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42
- QI da humanidade inteira numa só pessoa 11/11/2003
41 - A maçã e a Lua 21/01/2003
40 - Xadrez e QI - parte 2 08/12/2002
39 - Inteligência e QI 08/12/2002
38 - Fim do mundo? 28/11/2002
37 - Gauss e paranormalidade? 13/09/2002
36 - O teto do Sigma Teste VI é superestimado?
30/08/2002
35 - Xadrez e QI - parte 1 18/08/2002
34 - Quem vota em quem? 15/08/2002
33 - Problema de Lógica 14/08/2002
32 - Ambiente x Genética 13/08/2002
31 - Como chegar a zero Kelvin? 13/08/2002
30 - Karatê Kid ou Tartaruga Ninja? 07/08/2002
29 - Inteligência e carreira. 06/08/2002
28 - A anti-matéria e o perigo das salsichas.
05/08/2002
27 - Um ponto pode girar? Spin, elétrons e Realidade.
03/08/2002
26 - Por que o céu da Terra é azul e o de
Marte vermelho? E mais... 21/07/2002
25 - Beleza x Fealdade no processo de Seleção
Natural 15/07/2002
24 - Chuva de perguntas depois de uma longa estiagem...
10/07/2002
23 - Come-come proibido. 21/06/2001
22 - Paradoxo dos gêmeos. 30/05/2001
21 - Meditação e levitação.
23/05/2001
20 - Matricídio e viagem no tempo.
03/12/2000
19 - Deus, deuses e políticos. 17/11/2000
18 - Existem extraterrestres? 16/11/2000
17 - O que se passa fora do universo? 09/11/2000
16 - Máquinas que pensam! - parte 1
19/10/2000
15 - Máquinas que pensam! - parte 2
19/10/2000
14 - O tempo pode ser granuloso? 05/08/2000
13 - Desenvolvimento motor nas crianças
05/08/2000
12 - Velocidades superiores à da luz
- parte 2 28/07/2000
11 - Neutrinos adquirem massa do nada?
28/07/2000
10 - Pode-se aumentar a inteligência?
- parte 2 23/06/2000
9 - Podem existir velocidades superiores à
da luz? 19/06/2000
8 - Testes de inteligência são
confiáveis? 11/06/2000
7 - Figuras de linguagem 07/06/2000
6 - Pode-se aumentar a inteligência?
06/06/2000
5 - Xadrez - Brancas, Pretas ou Tablas?
14/05/2000
4 - Talentosos "incompetentes" 14/04/2000
3 - Talentosos "incompetentes" - parte 2
17/04/2000
2 - Inteligência e Genética
01/04/2000
1 - O ovo ou a galinha? 26/03/2000 |
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Perguntas
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Essa questão é resultado
de duas mensagens trocadas com nosso amigo Alexandre
Maluf, sendo que, para facilitar a leitura, o primeiro texto dele
está em preto e o segundo está em vermelho.
Os meus estão em azul e verde.
-----Mensagem original-----
De: Dote [mailto:alexandremaluf@centershop.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 3 de novembro de 2003 02:45
Para: Sigma Society
Assunto: Re:
Caro Hindemburg,
tudo bem?
1) Qual seria o QI da humanidade, se fosse reduzida a um indivíduo
apenas? Quero dizer, qual seria o QI de um indivíduo que fosse
ao mesmo tempo um Newton, Mozart, Kasparov, Goethe, Pelé, etc.,
ou seja, que sozinho pudesse corresponder ao que de melhor pode ser
realizado por um ser humano, em todas as áreas ...?
Abs, Alex
Grande
Alex!!
Beleza!!!
Excelente pergunta! Meu palpite é que você e o Eduardo
pensaram nisso enquanto discutiam os pontos em que divergem de mim no
método que proponho para normatizar testes. ;-) Se for isso,
acho que a contestação é boa, porque realmente
o método deve ter limites de validade que o impedem de fazer
medidas seguras nesse nível, mas permite fazer estimativas boas
e dar uma resposta a essa pergunta, que de outro modo seria impossível
(a meu ver)! :-)
Acho que se fosse pra calcular o QI dos 99,9% menos brilhantes somados,
ou mesmo dos 99,99% menos brilhantes, que estão vivos, seria
cerca de 365. Se fosse de todos os vivos, seria 365,24219878125, para
coincidir com o ano tropical de 1900, mas o cálculo está
dando 365,21 (planilha anexa, com população mundial consultada
em http://www.ibiblio.org/lunarbin/worldpop, às 10:51h de 4/11/2003).
Se fosse de toda a história da humanidade, seria entre 390 e
396, dependendo da população considerada (estimativa mais
modesta em 60bi, mais ousada em 100bi). Se fosse incluir os 0,01% mais
brilhantes, teoricamente a diferença seria pequena e não
passaria de 397, mas suspeito que uma afirmação dessas
seria bastante duvidosa. Acho que podemos dizer que algo em torno de
400 seria um QI satisfatoriamente correto. Mas não significa
que uma pessoa com QI 400 faria tudo que a humanidade fez. A tal pessoa
faria coisas que a humanidade nunca sonhou, mas deixaria de fazer muitas
outras coisas das quais a humanidade foi capaz. Produziria algumas idéias
mais brilhantes que as de Newton e Gauss, mas talvez não tantos
trabalhos quanto Euler ou Edison e seguramente não tantos quanto
a humanidade inteira. Teria uma produção comparável
à da humanidade inteira pesando quantidade e importância
conjugados, e para compensar a menor quantidade deveria ter trabalhos
muito mais importantes. Qual é sua opinião?
Acho que a hipótese funciona bem para QIs até 170 ou 180
(e funciona muito bem para QIs abaixo de 160). Uma pessoa com 176 acerta
no Mega ou Titan tantas questões quanto 900 pessoas somadas com
QI=100 ou 10 pessoas com QI=150, que é o esperado com base no
meu método para normatizar testes. O "problema" é
que acima de 170 a criatividade começa a produzir mais do que
os testes podem medir, então não sei os limites de validade
da idéia. Mas acho que o QI da humanidade deve ser menor que
450 e maior que 390. Eu diria que algo entre 390 e 410 seria razoável.
Talvez eu devesse esperar pra fazer os cálculos amanhã,
às 19:00h, assim o QI da humanidade seria igual à relação
entre um ano tropical e um dia solar médio. ;o)
Se você permitir, eu gostaria de colocar essa pergunta no Oráculo.
Abração!
Melao
-----Mensagem original-----
De: Dote [mailto:alexandremaluf@centershop.com.br]
Enviada em: terça-feira, 4 de novembro de 2003 12:00
Para: Sigma Society
Assunto: Re:
Olá, Melão, tudo bem?
Grande
Alex!!
Beleza!!!
Excelente pergunta! Meu palpite é que você e o Eduardo
pensaram nisso enquanto discutiam os pontos em que divergem de mim no
método que proponho para normatizar testes. ;-)
Não sei se eu já havia pensado nisso
há mais tempo ou ouvido de alguém (minha memória
está não boa), mas aparentemente tive essa curiosidade
neste domingo à noite, enquanto dirigia na estrada, sob a mais
forte neblina que já vi...
Se for isso, acho que a contestação é boa, porque
realmente o método deve ter limites de validade que o impedem
de fazer medidas seguras nesse nível, mas permite fazer estimativas
boas e dar uma resposta a essa pergunta, que de outro modo seria impossível
(a meu ver)! :-)
Acho que se fosse pra calcular o QI dos 99,9% menos brilhantes somados,
ou mesmo dos 99,99% menos brilhantes, que estão vivos, seria
cerca de 365. Se fosse de todos os vivos, seria 365,24219878125, para
coincidir com o ano tropical de 1900, mas o cálculo está
dando 365,21 (planilha anexa, com população mundial consultada
em http://www.ibiblio.org/lunarbin/worldpop, às 10:51h de 4/11/2003).
Se fosse de toda a história da humanidade, seria entre 390 e
396, dependendo da população considerada (estimativa mais
modesta em 60bi, mais ousada em 100bi). Se fosse incluir os 0,01% mais
brilhantes, teoricamente a diferença seria pequena e não
passaria de 397, mas suspeito que uma afirmação dessas
seria bastante duvidosa.
Minha primeira idéia seria a de que deveríamos
fazer algo diferente: desprezar todos aqueles abaixo de um certo valor
crítico, abaixo do qual não haveria possibilidade de grandes
realizações, e acima disso estabelecer uma relação
entre QI e nível de descoberta, tipo uma ponderação
análoga à do seu método. ex.: uma humanidade com
1000 indivíduos com QIs entre 50 e 150 poderia ser resumida aos
10 que estariam acima de 137 (sendo esse o valor crítico para
o início de realizações relevantes para tal humanidade),
podendo-se desprezar os 990 abaixo deste valor. Aí fazer-se-ia
uma redução do tipo, para cada QI achar o equivalente
acima, até esse equivalente acima ficar em um único indivíduo.
Pensei tb em algo do tipo: existem sete áreas distintas de inteligência:
matemática, espacial, verbal, musical, física/manual,
interpessoal e intrapessoal. Minha intuição faz buscar
a correspondência "raridade de QIh= (1 em 100 bilhões)^7".
Quanto seria o QI relativo à essa raridade? É razoável
tomar a humanidade apenas pelo melhor representante de cada área?
(Eu acho que não, mas creio que um grupo com cerca de 10 melhores
de cada área deve representar muito bem quase a totalidade da
capacidade humana). O que Newton, Gauss, Leibniz, Euler, Bernoulli,
... juntos não poderiam fazer que outro matemático menor
poderia? Muito pouco, eu tenho essa impressão.
Acho que podemos dizer que algo em torno de 400
seria um QI satisfatoriamente correto. Mas não significa que
uma pessoa com QI 400 faria tudo que a humanidade fez. A tal pessoa
faria coisas que a humanidade nunca sonhou, mas deixaria de fazer muitas
outras coisas que a humanidade fez. Produziria algumas idéias
mais brilhantes que as de Newton e Gauss, mas talvez não tantos
trabalhos quanto Euler ou Edison e seguramente não tantos quanto
a humanidade inteira. Teria uma produção comparável
à da humanidade inteira pesando quantidade e importância
conjugados, e para compensar a menor quantidade deveria ter trabalhos
muito mais importantes. Qual é sua opinião?
Não acredito que um ser humano com uma
configuração cerebral normal, mesmo que muito otimizada,
possa ter idéias qualitativamente mais brilhantes que aquelas
de Newton ou Gauss, acho só que seriam diferentes, não
superiores. Quanto à produção eu concordo, pois
aí existe um limitante físico/temporal óbvio. Mas
fora a parte de trabalho duro, como é típico de certo
campos do conhecimento, há outros em que idéias rápidas
já bastam para criam algo simplesmente revolucionário,
como uma composição musical ou um insight sobre a natureza
física.
Acho que a hipótese funciona bem para QIs
até 170 ou 180 (e funciona muito bem para QIs abaixo de 160).
Uma pessoa com 176 acerta no Mega ou Titan tantas questões quanto
900 pessoas somadas com QI=100 ou 10 pessoas com QI=150, que é
o esperado com base no meu método para normatizar testes. O "problema"
é que acima de 170 a criatividade começa a produzir mais
do que os testes podem medir, então não sei os limites
de validade da idéia. Mas acho que o QI da humanidade deve ser
menor que 450 e maior que 390. Eu diria que algo entre 390 e 410 seria
razoável. Talvez eu devesse esperar pra fazer os cálculos
amanhã às 19:00h, assim o QI da humanidade seria igual
à relação entre um ano tropical e um dia solar.
;o)
Se você permitir, eu gostaria de colocar essa pergunta no Oráculo.
Claro, fique à vontade. Abs, Alex
Abração!
Melao
Grande
Alex!
Tudo bem?
Acho que se fosse pra calcular o QI dos 99,9%
menos brilhantes somados, ou mesmo dos 99,99% menos brilhantes, que
estão vivos, seria cerca de 365. Se fosse de todos os vivos,
seria 365,24219878125, para coincidir com o ano tropical de 1900, mas
o cálculo está dando 365,21 (planilha anexa, com população
mundial consultada em http://www.ibiblio.org/lunarbin/worldpop, às
10:51h de 4/11/2003). Se fosse de toda a história da humanidade,
seria entre 390 e 396, dependendo da população considerada
(estimativa mais modesta em 60bi, mais ousada em 100bi). Se fosse incluir
os 0,01% mais brilhantes, teoricamente a diferença seria pequena
e não passaria de 397, mas suspeito que uma afirmação
dessas seria bastante duvidosa.
Minha primeira idéia seria a de que deveríamos fazer algo
diferente: desprezar todos aqueles abaixo de um certo valor crítico,
abaixo do qual não haveria possibilidade de grandes realizações,
e acima disso estabelecer uma relação entre QI e nível
de descoberta, tipo uma ponderação análoga à
do seu método. ex.: uma humanidade com 1000 indivíduos
com QIs entre 50 e 150 poderia ser resumida aos 10 que estariam acima
de 137 (sendo esse o valor crítico para o início de realizações
relevantes para tal humanidade), podendo-se desprezar os 990 abaixo
deste valor. Aí fazer-se-ia uma redução do tipo,
para cada QI achar o equivalente acima, até esse equivalente
acima ficar em um único indivíduo.
Intuitivamente é mais ou menos como eu
pensava (90% de toda a criação intelectual é devida
aos 0,00001% mais criativos), porém deixei de pensar assim desde
que li o artigo de Towers e fiz alguns testes com dados empíricos,
e fiquei convencido de que provavelmente não é assim depois
de mexer com dados empíricos do ST, do Mega e Titan. Repare que
uma questão muito dura, que 50% das pessoas com QI 170 não
acertam, pode ser resolvida por um grupo com umas 1000 pessoas de QI
entre 99 e 101 (528 pessoas teriam 50% de chances de resolver). Isso
você observa na prática, vendo a quantidade de pessoas
que acertou as questões e os respectivos QIs dessas pessoas.
A tese de que as pessoas de QI 100 nunca poderiam resolver um problema
de nível 170 falha. Em outras palavras: reúna quantidade
suficiente de pessoas com QI 100 e coloque-as para trabalhar com Matemática
(remunerando-as por descobertas) e elas acabarão desenvolvendo
o Cálculo.
Pensei tb em algo do tipo: existem sete áreas distintas de inteligência:
matemática, espacial, verbal, musical, física/manual,
interpessoal e intrapessoal.
Qual é sua opinião sobre essa hipótese
das 7 inteligências? Parece que atualmente se fala em 8, mas acho
a idéia muito improvável. Quero dizer, esses talentos
(que o cara chama "inteligências") provavelmente não
são independentes uns dos outros, eles se relacionam intimamente,
mas de uma maneira até agora pouco compreendida.
Minha intuição faz buscar a correspondência
"raridade de QIh= (1 em 100 bilhões)^7".
Isso daria um QI 398. Curiosamente nós
chegamos a resultados bem próximos usando métodos completamente
diferentes. :-) O Maple diz que para 1-(10^-77) temos 18,6254sd. E o
mais curioso é que se o número de inteligências
for 6 ou 8, isso não muda muito o resultado (apesar de mudar
a raridade em 11 ordens de grandeza). Para 6 inteligências teríamos
17,2164sd (QI 375) e para 8 inteligências teríamos 19,9356sd
(QI 419).
Quanto seria o QI relativo à essa raridade?
É razoável tomar a humanidade apenas pelo melhor representante
de cada área? (Eu acho que não, mas creio que um grupo
com cerca de 10 melhores de cada área deve representar muito
bem quase a totalidade da capacidade humana).
Pois é, eu acho que não. Se você
pegar a quantidade de idéias que Newton não teve, mas
poderia ter tido, verá que não é pouco. Veja o
caso de Arquimedes: ele não desenvolveu o Cálculo, mas
alguns historiadores acreditam que, a julgar pelo método que
ele usou para calcular o volume de um cone, se ele tivesse à
disposição um conjunto apropriado de símbolos,
muito provavelmente teria inventado o Cálculo. Mas a invenção
de símbolos apropriados me parece ser um trabalho de importância
menor, porém imprescindível. Suponha outros trabalhos
de importância menor combinados, e chegará ao ponto que
uma pessoa com QI 100 (ou várias em sinergia) acabariam inventando
o Cálculo simplesmente porque haveria tanta informação
convergindo pra isso que não teriam como escapar, e a invenção
quase aconteceria por si.
O que Newton, Gauss, Leibniz, Euler, Bernoulli, ... juntos não
poderiam fazer que outro matemático menor poderia? Muito pouco,
eu tenho essa impressão.
Pois é, intuitivamente, eu também
tinha essa mesma impressão. Dê uma olhada na quantidade
de pessoas com QI 100-120 que acertaram questões do Mega e Titan
que 50% do pessoal com 160-170 não acertou.
====================
Acho que podemos dizer que algo em torno de 400
seria um QI satisfatoriamente correto. Mas não significa que
uma pessoa com QI 400 faria tudo que a humanidade fez. A tal pessoa
faria coisas que a humanidade nunca sonhou, mas deixaria de fazer muitas
outras coisas que a humanidade fez. Produziria algumas idéias
mais brilhantes que as de Newton e Gauss, mas talvez não tantos
trabalhos quanto Euler ou Edison e seguramente não tantos quanto
a humanidade inteira. Teria uma produção comparável
à da humanidade inteira pesando quantidade e importância
conjugados, e para compensar a menor quantidade deveria ter trabalhos
muito mais importantes. Qual é sua opinião?
Não acredito que um ser humano com uma
configuração cerebral normal, mesmo que muito otimizada,
possa ter idéias qualitativamente mais brilhantes que aquelas
de Newton ou Gauss,
Acho que muitas das idéias brilhantes podem ser dissecadas em
partes mais básicas e acessíveis a qualquer pessoa. Não
digo que isso acontece a todas as idéias brilhantes e talvez
realmente muitas delas sejam inacessíveis à maioria das
pessoas, mas digo que muitas (talvez a maioria) das grandes idéias
consiste numa estrutura complexa formada por idéias menores,
cada uma das quais pode ser bem compreendida ou mesmo ter origem numa
mente não tão poderosa quanto a de Newton ou Einstein.
acho só que seriam diferentes, não
superiores. Quanto à produção eu concordo, pois
aí existe um limitante físico/temporal óbvio. Mas
fora a parte de trabalho duro, como é típico de certo
campos do conhecimento, há outros em que idéias rápidas
já bastam para criam algo simplesmente revolucionário,
como uma composição musical ou um insight sobre a natureza
física.
Sim, nesses casos eu concordo com você.
Há coisas que uma pessoa genial pode fazer, mas zilhões
de pessoas com potencial normal, trabalhando juntas, não podem.
Mas (isso é uma coisa que não pensei quando escrevi o
e-mail anterior) também há coisas que zilhões de
pessoas com potencial normal podem fazer, mas uma única pessoa
genial não pode e não importa o quão genial ela
seja, ela continuará não podendo. Assim, acho que uma
coisa compensa a outra e na prática acabamos tendo algo do tipo:
8794 pessoas normais produzem tanto quanto 100 pessoas com QI 150 (as
normas do Mega e Titan sugerem isso). Essa hipótese é
especialmente eficaz no caso da nova norma do Sigma Teste, que usa questões
com pesos ponderados.
======================
Acho que a hipótese funciona bem para QIs
até 170 ou 180 (e funciona muito bem para QIs abaixo de 160).
Uma pessoa com 176 acerta no Mega ou Titan tantas questões quanto
900 pessoas somadas com QI=100 ou 10 pessoas com QI=150, que é
o esperado com base no meu método para normatizar testes. O "problema"
é que acima de 170 a criatividade começa a produzir mais
do que os testes podem medir, então não sei os limites
de validade da idéia. Mas acho que o QI da humanidade deve ser
menor que 450 e maior que 390. Eu diria que algo entre 390 e 410 seria
razoável. Talvez eu devesse esperar pra fazer os cálculos
amanhã às 19:00h, assim o QI da humanidade seria igual
à relação entre um ano tropical e um dia solar.
;o)
Se você permitir, eu gostaria de colocar
essa pergunta no Oráculo.
Claro, fique à vontade. Abs, Alex
Vou colocar na próxima atualização,
incluindo seus novos comentários.
Abração!
Melao
|
-----Mensagem original-----
De: Leandro [mailto:cedeno@uol.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 20 de janeiro de 2003 15:47
Para: sigmasociety_info@yahoo.com.br
Assunto: Pergunta para o Oráculo
Olá Hindemburg
Sou o Leandro C. Hernandes, tenho 16 anos
Eu te mandei um e-mail, um tempo atrás, sobre as Olimpíadas
de Física, e pensando bem no assunto, considero que há
uma margem de segurança, não basta somente as estatísticas.Recentemente
recebi o resultado final em que fiquei em 42º lugar em nível
nacional, fiquei muito feliz com o resultado e muito motivado para o
estudo da Física que resolvi tirar uma dúvida que tenho
já a um certo tempo.
A dúvida é a seguinte: ''Quando um corpo cai livremente
de uma determinada altura, consideramos que ele adquire um movimento
de aceleração constante, no caso do planeta Terra, perto
dos 10m/s^2.Essa aceleração resulta de uma força,
que é a gravitacional.Até ai tudo bem, mas pensando em
gravidade consideramos que quanto mais próximo está um
objeto do outro, maior será a força gravitacional entre
eles, no caso essa força seria inversamente proporcional ao quadrado
da distância, mas se a força então for maior, como
a massa é a mesma, irá resultar em uma aceleração
maior, disso concluímos que a aceleração da gravidade
é variável, uma espécie de ''aceleração
da aceleração'', a medida que o objeto vai caindo, mais
força atua sobre ele, ao contrário do que os livros didáticos
de Física dizem, que o objeto sofrerá uma aceleração
apenas, devido a força constante que age sobre ele.A variação
é pouca de força, mas existe.Esse pensamento é
certo?É realmente o que ocorre?E mais uma coisa, se elaborássemos
um gráfico de impulso, força em função do
tempo, para o que está nos livros didáticos resultaria
numa reta, com força constante, mas se esse gráfico fosse
baseado nesse meu pensamento, com força variável, resultaria
numa parábola, já que há a lei do inverso do quadrado?''
Parabéns pelo site, que continua melhorando a cada dia e um grande
abraço!!!
Até mais!!!
Olá,
Leandro!
Tudo bem?
Fico feliz por saber que está aumentando
seu interesse pela Física e tendo bons resultados em Olimpíadas.
Desejo-lhe sucesso.
Em alguns casos, os livros apresentam informações
erradas porque o autor não conhece o assunto. Em outros casos,
ninguém conhece o assunto, inclusive o autor, e isso geralmente
acontece quando o livro está tratando de teorias de ponta. Outras
vezes o autor conhece o assunto, mas, para simplificar, ele aborda a
questão de uma maneira “inexata” e isso é muito comum
em livros didáticos. No volume 1 do “Curso de física Básica”
de Herch Moysés Nussenzveig, o autor comete mais de 200 "erros",
sendo que praticamente todos consistem em simplificações
e não devem ser considerados propriamente “erros”, pois certamente
o autor sabe que a informação não é exatamente
aquela que ele apresenta, mas ele a simplifica com a finalidade de torná-la
mais acessível. Entre outras coisas, ele fala em “distância
média da Terra ao Sol”, quando deveria dizer “semi-eixo maior
da órbita da Terra”. Quando ele diz “distância média”,
o leitor pode concluir que se trata do raio que teria uma circunferência
cuja área fosse igual à da elipse representada, ou (o
que seria a mesma coisa) que se fossem aferidos vários (N) raios
uniformemente distribuídos ao longo da órbita, depois
todos esses raios fossem somados e o resultado fosse dividido por “N”
(com N tendendo ao infinito), o quociente da divisão representaria
“a distância média da Terra ao Sol”. Mas o que o autor
desejava expressar não era isso. O que ele queria dizer era “a
metade da distância que separa as duas extremidades mais afastadas
da órbita”. Numericamente a diferença é notória:
o semi-eixo maior da órbita terrestre em 1996 foi medido em cerca
de 149.597.870.691m (com incerteza estimada em 3m), enquanto a distância
média da Terra ao Sol é de aproximadamente 149.576.985.930m.
Praticamente todas as vezes que se faz alusão à distância
média, o que se pretende dizer é “semi-eixo maior“, porque
é o semi-eixo maior que se usa para calcular o período
orbital, entre outras coisas.
Primeiro se ensina que a Terra é redonda,
tal como Aristóteles percebeu no século IVa.C.; depois
se aprende que ela não é redonda, mas elíptica,
tal como previu Newton, no século XVII; depois se aprende que
não é elíptica, porque um dos pólos é
mais achatado que o outro, como ficou constatado no século XX,
com medições por satélite; depois se aprende que
além de um dos pólos ser mais achatado que o outro, existem
diversas protuberâncias no equador e em outras latitudes, como
ficou constatado depois de muitas medidas de alta precisão, usando
vários satélites. Por fim, aprende-se que a Terra é
um geóide-elipsóide tri-axial com diversas pequenas irregularidades.
Não precisaríamos de alta tecnologia para perceber isso;
bastaria olhar em nosso redor, para chegar à essa conclusão
(sobre as irregularidades), mas essa conclusão diz muito pouco
sobre a forma do nosso planeta e é muito mais importante saber
que a Terra é redonda do que saber que ela tem irregularidades,
porque as irregularidades são evidentes, mas para perceber que
ela é redonda Aristóteles precisou associar o fato de
os cascos dos navios desaparecerem antes dos mastros, quando os navios
se afastam, e isso acontece em qualquer direção (se fosse
apenas num par de direções, a Terra poderia ser um cilindro,
como pensara Anaximandro, dois séculos antes). Também
é importante perceber que ela é uma elipse, como resultado
forças concorrentes, e que um pólo é mais achatado
que o outro, devido à distribuição heterogênea
das massas continentais (há mais continentes no Hemisfério
Norte que no Hemisfério Sul, portanto a altura média é
maior), é importante perceber que existem protuberâncias
e irregularidades, como resultado de efeitos geológicos, acidentes
(colisões com meteoros), librações etc. Se fizermos
um desenho da Terra numa folha de papel, ela não poderia ser
distinguida de um círculo, porque num desenho com raio de 30mm
(~bola de bilhar) o achatamento polar seria 0,1mm (espessura de uma
folha de papel) e se todas as irregularidades (Monte Everest, K2, Fossa
das Marianas etc.) fossem representadas numa maquete do tamanho de uma
bola de bilhar, essa maquete ainda seria mais lisa e teria um aspecto
mais perfeito (em relação a uma esfera) que uma bola de
bilhar típica. Portanto é muito satisfatório ensinar
a uma criança que a Terra é esférica. Para o adolescente
que já aprendeu o que é uma elipse, pode ser conveniente
fornecer dados mais acurados, e para quem vai pesquisar o assunto é
necessário conhecer todos os dados disponíveis. Analogamente,
se você lançar uma pedra para cima e usar g=10m/s^2, seu
cálculo sofrerá muito mais prejuízo devido à
viscosidade do ar do que devido às variações em
função da altitude. Se em vez de jogar algo para cima
você usar um sistema estático (gravímetro), vai
anular o efeito do ar e obter resultados diferentes em altitudes diferentes.
