 2000 08:55 
Assunto: informações 
 
Estou fazendo um trabalho monográfico sobre crianças superdotadas que são tratadas pela escola como incompetentes,"desligadas", enfim , com problemas na aprendizagem convencional. Gostaria de saber se voces tem contato com uma escola em Alfenas, reconhecida mundialmente por seu trabalho com estas crianças. 
Qualquer informação sobre este tema será bem vinda 
 
Obrigada 
Mariza Vieira Raphael 
estudante de psicopedagogia 
 
Oi, Mariza!  
  
           Temos alguns membros muito talentosos que podem prestar depoimentos interessantes a você sobre isso. Se quiser, posso lhe fornecer o e-mail de alguns deles.  
           Em certos casos, as próprias crianças acabam se convencendo de que realmente são incompetentes. Mas eu não sei dizer o que é pior: se acreditarem que são incompetentes, ou se acreditarem que são brilhantes e relaxarem com os estudos. Por isso é muito importante que haja orientação adequada. Infelizmente existe um número muito pequeno de pedagogos especializados no assunto, porque entre as pessoas talentosas, a pequena fração que atua na área de pedagogia se divide entre diversas especialidades, e entre os pedagogos não tão talentosos, praticamente todos procuram por outras ramificações da disciplina. O resultado é quase um abandono do assunto.  
           Não conheço a escola a que você se refere. O texto está on-line, com seu e-mail, e se alguém puder ajudar, suponho que lhe escreverá. Mas independente dessa escola contar algum reconhecimento internacional, não creio que haja alguma escola no mundo capaz de atender bem às necessidades de crianças severamente talentosas. Os programas de ensino acelerado, muito comuns nos EUA e na Europa, são bastante perigosos e podem provocar sérios desajustes sociais, além de coibir a criatividade. O tema está sendo discutido em nosso foro conjunto com Colloquy Society, e tanto nossa amiga Julia Cybele Cachia, presidenta da Colloquy (sociedade para pessoas com QI acima de 141), como Dave Slater, da Prometheus Society (para pessoas com QI acima de 164) estão de acordo nesse ponto: esses programas de ensino acelerado deveriam priorizar a criatividade, a investigação e a reflexão, em lugar do consumo voraz de informação.  
           Tem mais um detalhe importante: a suposta ‘incompetência’ pode se apresentar em várias graduações e sob diferentes aspectos. Por exemplo: comparando o desempenho efetivo de uma pessoa com o desempenho esperado para essa pessoa; comparando o desempenho efetivo de uma pessoa com os de outras pessoas etc. Também não existe um ponto que delimita a fronteira entre a incompetência e a competência e a noção sobre o que é incompetência varia muito de pessoa para pessoa.  
           Na maioria dos casos acontece o seguinte: uma pessoa A reconhece que uma pessoa B é competente se B for capaz de cumprir tarefas que A considera importantes e que estejam ao alcance da compreensão de A. Se B produz idéias excessivamente originais, que extrapolam os limites de percepção de A, ou ainda se B não se interessa em cumprir tarefas consideradas valiosas por A, então A tende a qualificar B como incompetente.  
           O resultado disso é que uma criança com QI de 120, que encontra desafio e estímulo nas questões escolares, sentirá interesse em estudar, e vai se esforçar para obter boas notas, porque desse modo poderá se destacar e contar com o reconhecimento dos pais e professores. E esses pais e professores, cujo QI deve estar na faixa de 90 a 110, vão reconhecer tal criança como muito competente. 
           Por outro lado, uma criança com QI acima de 160 não verá nenhum desafio nas questões oferecidas pela escola, e terá outras prioridades ligadas à imaginação e ao raciocínio profundo, possivelmente será autodidata _ se viver num ambiente culturalmente rico em recursos _ ou, se não houver recursos nem orientação, simplesmente se afastará dos estudos, por desinteresse, desmotivação e frustração. Essa criança, em vez de se preocupar com o reconhecimento de pais e professores, buscará satisfazer suas necessidades de conhecimento e descoberta trabalhando a seu próprio ritmo, mas se isso também lhe for negado, pela escassez de recursos didáticos ou por qualquer outra razão, ela pode se retrair e permanecer à margem do sistema de ensino. 
           Essa situação extremamente alarmante me incomoda profundamente, porque estamos caminhando cada vez mais rapidamente para formar um mundo dirigido e dominado por pessoas ignotas e verdadeiramente incompetentes, que excluem da sociedade algumas das mentes mais brilhantes e que mais benefícios poderiam trazer a todos, desde que desfrutassem das condições necessárias ao desenvolvimento de suas potencialidades. E a mídia (sobretudo a TV) contribui muito para agravar essa situação, com paupérrimas programações culturais e vigorosos mecanismos de alienação. Já passamos pelo período em que o poder se concentrava nas mãos do clero, e isso foi ruim. Depois tivemos o período em que os militares detinham o poder, e isso também foi ruim, possivelmente pior do que o domínio do clero. Agora vivemos o pior de todos os períodos, dominado pela mídia. Nunca a cultura esteve tão desvalorizada entre as classes dominantes. Na "época do livro", dificilmente você encontrava um texto de má qualidade publicado. E quase todos que escreviam é porque tinham algo a dizer. Os dententores do poder econômico patrocinavam a Ciência e a Arte de boa qualidade, sem grande preocupação com o retorno financeiro. Atualmente os projetos de incentivo à cultura acabam contribuindo muito mais para a publicação de "cultura comercialmente promissora" do que "cultura de boa qualidade".  
           Pela nossa história pregressa, acho improvável que isso mude. Tenho algumas esperanças, pequenas, em Bill Gates, pelo fato de ser um homem brilhante (em algum link de http://home8.swipnet.se/~w-80790/Index.htm consta que Gates tem 160 de QI) e ao mesmo tempo muito influente e que investe no talento e na cultura. Mas tenho muitos amigos de acurado senso crítico que “descem o cacete” em Gates... E alguns deles conhecem bem melhor a vida de Gates do que eu... 
   