Se você lançar um foguete a alguns milhares de quilômetros
de altitude, também vai poder constatar que a fórmula
que presume g constante não funciona bem. No entanto o livro
didático está presumindo que você tem à mão
uma pedra, mas não um gravímetro ou um foguete. Para a
esmagadora maioria das pessoas que vai ler esse livro didático,
a fórmula simplificada já constitui uma dificuldade excessiva
e poucas vezes essas pessoas conseguem perceber, pelo enunciado, qual
fórmula deve ser aplicada. Só uma quantidade bem pequena
de alunos vai entender com facilidade a fórmula e se questionar
sobre sua validade. E quem escreve livros didáticos geralmente
está preocupado em atender às necessidades da maioria.
Sempre que você ler alguma coisa, procure
interpretar pesando no que lhe parece mais provável que aconteça
numa situação real, e geralmente você vai chegar
a conclusões mais corretas do que se confiar no conteúdo
do livro. A aceleração gravitacional varia em função
da latitude, da altitude e da densidade. Os outros corpos também
influem, mas relativamente pouco. A temperatura também influi
pouco (mudando a densidade do ar e, portanto, alterando a intensidade
do empuxo).
Basta você pensar que um corpo vai subindo,
subindo, subindo, até chegar à órbita da Lua, para
concluir que em grandes altitudes a aceleração gravitacional
é diferente do que é na superfície e a fórmula
que supõe g constante falha. No universo real, também
é preciso levar em conta as posições do Sol, da
Lua e, dependendo da precisão que você deseja, é
preciso considerar também outros corpos celestes e eventuais
objetos próximos que tenham grande massa (montanhas). E por falar
em influência gravitacional que o Sol exerce sobre o peso de objetos
situados na Terra, vou aproveitar a oportunidade para citar um problema
interessante, para o qual Sagan apresenta uma solução
equivocada:
Para eliminar
elementos que compliquem excessivamente o problema, vamos considerar
um sistema constituído exclusivamente por uma bola de gude de
um grama, uma balança de mola com precisão de 10^-9 grama,
a Terra (sem atmosfera) e o Sol, sendo que a balança está
no equador, o eixo de inclinação da Terra deve ser considerado
zero e a órbita da Terra deve ser considerada uma circunferência
perfeita. O sistema fica isolado de tudo o resto, de modo que nenhuma
pessoa ou objeto pode causar qualquer perturbação sensível
na medição. Com exceção dessas especificações,
tudo o mais acontece como em situações reais. Nessas condições,
o peso da bola, determinado pela balança, naturalmente vai mudar
ao longo do dia, de acordo com a variação da posição
relativa do Sol. O problema consiste em determinar qual o peso máximo
atingido pela bola (com 9 decimais) e em que horário se verifica
o peso mínimo. Sagan trata desse problema num artigo em que desmistifica
a astrologia calculando as influências que os astros podem exercer
sobre as pessoas, e embora ele não use as especificações
de ausência de atmosfera, órbita circular, eixo não-inclinado
e isolando o sistema do resto do universo, isso pode ser presumido.
Eu não tenho certeza, mas acho que exatamente o mesmo erro foi
cometido por Asimov, ao tratar de um problema análogo. O problema
fica aqui como desafio. Se alguém acertar, o nome será
divulgado.
Outro
erro dos livros didáticos é dizer que a força gravitacional
é igual G*m1*m2/r^2, quando na verdade deveria ser G*(m1+m2)*m2/r^2,
porque obviamente uma pedra com massa 10kg é atraída pela
Terra com uma força maior do que uma pedra com massa 1kg (se
ambas forem colocadas à mesma distância do baricentro da
Terra). Claro que a proporção entre as intensidades não
é 10 para 1. A proporção é (MT+10)/(MT+1),
onde MT = Massa da Terra (5,9747*10^24kg), portanto a diferença
só será notada na 25ª. decimal. Mas quando se tratam
de corpos grandes, as diferenças são fáceis de
notar. A Lua, por exemplo, é atraída para a Terra com
intensidade 1,23% maior que um satélite artificial situado exatamente
à mesma distância. Para chegar a essa conclusão,
basta você ir imaginando pedras sucessivamente maiores, até
que a pedra atinja o mesmo tamanho (e massa) da Terra. Então
ficará claro que duas Terras não vão se atrair
com a mesma força que a Terra atrai uma bola de tênis.
Muitos professores insistem que o correto é G*m1*m2/r^2, em vez
de G*(m1+m2)*m2/r^2, e depois que você sugere que eles confirmem
pelos dados empíricos, alguns tentam remendar a situação
dizendo que “r” se refere à distância entre o baricentro
do sistema e baricentro do corpo de menor massa. Mas não é
isso que diz a teoria. A teoria fala em “distância do baricentro
do corpo de menor massa ao baricentro do corpo de maior massa” ou “distância
entre os centros dos corpos”. Esse é de fato um erro conceitual
que muitos cometem. Também é comum encontrar cálculos
sobre a aceleração gravitacional a diferentes profundidades
(escavando em direção ao centro) sem levar em conta o
fato da densidade não ser uniforme, mas isso é feito para
simplificar, não é propriamente um erro. Muitas vezes
o autor sabe o que de fato acontece, porém ele apresenta o problema
de maneira simplificada, cuja única intenção é
verificar se o aluno tem coordenação motora para copiar
a fórmula. Em alguns casos o consenso geral é errado:
há vários séculos se sabe que o Sol tem um movimento
de rotação axial em relação às estrelas
de fundo, sabe-se que o período é cerca de 24,6 dias no
equador e 36 dias nas proximidades dos pólos, sabe-se que todo
corpo que gira tem achatamento polar resultante da força centrífuga,
no entanto, pensava-se que o Sol fosse esférico!! Foram necessárias
medidas empíricas para constatar um achatamento de 24km, exatamente
o que seria esperado para um corpo com as características do
Sol (raio 696.000km, massa 1,989*10^30kg, rotação 25 dias).
Até mesmo a Lua, que é formada por rocha sólida
(em vez de plasma, como é o caso do Sol) tem um achatamento muito
semelhante ao que seria esperado, devido ao seu passado líquido,
em que ela esteve mais susceptível às deformações
causadas pela força centrífuga. Outro exemplo é
o desvio da luz na presença de um campo gravitacional, que também
poderia ter sido previsto usando mecânica newtoniana e considerando
o fóton uma partícula com massa zero. O resultado seria
exatamente o mesmo previsto pela Relatividade, mas sem usar absolutamente
nada de Relatividade. Os desvios no periélio de Mercúrio
e várias outras pretensas “confirmações” da Teoria
da Relatividade também podem ser explicadas usando mecânica
newtoniana. Eu não conheço o suficiente sobre teoria de
supercordas para me certificar de que é certo o que vou dizer,
posso estar dizendo uma grande bobagem, mas eu acho que usando o modelo
de supercordas é possível descrever todos os fenômenos
quânticos, recorrendo apenas à mecânica newtoniana,
sem precisar de nada de relatividade e nada de mecânica quântica.
Outro
“erro” que aparece com freqüência em livros de Astronomia
é a fórmula para calcular a que distância “d” se
pode enxergar o horizonte quando o observador está “h” metros
acima do solo. Geralmente as fórmulas são “d=k*raiz(h)”,
onde k costuma variar entre 3800 e 3900 quando é levada em conta
a refração atmosférica, e 3570 quando não
se leva em conta a atmosfera. Obviamente isso só funciona quando
h é muito pequeno em comparação ao raio do planeta.
A fórmula correta, como você já deve ter deduzido,
usaria um triângulo retângulo etc. e seria complementada
pela refração atmosférica para diferentes latitudes,
altitudes, temperaturas e comprimentos de onda.
Muito
do que você encontra em livros sobre pêndulos também
é incorreto. Como conseqüência da variação
da gravidade em função da altitude e da massa do corpo
pequeno, pode-se presumir que a massa e a altitude do pêndulo
influem em seu período, mas numa proporção imperceptível,
causando erro lá pela 20ª. decimal. No entanto, três
outros fatores causam erros mensuráveis na terceira ou até
na segunda decimal: a massa do fio em relação à
massa pendurada (porque desloca o baricentro), a amplitude de oscilação
e a viscosidade do ar.
Enfim,
é recomendável que você leia com reservas e bons
critérios, sempre se questionando sobre a possibilidade da informação
ser incorreta e tentando refutá-la. Se não encontrar uma
refutação e se a idéia lhe parecer pertinente,
é possível que seja correta. Suponhamos, por exemplo,
que você nunca tivesse lido nada sobre Astronomia, e assistisse
na TV a uma entrevista com Ronaldo Mourão em que ele comentasse
que a Lua fica a 380km da Terra. Você simplesmente poderia considerar
que a distância entre São Paulo e Rio de Janeiro é
de 430km, portanto algo deve estar errado... Ou se você
fosse ao observatório do capricórnio e o palestrante lhe
dissesse que o periélio é o ponto em que um corpo fica
mais distante do Sol e afélio é o ponto em que fica mais
próximo, bastaria você ter noções sobre prefixos
para perceber o erro. Nesses dois casos, são descuidos de pouca
importância. Nos casos de informações simplificadas
o assunto é discutível. E os verdadeiros erros conceituais,
estes são graves, mas são comparativamente muito mais
raros.
Um abraço!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: Humberto Chagas [mailto:humberto.chagas@bol.com.br]
Enviada em: domingo, 8 de dezembro de 2002 14:19
Para: sigma@ sigmasociety.com
Cc: sigmaegroup@yahoo.com.br
Assunto: QI x Rating FIDE
Boa tarde caro amigo Hindemburg Melão Jr. !
Estou escrevendo para tirar uma antiga dúvida
minha mas que só agora consigo escrever-lhe.
Eu vi em uma parte do site do Sigma falando que existiria uma relação
entre o tamanho do QI de uma pessoa e o rating FIDE. Havia até
umas fórmula que calcularia de acordo com o QI, qual o rating
FIDE que a pessoa teria. Bom, mas logo eu pensei: O QI não pode
ser aumentado, pois é algo que nasce com a pessoa. Mas o rating
FIDE pode ser aumentado. Minha pergunta é: Então, isto
significa que uma pessoa pode durante a vida aumentar seu QI estudando
e se aperfeiçoando ? Ou se a pessoa não pode aumentar
seu QI, quer dizer que a pessoa nunca passará de um certo limite
de pontuação FIDE ?
Eu parei de jogar xadrez profissionalmente em 2000 por entre vários
fatores, isto também, pois eu pensei: Que graça tem então
jogar xadrez se a pessoa precisa ter um QI alto para ser bom jogador
? Que adianta você treinar a vida inteira se não tiver
um QI alto, então nunca serás campeão mundial ?
Isto me desanimou um pouco, mas não foi o único motivo.
Mas agora ando com vontade de voltar a jogar, e queria tirar esta dúvida,
para ver se tive uma impressão errada ou é isto mesmo.
Ficarei muito grato se puder responder-me mesmo que de forma simples
e direta, apenas dizendo se meu pensamento foi errado ou certo. Muito
obrigado mesmo, isto irá me ajudar e muito ... Desculpe amolá-lo
mais uma vez com minhas dúvidas pessoais ..... Fique com Deus
...
Obs.: Eu mandei este email para estes dois endereços
pois não sabia em qual você prefere atender.
Humberto Chagas
Caro amigo
Humberto,
É
bom ter notícias suas! Espero que esteja bem!
O coeficiente
de correlação entre QI e ELO é alto. De acordo
com informação de nosso amigo Eduardo Corrêa, alguns
experimentos apontam algo na faixa de 0,7.
Em primeiro
lugar, é importante saber como interpretar o coeficiente de correlação.
O peso e altura, por exemplo, estão correlacionados. Em média,
as pessoas mais altas são também mais pesadas, mas é
claro que existem algumas pessoas baixas mais pesadas que outras altas.
O fato do coeficiente de correlação entre peso e altura
ser positivo indica que se você pegar dois grupos grandes de pessoas,
o grupo com maior altura média provavelmente também terá
maior peso médio. À medida que os grupos forem maiores,
também serão maiores as chances desse prognóstico
ser correto. Inversamente, se os grupos forem pequenos, as chances de
“erro” aumentam, até o ponto que ao considerar indivíduos,
as chances de erro se tornam tão grandes que praticamente não
dá para perceber que o coeficiente de correlação
existe (exceto intuitivamente). O mesmo se aplica ao caso de ELO e QI,
exceto pela diferença quantitativa que o coeficiente de correlação
entre ELO e QI é melhor do que entre peso e altura.
Nenhuma
característica de seres materiais macroscópicos permanece
inalterada ao longo do tempo. A altura das pessoas varia do dia para
a noite, mas não numa proporção tão grande
quanto o peso. O ELO varia e o QI também varia, e isso depende
de aptidão, treinamento, conhecimento, disposição
e outros fatores.
A
altura das pessoas tem um certo limite para o intervalo em que pode
variar (creio que alguns milímetros entre a hora que a pessoa
se levanta e a hora que vai se deitar), e esse intervalo pode ser alterado
com tratamentos hormonais ou até mesmo cirúrgicos. O mesmo
acontece ao peso, com a diferença que o intervalo de variação
do peso é muito maior. Uma pessoa geneticamente propensa ao nanismo
não poderá, com a tecnologia atual, chegar a 2m de altura,
mas certamente ela pode ganhar alguns centímetros. No caso do
QI e do rating, também existem esses intervalos inatos, e cada
pessoa pode trabalhar para chegar aos seus limites.
Boa sorte!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: israel migdalski [mailto:israel_mig88@yahoo.com]
Enviada em: sábado, 30 de novembro de 2002 18:23
Para: sigma@ sigmasociety.com
Assunto: pergunta-oraculo
Oi Melao,
Gostaria de saber qual e o qi do ser mais inteligente do Brasil,
dos EUA?
Sei que inteligencia e populacao estao relacionados, mas faz alguma
diferenca na pratica?
obrigado,
Israel Migdalski.
Olá,
Israel!
Tudo bem?
Mesmo
que sua pergunta fosse “quem tem o QI mais alto dos EUA e do Brasil”,
seria difícil responder, porque existem muitos testes diferentes
e não há como comparar os escores obtidos em escalas diferentes.
Mesmo quando os desvio-padrão são iguais e o coeficiente
de correlação é alto, ainda assim os testes estarão
medindo habilidades diferentes e não há como comparar
os escores. O Sigma Teste avalia habilidades que representam bem a inteligência,
talvez melhor que outros testes, mas não representa tão
bem como os problemas da vida real. A diferença principal é
que no Sigma Teste a pessoa tem um conjunto de 36 problemas e não
pode fugir daquilo, enquanto na vida real as pessoas dispõem
de uma vastíssima diversidade de problemas e podem escolher aqueles
com os quais encontram mais afinidade.
Ultimamente
eu tenho recebido mais perguntas para o Oráculo que o habitual,
e como estou tentando promover novas atividades em Sigma, não
estou conseguindo administrar o tempo e responder a todos, mas vou aproveitar
essa oportunidade para responder também a uma pergunta enviada
por duas pessoas (Pedro Bessa e João A. C. Silva), sobre institutos
que oferecem prêmios milionários para quem conseguir resolver
determinados problemas. Esse gênero de concurso não tem
muito a ver com inteligência, porque cada problema cobre um único
campo altamente especializado, e alguém que tenha pesquisado
20 ou 30 anos naquele campo levará uma vantagem enorme sobre
alguém que nunca estudou aquele assunto. Os concursos desse gênero
não são para todos, mas para um pequeno grupo que está
bem familiarizado com aqueles tópicos específicos, e o
fato de conhecerem esses tópicos não significa que sejam
mais inteligentes. Um teste com 36 questões variadas e razoavelmente
livres de cultura, reduz esse problema e pode atingir um público
mais numeroso, mas ainda assim é limitado. O melhor jeito é
realmente a pessoa ter completa liberdade para fazer o que ela bem entender,
e depois o trabalho dessa pessoa ser avaliado por especialistas. É
assim com o prêmio Nobel, com a medalha Fields, com a medalha
Bruce etc. Os examinadores não estipulam como devem ser os trabalhos
dos examinados. É justamente o inverso: é o trabalho dos
examinados que determina as especialidades dos examinadores.
Os testes
de QI aplicados em clínica funcionam bem até o nível
130 ou 140 e os testes sem limite de tempo podem chegar a medir corretamente
até 160 ou 170, com sorte, podem chegar a medir até 190
sem grandes disparidades. Os testes podem medir “alguma coisa” acima
de 180 e 190, porém não se sabe exatamente o que é
essa “coisa”, e muito provavelmente essa coisa não é a
inteligência. Uma maneira adequada de avaliar a inteligência
acima do nível 170 e 180 é comparando o desempenho das
pessoas dentro de uma determinada especialidade que esteja intrinsecamente
relacionada à inteligente. Mesmo esse método não
funciona para todas as pessoas, porque quando alguém concentra
seus esforços num único campo, e dedica pouco tempo às
outras atividades, é natural que essa pessoa terá mais
chances de alcançar excelência em sua especialidade. Por
outro lado, uma pessoa que distribui seu tempo entre meia dúzia
de atividades diferentes, terá menos chances de obter resultados
notáveis em cada uma delas. Esse é um dos motivos pelos
quais Da Vinci, Pascal e Leibniz são considerados fenômenos,
pois conseguiram resultados extraordinários em muitos campos
diferentes. O fato deles conseguirem destaque em mais áreas diferentes
não significa que eram mais inteligentes do que especialistas
como Gauss ou Morphy. Significa apenas que tinham uma inteligência
mais versátil.
Também
é importante não confundir problemas trabalhosos com problemas
difíceis. Por exemplo: o problema 4 do Sigma Teste VI é
difícil, mas não é trabalhoso. É um problema
muito bom para avaliar a inteligência, mas não pode ser
usado isoladamente. O problema 5 é difícil e também
é muito trabalho, ele é bom para avaliar a inteligência,
mas também exige dedicação e paciência. O
problema 42 do Titan Test é fácil, mas é muito
trabalhoso, é ruim para avaliar a inteligência, porque
algumas pessoas poderiam resolvê-lo, mas não o fazem porque
não querem perder tempo (dezenas ou centenas de horas) com isso.
E os primeiros problemas do Sigma Teste não são nem difíceis
nem trabalhosos, são apropriados para avaliar a inteligência
num nível básico. Aqueles problemas sobre peças
que precisam ser encaixadas para formar figuras, envolvem pouca inteligência
e muita paciência. Alguns levam meses ou até anos para
serem resolvidos, e tudo que a pessoa precisa para resolver é
ficar tentando várias possibilidades e usando alguns critérios
básicos para que as tentativas não sejam completamente
furtivas. O mesmo se aplica às séries de figuras. Mas
alguém que demonstra uma compreensão profunda do espírito
humano, como Dostoiévsky, ou uma compreensão profunda
da Natureza, como Newton, certamente é muito inteligente. E a
avaliação é feita subjetivamente e também
objetivamente. Newton foi muito inteligente porque resolveu muitos problemas
que muitas pessoas tentaram, mas não conseguiram. Além
disso, ele foi muito inteligente porque fez a si mesmo perguntas importantes
e soube dar respostas adequadas, e os problemas que ele investigava
envolviam pensamento e imaginação. É diferente
do que acontece à maioria dos outros pesquisadores, que geralmente
apenas aplicam técnicas conhecidas para confirmar se determinados
fenômenos se comportam de acordo com o esperado.
No futuro,
provavelmente a inteligência das pessoas será avaliada
fisiologicamente, e então será possível saber quem
é a pessoa mais inteligente do mundo. Mas, por enquanto, o melhor
de que dispomos são testes baseados em perguntas e respostas,
que medem o desempenho intelectual da pessoa, não a inteligência
propriamente dita. Além disso, esses testes falham quando são
aplicados às pessoas muito inteligentes. Algumas pessoas muito
inteligentes exploram essa impossibilidade de determinar com segurança
quem é de fato a pessoa mais perspicaz, e reivindicam para elas
próprias o título. Como as pessoas que reivindicam isso
realmente são muito inteligentes, conseguem boa publicidade e
isso acaba institucionalizando suas reivindicações. Cada
pessoa da população geral tem contato com cerca de 1.000
pessoas, portanto se você pegar uma pessoa aleatória na
rua, provavelmente a pessoa mais inteligente que ela conhece pessoalmente
tem QI na faixa de 150. Se ela vê na TV alguém com QI 170
ou 180, demonstrando uma capacidade claramente superior à da
pessoa mais inteligente que ela conhece, não é difícil
persuadir essa pessoa de que a pessoa que está na TV é
a mais inteligente do país, ou do mundo, ou do universo.
Sua pergunta,
portanto, não pode ser respondida. O que podemos fazer é
dizer que para uma distribuição gaussiana com média
100 e desvio-padrão 16, o cut-off de 1/286.000.000 corresponde
a 5,79 desvios-padrão (192,65) e o cut-off de 1/177.000.000 corresponde
a 5,71 desvios-padrão (191,35). Mas isso obviamente não
significa que a pessoa com QI mais alto dos EUA tem exatamente 192 ou
193 de QI, ou que a pessoa mais inteligente do Brasil tem 191 ou 192,
porque naturalmente a pessoa com QI mais alto faz parte de grupos com
populações menores (estado, cidade, bairro etc.) e maiores
(continente, planeta, galáxia etc.), e sobretudo porque a curva
teórica é apenas uma aproximação. Na prática,
as crianças e os adultos com QI muito alto são mais abundantes
que o previsto pela teoria. Seria preciso fazer um longo trabalho estatístico,
usando o método que proponho em http://www.sigmasociety.org/Normas_novo.html,
para poder estimar o QI provável da pessoa mais inteligente do
mundo.
Um abraço.
Piu |
-----Mensagem original-----
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br]
Enviada em: quinta-feira, 28 de novembro de 2002 16:03
Para: Hindemburg
Assunto: ao Oráculo
Como se constrói uma bomba atômica?
Como se constrói uma bomba de nêutrons?
-----Mensagem original-----
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br]
Enviada em: quinta-feira, 28 de novembro de 2002 16:06
Para: Hindemburg
Assunto: ao Oráculo
Eu tentei enviar essa mensagem, deu erro
dizendo que a mensagem não havia sido
enviada e depois a mensagem apareceu
nos Itens enviados. (?)
Como se constrói uma bomba atômica?
Como se constrói uma bomba de nêutrons?
-----Mensagem original-----
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br]
Enviada em: quinta-feira, 28 de novembro de 2002 16:09
Para: Hindemburg
Assunto: bomba de anti-matéria
Eu não perguntei como se constrói uma
bomba de anti-matéria
porque eu acho que a humanidade não tem responsabilidade p/
lidar com uma.
Olá,
Pedro!
Tudo bem?
Eu estava
feliz por ver que suas últimas perguntas não estavam mais
relacionadas a matar sua mãe, mas agora começo
a ficar preocupado novamente. Espero que sua intenção
não seja destruir o mundo. :o)
As questões
sobre bomba atômica e bomba nuclear são triviais, você
pode encontrar vasto material na Net. Mas a questão sobre bombas
de anti-matéria é mais interessante. De qualquer modo,
como a maioria do material sobre energia atômica disponível
na Net é muito mal explicado e acrítico, vou dar uma pincelada
nesses assuntos também e depois tratar de bombas de anti-matéria.
Basicamente
uma explosão atômica resulta da fissão de núcleos
de átomos grandes e instáveis (Urânio, Plutônio
etc.) em átomos menores. Isso se consegue fazendo incidir nêutrons
de alta energia sobre os núcleos desses átomos. Se o átomo
grande tiver meia-vida longa (for pouco radioativo), como o U-238, então
o processo será muito difícil (talvez impossível).
Por isso é que em vez de U-238, utilizam-se seus isótopos
mais instáveis: U-235, U-234, U-233. O U-235 é cerca de
140 vezes mais escasso que o U-238, e o próprio U-238 não
e um elemento abundante, portanto a construção deve começar
pela extração de matéria prima, ou seja, de Urânio.
O Urânio encontrado na natureza não é separado em
quadrinhos, como nas tabelas periódicas; ele se encontra misturado,
tanto U-238, como 237, 236 são encontrados em forma de rochas
e estão incrustadas umas nas outras, porém em proporções
diferentes, sendo o U-238 o mais abundante e o U-233 o mais raro. Por
isso, para obter U-235 (e menor quantidade de 234 e 233) você
precisa reunir muito U-238 e depois “peneirar” repetidas vezes, até
conseguir quantidade suficiente de U-235 (e mais leves). Esse processo
é caro, exige alta tecnologia e abundância de matéria-prima.
Depois que você tiver uns 3,5kg de U-235, precisará de
elementos radioativos que lhe permitam gerar nêutrons de alta
energia. Esses elementos serão a “espoleta” que vai desencadear
o processo. Tendo esses materiais em mãos, basta obter a estrutura
onde serão colocados o explosivo e o detonador. Precisa ser um
receptáculo com dois compartimentos separados e de modo que a
separação posse ser removida (para que ocorra a explosão).
Providencie uma caixa, com dois compartimentos. Num dos compartimentos
ficará o U-235 e no outro ficará o detonador. Deve ser
colocado um isolante adequado entre ambos (chumbo espesso, por exemplo).
Quando o isolante for removido (quando a bomba cair e se deformar),
os nêutrons emitidos pelo detonador atingirão o combustível/explosivo
e cada núcleo de U-235 atingido vai se dividir em núcleos
menores + outros nêutrons + energia, de modo a produzir uma reação
em cadeia, em que os nêutrons gerados pela fissão atingirão
outros núcleos, produzirão outras fissões, e assim
por diante. Para que a fissão seja auto-sustentável, é
necessário que haja uma determinada quantidade de matéria
físsil (massa crítica), caso contrário o processo
inicia, libera um pouco de energia e termina sem haver explosão.
Dependendo da quantidade de matéria físsil e das condições
para regular o ritmo do processo, pode-se ter uma reação
controlada e produzir energia gradativamente, durante longo tempo, para
suprir as necessidades da população (reator nuclear),
ou ter uma reação descontrolada e produzir muita energia
num curto intervalo de tempo (bomba).
A
bomba de hidrogênio funciona devido ao processo inverso: em vez
de dividir um átomo em outros átomos menores, o processo
consiste em unir átomos leves para formar outros mais pesados.
É o que acontece nas estrelas. No Sol a temperatura superficial
é 5770K e no núcleo chega a 16.000.000K. As regiões
mais “frias” são as manchas solares, que atingem cerca de 4300K.
Em estrelas azuis, a temperatura superficial pode chegar até
50.000K na superfície e mais de 200.000.000K no interior. Nas
anãs vermelhas a temperatura na superfície pode ser de
apenas 2300K, e quando a temperatura é muito menor que isso,
não chega a ocorrer fusão nuclear, o astro não
emite luz no espectro visível e não é classificado
como “estrela”. No caso de Júpiter, por exemplo, ele emite mais
energia do que recebe do Sol, porém a energia que ele emite não
é no espectro visível, portanto ele é considerado
um planeta joviano, não uma estrela.
Com temperaturas
centrais da ordem de 10.000.000K, toda a matéria se encontra
em estado de plasma, isto é, os elétrons ficam “livres”
dos núcleos dos átomos. Nessas condições,
os núcleos não ficam protegidos por eletrosferas que se
repeliriam e evitariam que os núcleos entrassem em contato, por
isso as partículas colidem umas com as outras, e em alguns casos
ocorre fusão nuclear. Há vários processos desse
gênero, dos quais o mais simples é o p-p I. Vejamos o p-p
II: o próton é constituído por dois quarks up (cada
um com carga +2/3) e um quark down (-1/3). O nêutron é
constituído por dois quarks down e um quark up. Quando dois núcleos
de hidrogênio (isto é, dois prótons) colidem, um
dos quarks up que constitui um dos prótons emite uma partícula
virtual W+, e assim o quark up se transforma num quark down (+2/3 menos
+1 = -1/3), ou seja, um dos prótons se transforma num nêutron
e o outro próton continua sendo próton, portanto os hádrons
resultantes formam um núcleo de deutério. O bóson
W+, emitido nesse processo, rapidamente se transforma num pósitron
e num neutrino (o neutrino é para manter o número leptônico
balanceado). Esse bóson W+ é uma partícula virtual
e precisa ter um tempo de vida muito curto, para não violar o
Princípio da Incerteza. Em seguia, outro núcleo de hidrogênio
(leia-se “outro próton”) colide com o de deutério, formando
um núcleo de Hélio 3 e liberando um par de fótons.
Depois, um núcleo de Hélio 4 (2 prótons e 2 nêutrons)
colide com o de Hélio 3, formando um núcleo de Berílio
7 e liberando um par de fótons. Então incide um elétron
sobre esse núcleo, e esse elétron transforma um dos quarks
up de um dos prótons, em um quark down, transformando o próton
em nêutron, assim o átomo de Berílio se transforma
em Lítio 7 e libera um neutrino. Por fim, incide um próton
sobre o núcleo de Lítio 7, que se transforma num par de
núcleos de Hélio 4. O resultado líquido do processo
é a conversão de 4 núcleos de Hidrogênio
em 1 de Hélio, e cerca de 0,7% da massa envolvida é convertida
em energia pela famosa equação E=mc^2. Isso é muito
maior que a energia liberada no processo de fissão.
Essa
explicação é contraditória, mas é
a explicação convencional e todo mundo a engole. Um dos
problemas é que a massa de repouso do próton é
menor que a massa de repouso do nêutron, no entanto, na primeira
etapa do processo um próton desprende um pedaço e em vez
de sua massa diminuir, sua massa aumenta e ele se transforma num nêutron.
O pior é que a massa do bóson W+ é cerca de 90
vezes maior que a massa do próton, ou seja, o próton libera
uma parte de si que é 90 vezes maior que ele inteiro. Mas para
que a história tenha um final feliz, o bóson só
existe durante um intervalo muito pequeno e depois se transforma num
pósitron+neutrino. Para justificar essas hipóteses, foi
proposta a idéia de que uma partícula pode “tomar emprestada”
do nada (do vácuo quântico) uma certa energia, desde que
a devolva num intervalo curto. Típico “remendão”. Em vez
de se empenhar para formular uma teoria decente, os teóricos
se satisfazem com qualquer explicação esdrúxula
e depois procuram justificar a teoria com alguns retoques. Mas para
construir uma bomba você não precisa saber porque ela funciona.
Basta que saiba como fazer para ela explodir. :o) O fato das câmaras
de bolhas exibirem rastros que sugerem a existência de partículas
e processos como estes, não significa que esta seja uma boa explicação
(como de fato não é). Os mesmos rastros podem ser explicados
de outras maneiras, sem abusar nas contradições. Provavelmente,
no futuro esses processos serão melhor compreendidos e terão
uma explicação razoável, sem invocar fantasmas.
No
caso de uma bomba de anti-matéria, a dificuldade para obter matéria
prima seria muito maior do que para obter U-235, em compensação
ela teria um poder de destruição 150 vezes maior. U-235
você pode minerar e extrair da terra, mas você não
encontra anti-matéria em lugar nenhum do nosso planeta. Se em
algum momento existiu um átomo de anti-matéria em nosso
planeta, em pouco tempo (menos de 1 segundo) ele colidiu com alguma
partícula da vastidão de matéria ao redor, e foi
convertido em energia. Se em alguma parte do universo houver anti-matéria
em quantidade significativa, talvez seja possível detectar traços
disso, mas não haveria como coletar essa anti-matéria,
porque ao entrar em contato com qualquer matéria (por exemplo,
um saquinho plástico no qual nós tivéssemos
a intenção de guardá-la), ela se transformaria
em energia (e também converteria em energia uma massa equivalente
da matéria em que tocou). A pouca anti-matéria que já
pudemos detectar foi produzida em laboratório, ou seja: foi usada
energia para produzir matéria + anti-matéria, mas a finalidade
de uma bomba é justamente o contrário: usar matéria
+ anti-matéria para produzir energia. Uma fantasia seria obter
anti-matéria dos mésons, porque os mésons são
formados por um quark e um anti-quark. Mas em minha opinião isso
é mais uma contradição grosseira da teoria, porque
matéria e anti-matéria não poderiam co-existir
sem que se transformassem em energia.
O
fato é que não se sabe o que é a matéria,
e muito menos o que é a anti-matéria. Sabe-se que aquilo
a que se chama “matéria”, quando entra em contato com aquilo
a que se chama “anti-matéria”, as massas se convertem em energia.
O modelo teórico sugere que seja muito difícil (impossível)
construir uma bomba de anti-matéria, mas como o modelo provavelmente
está errado, talvez seja só uma questão de tempo.
Uma bomba
de anti-matéria ou bomba de quarks pode ser muito útil
para desviar asteróides em rota de colisão com a Terra
ou, em casos de asteróides pequenos, podem até mesmo ser
despedaçados em fragmentos pequenos o bastante para que sejam
pulverizados ao entrar na atmosfera. Quanto aos perigos que representariam
essas bombas, eu suponho que seriam pequenos, porque elas provavelmente
seriam armazenadas na face oposta da Lua (é o lugar seguro mais
próximo em que posso pensar). Conforme sabemos (basta olhar pra
Lua mais de duas vezes), ela mantém sempre a mesma face voltada
para a Terra, porque seus movimentos de rotação e translação
são iguais (cerca de 27,321661 dias), e qualquer coisa situada
na face oposta não teria como atingir a Terra a menos que atravessasse
a Lua inteira, e isso seria improvável até mesmo para
uma bomba de anti-matéria.
As armas
nucleares são suficientes para exterminar milhares de vezes toda
a vida no planeta, portanto as bombas de anti-matéria não
somariam perigo algum à situação atual. Claro que
se as bombas de anti-matéria fossem mais susceptíveis
à detonação involuntária e se fossem armazenadas
na Terra, o perigo seria maior.
Eu acredito
que nenhuma fonte de energia conhecida atualmente será suficiente
para abastecer a humanidade nos próximos anos a menos que haja
uma política rigorosa de controle de natalidade e racionamento.
Qualquer descoberta nesse campo abriria um vasto leque de possibilidades,
tanto no sentido de possibilitar transportes a longas distâncias
(outros sistemas planetários) como no abastecimento de energia
e na prevenção contra desastres naturais, especialmente
asteróides. Por isso seria interessante algo como “energia gerada
por anti-matéria”, desde que a existência da vida não
seja ameaçada pelo perigo de acidentes em larga escala.
Um abraço!
Piu |
-----Mensagem
original----- De:
Javier Rodríguez Doval [mailto:jrguezd@hotmail.com]
Enviada
em: sexta-feira, 13 de setembro de 2002 11:32
Para: sigma@
sigmasociety.com Assunto:
Oráculo: temas paranormales
Estimado
Hindemburg Melao Jr:
En primer
lugar desearos a ti y a Sigma Society muchos éxitos para vuestros
proyectos presentes
y futuros. Y a ti personalmente manifestarte mi
admiración
por tu biografía y por tu forma de escribir, tan amena.
El tema
de la inteligencia siempre me ha fascinado y he leído muchas
cosas
en vuestras
páginas que me han gustado y satisfecho profundamente. Gracias
por ello.
Mis preguntas
son:
-¿Sabes,
o puedes estimar, el CI de Nietzsche y el de Gauss?¿y el de
personajes
de ficción como Sherlock Holmes?
-Y quería
saber tu opinión, tanto la racional como la intuitiva, sobre
temas paranormales
como la telepatía, telequinesia, adivinación del futuro
o
del presente,
fantasmas, levitación...
Muchas
gracias. Atentamente,
Javier Rodríguez Doval
Prezado
Javier Rodríguez Doval,
Muchas gracias por sus palabras amables! :-)
Bertrand Russell estimou o QI de Nietzsche em 180+. Há que se
levar em conta que na época de Russell não havia testes
adequados para medir QIs acima de 150. O Mega Test foi criado no início
da década de 1980 e o LAIT em 1979. Então a estimativa
de Russell provavelmente se baseava num padrão inadequado. Algumas
fontes mencionam 200, mas isso provavelmente está exagerado.
Eu conheço pouco sobre a obra de Nietzsche, por isso não
tenho como fazer uma estimativa acurada. Comecei a ler “Assim falava
Zaratustra”, não gostei do livro e não terminei de ler
(li cerca de 1/3). Por outro lado, alguns aforismos de Nietzsche são
muito bons. Eu diria que o QI de Nietzsche pode ser qualquer coisa entre
150 e 180.
No caso de Gauss, é mais fácil fazer uma estimativa, por
meio de comparações. Nas estimativas de Catherine Cox,
Newton tinha 190 e Laplace também. Então Gauss ficaria
no mesmo nível. Mas em minha avaliação, seguramente
Newton tinha mais que 190, talvez uns 205, e Laplace deveria ter de
fato uns 190. Então Gauss talvez ficasse na faixa de 195 a 200.
Aquele problema que ele resolveu aos 11 ou 12 anos, sobre a soma de
uma PA, é relativamente fácil até mesmo para uma
criança, e conheço várias pessoas que fizeram o
mesmo tão ou mais jovens do que ele. A demonstração
que ele deu sobre a impossibilidade de construir um polígono
de 7 lados usando apenas régua e compasso, isso pode ser um indicativo
interessante de pelo menos 180+. O método para cálculos
de órbitas planetárias foi algo mais ou menos “feijão
com arroz”, sem muita importância do ponto de vista intelectual,
mas constitui uma importante ferramenta operacional. É equivalente
ao efeito brawniano (Einstein é referido muito mais vezes, em
revistas técnicas, por ter descoberto o efeito brawniano do que
por seus trabalhos sobre Efeito Fotoelétrico ou pela Teoria da
Relatividade, isso porque o efeito brawniano é industrialmente
aplicado com freqüência). A famosa distribuição
normal também não representa satisfatoriamente a capacidade
de Gauss. Acho que os trabalhos atribuídos a ele sobre Geometrias
não-euclidianas (bem antes de Lobachevsky, Bolyai e Riemann)
foram o que ele fez de mais interessante, e também a soma de
vários outros trabalhos, representam bem sua versatilidade e
a profundidade de suas idéias. A obra de Gauss é muito
vasta e expressiva, provavelmente equivalente à de Newton (na
Matemática) e superior à de Euler (qualitativamente).
Mas minha estimativa é de um leigo. Sei que Euler é autor
de muitos trabalhos “pequenos” (seriam considerados grandes ou mesmo
grandiosos pela maioria dos acadêmicos), enquanto Gauss é
autor de uma quantidade menor de trabalhos realmente grandes. Euler
jogava Xadrez e Russell também. Mas eles não estudavam
muito e fica difícil fazer uma avaliação com base
nisso. Euler foi o primeiro a chegar perto de resolver o problema do
salto do Cavalo, em que é preciso fazer um Cavalo passar por
todas as casas do tabuleiro, caindo só uma vez em cada uma, e
numerando as casas de 1 até 64, de modo que as somas de cada
coluna, cada fileira e cada grande diagonal seja igual a 260. Ele conseguiu
as somas nas colunas e fileiras, mas nas grandes diagonais obteve algo
como 264 e 256. Mas isto é um problema que envolve muito trabalho
braçal e pouco trabalho intelectual, e hoje em dia pode-se resolver
com o auxílio de computadores. Enfim, Para Gauss, calculo que
algo entre 195 e 200 e para Nietzsche algo entre 150 e 180.
Sobre Sherlock Holmes, podemos estabelecer como teto o QI de Conan Doyle:
uns 150. O autor pode criar situações em que o personagem
consegue resolver problemas que ele próprio não conseguiria,
mas na verdade muitos desses problemas se baseiam em falácias.
Os dados disponibilizados pelo autor, algumas vezes não são
suficientes e podem ter mais de uma solução. Assim o personagem
não está sendo inteligente ao resolver um problema que
outros não conseguem, em vez disso, o autor está trapaceando
e levando o personagem a chegar a conclusões do que aconteceu
(porque ele quer que tenha acontecido) com base em evidências
que poderiam levar a conclusões diferentes.
Sobre paranormalidade, eu sou muito cético, mas não uso
viseiras. Atualmente pode-se mover ponteiros do mouse com o pensamento
(na verdade não é propriamente com o pensamento), e algumas
pessoas conseguem ouvir o som das cordas vocais enquanto pensamos (quando
pensamos, normalmente verbalizamos nossos pensamentos e movimentamos
nossas cordas vocais). Mas não sei até que ponto isso
pode ser encarado como indício de que comunicação
telepática seja possível. De qualquer modo, num futuro
distante é quase certo que desenvolveremos alguma maneira de
estabelecer contato a longa distância e com quase simultaneidade.
Eu não sei o que é “telequinesia”. Pela sonoridade, suponho
que possa ser “telecinesia”, mas não sei se tal palavra existe
em português e se existe eu não sei o que é, mas
posso presumir que “cinesia” diz respeito à movimento. Seria
algo como teletransporte? Projeção astral? Em caso afirmativo,
o teletransporte tem sido realizado em alguns laboratórios, mas
não exatamente como nos filmes de ficção. O objeto
(um feixe de laser, no caso) que some num lugar não é
o mesmo que aparece no outro lugar. É um feixe idêntico,
mas não com a mesma identidade. Eu não conheço
os detalhes dessas experiências, mas estou supondo que eles usem
EPRB para isso. Em escala humana, isso não será possível
por um bom tempo. Com relação à projeção
astral, eu não conheço nenhuma experiência séria
sobre o assunto, o que me leva a pensar que não existe nenhuma
evidência de que isso seja possível. Uma experiência
simples seria uma pessoa que se diz capaz de projetar-se fora do corpo,
ser levada para uma sala fechada e permanecer nessa sala. Num outro
local, alguém escreveria um número com 20 algarismos.
Se a pessoa puder ir à outra sala (fora do corpo), voltar e repetir
o número, seria uma evidência 99,99999999999999999% segura
de que projeção astral é possível. Se a
pessoa alegar que não consegue memorizar 20 algarismos, ela pode
fazer 4 seções com 5 algarismos. Mas até onde sei,
nunca foi feita uma experiência desse gênero em que o resultado
tenha sido positivo. Mas acho que num futuro muito distante, talvez
seja possível. Nossa capacidade de enxergar a olho nu objetos
situados a milhões de anos-luz, é uma forma de percepção
incrível. Nossa capacidade de distinguir cores e profundidades
também. A visão não está presente em algumas
formas primitivas de vida, o que nos leva a pensar que depois de mais
alguns bilhões de anos de evolução, provavelmente
nosso organismo desenvolverá novos sentidos e será capaz
de algumas coisas que hoje não podemos sequer imaginar. A habilidade
de estabelecer contato telepático e de projetar-se fora do corpo
me parece útil para a sobrevivência da espécie,
por isso, se for fisicamente possível, deve ser uma tendência
evolutiva. Mas nossa Física atual impõe algumas limitações
para isso. Certamente há muitos erros em nossa Física,
mas não há como saber se este é um dos pontos errados.
De qualquer modo, eu creio que atualmente essas coisas não existem,
mas não descarto a possibilidade de existirem no futuro.
Sobre adivinhar o futuro, isto nós fazemos o tempo todo. Os mesopotâmios,
assírios, egípcios e chineses previam eclipses com muitos
anos de antecedência. Isso é relativamente fácil
com fenômenos cíclicos ou predominantemente determinísticos.
Mas prever um terremoto, uma tempestade ou o comportamento do mercado
de ações, requer uma matemática mais pesada e as
previsões são muito limitadas. No caso das pessoas, não
há como fazer previsões. Astrologia, por exemplo, não
tem nenhum fundamento. Se o planeta Urano tivesse recebido o nome de
“Georgium”, como pretendia Herschell, em vez de receber o nome “Urano”,
então provavelmente os astrólogos atribuiriam a este planeta
traços típicos da personalidade do rei Jorge III, em vez
de traços do personagem Urano da mitologia, e a influência
que Urano teria sobre as pessoas seria diferente. Na verdade, a Astrologia
é tão vazia de fundamento que não vale a pena qualquer
esforço para mostrar esse fato.
Mas quando você fala em “adivinhar o futuro” eu suponho que quer
dizer a pessoa (ou a mente da pessoa) ir adiante no tempo, receber informações,
recuar novamente para o presente e preservar a informação
do que acontecerá no futuro. Essa é uma questão
que já foi discutida nessa seção, quando nosso
amigo Pedro Bessa estava querendo matar a mãe dele. :-) Mas naquele
caso, falamos sobre uma viagem física no tempo. Em sua pergunta,
você pode estar se referindo a uma viagem mental. Eu acho que
das duas, a viagem mental é a menos difícil. Não
tenho idéia de como poderia ser feito, e acho que poderia ter
o mesmo problema que citei na resposta ao Pedro: o futuro que você
vai encontrar em sua viagem mental não será necessariamente
o mesmo que vai encontrar quando ele chegar fisicamente. Eu não
estou dizendo que você vai influir no futuro e mudá-lo
(embora essa também seja uma possibilidade), mas digo que podem
existir tantos futuros diferentes como o número de ramificações
que existem num fractal escolhido ao acaso, ou seja, é um número
virtualmente infinito. E em sua viagem mental, você pode ir para
um deles, voltar, e depois pode ir materialmente para qualquer outro
futuro diferente daquele para o qual sua mente visitou. Mas isso tudo
é muito fantasioso, porque nem sequer podemos saber se existe
algo como “futuro”. Nosso amigo Rodrigo
Horst tem uma idéia muito interessante sobre tempo. Ele vincula
o tempo aos eventos, mas precisamente ao movimento. Se no universo houvesse
somente duas bolas e elas estivessem unidas, depois estivessem separadas
e depois novamente estivessem unidas. Isso não significa que
o tempo teria avançado e depois recuado à origem, mas
também não significa que não tenha acontecido isso,
porque as situações antes e depois seriam indistintas.
No nosso caso, temos memória, por isso saberíamos que
a situação estaria se repetindo, em vez do tempo estar
avançando e recuando. Mas suponha que, assim como as bolas foram
e voltaram exatamente para as mesmas posições, que também
todos os componentes de seu organismo e tudo à sua volta avançasse
e recuasse exatamente para a posição de origem. Então
as informações registradas em sua memória sobre
a situação anterior seriam apagadas e você não
teria como saber se aquela situação estava acontecendo
pela primeira, pela segunda ou pela n-ésima vez. Isso não
é recuar e avançar no tempo. É avançar a
recuar no espaço com a ilusão de estar avançando
e recuando no tempo. Mas qual é a diferença? Objetivamente,
nenhuma. Conceitualmente, porém, há uma grande diferença.
Hawking fez muitas especulações sobre o assunto, mas o
que ele fez foi meramente usar equações que ele julga
representarem o comportamento do universo, e analisou como essas equações
se comportam. Ele constatou que se o universo se comportasse como as
equações, então o tempo não poderia recuar.
Isso não quer dizer nada, porque as equações são
uma representação grosseiramente incompleta do que ele
supõe que seja o universo. O fato é que não se
sabe o que é o tempo. Então não há como
saber o que aconteceria num caso desses. Eu não conheço
nenhum caso de previsão do futuro confirmada. Algumas vezes acontecem
coisas muito estranhas, somos levados a pensar que houve premonição,
mas se analisarmos a quantidade de vezes que essas premonições
acontecem ao longo da vida, eu acho que podemos constatar que de cada
zilhão de eventos aleatórios, um se configura como premonição,
porque na verdade isso é uma coincidência estatisticamente
previsível. No caso da mãe dinah (eu não sei se
ela é conhecida em seu país, mas aqui no Brasil há
muitos que acreditam nas previsões dela), ela indica números
para as pessoas jogarem em diversas loterias, e algumas vezes as pessoas
ganham. No Brasil há 170 milhões de habitantes, e não
me surpreenderá se uns 100 milhões de pessoas confiarem
nas previsões da mãe dinah. Digamos que dessas 100 milhões,
talvez 0,1% estejam dispostas a jogar nos números indicados pela
futuróloga. Então serão 100.000 apostadores. Como
algumas loterias oferecem chances de ganho na faixa de 1/10.000, é
natural que muitas pessoas confiem nessas previsões, porque a
mídia só vai divulgar os 0,01% de casos bem sucedidos
e omitir os 99,99% restantes, transmitindo a idéia fraudulenta
de que as previsões foram corretas.
Sobre fantasmas, algo como uma vida imaterial, que temos animando nosso
corpo material, e que permanece fora do corpo depois da nossa morte,
eu acho que as pesquisas apontam para inexistência disso, mas
são pesquisas tendenciosas, que partem do pressuposto de que
isso não existe e tentam provar que não existe. Infelizmente,
as pesquisas que tentam provar o contrário não são
sérias e não merecem crédito. Alguns fotografam
o calor (geralmente infravermelho e comprimentos de onda longos) emanado
pelo corpo humano e dizem que é a foto da aura, evidenciando
a existência do espírito. Mas se você fotografar
um forno quente, verá que o forno também tem “aura” e,
portanto, tem alma. Eu comecei a ler o Evangelho Segundo o Espiritismo,
mas eu não agüentei. Toda minha família é
kardecista e eu fui educado nesse ambiente, mas há muitas idéias
erradas nessa e em qualquer outra doutrina. Logo no início, o
autor apresenta uma falácia atrás da outra, e vai chegando
a conclusões cada vez mais absurdas. Algo como: Todos os gatos
têm pelos e todos os cachorros têm pelos, portanto gatos
são cachorros. E alguns gatos comem pássaros e pássaros
podem voar, então gatos também podem, e como os cachorros
também são gatos, eles também podem voar. As laranjas
são redondas e a Terra também é redonda, portanto
existe purgatório. Enfim, eu não tive paciência
para ler mais do que as primeiras páginas. Mas o fato de alguém
(Kardec) defender uma idéia interessante (vida imaterial) com
argumentos ruins, não torna a idéia ruim. Eu acho que
podem existir vidas imateriais, e presenciei algumas evidências
que me impressionaram, mas tento me manter cético e só
aceito algo como válido quando as provas são realmente
muito fortes. As pessoas que procuravam Chico Xavier, geralmente o faziam
em condição de completo desespero, e estavam propensas
a acreditar naquilo quem queria acreditar, por isso os depoimentos sobre
assinaturas e caligrafias psicografadas não me parecem evidência
suficiente, mas, em alguns casos, as pessoas exibem cartas escritas
pelo ente falecido e assim é possível fazer uma comparação
objetiva. Os resultados são bastante impressionantes. Mas existem
explicações alternativas. Pode ser, por exemplo, que aconteça
alguma transmissão involuntária de informação
da pessoa que busca contato com o ente falecido para o médium
que recebe a mensagem. Mas nesse caso estaríamos tentando remendar
o ceticismo sobre vida após a morte, mediante a renúncia
ao ceticismo sobre telepatia. Em todos os casos, parece que é
necessário abrir mão de alguns dogmas impostos pela nossa
limitada Ciência e aceitar que existem fenômenos difíceis
de explicar. Mas é preciso ter em mente que o fato de não
haver uma boa explicação científica, não
significa que devemos acorrer a qualquer explicação esotérica.
Devemos nos manter com a mente aberta para eventuais novas possibilidades
e não renegar a existência de alguma coisa apenas porque
não conseguimos entender como essa coisa funciona. Também
não podemos forjar uma explicação mística
e estapafúrdia apenas para fingir que sabemos algo que não
sabemos.
Quanto à levitação, na década de 1990 foram
feitas algumas experiências sobre efeitos de anti-gravidade, produzido
por discos girando a altas velocidades. Mas parece que ninguém
conseguiu reproduzir essas experiências em outros laboratórios,
então é muito provável que sejam resultados induzidos.
As experiências revelaram que um disco girando a cerca de 3000rpm
podia reduzir em 2% o peso de uma bola de ping-pong pesada numa balança
logo acima do disco giratório. Se fossem dois discos, o peso
diminuía 4%. Essa questão foi discutida há poucos
dias num grupo de alto QI. Minha hipótese é de que a experiência
não foi levada a cabo com o devido rigor. Mas suponhamos que
a experiência esteja correta, então pensei que talvez o
disco giratório pudesse reduzir a quantidade de grávitons
que o atravessam, atenuando o efeito da gravidade. Por exemplo: se você
faz incidir partículas alfa sobre uma fina folha de ouro, a quantidade
que vai atravessar a folha será maior com a folha parada do que
com a folha girando. O motivo é que o átomo é 99,9999999%
de espaço vazio. Se a folha de ouro tiver espessura de 100.000
átomos (0,01mm), então 99,99% das partículas alfa
atravessarão a folha parada. Se você girar a folha rapidamente,
a probabilidade da partícula colidir com algum pedaço
“sólido” do átomo, e não atravessar a folha, será
muito maior, portanto, dependendo da velocidade, pode ser que apenas
98% das partículas atravessem a folha girando. Um efeito análogo,
porém com grávitons em lugar de partículas alfa,
e com um disco de cerâmica em lugar de uma folha de ouro, pode
explicar o fenômeno observado. Quando eu citei a possibilidade
do giro drenar a quantidade de grávitons, alguém contestou
dizendo que a quantidade de fótons que atravessam um copo parado
ou um copo girando é a mesma. Mas quando citei o exemplo das
partículas alfa, deixaram de contestar a hipótese. Contudo,
depois eu percebi que havia alguns problemas. Se os grávitons
realmente fossem bloqueados por um fino disco giratório, então
pouquíssimos grávitons conseguiriam atravessar um corpo
tão grande como a Terra, e a intensidade da gravidade não
seria proporcional à massa (um gráviton que parte do centro
da Terra teria menores chances de chegar à superfície
do que um gráviton que parte de uma região próxima
à superfície) e isso está em desacordo com a experiência,
porque significaria que uma bola pequena teria gravidade mais intensa
na superfície do que a esperada pela teoria (e confirmada na
prática), enquanto uma bola grande (ex.: o sol) teria gravidade
menor que a esperada pela teoria e confirmada na prática, e essas
desproporções seriam muito grandes, ao ponto de serem
facilmente detectáveis. Mas não há nenhuma evidência
disso, portanto não deve ser assim.