           Boa sorte!  
           Piu  


PARTE - 2 
 
-----Mensagem original----- 
De: mauro raphael junior <mmraphael@uol.com.br
Para: Sigma Society <sigma.2000@sti.com.br> 
Data: Segunda-feira, 17 de Abril de 2000 14:00 
Assunto: Re: informações 
 
Oi, Mariza!   
   
Como vai?   
 
Obrigada por sua atenção. 
 
Não seja por isso.  
 
Concordo com suas reflexões sobre a mídia e também, como educadora, sinto seus efeitos nas crianças com as quais trabalho. Não perca as esperanças, nem todos estão dormindo, mesmo os que tem QI 90, 110 ou abaixo disto. 
 
O problema não está na faixa de QI em que se encontram as pessoas, mas na educação que elas recebem e, sobretudo, nos valores éticos e morais que elas adotam.   
 
Não sei o meu, e também não quero saber, mas me coloco entre as educadoras ( não sou pedagoga) talentosas e que lutam para uma escola mais criativa, estimulante, que valorize o potencial de cada um, seja ele cognitivo, artistico, das relações pessois ou qualquer outro. 
 
Um dos pontos mais importantes que discutimos no "caso Justin Chapman" é que os programas de ensino acelerado concentram-se no desenvolvimento das habilidades cognitivas, negligenciando as outras. Isso pode "produzir" indivíduos infelizes e socialmente desajustados. O descontentamento e a frustração decorrentes disso acabam repercutindo negativamente em seu desempenho e prejudicando também suas faculdades cognitivas. O resultado é que além de "destruir" as crianças que participam de tais programas, estes falham até mesmo em sua meta principal, que em princípio era favorecer o surgimento de mentes mais produtivas. É bom saber que você preza por um ensino mais rico e diversificado. A grande maioria dos educadores tem essa consciência. Infelizmente há pesquisadores que colocam suas ambições pessoais acima disso, e me espanta que eles consigam verba para custear projetos de ensino acelerado como os que existem, onde as crianças são treinadas quase como ratos de laboratório. Isso é muito incorreto, porque somos “animais sociais” e também necessitamos da arte. Como disse Nietzsche: “o mundo seria errado se não houvesse música”. Não podemos ser privados de nossa essência, ou nos tornaremos pouco mais que máquinas.  
 
O mundo precisa cada vez mais de gente como você, e como eu também. 
 
Discordo. As damas devem vir primeiro. Mas reconheço e aprecio sua elegância de ter invertido a ordem.   
   