Levitar com o pensamento, como parece ser a intenção da
pergunta, eu acho que não é possível. Há
algum tempo, eu vi uma reportagem sobre um homem que esteve próximo
ao Dalai Lama durante décadas, mas decidiu afastar-se porque
constatou muitas fraudes. Não quero colocar em discussão
a questão dele ter levado décadas para perceber as fraudes,
por isso não vamos nos desviar do assunto. Bom, o tal homem começou
a fazer declarações sobre a lenda de que o Dalai Lama
era capaz de voar, e uma das coisas que ele disse é que se ele
realmente podia voar, para que precisava de dois helicópteros
particulares? A reportagem era ruim e fez alguns comentários
sem fundamento. Disseram, por exemplo, que se alguém pudesse
levitar, que essa pessoa escaparia para o espaço numa trajetória
tangente à superfície da Terra. Isto é evidentemente
errado. Bastaria que uma pessoa tivesse densidade menor que a do ar
próximo à superfície e maior que a do ar a uma
certa altitude, para ficar flutuando naquela altitude. O problema é
que para ter densidade menor que a do ar (1,293kg por metro cúbico
a 0oC, no equador, 760mHg), a pessoa precisaria expandir-se umas 700
vezes ou diminuir sua massa umas 700 vezes. Creio que seria necessário
haver algum outro meio de anular a gravidade, porque pela densidade
seria realmente difícil. Claro, existe uma maneira tradicional
e bem conhecida para anular a gravidade, que consiste em fazer um mergulho
parabólico com um avião. Assim a pessoa pode levitar sem
problema, durante alguns segundos. Em órbita, a pessoa também
pode levitar. Esses são os casos que conhecemos atualmente que
permitem levitar. Em outras circunstâncias, atualmente não
é possível.
Um abraço!
Piu |
-----Mensagem
original----- De:
gusmonzon@zipmail.com.br [mailto:gusmonzon@zipmail.com.br]
Enviada
em: sexta-feira, 30 de agosto de 2002 13:41 Para:
melao@sigmasociety.com Assunto:
Inteligência Absoluta, não Relativa
Olá
Hindemburg! Um dia desses uma idéia me surgir: Como os dois testes
que você produziu podem "mensurar" QI's acima do seu!!??? Aliás,
qual é seu QI? SE o seu e o do Petri forem na casa de 180-190(pela
escala que consta no teste), como poderiam formular questões
e idéias de pessoam que alcançem um nível de pemsamento
mais elevado que o de vcs e com isso poder "mensurá-los"??? Quem
acerta integralmente o teste, no máximo possui o nível
de capacidade intelectual que vcs possuem, ou não?? SE
não, de onde tiraram tais questões?
Com certeza,
você consegue perceber o tipo de questionamento que estou buscando
compreender e suas implicações...
Acredito que o que se chama de inteligência, seja "natural" ou
artificial(computacional) nada tem de inteligente, são apenas
programações provenientes das mais diversas condições
e experiências, e ou adaptações do tipo tentativa-erro
e, dependendo do estímulo que se recebe se reaje baseado nestas
programações, ou o que pode se chamar de "experiência
de vida", fato este observável em qualquer espécie, incuindo
humanos.
Não acredito que ISTO seja inteligência, pelo simples fato
que isto nos reduziria a meras máquinas: sendo nossos corpos,
hardwares, nossas mentes, sistemas operacionais e os vários softwares(programas)
seriam as ditas "experiências de vida" que vamos adquirindo. Então
(numa contínua analogia grosseira) a evolução dos
seres seria meramente o GANHO de capacidade de processamento
--> 386,486,pentium,
pentium II, III, IV...e por aí vai ????!!!! Isso
--> seria
a inteligência??
Me recuso a acreditar. Pois assim o único ser realmente inteligente,
ou melhor, o único SER, seria a causa primária, ou eja,
DEUS.
Claro que estou sendo leviano e grosseiro em minhas observações,
por se tratar de algo complexo e eu estar especulando com analogias
simples e pouco significativas, mas meu intuito é despertar a
reflexão, não o de estar certo sobre tudo que digo. Meu
intuito é SEMPRE este, e não chamo isso de humildade,
mas bom-censo. :-)
Espero suas idéias sobre esta questão e nossa possível
discussão(?) sobre
elas... Se
desejar poderia adaptá-la e inseri-la no quadro ORÁCULO.
té mais!!... Gustavo M
Olá,
Gustavo!
Tudo bem?
Olá
Hindemburg! Um dia desses uma idéia me surgir: Como os dois testes
que você produziu podem "mensurar" QI's acima do seu!!??? Aliás,
qual é seu QI?
=======================
Quando
era mais novo, eu achava que era o mais inteligente e o mais ágil
do mundo. À medida que fui me tornando mais velho e mais burro,
fui percebendo que não é possível mensurar certas
coisas. Por comparação, é possível ter estimativas
aproximadas, baseadas no desempenho em determinados testes, mas nada
melhor que isso. Eu tentei criar instrumentos de medida que fossem melhores
do que os que eu conhecia, mas não sei se fui bem sucedido.
Hoje eu
vejo algumas pessoas mais velhas do que eu dizendo que são a
mais inteligente dos universos, do mundo ou das Américas. Eu
acho que todos essas pessoas têm razão, e como eu não
quero entrar nessa disputa, porque é muito acirrada e estressante,
decidi reivindicar para mim um título que ninguém ainda
reivindicou: o de ter o QI mais baixo do mundo. Eu já conversei
com o Petri e nós vamos fundar uma sociedade de baixo QI. Para
se associar, basta ter QI acima de 0 e ter feito alguma coisa muito
estúpida, do tipo não saber a pronúncia correta
do próprio nome (como no meu caso) ou errar a própria
data de nascimento (como um amigo, não sei se ele vai querer
que o nome dele seja citado aqui, por isso não vou dizer por
enquanto), ou possuir algum documento emitido por uma entidade credenciada,
atestando um baixo QI, como no caso de Ossip Bernstein, que tem um documento
atestando que ele é “Mestre idiota”, reconhecido em cartório
e rubricado pelo campeão mundial Emmanuel Lasker.
=======================
SE o seu e
o do Petri forem na casa de 180-190(pela escala que consta no teste),
como poderiam formular questões e idéias de pessoam que
alcançem um nível de pemsamento mais elevado que o de
vcs e com isso poder "mensurá-los"??? Quem acerta integralmente
o teste, no máximo possui o nível de capacidade intelectual
que vcs possuem, ou não?? SE não, de onde tiraram
tais questões?
=======================
Das 10
questões do ST-VI, a primeira foi criada para o ST e até
agora foi resolvida por 5 pessoas, a segunda foi criada para o ST e
até agora foi resolvida por 1 pessoa. A terceira foi criada para
o ST-VI e ainda não teve nenhuma resposta correta. A quarta foi
publicada no livro de George Gamow, e existe desde 1958, mas ninguém
resolveu corretamente (a solução proposta por Gamow e
repetida há quase 50 anos está errada). A quinta existe
há mais de 500 anos e ninguém resolveu corretamente. Eu
acho que se o teste for nivelado com base nisso, podemos estabelecer
com certa segurança que 1 certo > 160, 3 certos > 170 e 5 certos
> 185. Daí para a frente, são extrapolações.
Particularmente, eu acredito que seja mais fácil conseguir 180
no ST do que no ST-VI. Mas acho que 200 é mais fácil de
conseguir no ST-VI do que no ST. Estou apenas chutando, porque não
dispomos de amostragem que permita confirmar isso. A dificuldade intrínseca
das questões é alta. Das 10 questões, 8 são
inéditas. As 2 que não são inéditas (4 e
5) têm soluções inéditas, e muitas pessoas
inteligentes trabalharam nessas 2 questões durante décadas
(na 4) ou séculos (na 5). Por isso acho que a norma está
razoável. A questão 3 talvez seja trivial para quem trabalha
com matemática discreta em espaços n-dimensionais, mas
já consultei algumas pessoas da área que me disseram que
deve haver no mundo no máximo umas 100 pessoas que dominem o
conhecimento necessário para resolver esse problema, e as outras
6.336.572.921 pessoas (agora que você está lendo, já
nasceram outras...) terão que improvisar um método, e
isso não será fácil. Portanto, se o nível
de dificuldade dos problemas do ST-VI não for adequado para discriminar
no nível 190+ ou 200+, eu não sei se existe algum teste
que sirva para isso.
=======================
Com certeza,
você consegue perceber o tipo de questionamento que estou buscando
compreender e suas implicações...
Acredito que
o que se chama de inteligência, seja "natural" ou artificial(computacional)
nada tem de inteligente, são apenas programações
provenientes das mais diversas condições e experiências,
e ou adaptações do tipo tentativa-erro e, dependendo do
estímulo que se recebe se reaje baseado nestas programações,
ou o que pode se chamar de "experiência de vida", fato este observável
em qualquer espécie, incuindo humanos.
=======================
A questão
4 do ST-VI não pode ser resolvida por nenhuma máquina
inteligente, não importa o quão veloz ela seja nem o quão
elaborado seja seu algoritmo. Quem encontrar a resposta, perceberá
o que pretendo dizer. A questão 1 pode ser facilmente resolvida
por uma máquina que consiga interpretar o enunciado. A 2 pode
eu acho que talvez possa ser resolvida também. A 3 e a 5 com
certeza podem ser resolvidas. As duas últimas não podem.
As outras 3 (6,7,8) eu não tenho certeza, mas acho que podem
resolver desde que sejam velozes e com algoritmos suficientemente bem
elaborados.
=======================
Não
acredito que ISTO seja inteligência, pelo simples fato que isto
nos reduziria a meras máquinas: sendo nossos corpos, hardwares,
nossas mentes, sistemas operacionais e os vários softwares(programas)
seriam as ditas "experiências de vida" que vamos adquirindo. Então
(numa contínua analogia grosseira) a evolução dos
seres seria meramente o GANHO de capacidade de processamento
=======================
Evolução
não precisa estar relacionada à inteligência. Os
dinossauros evoluíram para ter corpos grandes e cérebros
pequenos; com isso se tornaram bem adaptados ao meio e dominaram o planeta.
Outros animais com cérebros maiores que os deles não podiam
competir com eles. Os motivos pelos quais os humanos sobrepujaram os
outros animais são complexos e envolvem muitos fatores combinados.
O cérebro grande e com muitas sinapses não torna os humanos
mais evoluídos que outros organismos. Nos torna apenas mais inteligentes.
Por exemplo: um cavalo de hoje é mais evoluído (evoluiu
durante mais tempo) que um humano de 10.000a.C., porém o humano
de 10.000a.C. era mais inteligente que o Cavalo de hoje. Os humanos
não constituem o topo de uma pirâmide evolutiva, mas apenas
uma entre as muitas sub-sub-sub...sub-ramificações de
um tronco principal iniciado há cerca de 3 ou 3.5 bilhões
de anos. Eu arrisco o palpite de que em algum momento de nossa história
futura evoluiremos para uma condição imaterial. Não
se trata de um palpite bizarro e místico. Trata-se de reconhecer
que sabemos muito pouco sobre a Natureza. No século XVII, ninguém
levaria a sério a idéia de que energia e matéria
são a mesma coisa, ninguém pensaria que pode existir uma
velocidade limite, ninguém pensaria que um objeto pode estar
em dois lugares ao mesmo tempo. E provavelmente o pessoal do século
XVII tinha razão. :-) mas hoje a maioria dos pesquisadores ditos
“sérios” considera que essas coisas acontecem. Eu acho que dispomos
de evidências boas de que energia pode ser transformada em matéria
e vice-versa. Mas ainda não temos evidências suficientes
sobre muitas coisas.
Com relação
à inteligência, eu não vejo motivo para que seja
uma qualidade estritamente humana ou estritamente orgânica. Na
minha concepção, a inteligência consiste na participação
sinérgica dos elementos heurísticos. Grosseiramente, uma
das manifestações da inteligência é a resolução
de problemas, outra manifestação é a criação
mental de estruturas complexas, a elaboração de textos,
a demonstração de teoremas, a capacidade de aprender e
aplicar o conhecimento adquirido no tratamento de questões novas
etc. Sendo assim, uma máquina que resolve problemas, aprende
e cria, é uma máquina inteligente. Algumas pessoas muito
céticas podem querer mudar a definição de “inteligência”
sempre que uma máquina conseguir se enquadrar na definição
vigente, e logo em seguida os cientistas cognitivos vão alcançar
a nova definição com máquinas cada vez mais sofisticadas,
e novamente os céticos vão mudar a definição
de modo a excluir as máquinas etc. Ao longo desse processo, a
inteligência das máquinas vai se aproximar cada vez mais
à definição idealizada, enquanto a nossa inteligência
orgânica ficará mais ou menos como está, então
chegará a um ponto que os céticos perceberão que
as máquinas atendem melhor ao conceito de inteligência
do que os humanos, e começarão a se perguntar se nós
podemos ser considerados seres inteligentes. :-)
Um abraço
Piu |
-----Mensagem
original----- De:
JOSEB.NOVOA [mailto:JOSEB.NOVOA@terra.es]
Enviada em: domingo,
18 de agosto de 2002 06:39 Para:
sigma@ sigmasociety.com Assunto:
capacidad y ajedrez Hola,
Me gustaría
hacerle dos preguntas:
¿cuál
cree usted que sería el máximo ELO FIDE que podría
alcanzar una
persona
con un cociente
intelectual de 125-130, con un buen entrenamiento y
práctica
a lo largo de varios años?
¿existe
un mínimo de capacidad mental para jugar ajedrez a la ciega (1,2
o más simultáneamente) y qué habilidad es más
importante para jugar a ciegas: memoria, velocidad mental, pesamiento
lógico, habilidad mental espacial, etc...(aparte del conocimiento
ajedrecístico, claro está)? Gracias por su atención,
Atentamente, José
Hola,
José!
Saludos!
Nosso amigo Eduardo Corrêa da Costa, há algum tempo me
enviou uma lista com os nomes de várias personalidades e seus
respectivos QIs. Entre os nomes de enxadristas, constava o de Kasparov,
com QI 123 no RAPM e 135 no Eysenck. Ambos são testes credenciados.
Também sabemos que Kasparov superou a marca dos 2850 de rating
e que esse rating corresponde a cerca de 190. Como interpretar esses
dados?
O RAPM é principalmente um teste de velocidade, e o desempenho
em testes de velocidade pode variar amplamente em comparação
ao desempenho em testes de pensamento profundo e imaginação,
mas essa não é uma explicação adequada para
o caso de Kasparov, porque além de ser muito veloz, ele também
é muito profundo e original. A diferença gritante pode
ser atribuída a um ou mais entre uma vasta gama de fatores: pressa,
ansiedade, insegurança sobre as respostas ou, ao contrário,
excesso de confiança. Mas a explicação que atualmente
considero a mais plausível é excesso de profundidade na
análise! Embora isso possa parecer contraditório, na verdade
é uma explicação pertinente, porque uma pessoa
excepcionalmente criativa e veloz, como Kasparov, tende a enxergar mais
associações e analogias do que outras pessoas, assim,
ao ser obrigado a escolher apenas uma resposta, os riscos dele escolher
uma que não seja a mesma do gabarito são maiores. Desse
modo, ele pode ter sido prejudicado por sua criatividade, que talvez
o tenha levado a pensar em soluções que não são
levadas em conta pelos criadores dos testes nem pelos examinadores.
Mas no caso do RAPM, até onde sei, é um teste de boa qualidade
e isento de questões dúbias. A única maneira de
dar respostas diferentes das consideradas corretas é realmente
“errando”. Existe também a possibilidade de ser outra pessoa
chamada Kasparov, em vez de Garry. Eu não sei qual foi a fonte
de onde foram extraídas as informações sobre esses
escores, e não encontrei nenhuma referência que confirme
esses números em nenhum livro, por isso não podemos descartar
a possibilidade de um homônimo. Particularmente, eu prefiro acreditar
que o QI de Kasparov situa-se em algum lugar em torno de 180-210.
Quanto ao ELO que pode ser alcançado por uma pessoa que tenha
obtido um determinado escore em teste de QI, isso vai depender da semelhança
entre o que o teste está medindo e o que o ELO está medindo.
O ELO mede pensamento profundo e criador, pensamento veloz para questões
complexas, cálculo mental veloz e complexo, memória, pensamento
abstrato, pensamento espacial, imaginação, aplicação
engenhosa de conhecimentos específicos, capacidade para descoberta
de sutilezas. Os testes de QI aplicados em clínica geralmente
medem pensamento veloz para questões básicas, cálculo
com auxílio de lápis e papel em ritmo lento e em questões
elementares, repetição simples de conhecimento. Alguns
testes medem pensamento espacial e pensamento abstrato, outros medem
memória. Enfim, o que é medido pelo Xadrez está
mais intimamente relacionado ao que habitualmente chamamos “inteligência”
do que aquilo que se mede em testes de clínica. Já o desempenho
em testes sem limite de tempo pode ser mais semelhante ao ELO. O ST
e o ST-VI pretendem medir algo semelhante ao que mede o ELO, mas o ELO
é seguramente mais acurado, porque no ST a pessoa resolve todas
as questões ao longo de umas 10 ou 20 horas, no máximo
umas 100 horas, porém o ELO vai se formando ao longo de milhares
de horas. Além disso, o ST está mais carregado de subjetividade
do que o ELO. Por outro lado, o ST é mais diversificado e muito
mais isento de conhecimento específico. Existem pontos positivos
e negativos tanto no ST como no ELO, e em linhas gerais eles são
bastante semelhantes.
Eu diria que uma pessoa que pontua bem no ST, próximo ao teto,
pode alcançar mais de 2600 ou 2700 em Xadrez Postal. A correlação
(hipotética) com Xadrez ao vivo não é tão
boa, mas o nível que pode ser alcançado é semelhante.
Quanto aos testes aplicados em clínica, qualquer que seja o teto,
quem estourar o teto pode ter mais de 2000 de ELO. Note que eu disse
“mais de 2000”, inclusive mais de 2500 ou mais de 3000. O problema é
que os testes de clínica não têm dificuldade adequada
para medir nada acima de 140 (que corresponde a cerca de 2000 ELO),
e mesmo que o teto seja 150 ou 170, o que na verdade se está
medindo é a diferença de velocidade entre desempenhos
no nível 140. Em outras palavras, uma pessoa que pontua 130 ou
140 num teste de clínica tanto pode ter QI 130 como pode ter
QI 200.
No caso do ST, em média, uma pessoa que pontua 140 deve chegar
a cerca de 2000 ELO, outra que pontua 170 deve chegar a mais de 2500,
desde que ambas estudem o bastante. Repare, eu disse “em média”.
Nada impede que alguém pontue 120 ou 130 no ST e chegue a ter
mais de 2600 FIDE ou ICCF, enquanto outra pessoa pode pontuar 190 e
estudar muito Xadrez, mas nunca ir além de 2000.
Na década de 1960, os primeiros computadores para jogar Xadrez
tinham nível semelhante ao de jogadores com rating 1200, e o
mesmo hardware usado para resolver testes de QI (baseado em figuras),
podia chegar a mais de 110. Eu não tenho conhecimento sobre experimentos
modernos desse gênero, mas suponho que máquinas velozes,
usando bons algoritmos, possam pontuar acima de 150 em testes com figuras
e talvez mais de 180 em séries numéricas. Quanto ao rating,
existem muitas informações disponíveis na rede.
Eu acho que o melhor software atual para PC é o Hiarcs 8.0, com
uns 2700 de rating rodando em Athlon 2GHz ou Pentium IV 2GHz. Mas é
claro que os computadores não conseguem resolver questões
em que seja necessário interpretar enunciados nem desenvolver
planos estratégicos no Xadrez. O que isso mostra é que
algumas deficiências no Xadrez ou em testes podem ser compensadas
com algumas habilidades excepcionalmente desenvolvidas. No caso dos
computadores, a capacidade seletiva é muito ruim, mas eles compensam
isso com uma velocidade absurdamente grande. Uma pessoa associa figuras
com facilidade, por meio de poucas comparações, e elege
o melhor lance a um ritmo bem lento (cerca de um lance por segundo,
contra milhões de lances por segundo analisandos pelos computadores),
mas a pessoa usa seus conhecimentos de maneira ótima, enquanto
os computadores são incapazes disso no momento. Por isso nenhum
computador poderia obter QI 120 no ST, por exemplo, mas poderia estourar
o teto do RAPM e de muitos outros testes. Também não existem
computadores capazes de encontrar o melhor lance em determinadas posições,
não importa quanto tempo eles fiquem analisando. Enquanto um
jogador humano pode, por intuição, perceber o melhor lance
em poucos segundos.
Em geral, uma pessoa com QI 130 deve atingir um rating abaixo de 1900.
Mas você me enviou um e-mail há alguns meses informando
que um GM (francês?) tinha QI 130. Na verdade ele não tem
QI 130. Ele apenas obteve escore 130 num determinado teste. Isso é
uma evidência preliminar de que seu QI seja 130. Mas esse teste
deve ter durado cerca de 1 hora e mediu umas poucas habilidades pouco
importantes. Por outro lado, a capacidade dele foi testada ao longo
de vários anos em torneios de Xadrez, e nessa modalidade ele
revelou um desempenho equivalente a mais de 170. Então sua real
capacidade é seguramente mais próxima daquela indicada
pelo seu ELO do que aquela indicada pelo escore que ele obteve num teste.
Usar um teste de QI, com duração de uma hora, para prognosticar
o ELO a que se pode chegar no Xadrez é como fazer uma previsão
sobre o comportamento de uma amostragem grande partindo dos resultados
coletados de uma amostragem pequena, com a agravante que QI e ELO medem
habilidades diferentes. Tendo em conta tudo isso, e ciente de que a
incerteza nas previsões pode ser grande, basta usar a fórmula
de Bill McGaugh: ELO = 1282 + 17,3*(QI-100). Assim, um QI de 128 deve
corresponder a cerca de 1770. Mas é preciso levar em conta que
a correlação entre ELO e QI é calculada com base
numa amostragem de pessoas que apresentam a provável tendência
de ser tanto mais estudiosa se tanto maior for sua aptidão natural,
ou seja, uma pessoa com QI 160 tende a se dedicar mais que outra com
QI 110, portanto a pessoa com 160 vai estudar mais horas por dia e conseqüentemente
chegar mais perto de seu ELO limite do que a pessoa com QI 110. Levando
isso em conta, você pode presumir que uma pessoa com QI 128 geralmente
não se dedica ao máximo, mas talvez apenas duas horas
por semana, e assim chega geralmente aos 1770. Porém se essa
mesma pessoa com 128 de QI se dedicasse 8 horas por dia, talvez chegasse
a 2000 ou mais.
Com relação à sua pergunta sobre jogar às
cegas, um bom conhecimento do tabuleiro é muito útil,
especialmente para quem não é jogador visual, ou seja,
quem não visualiza o tabuleiro, mas apenas sabe onde estão
as peças e como elas interagem, num processo semelhante ao que
permite aos computadores transformar sinais 0 e 1 em imagens (estou
fazendo uma analogia grosseira). Nesses casos, é preciso ter
um bom conhecimento sobre casas que se situam na mesma diagonal ou nas
extremidades do mesmo “L”. Isso agiliza o cálculo e poupa energia.
Esse conhecimento se adquire e se aprimora por meio de treinamento.
Quase todos os simultanistas às cegas de grandes proporções
são “não-visuais”, portanto a capacidade de visualizar
mentalmente imagens não é imprescindível, embora
possa ajudar em alguns casos. O pensamento lógico e todas as
demais habilidades necessárias para jogar Xadrez ao vivo continuam
sendo necessárias para jogar às cegas, e a estas habilidades
devem ser somadas a capacidade para memorizar cada uma das posições,
evitar confusões entre as posições de diferentes
tabuleiros e evitar confusões entre variantes calculadas e variantes
efetivamente jogadas. A faculdade mental que permite memorizar e gerenciar
tais informações é predominantemente inata, mas
talvez possa ser melhorada com treinamento.
Não apenas para jogar às cegas, mas para qualquer atividade
existe um limite mínimo de capacidade que é exigida. Para
jogar às cegas é preciso conhecer bem algum sistema de
notação e memorizar a partida inteira. Para jogar mais
de uma partida às cegas, é preciso memorizar todas as
partidas e não confundir uma com a outra. Eu calculo que a maioria
das pessoas com QI na faixa de 130 pode jogar pelo menos uma partida
às cegas. Claro que muitas pessoas com QI abaixo de 130 também
podem jogar, enquanto outras com mais de 150 podem não conseguir.
O campeão mundial Max Euwe, por exemplo, dizia-se incapaz de
jogar uma única partida às cegas, mas isso pode ser uma
brincadeira dele, do mesmo modo que Isaac Newton dizia que era incapaz
de fazer cálculos mentais.
Un abrazo!
Piu |
-----Mensagem
original----- De:
Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br] Enviada
em: quinta-feira, 15 de agosto de 2002 21:23 Para:
Hindemburg Assunto:
eleição Melão,
os brasileiros superinteligentes
e supercultos votam em quem?
Olá,
Pedro.
Tudo bem?
Você está fazendo a pergunta para a pessoa errada. Eu não
tenho essas qualidades e também não entendo nada de política.
Eu apenas gosto de dar palpites sobre esses assuntos.
Acho que se as pessoas que não cultivam o hábito de pensar
votam em quem a mídia manda, provavelmente as que pensam votam
nos outros candidatos, especialmente naqueles com os quais se identificam
melhor.
Se sua pergunta fosse “em quem eu pretendo votar”, provavelmente eu
não lhe responderia mesmo que eu soubesse. :-) Eu não
me identifico com nenhum. Minha mãe, minha tia vão votar
na mesma pessoa, que é também a que me parece mais razoável.
A Juçana também disse que gosta desse tal candidato.
Eu acho que a partir do momento que um candidato começa a fazer
sucesso entre os eleitores, as empresas se aproximam dele e fazem ofertas.
Se ele recusa essas ofertas, fica mais difícil para ele continuar
crescendo, porque sem dinheiro não se faz campanha. E se ele
aceitar as ofertas, ficará devendo alguma coisa a alguém,
e esse alguém não é o povo.
Uma eleição se ganha com publicidade, e boa publicidade
se faz com muito dinheiro. Eu comentei uma propaganda que você
me enviou outro dia e propus um método alternativo para seleção
de governantes. O texto está aqui.
Um abraço!
Piu |
-----Mensagem
original----- De:
Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br] Enviada
em: quarta-feira, 14 de agosto de 2002 11:38 Para:
Hindemburg Assunto:
Re: questão do ITA O
seguinte trecho de artigo de um jornal local relata uma
corrida beneficente de bicicletas.
"Alguns segundos após
a largada, Ralf tomou a liderança,
seguido de perto por
David e Rubinho, nesta ordem. Daí
em diante, eles não
mais deixaram as primeiras três
posições e, em nenhum
momento da corrida, estiveram lado
a lado mais do que
dois competidores. A liderança,
no entanto, mudou de
mãos nove vezes entre os três,
enquanto que em mais
oito ocasiões diferentes aqueles
que corriam na segunda
e terceira posíções
trocaram de lugar entre si. Após o término
da corrida Rubinho reclamou para
nossos repórteres que David
havia conduzido a sua bicicleta de
forma imprudente pouco
antes da bandeirada de chegada. Desse
modo, logo atrás de
David, Rubinho não pode ultrapassá-lo
no final da corrida."
Com base no trecho
acima (referindo-se ao texto da questão), você conclui
que:
A) David ganhou a corrida.
B) Ralf ganhou a corrida.
C) Rubinho chegou em terceiro lugar.
D) Ralf chegou em segundo lugar.
E) não é possível
determinar a ordem de chegada, porque o trecho não apresenta
uma descrição matematicamente correta.
Olá,
Pedro.
Tudo bem?
Sem as alternativas o problema poderia ser divertido, mas com alternativas
perde um pouco do interesse. Você pode descartar 'd' logo de cara.
Depois você pode constatar que se 'b' for certo, então
'c' também seria certo. Mas há somente uma certa. Então
'a' é a certa. Se 'e' dissesse apenas "não é possível
determinar", então poderia ser 'a' ou 'e', mas o que 'e' diz
é o seguinte: "não é possível determinar
a ordem de chegada, porque o trecho não apresenta uma descrição
matematicamente correta", e isso está errado, pois não
é este o motivo que impede de determinar. Portanto 'e' também
deve ser descartado e 'a' é a solução. O problema
poderia ficar um pouco mais interessante se não houvesse 5 alternativas,
e em vez de 9 e 8 trocas, a primeira colocação tivesse
mudado um número desconhecido de vezes "N" e a troca entre segundo
e terceiro tivesse mudado somente uma vez. Sabendo que "N" é
múltiplo de 90, determine a classificação final
dos três primeiros colocados. Esse fica como desafio para os visitantes.
Para ver a solução, clique
aqui.
Um abraço!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: joao silva [mailto:ac_silvat@yahoo.com.br]
Enviada em: sábado, 10
de agosto de 2002 16:44 Para:
sigma@ sigmasociety.com Assunto:
inteligencia Oi
Hindemburg!!
Obrigado por ter
respondido minha pergunta.Fiz a pergunta pois queria ver sua opiniao
sobre a relaçào profissao/qi. Minha dúvida era
decorrente do fato de que, segundo algumas pesquisas, ao quererem "quantificar"
os ingredientes que compoem a inteligencia, o fator genetico seria responsavel
por 30%, eqto o ambiental seria de aprox. 70%....se nao me engano, vi
estes dados no site vademecum.....e com certeza vc já deve ter
lido sobre o tema em outras fontes.Dessa forma, minha duvida advem disto,
se as pesquisas apontam neste sentido: uma pessoa que no desenvolvimento
escolar de ´primeiro e segundo grau nao apresenta nenhuma habilidade
em matematica e/ou fisica, muito pelo contrario, talvez uma deficiencia
e, no entanto, deseja e mto chegar ao maximo qto a titulaçào
academica. Pois bem, diante de tal problema ( deficiencia especifica
em exatas ) recorre ao maximo para se aperfeiçoar e provavelmete
com esforço, poderá obter exito, ressa! ltando que provavelmente
começará numa fase tardia, por volta de 19, 20 anos (
graduação ) e um doutorado lá pelos 28 ou mais,
qdo tbem segundo pesquisas, o potencial de desenvolvimento ja estaria
reduzido, e pelo q entendi em sua resposta, certos cursos tendem a deselvolver
certas habilidades ou seja, "desvendar o oculto, o escondido" em uma
pessoa, e é justo aqui que encontro a dificuldade: a referida
pessoa no exemplo nao apresenta habilidades para com exatas, apenas
admiração....será q tenho certa razão?!?!?....ei,
espero que voce nao tenha perdido a paciencia com isto....:)....talvez
na verdade o que procuro é uma boa razão para tentar ficar
genio...heheh
um grande abraço
Hindemburg!
Olá,
João.
Tudo
bem?
=======================
Oi
Hindemburg!!
Obrigado
por ter respondido minha pergunta.
=======================
Disponha.
=======================
Fiz
a pergunta pois queria ver sua opiniao sobre a relaçào
profissao/qi. Minha dúvida era decorrente do fato de que, segundo
algumas pesquisas, ao quererem "quantificar" os ingredientes que compoem
a inteligencia, o fator genetico seria responsavel por 30%, eqto o ambiental
seria de aprox. 70%....
=======================
Esses
números só fazem algum sentido como parte de um contexto
que indique de que forma foram calculados. Você pode obter 95%
a 5% a favor do ambiente ou 95% a 5% em favor da constituição
genética, basta mudar o método usado para fazer o cálculo.
Por exemplo: se você for considerar o desempenho em testes de
QI de irmãos gêmeos homozigóticos criados separados
e irmãos gêmeos homozigóticos criados juntos, depois
analisar irmãos adotivos criados separados e criados juntos,
pode obter uma porcentagem muito favorável ao componente genético,
talvez 90% a 10%. Se você usar uma experiência diferente
para fazer o cálculo, o resultado pode se inverter. E nenhum
dos resultados é mais certo nem mais errado. Simplesmente nenhum
dos métodos está sendo capaz de medir de forma abrangente
a grandeza desejada.
=======================
se
nao me engano, vi estes dados no site vademecum.....e com certeza vc
já deve ter lido sobre o tema em outras fontes.Dessa forma, minha
duvida advem disto, se as pesquisas apontam neste sentido: uma pessoa
que no desenvolvimento escolar de ´primeiro e segundo grau nao
apresenta nenhuma habilidade em matematica e/ou fisica, muito pelo contrario,
talvez uma deficiencia e, no entanto, deseja e mto chegar ao maximo
qto a titulaçào academica. Pois bem, diante de tal problema
( deficiencia especifica em exatas ) recorre ao maximo para se aperfeiçoar
e provavelmete com esforço, poderá obter exito, ressa!
ltando que provavelmente começará numa fase tardia, por
volta de 19, 20 anos ( graduação ) e um doutorado lá
pelos 28 ou mais, qdo tbem segundo pesquisas, o potencial de desenvolvimento
ja estaria reduzido,
=======================
Em
média as pessoas continuam se desenvolvendo até os 15-17
anos e só começam a cair de desempenho por volta dos 40.
Algumas continuam se desenvolvendo até os 8-12 anos, outras até
os 20-25. Isso varia de pessoa para pessoa.
=======================
e pelo
q entendi em sua resposta, certos cursos tendem a deselvolver certas
habilidades ou seja, "desvendar o oculto, o escondido" em uma pessoa,
e é justo aqui que encontro a dificuldade: a referida pessoa
no exemplo nao apresenta habilidades para com exatas, apenas admiração....será
q tenho certa razão?!?!?....
=======================
Não
sei se entendi exatamente qual é a pergunta. Você quer
saber se uma pessoa com doutorado em Física, por exemplo, que
não tenha apresentado desempenho brilhante no colégio,
que tenha tido desenvolvimento tardio e se formado a muito custo, você
quer saber se tal pessoa não tem talento, mas apenas esforço?
Bom, você acaba de fazer um resumo da história de Einstein.
=======================
ei,
espero que voce nao tenha perdido a paciencia com isto....:)....talvez
na verdade o que procuro é uma boa razão para tentar ficar
genio...heheh
um
grande abraço Hindemburg!
=======================
Eu
acho que se você realmente quer alguma coisa, não importa
se é ser gênio, santo, presidente, imortal, imaterial,
seja lá o que for, não deve perguntar a ninguém
se seu objetivo é tangível. Pouco deve lhe interessar
se eu acho que a genialidade é predominantemente genética
ou se é resultante de estudos. Você deve apenas perseguir
seu objetivo e ignorar as opiniões, tendências, probabilidades
etc. Acho que apenas deve tomar os cuidados necessários para
que seus objetivos não o façam se esquecer de seus princípios,
seus conceitos éticos e seus ideais. O resto você precisa
ignorar. Não estou dizendo que se você proceder dessa maneira
que vai atingir seus objetivos, mas o contrário eu posso garantir:
se você não fizer assim, com certeza não vai atingir
nenhum objetivo.
Outra
coisa: acho que antes de estabelecer qualquer meta, é necessário
avaliar com cuidado as conseqüências. Ninguém pode
conseguir tudo, por isso se você quer algumas coisas, terá
que renunciar a outras. Precisa avaliar se está disposto a tais
renúncias e se valerá a pena o esforço. Quando
você assiste a uma modelo desfilando numa passarela, não
vê o sacrifício e as privações que ela teve
que passar para conseguir aquele corpo, com dietas desumanas, crises
depressivas, assédios nas agências, ciúmes dos namorados,
repressão familiar etc. Algumas acabam enfrentando mais obstáculos
que outras, mas todas encontram dificuldades. A Sandy, como cantora,
por exemplo, teve muitas portas abertas graças ao sucesso dos
pais, mesmo assim precisou estudar muito ballet e canto. Na maioria
das vezes o caminho é espinhoso e cheio de armadilhas. Como regra
geral, qualquer grande objetivo envolve grandes esforços e grandes
sacrifícios.
Um
abraço.
Piu |
-----Mensagem
original----- De:
Wilton P. Silva [mailto:wiltonps@uol.com.br]
Enviada
em: segunda-feira, 5 de agosto de 2002 21:38
Para: sigma@
sigmasociety.com Assunto:
oráculo Olá
Hindemburg. Meu nome é Diogo Diniz (participei do puzzle challenge),
em primeiro lugar gostaria de dar os parabéns pela rapidez com
que respondeu aos meus e-mails. Certa vez, em uma prova de física
o professor pediu para dizermos um meio de atingir o zero absoluto.
Em vez disso eu argumentei que isso seria altamente improvável,
já que o calor flui naturalmente dos corpos de maior temperatura
para corpos de menor temperatura. Mas ainda sim é possível
que o contrário ocorra(o calor fluir "ao contrário"),
imagino que a baixas temperaturas a probabilidade de que isso ocorra
seja bem maior que a altas temperaturas. Como exitem experiências
que buscam atingir o zero absoluto creio que isto não seja impossível.
Gostaria que vc comentasse o meu comentário e informasse um meio
de atingir o zero absoluto.
---
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Olá,
Diogo.
Tudo bem?
A interpretação talvez não seja exatamente essa.
Não é o calor que vai de corpos quentes para frios. A
energia (talvez o “grau de agitação”, mas também
não gosto dessa idéia) é que tende a uma distribuição
aproximadamente uniforme. Se um corpo está quente e o outro frio,
a tendência é de que com o passar do tempo ambos atinjam
a mesma temperatura, e para que a quantidade total de energia do sistema
permaneça inalterada, o corpo que estava à temperatura
mais alta vai arrefecer e o outro vai esquentar. Não houve “transmissão”
de calor. O que aconteceu foi uma homogeneização da energia
total presente no sistema. Um exemplo mais claro: se você tem
uma caixa de 100cm^3 dividida em dois compartimentos de 50cm^3 cada,
e um dos compartimentos está cheio de gás. Se não
houver algo separando os dois compartimentos, o mais provável
(mas não única possibilidade) é que o gás
vá progressivamente ocupando todo o compartimento numa distribuição
quase uniforme, em vez de ficar concentrado apenas de um lado ou em
vez de se comprimir em espaço cada vez menor. Mas é um
fenômeno estatístico, portanto existe a probabilidade (muito
remota) de o gás se contrair, em vez de se expandir. Como o número
de partículas envolvidas geralmente é muito grande, as
chances de que o gás se contraia (ou mesmo de que não
se expanda) é tão pequena que, em nossa suposta caixa
com 100cm^3, provavelmente isso nunca será observado ao longo
da história do universo. Porém, conforme você comentou,
quanto menor for o número de partículas envolvidas e menor
for a mobilidade média dessas partículas, maior será
a chance de que todas elas conspirem para um comportamento oposto ao
que observamos na maioria das vezes.
O grande problema de tratar de limites extremos, como zero Kelvin, é
que começamos a lidar com os conceitos em seus fundamentos mais
íntimos. Não sabemos exatamente o que é temperatura.
Tradicionalmente se considera que a temperatura é o grau de agitação
das partículas, mas não é. A temperatura apenas
está associada diretamente ao grau de agitação
entre as partículas. Se você aumenta o grau de agitação,
a temperatura aumenta aproximadamente na mesma proporção.
Mas se você remover todas as partículas, deixando apenas
espaço vazio, realmente vazio, sem partículas virtuais,
sem bósons de Higgs, sem nada, simplesmente não há
como responder se essa região tem uma temperatura, e caso tenha,
não sabemos como avaliar sua intensidade. Se inserirmos nessa
região uma partícula perfeitamente rígida, ou seja,
cada parte dessa partícula estará em repouso em relação
às outras partes, poderíamos precipitadamente presumir
que ela estará a zero Kelvin. Mas as partes mais externas dessa
partícula serão atraídas pelo centro da partícula,
devido à gravidade. Não importa que a força seja
muitíssimo pequena, o que importa é que haverá
ou uma tendência à deformação. Se houver
tal tendência, isso pode ser interpretado como pressão.
Então as questões são: essa pressão implica
aumento de temperatura? Essa pressão resulta da ação
de grávitons? Em caso afirmativo, esses grávitons estariam
em movimento e isso violaria nossa hipótese inicial de que a
partícula é rígida. Então podemos tentar
remendar e dizer que a partícula é um gráviton
e está em repouso em relação a si mesmo. Mas o
que é um gráviton? O fato dele ter spin=2 implica movimento?
E se ele for puntiforme? Mas ele pode ser puntiforme? Não sabemos.
Suponhamos que seja puntiforme, então ele não poderá
ter massa. Lá estará o gráviton, parado, puntiforme,
sem massa, a zero Kelvin. O que significa tudo isso? Se o gráviton
é um bóson, assim como o fóton, é possível
colocá-lo em repouso? Não há como lidar com esse
tipo de problema. Nem sequer sabemos de que estamos falando, não
sabemos se existem as entidades que estamos invocando para nosso experimento
imaginário.
Note que até aqui apenas discutimos uma situação
hipotética de ausência de movimento, mas isso ainda não
é o mesmo que zero Kelvin. É possível que temperatura
e grau de agitação mantenham uma fortíssima correlação
em fenômenos macroscópicos, mas a curva degringole à
medida que se aproxima de zero Kelvin. E mesmo que a correlação
fosse sempre perfeita, estamos tratando de experiências imaginárias,
com situações altamente idealizadas, impossíveis
de serem reproduzidas empiricamente. Podemos concluir, pela dificuldade
para formular uma situação imaginária em que se
possa chegar a ausência de movimento, que é impossível
atingir empiricamente (e talvez até teoricamente) a temperatura
de zero Kelvin. O melhor que se pode fazer é usar campos magnéticos
para deixar algumas poucas partículas quase em repouso umas em
relação aos outras, construindo pequenos cristais no interior
de aceleradores de partículas. Tenha em conta que uma temperatura
de 0,1K ou 0,0000001K ou mesmo 10^-1000K ainda é infinitamente
mais alta que 0K. Portanto, não pode haver experiência
capaz de produzir um ambiente de zero Kelvin. O melhor que se pode fazer
é ir progressivamente ganhando decimais. No Guinness Book de
1998, o recorde de temperatura mais baixa era de 2,8*10^-10K, obtida
no Laboratório de Baixas Temperaturas da Universidade de Helsíquia
(do nosso amigo Petri Widsten), na Finlândia, em 1993. Um detalhe
importante: o que eles afirmam que foi resfriado a esse ponto é
a região do núcleo de um átomo. Obviamente não
é possível medir essa temperatura por vias diretas, inserindo
um termômetro ou algo parecido. O cálculo é feito
com base numa série de hipóteses, sendo a principal delas
a correlação entre a temperatura e o grau de agitação.
E nesse caso, o grau de agitação é determinado
por meios também indiretos.
Portanto não existe nenhum método que permita chegar a
zero Kelvin.
Um abraço!
Piu
P.S.: Nosso amigo Peter Bentley
trabalha com baixas temperaturas. Se você quiser enviar a pergunta
em inglês, posso repassar a ele e ver se ele tem algo a acrescentar. |
-----Mensagem
original----- De:
Rodrigo Malizia [mailto:ilvangelo@yahoo.com.br]
Enviada
em: domingo, 4 de agosto de 2002 16:34 Para:
Hindemburg Assunto:
Artes Marciais Ola
Melao, tudo bem ?
(o primeiro
parágrafo foi suprimido da mensagem original)
Queria te perguntar
uma coisa: tenho opcao de fazer
como atividade
extracurricular da faculdade nos EUA
uma arte marcial,
sendo que as duas que eles oferecem
sao karate
e ninjitsu. O que voce recomenda ?
Abracos,
Rodrigo
Olá,
Rodrigo!
Tudo bem?
Estou
meio surpreso que hoje em dia Ninjutssu seja ensinado em universidades.
Até pouco tempo atrás, não era ensinado nem sequer
em academias! Faz 8 anos que eu não pratico e não estudo
artes marciais, exceto num rápido período de uns dois
meses, em 1999, que pratiquei Karatê Shotokan, Ballet Clássico
e Jazz. Quando o seu xará Rodrigo de Almeida Rodrigues veio aqui,
eu queria tirar um cigarro da boca dele com um shuriken, mas ele achou
que seria perigoso. Depois ele ainda me ganhou na queda-de-braço.
Estou desatualizado, enferrujado, velho, gordo, fraco e burro... Pelo
menos a produção de testosterona continua boa. ;-)
A
grafia de Ninjitsu pode variar muito, com ou sem hífen, com 1
ou 2 ‘ss’ e com ‘u’ em lugar ‘i’ (Nin-jutssu). É uma arte muito
completa, mas você deve assistir aos treinamentos e escolher com
base na habilidade dos professores, na didática, na sua finalidade:
se quer para preparo físico, para defesa pessoal ou para competição.
Se
você quiser defesa pessoal eficaz, o Ninjitsu é muito bom.
Se quiser competição, tem que ser o Karatê. Se quiser
exercício físico, então vai depender do seu gosto.
O Ninjitsu moderno, pelo que sei, é bem diferente do tradicional.
Durante o feudalismo japonês, o Ninjitsu incluía estudo
de meteorologia (bem rústica, claro), hipnose, Química
(especialmente explosivos e venenos) etc. Era uma arte de espionagem,
inclusive a indumentária do ninja se chamava “Shinobi Shozugui”
(Shinobi = espião, gui=roupa, ‘Shozu’ eu não sei o que
é :-)) ou “Shinobi Shokuzo”. Atualmente o Ninjitsu focaliza principalmente
o combate, atribuindo uma importância bem menor aos outros estudos.
Talvez no Japão o Dai-Sensei Masaaki Hatsumi (se é que
ele ainda está vivo...) ensine algo semelhante ao Ninjitsu tradicional.
Na época que eu gostava muito de artes marciais, cerca de 1981-94,
só se ensinava Ninjitsu (em academia) em 3 países do mundo:
Japão, França e EUA, segundo a revista Kombat Sport. Depois
que os filmes de ninja fizeram sucesso, muitos professores de Qwankidô
(ou Viet-vo-dao) e Hapkidô começaram a ensinar Ninjitsu,
mas somente a parte relativa a combate. Mestres de Wu-Shu também
poderiam (tecnicamente) ensinar Ninjitsu, mas não sei de nenhum
que faça isso. Artes marciais semelhantes entre si, como Judô,
Ju-Jutssu, Go-Shin-Jutssu, Nomi, podem ser todas ensinadas por um mestre
que domine apenas uma delas, basta que ele faça uma breve especialização
de poucos anos, por isso os mestres de Qwankidô (vietnamita) e
Hapkidô (coreano) podem ensinar Ninjitsu depois de apenas aprender
pronúncias e alguns detalhes ao aplicar os golpes. No caso do
Hapkidô, será necessário também complementar
com algo equivalente ao Ju-Jutssu, porque as técnicas de projeção
do Hapkidô, à semelhança do Aikidô, são
executadas à distância, por meio de torções,
sem tanto contato como no Ju-Jutssu, enquanto o Ninjitsu cobre tanto
projeções à distância como corpo-colado.
Também as técnicas de socos e chutes diferem um pouco.
O Hapkidô, embora mais completo que o Taekwondô e o Tangsudô,
envolve maior variedade de chutes altos, com poucos chutes baixos, enquanto
o Ninjitsu inclui muitos chutes altos e baixos. Enfim, o Ninjitsu é
uma das artes marciais mais completas e eficientes.
A
história do Ninjitsu é bastante controversa. Os que defendem
o Ninjitsu dizem que teve origem quando alguns samurai deliberadamente
se afastaram dos feudos, porque se revoltaram com as injustiças
cometidas pelos senhores feudais contra os camponeses, e aliaram-se
aos camponeses, por isso muitas armas do Ninjitsu derivam de instrumentos
agrícolas: Naginatá (alfange), Kama (foice), Nunchaku
(era usado para malhar palha de arroz) etc. (eu não estou mantendo
concordância, porque essas palavras _ samurai, ninja, kunoichi
etc. _ não têm plural). Outras versões dizem que
os ninja eram samurai expulsos de seus feudos, por terem violado o código
de honra (Bushido), e à medida que foram se tornando mais numerosos,
fundaram clãs, que foram crescendo e se dividindo em hierarquias.
Existe um pouco de fanatismo, misticismo e militarismo no Ninjitsu tradicional,
algo relacionado à obediência cega e fidelidade absoluta
aos superiores. Eu não conheço o suficiente para tratar
disso com detalhes. Com relação às origens, talvez
as duas versões extremas sejam duvidosas. Deve haver um meio-termo
que situe os ninja numa condição de ‘pessoa com defeitos
e qualidades’, nem mocinhos super-do-bem, nem bandidos super-do-mal.
Há também versões que dizem que o Ninjitsu veio
do Tibet e deriva do Vajramushti, enriquecido com técnicas nipônicas.
Outros dizem que veio da China e deriva do Wu-Shu. No caso do Xadrez,
atualmente se admite que a origem é incerta, sendo o Egito, a
Índia e a China os candidatos mais prováveis a ‘berço
do Xadrez’. Suponho que no caso do Ninjitsu a dúvida seja semelhante,
diferindo apenas nos hipotéticos locais de origem. Também
é preciso tomar alguns cuidados para não misturar lendas
à história. No caso do Xadrez, isso é bem claramente
separado, mas nas artes marciais parece não haver uma interface
definida entre mito e realidade.
Quanto
ao Karatê, é bem mais conhecido. Deriva do Naha-tê
e do Tode, ambos de Okinawa. Eu não tenho certeza, mas acho que
o Karatê é esporte olímpico (o Judô é
com certeza absoluta). Existem muitos estilos de Karatê, e embora
as técnicas sejam muito semelhantes, as regras variam muito.
O estilo mais eficiente (para combate real) é Shorinji-Kempô.
Quase todos os outros estilos (Shotokan, Wado-Kai, Shito-Ryu, Goju-Ryu
etc.) não permitem soco no rosto (à semelhança
do Taekondô), projeções, chutes nas pernas, cotoveladas
etc. e os golpes não podem ser concluídos com intensidade,
devem apenas parar perto do alvo ou tocar de leve no alvo para marcar
ponto. O estilo Kiyokushin-Kai-Kan-Oyama permite golpear com força
e atingir o alvo com potência máxima, exceto soco no rosto,
golpes nas articulações, cotoveladas (eu já não
me recordo claramente de algumas regras. Talvez sejam permitidas cotovelas).
No Kiyokushin-Kai-Kan-Oyama a vitória pode ser por pontos ou
por nocaute. Nos outros estilos, se você nocautear seu adversário,
é capaz de você perder por ter batido muito forte. :-)
Espero
que você faça uma boa escolha. :-) Aqui entre nós,
se eu estivesse em seu lugar, e se tivesse como opção
Ballet ou Aeróbica, eu acho que uma dessas seria minha preferência.
Não creio que haja muitas mulheres no Karatê ou no Ninjitsu.
Acho que Aeróbica é a melhor opção, porque
as do Ballet costumam ser muito magras.
Um
abraço.
Piu |
-----Mensagem
original----- De:
joao silva [mailto:ac_silvat@yahoo.com.br] Enviada
em: segunda-feira, 5 de agosto de 2002 12:53 Para:
sigma@ sigmasociety.com Assunto:
sua inteligencia oi!
achei o site mto
interessante e quero fazer algumas perguntas, na verdade algumas curiosidades...qual
sua ocupaçao?....caso nao seja, voce ja pensou em ser professor?...claro
q a falta de consideraçao para com os professores é enorme,
mas acho que o que falta mais, sao pessoas inteligentes, capazes de
saber liderar alunos e principalmente despertar uma vontade nos alunos
para se dedicarem aos estudos...nao sei qual sua formacao, mas com certeza
que seria muito compensador...quantos professores despreparados encontramos
por aí.......e isso nao passa de uma prejuizo que enfrentaremos
a longo prazo, com as consequencias de uma educacao precaria......
sobre inteligencia,
veja se esou correto......vi no site algumas informacoes sobre qi......consta
que certas profissoes se tem um dado qi.....entao determinada faculdade
pode ajudar, ou influenciar, p.ex, a desenvolver a inteligencia?ao menos
imagino que realmente conseguir um doutorado em fisica ou matematica
alguma vantagem nos neuronios devemos conseguir...ou nao...heheh?!as
areas exatas relamente podem nos ajudar?e se assim for, entao alguem
que comece por exemplo um curso universitario acima dos 30 anos e apos
10 anos consegue um doutorado, será que nao vai mostrar um bom
desempenho num teste de qi?
outra.....sua capacidade
para responder as perguntas sao extraordinarias......voce dedica isso
apenas ao raciocinio ou tambem possui um forte habito para leitura que
o acaba ajudando?
aguardo respostau
um abraço
para vc Hindemburg
Olá,
João.
Tudo bem?
achei o site mto interessante
e quero fazer algumas perguntas, na verdade algumas curiosidades...qual
sua ocupaçao?....caso nao seja, voce ja pensou em ser professor?...claro
q a falta de consideraçao para com os professores é enorme,
mas acho que o que falta mais, sao pessoas inteligentes, capazes de
saber liderar alunos e principalmente despertar uma vontade nos alunos
para se dedicarem aos estudos...nao sei qual sua formacao, mas com certeza
que seria muito compensador...quantos professores despreparados encontramos
por aí.......e isso nao passa de uma prejuizo que enfrentaremos
a longo prazo, com as consequencias de uma educacao precaria......