Um grande abraço. 
Mariza 
 
Muitas felicidades pra você!   
Seja sempre bem vinda!   
Piu-Piu 
-----Mensagem original----- 
De: CLONIR JAUDIR DE OLIVEIRA CRUZ <clonir@uol.com.br> 
Para: sigma.2000@sti.com.br <sigma.2000@sti.com.br> 
Data: Sexta-feira, 31 de Março de 2000 23:22 
Assunto: Inteligência 
  
À Sigma Testes: 
  
Pesquisando na internet sites sobre psicologia e testes de Q.I., encontrei o site Sigma, e peço que, se  possivel me enviem todo o tipo de textos sobre inteligência aplicada a genética, testes de Q.I. e todos os assuntos qua possam estar relacionados com o que já citei. Meu nome é Selma Leote, e sou estudante de Psicologia, e desde já agradeço a atenção. 
  
Meu mail: hmauzao@zipmail.com.br 
 
Oi, Selma.  

           De que exatamente você precisa? Já consultou os trabalhos de Cyril Burt? Já consultou os textos que criticam os trabalhos dele?  
           Nossa sociedade não trata de Genética. Nos interessamos pelo potencial da inteligência e suas aplicações em diferentes campos, mas não com sua possível hereditariedade.  
           De qualquer modo, aconselho uma busca no Alta Vista por "Cyril Burt", e desconfie dos resultados que ele apresenta. Se tiver alguma dúvida específica, pode contar conosco.  
           Mais uma coisa: mude o login de seu e-mail de "hmauzao" para "mboazinha". ;-)  
  
           Boa sorte!  
           Piu-Piu 

-----Mensagem original----- 
De: João Paulo <jpcg@net.em.com.br
Para: piu-piu@sti.com.br <piu-piu@sti.com.br> 
Data: Sexta-feira, 24 de Março de 2000 22:32 
Assunto: Pergunta 

> Caro Piu Piu , quem nasceu primeiro , o ovo ou a galinha ? 

 
Olá, João Paulo!  
   
           O ovo surgiu muito antes da galinha, porque os répteis e outros animais ovíparos precederam as aves. Se a pergunta fosse: “qual surgiu primeiro: o ‘ovo de galinha’ ou a galinha?” então dependerá da definição de “ovo de galinha”. Se "ovo de galinha" for um ovo gerado por uma galinha, então obviamente a galinha terá vindo primeiro. Por outro lado, se "ovo de galinha" for um ovo com propriedades tais que a partir dele será gerada uma galinha (essa alternativa me parece a melhor), então naturalmente o ovo de galinha terá vindo primeiro, porque nesse caso o ovo de galinha pode surgir do cruzamento de dois ancestrais precursores da galinha, ou ainda de uma anomalia genética “espontânea” num ovo de um precursor da galinha. 
           Esse é um exemplo interessante de pseudo-pardoxo, semelhante ao paradoxo do mentiroso: suponhamos que uma pessoa diz: “Eu sempre falo mentiras”. Isso é uma verdade ou uma mentira? É uma questão bastante elementar e pode ser solucionada facilmente, mas existem vários livros que publicam esse exemplo (e outros exemplos igualmente ruins) para aludir erroneamente ao paradoxo de Gödel. No caso do pseudo-paradoxo do mentiroso, ele está mentindo. Isso é fácil de concluir porque ele pode mentir algumas vezes e outras vezes dizer a verdade, sendo que nesse caso estaria mentindo. Mas se ele dissesse sempre a verdade, então jamais poderia dizer aquela frase, que seria contraditória. Por outro lado, se ele mentisse sempre, também haveria contradição naquela frase.  
           Poderíamos analisar também a propaganda do biscoito que diz: “Tal biscoito vende mais porque está sempre fresquinho? Ou está sempre fresquinho porque vende mais?” Nesse caso a resposta é ainda mais elementar: nem uma coisa nem outra. Se vende muito é devido a um conjunto de fatores, entre os quais o fato de estar fresquinho é apenas um dos pontos relevantes. E o mesmo se aplica ao fato do produto estar fresco, que se deve a muitos outros motivos além da venda supostamente assídua.  
  
           Um abraço!!  
           Piu-Piu 

           Por questões de espaço (a seção Oráculo já está com 340kb) e tempo (340kb demora para carregar, mas o tempo a que me refiro é para responder), a partir de agora as respostas serão "sim", "não", "talvez". :-) Portanto, a pergunta precisa ser formulada de modo que a resposta seja apenas uma dessas três possibilidades. Eu poderia, de antemão, deixar o e-mail configurado para dar resposta "talvez" a todas as perguntas, mas isso seria desleal. Então vou responder "talvezes" personalizados a cada pergunta. ;-)