==========================
Nietzsche
dizia que preferia ser professor a ser Deus. No contexto, ele queria
dizer que ser professor era a penúltima coisa que ele desejaria
ser. No meu caso, não tenho nada contra ser professor, e embora
estejamos muito aquém de sermos deuses, acho que se o conceito
de Deus for um Ser Onisciente, Onipresente e Justo, é um ideal
que todos deveríamos tentar alcançar.
Agradeço
pelos comentários amáveis.
==========================
sobre inteligencia,
veja se esou correto......vi no site algumas informacoes sobre qi......consta
que certas profissoes se tem um dado qi.....
==========================
Você
viu que a média do QI em determinadas profissões varia.
==========================
entao determinada faculdade
pode ajudar, ou influenciar, p.ex, a desenvolver a inteligencia?
==========================
Pessoas
com determinadas aptidões tendem a preferir determinadas carreiras.
E determinadas carreiras tendem a estimular o desenvolvimento de certas
aptidões.
==========================
ao menos imagino
que realmente conseguir um doutorado em fisica ou matematica alguma
vantagem nos neuronios devemos conseguir...ou nao...heheh?!
==========================
Se você
jogar tênis e for destro, seu braço direito vai ficar mais
musculoso que o esquerdo, mesmo fazendo exercícios com o esquerdo
para atenuar o efeito. Mas o cérebro não incha com a prática
de exercícios mentais, nem aumenta a quantidade de neurônios.
Mas as sinapses, estas podem se multiplicar e se robustecer, dependendo
dos seus hábitos. Eu não sei nada sobre Neurologia (material).
Eu conheço um pouco sobre a mente (imaterial). Do ponto de vista
mental, toda informação que você adquire contribui
para melhorar seu desempenho, desde que você seja crítico
na hora de usar esse conhecimento.
==========================
as areas exatas
relamente podem nos ajudar?
==========================
Isso depende
do seu objetivo. Se quiser conquistar a Britney Speers, provavelmente
não vai lhe ajudar muito e ainda pode atrapalhar ;-). Se quiser
descobrir uma cura para AIDS, talvez ajude um pouco. Se quiser atingir
o Nirvana, talvez ajude muito.
==========================
e se assim
for, entao alguem que comece por exemplo um curso universitario acima
dos 30 anos e apos 10 anos consegue um doutorado, será que nao
vai mostrar um bom desempenho num teste de qi?
==========================
Os cérebros
não são iguais, as mentes não são iguais,
os hábitos não são iguais. Esse “alguém”
que você diz é muito genérico. Precisa ser mais
específico, porque 50% dos “alguéns” têm QI abaixo
da média e passam a vida marginalizados, trabalhando em atividades
operacionais. Uns 3% apresentam deficiências mentais e não
conseguem aprender muito mais do que ler e escrever. Uns 5% têm
inteligência elevada e arrogância dez vezes mais elevada
e alguns podem ter, digamos, 50% de chances de aprovação
numa boa universidade, dos quais uns 50% terminam o curso e 50% fazem
doutorado. Isso representa uns 0,5% de uma população não
seleta, ou seja, pessoas com doutorado nas áreas de Exatas terão
QI médio na faixa de 140. Os vários “50%” que citei foram
meio chutados, mas não estão muito errados.
A pessoa
que vai mais longe na carreira acadêmica, geralmente é
porque está encontrando desafios num nível em que consegue
superar. Se os desafios forem mais difíceis do que podem superar,
tendem a abandonar o curso. Se não houver desafios, também
tendem a abandonar o curso.
Uma pessoa
não pode aumentar sua capacidade física nem mental, mas
pode explorar ao máximo a capacidade latente que possui, com
exercícios físicos ou mentais.
==========================
outra.....sua capacidade para
responder as perguntas sao extraordinarias......
==========================
Obrigado.
Você é muito gentil. :-)
==========================
voce dedica
isso apenas ao raciocinio ou tambem possui um forte habito para leitura
que o acaba ajudando?
==========================
Eu sou
muito lento pra ler. Talvez eu tenha uma dislexia branda. Além
de ser lento (e talvez justamente por ser lento) eu não gosto
de ler. Mas a leitura é necessária, então acabo
lendo um pouco. Nos últimos meses eu não li nenhum livro
inteiro. Em 1992 eu lia uns 2 ou 3 por quinzena, geralmente sobre Física
de Partículas ou Cosmologia. Eu passava várias horas por
dia lendo e outras tantas escrevendo. Atualmente eu escrevo umas 30
a 100 vezes mais do que leio. Só leio para dormir, normalmente
não chego a terminar de ler uma página inteira, então
no dia seguinte volto a ler a mesma página, e assim quase não
saio do lugar, como o caracol que sobe no poste 10cm durante o dia e
cai 9cm durante a noite.
Um abraço.
Piu |
-----Mensagem
original-----
De: José
Antonio Francisco [mailto:tonioito@uol.com.br]
Enviada em:
domingo, 4 de agosto de 2002 23:28
Para: melao@sigmasociety.com
Assunto: Oráculo
Prezado Hindemburg,
Sempre me interessou
muito a questão da antimatéria. Não tenho muito
conhecimento a respeito do assunto, mas, certa vez, me ocorreu uma idéia,
a partir da atração e repulsão entre partículas
e antipartículas. A questão é: seria possível
admitir que corpos formados por antimatéria poderiam exercer
força gravitacional de repulsão a corpos formados por
matéria. Já que, em nível "microscópico",
cargas iguais se repelem e diferentes se repelem, não poderia
acontecer algo parecido em nível "macroscópico" (matéria
atrai matéria, antimatéria atrai antimatéria, matéria
repele antimatéria)?
Um abraço.
Zé Antonio.
Prezado
Zé Antonio,
Tudo bem?
Eu sempre gosto de contar historinha antes de responder, mas a que eu
gostaria de ilustrar esse caso é repetida. Aliás, acho
que já repeti mais de uma vez, porque é uma analogia boa,
em minha opinião. Espero que quem já leu outros textos
meus não se aborreça com a reprise, e espero mudar um
pouco o enredo para tornar a história menos maçante. Ou
melhor, antes de contar a história, vamos falar sobre salsichas.
Eu não sei exatamente como são feitas, mas eu suponho
que a pessoa amarra uma extremidade, depois vai enfiando carne até
encher. Por fim, amarra a outra extremidade. Se ficar meio flácida
ou disforme, então pode-se abrir e colocar mais carne, repetindo
o processo quantas vezes forem necessárias, até que o
resultado final atenda ao perfeccionismo do salsicheiro. Agora vamos
ver um exemplo semelhante: Os antigos gregos viam o Sol nascer no Leste,
atravessar o céu e se pôr no Oeste. As estrelas também
pareciam girar de Leste para Oeste, porém com período
um pouco diferente. Enquanto o Sol completava, em média, uma
volta a cada 24 horas, as estrelas levavam 23h56m04s. A lua e os planetas
também tinham seus próprios ciclos, todos com aproximadamente
24h. A maneira mais simples de explicar isso era imaginando que a Terra
é o centro em torno do qual giravam esferas cristalinas, e as
estrelas estavam numa dessas esferas, o Sol em outra, a Lua em outra
e cada planeta em uma esfera. O modelo era bom e interessante, e como
foi formulado a partir de dados experimentais, naturalmente permitia
fazer algumas previsões com pequena margem de erro. Com o desenvolvimento
da Astronomia, os observadores perceberam que a salsicha estava flácida
e precisa de um ajuste, porque as trajetórias dos planetas em
relação ao fundo de estrelas não eram regulares
como as do Sol ou da Lua. Em vez disso, os planetas davam laçadas
(movimento retrógrado). Foram criados, então, os epiciclos,
que eram pequenas esferas na superfície das grandes esferas.
Imagine que as esferas se interpenetravam (os modelos matemáticos
sempre exigem que acreditemos em alguns absurdos). Os planetas estavam
nas superfícies dessas pequenas esferas, não das grandes,
portando eles tinham um movimento composto, que resultava nas laçadas
observadas. Conforme a precisão das medidas foi melhorando, a
salsicha foi aberta outras vezes, a fim de inserir mais carne e acabar
com a flacidez. Com o passar dos anos, foram criados mais epiciclos
e deferentes. O modelo ficou excelente, capaz de satisfazer aos salsicheiros
mais exigentes, pois permitia fazer previsões com grande exatidão,
desde que não fossem previsões para períodos muito
longos (séculos, por exemplo). Hoje em dia, a MQ permite calcular
algumas “constantes” com 10 ou 15 algarismos significativos, e os resultados
correspondem quase exatamente às medidas diretas, mas alguns
cálculos apresentam erro logo na terceira decimal, e outros,
como a massa dos quarks, têm erro tão grande quanto a própria
grandeza medida, tudo muito semelhante ao modelo geocêntrico.
Mas voltemos aos gregos. Os eclipses do Sol e da Lua podiam ser previstos
até milênios à frente, mesmo antes da Astronomia
grega, por outro lado, as posições dos planetas eram incertas.
Isso não constituía grande problema, porque, afinal, o
nome planeta significa “errante”, e era natural que não tivessem
comportamento previsível. Assim, um modelo matemático
representava muito bem o universo e permitia fazer cálculos precisos.
Obviamente, um modelo com tantas virtudes só podia ser o modelo
certo, por isso foi transformado em dogma. :-) Eu já não
me recordo dos modelos alternativos, mas alguém (Filolau?) chegou
a propor um modelo em que havia um fogo central em torno do qual girava
o Sol, a Terra e tudo o mais, outrem propôs um modelo com Sol
girando em torno da Terra e os planetas girando em torno do Sol, e outros
propuseram modelos mais exóticos. Aristarco, por volta do século
IIIa.C., sugeriu o primeiro modelo heliocêntrico de que se tem
registro. Pela observação da curvatura da sombra da Terra
projetada na Lua durante alguns eclipses parciais (já se sabia
que a Lua refletia luz do Sol), ele calculou o tamanho relativo entre
a Terra e a Lua, e com base no ângulo formado entre a Lua e o
Sol durante os quartos crescente e minguante (se o Sol estivesse a uma
distância infinita, o ângulo sempre seria reto nessas fases),
calculou também o tamanho relativo do Sol (o tamanho aparente
é conhecido, portanto, ao calcular a distância ele determinou
o tamanho real). Os valores que encontrou foram (tomando a Terra por
unidade): 0,3 para a Lua e 7 para o Sol. E concluiu: se o Sol era 7
vezes maior que a Terra, seria mais natural que a Terra girasse em torno
dele, não o contrário. Um argumento muito ruim, em comparação
às idéias de Aristóteles em favor da Terra estática.
Por isso ninguém o levou a sério. Antes de prosseguir,
convém esclarecer que os cálculos de Aristarco para o
tamanho da Lua foram razoáveis, porque o método permitia
uma boa precisão, mas no caso da distância (e conseqüentemente
o tamanho) do Sol, o ângulo a ser medido era muito pequeno, e
ele também não tinha conhecimento sobre as distorções
causadas pela refração atmosférica. Os tamanhos
relativos corretos seriam 0,27 para a Lua e 109 para o Sol.
O modelo geocêntrico vigorou durante toda a Idade Média
e início do Renascimento. No século XVI, Copérnico
tomou conhecimento sobre as idéias de Aristarco e constatou que
a posição dos astros podia ser determinada com maior precisão
e por períodos mais longos se o Sol estivesse no centro do sistema,
e escreveu um tratado sobre o assunto. Ele ainda usava epiciclos, mesmo
assim, a reabilitação das idéias de Aristarco foi
um avanço muito importante. Ele apresentou o modelo como uma
fórmula matemática para calcular as posições
dos planetas, sem a pretensão de que a aquele modelo fosse representativo
da realidade. A repressão sempre é ruim, mas se houvesse
Inquisição hoje em dia, provavelmente os físicos
tomariam mais cuidado antes de propor um modelo descaradamente inconsistente,
e sugerir que tal modelo seja representativo de todo o universo ou da
natureza íntima da matéria.
Bruno (num âmbito mais filosófico que científico),
Kepler e Galileu se impressionaram muito com o trabalho de Copérnico
e julgaram que não se tratava apenas de um modelo. Julgaram ser
mais provável que o sistema de Copérnico fosse uma representação
da realidade do que o modelo imposto pela Igreja. Naquela época
se acreditava que absolutamente tudo girava em torno da Terra, e quando
Galileu observou, em sua luneta, 4 pequenos objetos girando em torno
de Júpiter, foi a primeira prova de que pelo menos uma parte
do antigo modelo estava incorreta. Kepler, por sua vez, usou os dados
cuidadosamente coletados ao longo de várias décadas por
Tycho Brahe, e constatou que o modelo de Copérnico era melhor
que o antigo, mas também não servia muito bem. Ele rasgou
a salsicha. Substituiu o modelo com mais de 50 circunferências
encaixadas num complexo padrão de engrenagens, por apenas 7 órbitas
elípticas. Tycho teria ficado furioso se visse isso, porque durante
décadas ele trabalhou com a intenção de salvar
o antigo modelo geocêntrico, e seu aluno usou suas preciosas informações
justamente para demolir o antigo modelo e dar um grande passo na direção
da Verdade. Por fim, chegou nosso amigo Newton e mostrou quem é
que manda. :-) Mas Newton morreu, e daí para a frente o pessoal
voltou a fazer salsichas. O que se pensa saber hoje sobre matéria
e anti-matéria é o típico modelo salsicha. Inventaram
uma explicação simplista, depois foram remendando para
salvar as aparências e garantir um método eficiente do
ponto de vista operacional. Feita essa importante ressalva, vamos à
questão da anti-matéria:
O que diferencia a matéria da anti-matéria são
as cargas e algumas propriedades definidas por quarks (cores e sabores)
e por léptons. Os quarks determinam os números quânticos
bariônico, os sabores (estranheza, charme, beleza etc.) e as três
cores primárias, que nada têm a ver com as cores tal como
as conhecemos (o termo ‘cor’ poderia ser substituído por _ vou
inventar umas palavras _ ‘gênero quárkico’ ou ‘quarkonidade’,
e o mesmo se aplica aos “sabores”). Outras propriedades são iguais
em matéria e anti-matéria. A massa e a meia-vida, por
exemplo, são iguais em partículas e anti-partículas.
O pósitron (anti-elétron) tem massa igual à do
elétron, mas sua carga é positiva e seu número
leptônico é oposto ao do elétron. O nêutron
não tem carga, mas é constituído por dois quarks
down (carga -1/3) e um quark up (carga +2/3) enquanto um anti-nêutron
também tem carga zero, porém é constituído
por dois anti-quarks down (carga +1/3) e um anti-quark up (carga -2/3).
Cada anti-partícula tem mesma massa que a partícula correspondente,
tem sinal de carga contrário, número leptônico contrário,
número bariônico contrário, estranheza contrária
etc.
Quando matéria e anti-matéria se tocam, as massas são
convertidas em energia, por isso onde há predominância
de matéria, como no Sistema Solar, dificilmente serão
encontrados blocos grandes de anti-matéria, porque a qualquer
contato ela vai se anular com uma quantidade equivalente de matéria
e ambas vão se transformar em energia. Isso é um problema
para a teoria dos quarks, bem semelhante ao antigo problema do núcleo
do átomo. Depois do modelo de gelatina de Thomson, Rutherford
propôs o modelo com cargas positivas no centro e negativas orbitando
ao redor, mas como as cargas positivas se repelem, inventaram os nêutrons
e a força nuclear forte, para compensar a repulsão colombiana
e manter os prótons unidos no núcleo. :-) No caso de matéria
e anti-matéria, o problema é que há basicamente
três tipos de partículas: os léptons, que são
fundamentais, ou seja, não são constituídos por
nada menor. Os bárions (que incluem prótons, nêutrons,
híperons), que são formados por 3 quarks. E os mésons,
que são formados por um quark e um anti-quark. Mas como um quark
e um anti-quark podem coexistir numa proximidade de 10^-30m? Logo alguém
vai inventar algo equivalente ao nêutron para remendar o problema.
Por falar em mésons, o “méson mu” ou “méson mi”
ou ainda “múon” é um lépton, não um méson,
um detalhe da nomenclatura que os físicos não acharam
importante corrigir, e com razão, porque o modelo tem muitos
problemas lógicos que devem ter prioridade.
Sua hipótese de anti-gravidade é interessante e válida,
não entra em contradição com a experiência
nem com o modelo teórico, porque embora as anti-partículas
tenham massa “normal”, por assim dizer, isso não significa que
essa massa (supostamente “normal”) vai ter gravidade necessariamente
atrativa. É possível que a massa das anti-partículas
exerça repulsão, em vez de atração. Mas
a intensidade dessa força não seria suficiente para produzir
fenômenos sensíveis em corpos pequenos (a intensidade é
cerca de 10^40 vezes menor que a da força eletromagnética),
e como a anti-matéria não pode ser encontrada em blocos
grandes (pelo menos não se conhece em parte alguma), seria difícil
verificar experimentalmente essa hipótese. Talvez quasares sejam
colisões de matéria e anti-matéria, mas é
só uma especulação. A tal matéria escura
que tem sido manchete ultimamente, dificilmente poderia ser considerada
anti-matéria, porque ela parece estar espalhada por toda a parte,
e se fosse anti-matéria (se tivesse o comportamento do que chamamos
“anti-matéria) ela aniquilaria a matéria em volta e se
auto-aniquilaria junto. Então não vejo uma maneira de
investigar se a idéia é correta. É importante ter
em mente que o prefixo “anti”, quando usado no caso de anti-matéria,
não tem propriamente o significado que atribuímos a ele.
Por exemplo: a anti-água seria idêntica à água,
desde que todos nós fôssemos feitos de anti-matéria.
Se não fôssemos de anti-matéria, a anti-água
continuaria sendo percebida como idêntica à água,
exceto pelo detalhe que não poderíamos chegar muito perto
dela. :-) Em vez de “matéria” e “anti-matéria”, seriam
mais apropriadas as expressões “matéria do tipo A” e “matéria
do tipo B”.
Um abraço!
Piu
|
-----Mensagem
original----- De:
rrdyow [mailto:rrdyow@bol.com.br] Enviada
em: quinta-feira, 1 de agosto de 2002 14:32 Para:
melao@sigmasociety.com Assunto:
spin ola
!
meu nome é
rafael tenho 18 anos , tenho uma duvida que
persiste a
muito tempo . na escola aprendemos que o ponto
central de
uma roda quando em movimento , nao tem
rotacao , mas
apenas o movimento de translacao . mas
tambem aprendemos
que os eletrons sao pontos '
"infinitamente"
pequenos e que fazem um movimento de
rotacao . isso
me parece uma contradicao , nao é ?
nao sei se
visitantes podem mandar perguntas , mas em
todo caso agradeco
.
Olá,
Rafael.
Tudo bem?
Em primeiro lugar, vamos discutir os conceitos de “rotação”,
“translação” e “ponto”.
Depois de definir um referencial estático, quando um corpo está
animado por um movimento (em relação ao referencial estático)
que o leva a circunvoluir em torno de um eixo que o atravessa, podemos
dizer que ele está em rotação. Se o corpo está
girando em torno de um eixo que não o atravessa, isso pode ser
uma translação. Um ponto é um ser adimensional,
ou seja, tem medida 0 em qualquer direção considerada.
Tanto um movimento de rotação quanto um de translação
envolvem ‘deslocamento’. Um ponto pode girar em torno de algo, mas não
faz sentido dizer que gira em torno de si mesmo. Se ele gira em torno
de algo, obviamente ele não pode ao mesmo tempo ser o centro
do giro, portanto o ponto central de uma roda não pode ter rotação
nem translação. Uma outra maneira de concluir isso é
considerando que as partes mais externas da roda possuem velocidade
maior que as partes mais internas. À medida que os pontos estiverem
mais próximos do centro, a velocidade se torna menor, até
que ao chegar no centro, vai a zero. Estamos falando de velocidade em
unidades de espaço por unidade de tempo, mas se estivéssemos
tratando de unidades de ângulo por unidade de tempo, a velocidade
seria sempre a mesma, e nesse sentido teríamos uma situação
degenerada no ponto central, porque um ângulo é definido
por duas linhas, mas cada linha tem 1 dimensão, portanto você
precisa de um espaço com pelo menos 2 dimensões para traçar
um ângulo. Como um ponto tem 0 dimensões, ele não
pode ter velocidade angular.
Agora vamos tratar da questão das partículas. Vamos supor
que possa existir uma partícula puntiforme. Nesse caso, se essa
partícula tiver massa de repouso, ela necessariamente vai gerar
um horizonte de eventos de raio ‘r’, sendo r>0, portanto, se ela tem
raio=0, vai estar “dentro” do horizonte de eventos, mais precisamente
ela será uma singularidade. Seria melhor não tentar "adivinhar"
o que acontece nesse caso, porque vamos estar apenas especulando (não
se sabe o que acontece numa singularidade), mas só para não
deixar em branco, vamos supor que as idéias de Hawking-Penrose
sobre evaporação de buracos-negros sejam corretas, ou
pelo menos vamos supor que acontece algo semelhante ao que eles propõem
(eles não tratam de singularidades, mas de ergosferas). Então
um buraco-negro tende a se evaporar tanto mais rapidamente quanto menor
for sua massa. No caso de um buraco-negro com massa de Planck (10^-5g),
ele se evaporaria no tempo de Planck (5,39*10^-44s). No caso de um buraco-negro
com a massa de um elétron, deveria se evaporar em 10^-118s, mas,
em vez disso, sabemos que o elétron tem meia-vida maior que 10^31
anos (talvez seja estável). Então algo está errado.
Ou o elétron é uma esferinha (em vez de ser um ponto),
ou a idéia de radiação de buracos-negros e partículas
virtuais está errada, que implicaria também uma falha
na teoria do Princípio da Incerteza, e envolveria toda uma propagação
de falhas, desmantelando a Mecânica Quântica. Nada disso
tem muita importância, porque não podemos observar diretamente
nada no mundo quântico, e as interpretações sobre
os resultados das experiências podem variar segundo o gosto do
pesquisador. Se o universo for formado por supercordas, em vez de partículas,
não haverá lugar para o conceito de spin ou de elétron.
Um elétron é uma idéia, apenas uma idéia,
assim como as outras partículas, e o spin é uma propriedade
atribuída às partículas. Não sabemos se
existe o ente fantástico, com número leptônico 1,
bariônico 0, massa 511MeV, carga 1,6*10^-19C etc., que chamamos
“elétron”. Não temos nenhuma evidência de que existam
elétrons. Temos evidência de que existem cargas elétricas
e existem “coisas” que deixam rastros quando atravessam câmaras
de Wilson, e com base nesses rastros, podemos supor que se tais rastros
são produzidos por partículas, essas partículas
podem ter determinadas propriedades. Em aceleradores de “cargas”, que
chamamos “aceleradores de partículas”, os físicos pensam
estar produzindo colisões entre partículas, e a partir
dos resultados dessas colisões, inferimos mais propriedades para
essas partículas. Experiências diferentes permitem identificar
outras possíveis propriedades para as tais partículas,
mas devido à impossibilidade de observação direta,
não sabemos sequer se existe aquilo que estamos habituados a
chamar de elétron, e não sabemos se, quando ele se comporta
como partícula, se é puntiforme. Mas se for puntiforme,
muita coisa precisa ser reformulada.
Vale lembrar que quando você vê uma imagem produzida por
um microscópio de tunelamento, aquela imagem não é
gerada por luz, porque nada menor que 360 nanômetros pode ser
observado em luz visível. No caso de um microscópio eletrônico,
você está enxergando um feixe de elétrons, no caso
de um microscópio de tunelamento, você está vendo
os efeitos gerados por campos eletromagnéticos. Se você
olha para um átomo de benzeno, o que você está vendo
não é sólido. Embora você enxergue como quase
100% sólido, é quase totalmente espaço vazio (cerca
de 99,999999999% a 99,9999999999999% de espaço vazio, dependendo
da substância). Isso porque as informações sobre
o campo gerado foram transformadas em uma imagem. Isso é uma
hipótese, a famosa hipótese ou teoria atômica, atualmente
tão amplamente aceita, que já é confundida com
a própria realidade. Mas o menor que podemos enxergar diretamente
são objetos com 360 nanômetros. Acreditamos que os menores
objetos vistos com telescópios eletrônicos sejam “reais”,
como as estruturas internas das organelas das células, por exemplo.
Mas quando chegamos ao tamanho do átomo, atingimos a fronteira
atual do observável por meios diretos. Não há como
saber se existe uma partícula chamada elétron ou se existe
uma superstring que explica os mesmos fenômenos para os quais
normalmente invocamos a existência de elétrons, simplesmente
porque não há como observar objetos tão pequenos.
E mesmo que pudéssemos observá-los, teríamos incertezas
(mas seriam incertezas menores).
Vejamos um exemplo: Antes das primeiras sondas interplanetárias
serem lançadas, muitos pesquisadores extrapolavam os limites
do que podiam enxergar para formular teorias fantásticas. No
caso de Vênus, antes da espectrometria, alguns pensaram que suas
nuvens fossem de água, que sua superfície fosse um gigantesco
pântano habitado talvez por répteis gigantes, que sua temperatura
superficial fosse de uns 25 a 45 graus Celsius. No caso de Marte, os
pesquisadores julgavam estar enxergando imensos aquedutos construídos
por uma civilização muito avançada, que derretia
a água dos pólos e a distribuía por todo o planeta.
Chegaram a ser desenhados mapas cuidadosos desses canais, por Lowell,
Schiaparelli e outros. Quando Galileu apontou sua luneta para Saturno,
seu instrumento era demasiado rudimentar para discernir os anéis,
de modo que estes se apresentavam como protuberâncias, dando ao
planeta o aspecto de um charuto com comprimento 4 ou 5 vezes maior que
a largura (ou diâmetro). A cada 14,73 anos, o plano dos anéis
se alinha com o plano orbital da Terra, o que os torna invisíveis
durante algum tempo. Para um observador situado na Terra, à medida
que o ângulo entre os planos vai diminuindo, a impressão
é de que os anéis vão sumindo, até que reste
só o disco do planeta. Quando Galileu observou esse fenômeno,
ficou muito impressionado, e como na mitologia o deus Cronos (Saturno
para os romanos) havia devorado seus filhos, Galileu chegou a pensar
nessa possibilidade e fez alguns comentários a respeito. Talvez
tenha até desconfiado da fidelidade das imagens produzidas pelo
telescópio e repensado sobre os comentários dos eclesiásticos,
que diziam que os satélites de Júpiter eram ilusões
criadas pelo instrumento.
Hoje achamos graça de teorias sobre dinossauros em Vênus,
porque sabemos que as nuvens são predominantemente de enxofre
e ácido sulfúrico, e a superfície é um deserto
escaldante de 450 graus Celsius. Sabemos que os canais de Marte não
existem e conhecemos a explicação para os “filhos” de
Saturno que desapareciam. Mas não sabemos o que é um elétron,
nem mesmo sabemos se tal coisa existe, então ficamos mistificando
e forjando teorias fantásticas para explicar a Natureza, com
objetos que ora são onda, ora partícula (dualidade), que
podem estar em dois lugares ao mesmo tempo (difração),
que podem ter velocidade infinita (EPRB) e ao mesmo tempo acreditamos
na existência de um limite de velocidade (c), acreditamos que
algumas partículas podem ser puntiformes e ao mesmo tempo terem
massa (léptons), que podem ter um giro que não é
propriamente um giro (spin e isospin), e do mesmo modo que Aristóteles
estabelecia distinção entre as leis que regiam os fenômenos
sub-lunares e extra-lunares, hoje se estabelece distinção
entre as leis do mundo subatômico e do mundo macroscópico.
O fato é que existe nosso universo tangível, no qual podemos
realizar experimentos objetivos que produzem resultados diretamente
observáveis. E existe o universo idealizado pelos físicos
teóricos, com leis que eles inventaram (não foram leis
“descobertas”), com partículas que eles inventaram (também
não foram partículas descobertas) e uma série de
propriedades que eles inventaram para explicar os resultados empíricos
que eles supõem que sejam indicadores do comportamento das partículas.
Os físicos teóricos deveriam ter algum respeito pela Lógica,
e respeito por eles mesmos, e tentar formular teorias que não
exigissem que as pessoas engolissem tantos absurdos. Por outro lado,
precisamos ter em mente que nosso universo em escala humana, tal como
o sentimos, não precisa ser mais fidedigno do que o universo
subatômico, e as Teorias da MQ talvez sejam a verdade mais íntima
sobre a Natureza, enquanto nossa realidade macroscópica não
passa de uma ordem ilusória resultante do comportamento estatístico
dos objetos e leis exóticas que regem o mundo subatômico.
Claro que eu prefiro acreditar que nosso universo macroscópico
é real, enquanto as idéias sobre MQ são fantasia,
mas não podemos descartar completamente as hipóteses da
MQ apenas porque elas nos dizem coisas diferentes do que nossos sentidos
nos sugerem, porque nossos sentidos também são limitados
e sujeitos a produzir ilusões. Nossos olhos, por exemplo, nos
proporcionam uma falsa idéia de tridimensionalidade a partir
de uma imagem bidimensional recebida pela retina. Conhecendo as falácias
usadas nessa interpretação “impossível”, podemos
facilmente enganar nosso cérebro com estereogramas. Experimente
desenhar (ou imprimir) 7 círculos escuros numa folha de papel,
todos iguais, alinhados horizontalmente, espaçados por cerca
de 1cm. Depois faça um “x” 6cm abaixo do círculo central.
Então feche os olhos e coloque a folha perto do rosto, de modo
que o “x” fique encostado na ponta do seu nariz. Então abra os
olhos e conte quantos círculos você vê. Há
muitas maneiras de enganar nosso cérebro, a partir das falácias
que nossos sentidos usam para representar a realidade. Nossos sentidos
servem apenas para representar a maioria (não todos) dos fenômenos
que acontecem na Terra com uma quantidade de informações
maior do que a que poderíamos dispor licitamente, ou seja, nossos
sentidos inventam informações para completar o que está
inacessível, e nesse processo, podemos acertar em mais de 99,99%
ao interpretar os casos de fenômenos que ocorrem naturalmente,
mas podemos ser enganados em situações cuidadosamente
construídas para esse fim. O fato de acertarmos em mais de 99,99%
das interpretações dos fenômenos que ocorrem em
escala humana e na superfície da Terra, não significa
que os acertos sejam igualmente bons em escalas de outras ordens de
grandeza ou em condições diferentes das presentes na superfície
da Terra. Por isso nossos sentidos podem nos induzir a erros e não
há como ter certeza sobre nada. Contudo, as incertezas são
ainda maiores quando além das limitações impostas
pelos sentidos, as experiências são indiretas, de modo
a somar nossas falhas na interpretação a outras falhas
nas teorias, nos instrumentos, nas causas imprevistas. Quando se fala
em spin do elétron, não é muito diferente de falar
que o Cavalo comeu a Torre no Xadrez. O spin não é propriamente
um giro e o elétron não se sabe se é uma esferinha
ou um ponto, nem sequer se sabe se ele existe de fato. O spin tem a
ver com momento angular, mas não no sentido em que estamos habituados.
As regras inventadas para a MQ são tão arbitrárias
quanto as de um jogo, com a diferença que as regras de um jogo
não são contrastadas com resultados experimentais, por
isso podem manter coerência interna. Porém, as regras da
MQ, à medida que são comparadas ao que de fato acontece
na Natureza, e ao verificar que surgem contradições, as
regras vão sendo mudadas. Isso acaba fazendo com que algumas
regras entrem em conflito com outras, sugerindo que muita coisa esteja
errada. No século XVII a quantidade de informações
disponíveis era muito menor que hoje, então podia surgir
um Newton e colocar ordem na casa. Mas hoje em dia isso é quase
impossível. Então a casa vai virando uma bagunça
cada vez maior. A Teoria das Supercordas é uma tentativa interessante
de resolver os problemas lógicos sem usar remendões, mas
ainda precisa amadurecer e ser usada para fazer algumas previsões
ou explicar alguns fenômenos que não sejam previstos ou
explicados pela MQ.
Um abraço!
Piu |
Questão
postada em “Sabesabe”, seção de Astronomia.
De: aew1
Categoria: Astronomia
Assunto: Marte
Pergunta: 1-Por que o céu
de Marte é vermelho?
2-Por que a Nasa se enrola tanto
para ir à Marte, sendo que foi à lua de uma hora pra outra?
3-Como é as "Tempestades de
areia" que surgem no planeta? como surgem? como terminam? como funcionam?
É aquilo que mostra um filme (não lembro o nome) que duas
ou três pessoas são pegas por uma tempestade de areia e
elas giram tanto que se despedaçam. O que aconteceria com o corpo
de um ser humano em uma tempestade dessas? resumindo: TUDO sobre estas
tempestades.
Olá.
Tudo bem?
No caso da Terra, o céu é azul devido ao efeito Rayleigh.
A luz das estrelas, como o sol, não é monocromática,
mas cobre todo o espectro visível e também irradia em
ultra-violeta, infra-vermelho e vários outros comprimentos de
onda que o olho humano não pode perceber. Por isso é que
se você fizer a luz atravessar um prisma, poderá enxergar
todas as cores do arco-íris. Isso não acontece se você
usar aquelas canetas laser, porque é uma luz monocromática,
ou seja, o comprimento de onda daquela luz se situa num intervalo muito
estreito. O arco-íris é como um grande prisma produzido
por partículas de água suspensas na atmosfera depois de
uma chuva ou nas proximidades de grandes quedas d’água.
Ao passar pela atmosfera, a luz solar com menores comprimentos de onda
(azul-violeta) se dispersa mais do que a luz solar com maiores comprimentos
de onda (vermelho). Isso faz com que a luz azul pareça vir de
todas as direções com predominância sobre todas
as outras cores, e assim percebemos o céu terrestre diurno como
sendo azul. A cor depende da constituição do gás.
Quando a luz solar atravessa uma nuvem, todas as cores se dispersam
igualmente, e a nuvem assume coloração branca, porque
o branco é a soma de todas as cores. Quando não há
gás nenhum, ou quando há um gás muito disperso,
como no caso da Lua, cuja pressão atmosférica é
muito menor que a terrestre (humanamente imperceptível), o céu
permanece preto mesmo durante o dia, porque não existe um meio
fluido pelo qual a luz possa se dispersar.
No caso se Marte, a coloração ocre-salmão resulta
de um efeito diferente. O solo marciano é rico em óxido
de ferro, cuja coloração é predominantemente vermelha,
ou seja, essa substância absorve os comprimentos de onda curtos
(violeta, azul) e reflete os comprimentos longos (vermelho, laranja,
amarelo), que são as cores que chegam aos olhos do observador
ou aos sensores das sondas espaciais. No caso da Terra, a atmosfera
é relativamente “limpa” de poeira, mas a atmosfera marciana é
impregnada, portanto essa poeira absorve a luz azul e reflete a luz
vermelha, a amarela e a laranja, resultando no efeito observado.
Quanto à sua segunda pergunta, um dos motivos é a distância.
A Lua fica a 384.400km da Terra, atingindo 355.000km no perigeu e 307.000km
no apogeu. Marte fica a 227.940.000km do Sol, variando entre 249.000.000km
e 207.000.000km, e a Terra fica a 149.597.871km do Sol, variando entre
147.100.000km e 152.100.000km. Para que o consumo de combustível
seja mínimo, é preciso que a Terra e Marte ocupem posições
estratégicas. Obviamente não faz sentido enviar uma sonda
a Marte quando ele estiver de um lado do Sol e a Terra do outro. Também
não é correto pensar que quando estão os três
alinhados (Marte-Terra-Sol) seja a situação ótima,
porque isso estaria presumindo uma trajetória retilínea
e uma viagem instantânea. A configuração ideal é
determinada considerando que a trajetória será uma elipse,
tendo a distância de partida como periélio e o ponto de
chegada como afélio. Como a órbita de Marte é mais
excêntrica, então precisamos escolher o ponto de chegada
como sendo o periélio de Marte, ou seja, cerca de 207.000.000km,
e o ponto de partida será a aproximadamente 150.000.000km. Assim,
a órbita da sonda terá um semi-eixo maior de 178.500.000km,
ou seja, 1,193A (A = unidade astronômica = distância média
da Terra ao Sol), portanto, levará 1,193^(3/2)/2 anos para ir
da Terra a Marte, ou seja, uns 238 dias.
Se os problemas fossem apenas esses, então um ano seria folgadamente
suficiente para fazer tudo. Mas há mais um problema técnico
e vários problemas burocráticos relacionados às
limitações orçamentárias. Vamos abordar
apenas os problemas técnicos. :-) O período orbital da
Terra é cerca de 365,25636 dias e o de Marte é 686,9798
dias. Portanto, se as órbitas de ambos fossem circulares, a cada
780 dias eles voltariam a ocupar a mesma configuração,
mas as órbitas são elípticas, especialmente a de
Marte, por isso as boas configurações vão ocorrer
em 15 anos, 17 anos, 32 anos, 47 anos, 64 anos e as configurações
ótimas acontecerão em 79 anos, 158 anos, 205 anos etc.
Então, se for perdida uma boa oportunidade (uma janela de lançamento),
só depois de 15 anos acontecerá outra. Claro que, dependendo
do caso, em 2 anos pode podem se produzir duas configurações
boas consecutivas.
Outro fator a ser considerado é que para ir à Lua basta
escapar à gravidade da Terra, cuja velocidade de escape é
de 11.180m/s, mas para ir a Marte é preciso escapar à
gravidade do Sol nas cercanias da Terra, que é de 42.100m/s.
Felizmente pode-se aproveitar o movimento da Terra, fazendo o lançamento
numa trajetória tangencial à órbita terrestre,
e assim se pode somar a velocidade orbital da Terra, de 29.780m/s, à
da sonda, de modo que para atingir os 42.100m/s só será
preciso que a sonda tenha um pouco mais que a velocidade de escape da
Terra, e como não pretendemos escapar para o infinitivo, então
não é preciso atingir a velocidade parabólica de
42.100m/s, mas basta a velocidade que teria um objeto com órbita
à 1,193A e periélio a 1A.
São utilizados alguns recursos adicionais, para economizar tempo
e combustível, como o “estilingue gravitacional”, fazendo a sonda
ir e voltar até a Lua algumas vezes, antes de partir definitivamente
para Marte (sempre tenha em mente trajetórias elípticas,
parabólicas ou hiperbólicas, nunca linhas retas, tanto
para ir da Terra à Lua como da Terra a Marte ou da Lua a Marte).
Esse recurso permite que a sonda inicie o percurso com uma trajetória
hiperbólica, e quando ela se aproxima de Marte, a trajetória
é corrigida para que ela assuma uma órbita elíptica.
Para ir à Lua, uma semana é suficiente. Para ir a Marte,
pode ser necessário aguardar 15 anos por uma boa oportunidade
e mais uns 240 dias serão gastos na viagem.
Com relação às tempestades de areia em Marte, são
semelhantes às que acontecem nos desertos da Terra. As principais
diferenças são:
1 - A gravidade
na superfície de Marte, ao nível médio do elipsóide
marciano (nível do mar, se houvesse mar) e na latitude zero (equador
marciano) é cerca de 37,88% da Terra gravidade na superfície
da Terra, ao nível do mar e na latitude zero.
2 - A pressão
atmosférica na superfície de Marte é 0,7% da pressão
atmosférica na Terra, podendo variar entre 0,4% até 1,1%
ou mesmo em amplitudes maiores.
3 - As partículas
de óxido de ferro suspensas na atmosfera são muito menores
que os grãos de areia dos desertos da Terra.
Não há como simular um modelo como este na Terra para
estudar as diferenças entre o que acontece lá e aqui,
mas de modo geral é basicamente a mesma coisa. A pressão
pode ser reproduzida sem problemas, e também se pode borrifar
partículas com 400 a 700 nanômetros nessa atmosfera artificial.
Com quedas parabólicas, pode-se simular a microgravidade, mas
não se pode simular uma gravidade de 38% da terrestre. Mas não
é a impossibilidade de simular a gravidade marciana que impõe
o maior obstáculo. O maior problema é que tempestades
são fenômenos caóticos, em que pequenas mudanças
no estado inicial podem mudar completamente os estados subseqüentes.
Então mesmo que fosse possível construir nas vizinhanças
da Terra um planeta inteiro, com o tamanho de Marte, com a massa de
Marte, mesma constituição, mesma atmosfera e mesmos acidentes
geológicos, mesmo período de rotação, enfim,
uma réplica idêntica, o simples fato dele estar mais próximo
do Sol, elevaria sua temperatura e isso modificaria completamente o
comportamento das partículas. Ainda que fosse possível
reproduzir também a temperatura, os efeitos de maré da
Terra e da Lua já produziriam diferenças decisivas em
nosso modelo de Marte, tornando-o diferente do original. Portanto não
é possível reproduzir as tempestades observadas em Marte,
não há como estudá-las daqui, exceto pela observação
à distância, muito pobre em detalhes. Uma simulação
feita por computador ou qualquer modelo teórico usado para fazer
previsões, também não passaria de um palpite. Os
meteorologistas estudam a atmosfera terrestre há muito tempo,
conhecem as variações gravimétricas, geomagnéticas
e altimétricas de qualquer região do planeta, e sabem
também a constituição precisa da nossa atmosfera,
conhecem a pressão, a temperatura, a umidade relativa, a concentração
de CO2 a cada momento e em cada ponto da superfície, com boa
precisão. Mas nem assim conseguem prever como será o clima
num prazo de duas semanas, nem conseguem prever qual será a temperatura
no dia seguinte (com incerteza menor que 1 grau). Enfim, não
há como saber muito sobre o que acontece nas tempestades de Marte.
Pode-se apenas observar eventos específicos, mas não há
como fazer previsões ou formular regras gerais.
Um abraço!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de julho de 2002 18:27
Para: Hindemburg
Assunto: Re: saca só
Por que a aparência das mulheres
importa na seleção de parceiras?
Eu quero uma resposta do ponto
de vista biológico.
----- Original Message Olá.
Tudo bem?
Devido ao processo de seleção natural, desde que surgiram
os primeiros hominídeos, as fêmeas mais férteis
que acasalaram com os machos mais férteis produziram maior número
de descendentes, e esses descendentes herdaram essa fertilidade bem
como outras características, e retransmitiram esses traços
à geração seguinte. Os casais menos férteis
produziram menos descentes. Com o passar do tempo, devido à luta
pelos recursos, estes tenderam à extinção enquanto
aqueles tenderam à proliferação, porque os recursos
são demasiados escassos para atender às necessidades de
subsistência de todos os organismos, então os menos adaptados
perecem para que os melhor adaptados sobrevivam.
As fêmeas férteis desprovidas de traços fenotípicos
que as identifique como sendo mais férteis, têm menos chances
de acasalar com machos férteis do que as fêmeas férteis
que possuem traços marcantes que evidenciam sua fertilidade superior.
Por isso, com o passar das gerações, os machos com predisposição
para se sentirem atraídos por fêmeas com características
férteis mais pertinentes no sentido de combinar o traço
identificador com algum aspecto útil para maximizar as chances
de proliferação, terão mais chances de acasalar
com fêmeas capazes de gerar mais descendentes, e todos esses traços
“favoráveis” serão transmitidos às gerações
seguintes. Esses machos e essas fêmeas com traços favoráveis
se tornarão mais numerosos com o passar do tempo. Não
me refiro apenas aos traços físicos (seios fartos, quadris
largos e cintura fina), mas também os traços de personalidade
que relacionados às tendências de preferir seios fartos,
quadris largos e cintura fina. Pois os machos que acasalarem com mulheres
com menos chances de serem mais férteis terão menos chances
de gerar descendentes que perpetuem suas preferências, em contrapartida,
os machos que apreciarem seios fartos, quadris largos e cintura fina
terão maiores chances de gerar mais descendentes que preservem
essas mesmas preferências. Depois de alguns milhares ou milhões
de anos, praticamente todas as fêmeas serão identificáveis
por traços que sugerem maior ou menor fertilidade. Geralmente
as assimetrias e deformidades indicam doenças, portanto menores
chances de elevada fertilidade, e também a obesidade não
é uma característica promissora para machos nem para fêmeas.
Quadris largos em relação à cintura numa proporção
de 5 para 3 (ou mais precisamente [(1+raizde5)/2]=razão áurea)
e igual proporção entre busto e cintura acabam se tornando
traços que indicam maiores chances de fertilidade superior não
apenas por uma questão de serem marcas aleatórias que
emergiram com o tempo, mas também por favorecerem uma compleição
que assegura melhores chances de que a mãe seja eficiente na
produção de alimento para amamentar a prole, no caso dos
seios maiores, e uma anatomia dos quadris mais adequada para acasalar
com machos robustos, ou seja, machos com maiores chances de serem mais
férteis e de gerar descendente mais saudáveis. Além
disso, quadris mais largos contrabalançam melhor seios volumosos.
Os seios não poderiam ser demasiado grandes, porque em animais
que andam com a coluna ereta o peso causaria problemas de saúde.
E se os seios fossem grandes mas os quadris fossem pequenos, quando
a mulher se inclinasse para a frente ela teria dificuldades para se
levantar. Portanto as glândulas mamárias precisam ser grandes
o bastante para alimentar a prole com fartura, porém não
podem ser grandes demais ao ponto de comprometer a saúde. Nos
casos dos machos, o tórax largo, os braços e pernas robustas
indicam vigor físico que determina mais chances de sucesso na
caça, portanto sugere mais alimento para os descendentes, maximizando
suas chances de sobrevivência e disseminação dos
genes que transmitem essas mesmas características. Traços
assimétricos muito acentuados ou deformidades no rosto também
podem ser indício de doença, e tantos os machos quanto
as fêmeas que sejam apaixonados por assimetria terão menores
chances de gerar descendentes do que os machos e fêmeas que são
apaixonados por simetria e outros traços efetivamente relacionados
à saúde e fertilidade.
Por isso os homens e as mulheres vão buscar simetria e traços
de saúde e fertilidade em seus parceiros. Esse é o procedimento
instintivo, e modernamente pode ser enganado com lipoaspiração,
silicone, fisiculturismo, plásticas corretivas ou rejuvenescedoras
etc. Os efeitos dessa interferência no processo natural de evolução
devem ser notados nos próximos milênios. Além dessas
“tendências instintivas”, novas “tendências conscientes”
têm surgido. Por exemplo: o “instinto” sugere às mulheres
que acasalem com o homem mais robusto e com rosto sem deformidades,
mas a “razão” sugere que elas acasalem com os homens melhor sucedidos
economicamente, porque no mundo atual a habilidade para caçar
já não representa o principal indício de abundância
de alimento, então serão os homens abastados que oferecerão
melhores chances de sobrevivência à prole. Assim, em média
as mulheres vão copular com seus amantes robustos usando preservativos,
e atender a seus instintos, e vão gerar filhos com seus esposos
abastados, atendendo à razão.
Tudo muito interessante e esclarecedor, mas é uma teoria embrutecida
pela ausência de moral e romantismo, é superficial, fria
e provavelmente incompleta. A partir do momento que o ser humano se
tornou um animal moral, o processo de Evolução já
não pode ser abordado sem levar em conta esse fator. Com certeza
a esmagadora maioria das mulheres prefere um homem muito rico ou muito
robusto a um homem muito ético, e a maioria dos homens prefere
uma mulher muito bonita a uma mulher muito virtuosa. Mas uma sociedade
formada por homens ricos e sem ética, homens corruptos e indiferentes
à Justiça/injustiça é uma sociedade fadada
ao colapso. Enquanto uma sociedade constituída por pessoas esclarecidas,
justas e íntegras terá melhores perspectivas de se manter
estável a longo prazo. Portanto, as comunidades injustas tendem
à auto-destruição, enquanto às justas _
se não forem destruídas pelas injustas (que talvez representem
a maioria) _, tendem ao crescimento. Portanto, a longo prazo, mesmo
que agora talvez existam mais pessoas injustas do que justas, com o
passar do tempo as injustas vão se auto-destruir, diminuindo
progressivamente a proporção de injustas em comparação
às justas. E desde que as injustas não exterminem as justas,
estas vão povoar o planeta. Existem dois caminhos que a humanidade
pode seguir: ou seremos melhores (no sentido ético), ou nos auto-destruiremos.
Isso bom, porque não existe o perigo de a humanidade prosperar
sendo nociva, então a vida pode surgir em outras partes e ter
chances de sucesso (também sujeita à destruição,
caso siga um caminho ruim).
Eu sou um desses selvagens estúpidos que sente mais atração
por mulheres bonitas do que por mulheres virtuosas, mas procuro contornar
essa falha em meu instinto seletivo, elegendo parceiras que reúnam
os dois quesitos. :-)
Um abraço!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br]
Enviada em: terça-feira, 9 de julho de 2002 18:47
Para: melao@sigmasociety.com
Assunto: Oráculo
Por que você parou de atualizar a seção do Oráculo?
Quando é que ela voltará a ser atualizada?
-----Mensagem
original----- De:
Hindemburg [mailto:melao@sigmasociety.com]
Enviada
em: terça-feira, 9 de julho de 2002 18:57
Para:
'Pedro Bessa' Assunto:
RES: Oráculo Olá.
É
só enviar perguntas interessantes.
Um
abraço. Melao
-----Mensagem original-----
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br]
Enviada em: terça-feira, 9 de julho de 2002 20:08
Para: Hindemburg
Assunto: Re: Oráculo
Por que todo mundo parou de fazer perguntas interessantes?
Acho que foi você que tornou mais rigoroso o critério de
escolha das perguntas...
Eu vou tentar fazer uma difícil.
Quantas dimensões tem o universo? Justifique sua resposta.
-----Mensagem original-----
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br]
Enviada em: terça-feira, 9 de julho de 2002 20:21
Para: Hindemburg
Assunto: a sua educação
Em que posição você passou no vestibular quando
tentou?
-----Mensagem original-----
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br]
Enviada em: terça-feira, 9 de julho de 2002 20:41
Para: Hindemburg
Assunto: o futuro da nossa espécie
Seremos mortos por alienígenas?
Seremos mortos por nós mesmos?
Subdividiremos em várias espécies?
Qual será o futuro da nossa espécie?
-----Mensagem original-----
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br]
Enviada em: terça-feira, 9 de julho de 2002 20:53
Para: Hindemburg
Assunto: Chris Langan
O que você acha das teorias do Chris Langan?
Você entende elas?
-----Mensagem original-----
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br]
Enviada em: quarta-feira, 10 de julho de 2002 18:09
Para: Hindemburg
Assunto: Re: Oráculo
Por que você mesmo não inventa as perguntas?
Eu quero de volta a seção do Oráculo!
-----Mensagem original-----
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br]
Enviada em: quarta-feira, 10 de julho de 2002 18:19
Para: Hindemburg
Assunto: dinheiro
Quanto de dinheiro ganha o melhor enxadrista do mundo?
Olá
de novo.
Vou responder rapidamente cada pergunta, porque são muitas.
Sobre o vestibular, eu devo ter ficado entre os últimos.
Eu espero não ser morto por alienígena nem por mim mesmo.
Aliás, se eu pudesse não ser morto, provavelmente seria
essa minha escolha.
Acho que conhecemos pouco sobre a nossa Evolução e esse
conhecimento é muito recente, também temos poucos dados
históricos para nos basear, então o jeito é usar
dados arqueológicos, que são escassos e imprecisos. Mas
suponho que diferenças étnicas sejam prenúncios
de futuras ramificações em diferentes espécies.
Suponho que no futuro devemos seguir as mesmas tendências dos
últimos milênios: teremos menos pelos e mais cérebro,
os homens serão mais ricos e terão automóveis mais
velozes para impressionar as mulheres, e elas usarão mais silicone
e maquiagem para nos impressionar. ;-) Espero que além dessa
tendência das massas, tenhamos também homens preocupados
com Ética e mulheres virtuosas.
Com relação ao número de dimensões do universo,
eu acredito que uma possibilidade razoável seja algo entre 4
e 5, porém só temos acesso à hiper-superfície
fractal que tem entre 3 e 4 dimensões. A Teoria das Supercordas
sugere a existência de 11 ou até mais dimensões,
das quais 7 ou 8 estariam enroladas (quase puntiformes). Essas hipóteses
são baseadas nos modelos de Lamaître, De Sitter, Friedman
e Greene. Particularmente, eu gosto da idéia de um universo ilimitado
em todas as direções. Nesse caso, o número de dimensões
seria algo entre 3 e 4. Por questões estéticas, eu acho
que gostaria de viver num Universo com pi-dimensões. :-) A única
afirmação segura que se pode fazer com base na experiência
cotidiana é que o universo tem mais de 3 dimensões. Pela
Teoria das cordas, o universo pode ter número inteiro ou fractal
de dimensões, pelos modelos tradicionais, que admitem a existência
de forças e partículas, o número de dimensões
é necessariamente fractal. Em escala humana, nossa sensação
será sempre de 3 dimensões porque a fragmentação
só se faz sentir em escalas astronômicas.
Sobre a renda do melhor enxadrista do mundo, é cerca de 1/20
do melhor futebolista.
Por fim, a tarefa de responder às perguntas enviadas ao Oráculo
é divertida, mas também consome tempo. Se além
de responder eu ainda tivesse que inventar as perguntas, teria o problema
ético de estar promovendo uma fraude e o problema prático
de estar usando meu tempo numa atividade que só tem algum sentido
se envolver uma relação de interação.
No que diz respeito à Teoria de Langan, se você quiser
traduzir o texto e me enviar, eu posso dar uma examinada e depois opinar.
Um abraço!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: Muniz Jose Maria [mailto:jose.muniz@scania.com]
Enviada em: quarta-feira, 20 de junho de 2001 18:35
Para: 'sigma.2000@sti.com.br'
Assunto: Alo pessoal da Sigma Society! Gostei muito
da "home page" .
Principalmente do Oráculo... Um espaço de discussão
deste nível deveria ser
patrocinado...
Não passo de um leigo, porém já pensei muito sobre
o universo usando o pouco
que li.
No paradoxo dos gêmeos, concordo com o raciocínio sobre
o referencial
absoluto... Gosto de fazer analogia da propagação da luz
com as ondas
causadas por uma pedra jogada numa lagoa de águas calmas.
Desejo fazer uma pergunta sobre Xadrez:
Para tomar um peão em "En passant" eu posso usar outra peça
que não um outro
peão?... Um bispo por exemplo?
Até a próxima!!!
[[[ ]]]
Muniz, José Maria
Scania Latin América Ltda.
Quality and Product Engineering
Power train
* - 55 11 4344 9593
* - 55 11 4344 9405
* jose.muniz@scania.com <mailto:jose.muniz@scania.com>
Olá!
Tudo bem?
Comer de tudo que é jeito não pode! Isso é coisa
de tarado! ;-) Só pode comer com Peão. O 'en-passant'
foi introduzido no final do século XV, com a finalidade de reduzir
a quantidade de partidas empatadas por bloqueio. Aplica-se exclusivamente
a Peões na quinta fila, que podem capturar Peões adversários
da segunda fila quando estes avançam duas casas, e a captura
só pode ser feita no lance imediatamente posterior ao duplo avanço.
As regras do Xadrez nem sempre foram como são hoje. A Dama e
o Bispo tinham nomes e movimentos diferentes. O roque era executado
em dois movimentos: o Rei saltava duas casas em direção
à Torre, então era a vez do adversário jogar, e
no lance seguinte a Torre saltava sobre o Rei, caindo na casa adjacente
e concluindo o roque. Nos países cristãos discutiam-se
questões éticas relacionadas à promoção
do Peão: poderia o Rei ter mais de uma Rainha?
Foi com a publicação do tratado de Ruy López, em
1561, que o Xadrez assumiu basicamente as mesmas regras que adotamos
atualmente. A essa altura, já vigorava a regra do empate em 50
lances sem captura ou sem movimento de Peão, o roque em um único
movimento e o en-passant. Contudo, algumas regras continuam mudando
e novas regras (anexos) estão sempre sendo incorporadas. Recentemente
(cerca de 1988) foi cogitada a possibilidade de aumentar de 50 para
75 lances a regra supracitada, porque em alguns finais são necessários
mais de 50 lances para forçar o mate. Aliás, em alguns
casos é preciso mais de 250 lances (Rei, Torre e Cavalo contra
Rei e dois Cavalos). No site da Chess Base foi colocada uma nota na
página de entrada informando que o roque seria abolido. Nossa
querida Juçana imediatamente desconfiou dessa notícia,
porque foi colocada on-line justamente no dia 1 de abril de 2001, e
como nenhum outro site tocava nesse assunto, nem a Chess Base voltou
a falar nisso, ficou claro que se tratava de uma brincadeira.
Além das mudanças oficiais nas regras, há muitas
variações que permitem aumentar ou diminuir a complexidade
do jogo, ou simplesmente excluir o fator “conhecimento teórico”.
Fischer, por exemplo, propôs embaralhar as peças antes
de iniciar a partida. Os Peões permanecem na posição
normal, mas as outras peças são distribuídas randomicamente
na primeira fila (mas mantendo simetria entre Brancas e Pretas). Capablanca
sugeriu adicionar mais peças e casas, existem muitos modelos
de Xadrez com 10x10 casas, 5x5 e até 12x12. Há também
casos em que se modifica o movimento de uma peça, como no “Cavalo-alado”
(os Cavalos combinam movimentos de Cavalo e Bispo).
Nada impede que seja criada uma variação em que o en-passant
admita capturas com outras peças, mas uma coisa é certa:
tal mudança provocaria alterações tão significativas
que provavelmente poucos jogadores a adotariam. Não porque não
seja uma boa mudança, mas porque aceita-la implicaria renunciar
a quase tudo que já estudaram até então. Quando
foi sugerido que os algarismos indo-arábicos substituíssem
os algarismos romanos, a esmagadora maioria dos eruditos europeus recusou
a idéia. A transição foi acontecendo lentamente,
principalmente devido à necessidade do zero. No caso de modificar
a regra do en-passant, seria preciso um ‘zero’ que justificasse
a mudança, mesmo assim a aceitação seria muito
difícil.
Se tiver interesse, você pode encontrar para download o regulamento
completo da FIDE em inglês, português e espanhol. Visite
os sites dos nossos amigos Sandro
(Xadrez Genial) e Maximiliano (Super Ajedrez) para mais detalhes.
Um abraço!
Piu |
No
“SabeSabe” foi postada uma pergunta muito interessante sobre o paradoxo
dos gêmeos. Em vez de responder diretamente no site do SabeSabe,
pedi ao autor da pergunta que escrevesse para o Oráculo. As intenções
eram identificar o autor e também publicar a resposta em nossa
seção. Porém, o rapaz sumiu... J
De qualquer modo, fica aqui a mensagem que ele postou e a nossa resposta.
(Nota: o nick do rapaz é “zaguleu”)
Olá
Considere a situação bem conhecida do
"Paradoxo do Gêmeos" da Relatividade Restrita. Um dos gêmeos
permanece na superfície da Terra enquanto o outro embarca em
um foguete que viaja a uma velocidade muito próxima da velocidade
da luz. O foguete viaja durante alguns anos com velocidade constante,
REVERTE SUA VELOCIDADE e viaja mais outros anos com velocidade de mesmo
módulo de encontro à Terra. A Teoria afirma que o gêmeo
que permaneceu sobre a Terra terá idade maior que o que estava
no foguete. A origem do paradoxo está no fato de que ambos os
gêmeos podem dizer que o outro é que se afastou a uma velocidade
próxima da luz, reverteu o sentido da velocidade e voltou. Tanto
o que estava no foguete quanto o que estava na Terra pode afirmar isso.
Sendo assim, onde está a quebra da simetria que ocasiona o fato
de o gêmeo do foguete resultar realmente mais jovem?
A resposta é que o referencial ligado ao foguete não permaneceu
inercial todo o tempo. Na verdade, no instante da reversão de
velocidade o referencial não era inercial.
As Transformações de Lorentz prevêem que uma régua
de comprimento L1 em repouso em K` medida por O` apresentará
um comprimento L2 (L2<L1) quando medida por O. As mesmas Transformações
de Lorentz prevêem que uma régua em repouso em K de comprimento
L1 medida por O apresentará um comprimento L2 quando medida por
O`(L2<L1).
O mesmo acontece com os intervalos de tempo medidos pelos dois observadores.
Cada uma achará que o tempo do outro é que está
dilatado. Isso é conseqüência direta das transformações
de Lorentz. De outro modo, teríamos dois referenciais em movimento
relativo uniforme não-equivalentes.
O problema é que as Transformações de Lorentz para
dois referenciais em movimento relativo uniforme prevêem esses
efeitos completamente simétricos, de cada observador medir uma
dilatação no tempo do outro e de contração
no espaço do outro. Portanto, não são puramente
as Transformações de Lorentz que explicam a diferença
de idade dos gêmeos. Elas prevêem efeitos simétricos.
Essa simetria é quebrada, no problema dos gêmeos, no instante
em que o foguete reverte sua velocidade. É apenas nesse instante
que não há simetria. Na viagem de volta, tudo passa a
ser simétrico novamente. Tudo isso que eu comentei até
agora está de acordo com a teoria.
O que ocasiona a não inercialidade do referencial do foguete
durante a reversão de sua velocidade em relação
à Terra? Não adianta dizer que se deve à aceleração.
Definindo a aceleração como a segunda derivada da posição,
tanto o gêmeo que estava no foguete quanto o que estava na Terra
pode afirmar que a segunda derivada da posição do outro
foi diferente de zero durante o período de reversão. Portanto,
para falar de aceleração, é necessário dar
alguma outra definição que não o "x dois pontos".
Outra maneira de pensar é que apenas o referencial do foguete
teve uma variação de velocidade em relação
ao resto da matéria do Universo. Se propusermos essa solução,
estaremos dizendo que o resto da matéria do Universo influencia
os fenômenos de inércia locais, e, portanto, também
os fenômenos de gravitação, segundo o princípio
de Relatividade Geral.
Até aqui, concluí que a assimetria dos gêmeos pode
ser devida a dois fatores:
a) Movimentos acelerados são absolutos.
b) O resto da matéria do Universo influencia fenômenos
inerciais, e, portanto, fenômenos gravitacionais locais.
Há alguma outra alternativa?
A hipótese a) é completamente contrária ao princípio
de Relatividade Geral, e não me parece satisfatória.
Analisemos, portanto, a hipótese b) .
Se o resto da matéria do Universo influencia fenômenos
gravitacionais, onde esta influência aparece nas teorias de gravitação
atuais? Ao que me conste, essas teorias apenas levam em conta as massas
dos corpos em questão, a distância entre eles e a contante
gravitacional G.
Ora, é evidente então que essa influência do resto
do Universo, se existir, está embutida de alguma forma em G.
Mas então G não é necessariamente constante, pois,
o Universo estando em expansão, a influência das massas
sobre outras pode alterar, alterando, assim, o valor de G.
Outra forma de pensar é que o que denominamos hoje Leis da Natureza
na verdade são casos específicos de leis mais gerais,
já que a distribuição específica da matéria
em nosso Universo influencia até o que chamamos de constantes
universais. Nesse caso, se a matéria do Universo tomar uma distribuição
diferente da atual, as "Leis" serão outras...
Gostaria de ter comentário de você sobre tudo isso.
Abraço
Olá,
zaguleu!
Se queremos entender o problema que você expõe, em primeiro
lugar precisamos reformular o enunciado. Em vez de um objeto de pequena
massa e a Terra, vamos considerar dois objetos de massas iguais. Em
vez de ir e voltar, ambos traçarão uma trajetória
circular, partindo do mesmo ponto, viajando em direções
opostas e se encontrando no ponto diametralmente oposto ao de partida.
Mais adiante explicaremos a razão dessa modificação
na maneira de formular o problema. Também é importante
que ambos se movam ou na direção do ápex solar,
ou ambos na direção oposta, e que o plano da circunferência
esteja inclinado 90 graus em relação ao plano da eclíptica,
para assegurar que um deles não se sujeitaria a uma interação
gravitacional mais intensa com o Sol, que embora diminuta, não
nos custaria nada cuidar para que não estivesse presente atrapalhando
nossos resultados (na verdade, ainda teríamos alguns empecilhos,
porque o ápex solar está inclinado 30 graus em relação
à eclíptica e não haveria um modo de assegurar
perfeita simetria no movimento dos dois objetos). Mais um detalhe evidente
e presumível: os objetos precisariam viajar a velocidades próximas
de c, para que as possíveis variações fossem sensíveis.
Seria irrelevante o movimento ser uniforme ou acelerado.
O que aconteceria quando se encontrassem? Qual deles teria relógio
defasado? Não existe motivo algum para supor que em algum deles
o tempo teria se passado mais lentamente, por isso a conclusão
natural é que os relógios permaneceriam sincronizados
durante todo o trajeto, e marcariam o mesmo tempo quando se encontrassem.
Uma explicação possível seria a existência
de um referencial inercial absoluto, e o melhor referencial que podemos
assumir, parece-me, é a radiação de fundo de 2,7K.
Aceitando isso, a “velocidade absoluta” da Terra na direção
do ápex solar varia de 610km/s a 670km/s, e ao considerar as
velocidades dos objetos, seria preciso somar ou subtrair o movimento
da Terra, dependendo do caso.
Uma evidência de que é realmente isso que acontece pode
ser encontrada nos aceleradores de partículas. Tanto num acelerador
linear como num anular, se você faz duas partículas viajarem
a altas velocidades, uma em relação a outra, e ambas se
movendo à mesma velocidade em relação à
Terra, no momento da colisão ambas terão aumentado suas
massas na mesma proporção. Será como se ambas estivessem
o tempo todo se movendo em relação a um referencial absoluto,
em vez de uma estar se movendo em relação a outra. Em
tal caso, a Terra poderia ser assumida como esse referencial, porque
sua velocidade absoluta de cerca de 640km/s é desprezível
em comparação às velocidades das partículas.
Note que a Terra não aumentaria sua massa em relação
às partículas, mas as partículas é que aumentariam
em relação à Terra, isso porque o “movimento absoluto”
da Terra determinaria a que ritmo o tempo estaria fluindo para ela,
bem como sua energia cinética, enquanto a velocidade absoluta
das partículas teria efeito análogo sobre elas.
Note que assumindo a existência de um referencial absoluto, não
importa quão grande seja o número de elementos distintos,
com movimentos distintos, nunca teremos paradoxos como o dos relógios,
o dos gêmeos ou similares.
Quanto à possibilidade das constantes fundamentais mudarem ao
longo do tempo, parece bastante razoável que isso aconteça,
embora não existam indícios que confirmem isso. Há
mais de 10 anos estão sendo feitas medições tão
acuradas quanto possível com a finalidade de determinar ínfimas
variações em algumas constantes, mas não tenho
conhecimento de qualquer resultado definitivo nesse sentido. Sabe-se
apenas os limites abaixo dos quais não ocorrem tais variações
(ex.: G não varia mais do que 0,001% a cada século, mas
ainda não se dispõe de dados suficientemente acurados
para saber se ocorrem em G variações menores). Outra consideração
a ser feita é que as constantes podem variar não só
ao longo do tempo, mas também sob diferentes condições
de temperatura ou gravidade, para citar apenas duas possibilidades.
Em condições extremas de temperatura, como 0K, não
faço idéia do que poderia acontecer (talvez um fóton
congele, e com a “anulação” da atividade do bóson
mediador da interação eletromagnética, essa força
deixaria de existir. Será?). No âmago de uma singularidade,
nada pode ser previsto com base nos conhecimentos que se dispõe
hoje em dia. A questão é: em condições menos
extremas que uma singularidade ou 0K (zero Kelvin), teríamos
variações menores nas pretensas Leis físicas e/ou
nas constantes fundamentais? Creio que não se pode dar uma resposta
a isso por enquanto.
Um abraço!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: Rodrigo de Almeida [mailto:rodrigocientista@ig.com.br]
Enviada em: quarta-feira, 23 de maio de 2001 02:39
Para: Sigma Society
Assunto: Re: Genialidade Fala fera!
Muito obrigado pelos elogios!Gostei muito da pequena homenagem, vc tb
é meu amigo e pensador profundo ;-)))!!
Pena que vc abandonou a física :-{, pois vc saca muita coisa
p/ quem abandonou o curso com apenas 6 meses!!!!!!!!!!
Como é esse tal curso de heurística????¿¿¿¿
Eu acessei no 01.Ainda não está pronto né?
Estou organizando um torneio de xadrez p/ divulgação do
mesmo na uerj!Alguma dica de sistema de competição?
No sistema suíço o no. de rodadas é pré-estabelecido?
Se a Terra rotacionasse de forma a gerar uma força centrípeta
igual a gravitacional flutuaríamos!Nesta velocidade, a rotação
da terra geraria vendavais como em Júpter(não tão
fortes é claro, mas um ventinho pelo menos)?Lembre do problema
do ovo e da resposta que eu propus!!
OBS:Um professor (coordenador das olimpíadas de astronomia) da
uerj disse que não, e eu acho(ah,tenho certeza porra ;-} ) que
sim ;-)!!O que vc acha?
beijo
Rodrigo
Fala,
Gui!!
Cuidado com essa viadagem de beijo, que tem muita gente lendo isso ;-)
(estou colocando sua pergunta no Oráculo, porque achei muito
interessante!)
Quanto ao torneio, sugiro eliminatória. Não é fácil
fazer emparceiramento suiço. Você precisa ler um livro
inteiro sobre arbitragem e praticar um pouco. Têm softwares que
fazem isso, tipo Swiss 48 ou Swiss Perfect, mas também levaria
tempo até dominar o programa. Se você ler o livro do Calleros
ou do Sangiorgi agora, pode usar sistema suíço no próximo
torneio.
Mas a parte que mais gostei foi sobre sua idéia de levitação!
Realmente muito interessante! Mas da maneira como você colocou,
acho que não daria certo. Se você forçar a barra
e disser que a Terra é perfeitamente rígida (de outro
modo ela se deformaria, ficando mais achatada, e a F.c. deixaria de
ser igual à F.g.), perfeitamente esférica, homogênea
e sem qualquer traço de atmosfera, e se você estivesse
em pé exatamente no equador e acompanhasse o movimento de rotação,
seu baricentro (cerca do umbigo) estaria sujeito a uma gravidade menor
e a uma força centrífuga maior do que a presente no solo,
portanto isso o faria “alçar vôo” numa órbita ligeiramente
excêntrica. Você começaria a subir, porque sua velocidade
seria maior do que a velocidade circular à altura de seu umbigo,
e sua velocidade diminuiria até que você atingisse o apocentro
de sua órbita, a 7m do solo, então você começaria
a descer e sua velocidade orbital aumentaria novamente, até igualar-se
com a velocidade angular de rotação da superfície,
o que ocorreria em seu pericentro. Desse modo, exceto quando estiver
no pericentro, você estará sempre a uma velocidade angular
menor do que a da superfície. Sabendo a altura de seu umbigo
(cerca de 1m), podemos calcular as propriedades de
sua órbita. Você descreveria aproximadamente uma órbita
geoestacionária, “atrasando” menos de 5 milésimos de segundo
a cada volta completa, ou seja, a cada hora você recuaria, em
média, 9 m em relação à superfície,
sempre no sentido leste. Se inicialmente houvesse atrito, bastaria encolher
as pernas e ficaria "flutuando" ("orbitando" me parece a expressão
mais apropriada). Com atmosfera, você ficaria pululando, bem suavemente,
sem o risco de se quebrar, e talvez escorregasse em espiral para um
dos pólos, onde a F.c. seria nula (não escorregaria necessariamente
até chegar a um pólo, mas escorregaria uma parte do caminho).
Se a nossa Terra fictícia não fosse perfeitamente esférica,
a situação não mudaria muito, porque você
se moveria muito lentamente em relação à superfície,
logo não haveria risco de colidir bruscamente com uma montanha,
ou algo assim. Mas, a longo prazo, o simples fato de subir (apocentro)
e descer (pericentro) o faria interagir com grandes estruturas (edifícios,
montanhas etc.) em proporções diferentes, e o acúmulo
de pequenas perturbações em sua órbita poderia
causar uma queda ou colisão. Se a queda ocorresse no equador,
você novamente alçaria vôo. Se fosse numa latitude
mais elevada, então dependeria da latitude e da altura do seu
umbigo (estou sempre falando em “umbigo”, mas subentenda “baricentro”,
pois dependendo do jeito que você cair, todo contorcido, seu baricentro
pode ficar longe do umbigo). Após a queda, dependendo, você
poderia permanecer em repouso no chão (alta latitude, umbigo
baixo), ou novamente alçar vôo (baixa latitude, umbigo
alto). Quando caísse de pé (ou se levantasse após
cair), a latitude máxima a partir da qual ainda poderia decolar
seria 1'55".5 (3,57km do equador). Uma colisão seria bem suave,
e você poderia simplesmente contornar o obstáculo.
Abração!
Piu
P.S.: Vamos aproveitar o embalo e fazer propaganda do seu artigo. |
-----Mensagem original-----
De: Pedro Bessa [mailto:pedbessa@uol.com.br]
Enviada em: Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2000 23:06
Para: sigma.2000@sti.com.br
Assunto: sobre viagens no tempo Caro Piu-piu,
Se eu viajo para 1983, um ano antes de ter nascido,
e mato a minha mãe, quem matou a minha mãe?
Já fiz esta pergunta, em allexperts.com, para um
físico, mas ele não ousou responder...
Aliás, enviei uma tradução incorreta do inglês
para
o português desta pergunta. Ela era "Who killed
myself?" e ficou "Quem me matou?", o que não
faz sentido por si só. Ignore-a, por favor.
Pedro Bessa
Olá,
Pedro!
Tudo
bem?
Reuben
Fine escreveu um livro sobre Xadrez e Psicanálise em que afirma
que o desempenho das mulheres no Xadrez deve-se ao fato delas raramente
terem o desejo de matar o pai. Mas o caso do filho que quer matar a
mãe é um assunto sobre o qual não sei opinar. J
Para
falar sobre viajam no tempo, seria necessário entender o que
é o tempo, mas não sabemos o que é e conhecemos
pouco sobre suas propriedades. Todas as experiências que temos
até hoje sugerem que o tempo seja unilateral. A nível
quântico podem ocorrer fenômenos em que os resultados das
experiências sugerem que o tempo vai para frente e para trás,
mas a mecânica quântica não é muito digna
de confiança. Uma teoria cujos resultados vão de encontro
ao bom senso não pode ser levada muito a sério pelo bom
senso. Eu não sei se no caso das teorias das supercordas o tempo
também pode ir em duas direções, mas tanto no caso
das supercordas como no caso da física de partículas,
não temos contato com a “verdade” do que acontece. Apenas tentamos
interpretar a “verdade” por meio de observações indiretas,
tão indiretas que envolvem sistemas de longas engrenagens, e
se uma delas não for consistente, o resultado final pode ser
discrepante. Há muitas teorias baseadas em entes hipotéticos
que nunca foram e jamais poderão ser observados diretamente (quarks
e glúons), porque parte da teoria afirma que não podem
existir isoladamente, e a mecânica quântica se constrói
sobre hipóteses desse tipo, em que as teorias, de antemão,
já estabelecem que não podemos saber certas coisas. O
princípio da incerteza diz que você não pode saber,
ao mesmo tempo, a posição e a quantidade de movimento
de uma partícula, mesmo que essa partícula faça
parte de um par simétrico em que você mede a posição
de uma e a quantidade de movimento da outra. Os fundamentos da mecânica
quântica estão no fato de que um elétron não
espirala até cair no núcleo dos átomos, como é
previsto pelas equações. Em vez disso ele se mantém
numa órbita estável. A explicação que todos
aceitam (depois de algumas brigas) é que o elétron não
pode orbitar em qualquer lugar. Para mudar de uma órbita para
a outra, ele dá um salto, em vez de fazer uma transição
gradual. Foi assim que se começou a trabalhar com a possibilidade
de existirem quantidades discretas indivisíveis de tempo, espaço,
massa etc. Embora esse modelo explique muita coisa, a teoria como um
todo apresenta muitos pontos contraditórios e os resultados das
experiências podem ser interpretados de muitas maneiras alternativas,
entre as quais a mecânica quântica foi erigida a partir
de apenas uma dessas interpretações. No futuro alguma
teoria melhor deve ser elaborada, mas por enquanto o que temos é
isso (e não é pouco). E as “supostas evidências”
de que o tempo pode ir pra frente e pra trás acontecem exclusivamente
a nível quântico.
Na
época de Aristóteles, falava-se em fenômenos sublunares
e supralunares, acreditava-se que as leis vigentes abaixo da órbita
da Lua eram diferentes daquelas que atuavam no cosmos. Essa crença
foi demolia por Newton, mas hoje os físicos voltaram a adotar
essas crenças, aplicando um determinado conjunto de leis ao mundo
quântico e outras leis diferentes ao nosso mundo macroscópico.
Isso me parece um descarado subterfúgio. De qualquer modo, mesmo
que a mecânica quântica estivesse bem fundamentada, a Física
atual diz que você não pode viajar no tempo a não
ser que você seja uma partícula elementar.
Muitas
pessoas já trataram do tema “viagem no tempo”, mas poucas o fizeram
com seriedade e até hoje não existe nada conclusivo. As
teorias sobre o universo mostram que se ele possuir massa acima de um
valor crítico (cerca de 10^56g), continuará se expandindo
até certo ponto e depois começará a se contrair,
colapsando sobre si mesmo. Mas ao que tudo indica, quando ele se contraísse
o tempo não voltaria, o tempo continuaria fluindo no mesmo sentido,
enquanto o espaço diminuiria até chegar numa singularidade.
Estamos
habituados com o tempo desde que nascemos, mas não sabemos o
que ele é e quais são suas propriedades. Acreditamos que
ele flui num sentido só, mas se fluir num sentido contrário,
possivelmente será assim para todo o universo, como voltar um
filme, em que não é possível fazer apenas uma personagem
do filme voltar para interagir com outras. Mas se você imagina
o espaço-tempo como um tubo que vai da esquerda para a direita,
e se você pudesse sair do tubo (no ano 2000), voltar a um ponto
anterior (1990) e entrar novamente nesse ponto do tubo, nada indica
que você encontraria naquele ponto o mesmo que você encontrou
quando passou lá pela primeira vez. E se voltar ao ano 1983 (ou
1990 ou qualquer outra data), sua mãe não estará
mais nesse ponto, ela estará no ponto 2000 em diante, por isso
é melhor você pensar em outro plano para matá-la.
J Se
o que passa pelo tubo é um fluxo contínuo de espaço-tempo
_ que podemos substituir por água, peixes, vegetais etc. _, quando
retornar você não encontrará a mesma água,
nem os mesmos peixes ou vegetais. Se o que passa pelo tubo não
é um fluxo contínuo, então você simplesmente
pode encontrar um “nada” em 1983, porque “tudo que existe” está
em 2000 e continuamente mudando de posição-tempo. O tubo
é uma forma simplificada de representar o universo, uma forma
que atende aos nossos propósitos imediatos de representar o que
desejamos, mas na verdade acredita-se que o universo seja uma hiperesfera
(ou hiperelipsóide ou hiper-hiperbolóide).
Naturalmente
a única maneira de saber com segurança se uma viagem no
tempo é possível e como ocorreriam as interação
entre diferentes épocas, seria entendendo o que é o tempo
e esboçando uma teoria de como seria possível empreender
uma viagem através dele.
Espero
que a essa altura você já tenha feito as pazes com sua
mãe. Caso contrário, pode se inscrever em nosso curso
de Xadrez e talvez isso o ajude a perceber que o verdadeiro bandido
da história é seu pai. J
Mas antes de encerrar, há mais algumas coisas a serem consideradas.
Se você sai do tubo onde existe tempo, seu movimento será
baseado em que? E se existe tempo fora do tubo, então enquanto
você volta o fluxo dentro do cano prossegue... E quando você
chegar a 1983, é possível que sua mãe esteja por
volta de 2017 (supondo que ambos viajaram ao mesmo ritmo). Mas vamos
um pouco mais longe. Vamos admitir que o tempo não é um
tubo reto, mas uma rede toda entrelaçada, de modo que você
pode passar várias vezes no mesmo ponto, assim quando chegar
o ano 2017, sua mãe estará chegando ao mesmo ponto do
tudo pelo qual passou em 1983, e se você chegar nesse ponto junto
com ela, poderá reencontrá-la. Mas ela não será
a mocinha de 1983. Ela será a senhora de 2017, e para todos os
efeitos ela entenderá como se você tivesse sumido por 17
anos e, de repente, voltou. Ela terá gerado um filho, você
terá nascido etc. Enfim, não haverá nenhum paradoxo,
e nesse caso é bom você ter uma boa explicação
para dar a ela, senão ela é quem vai matá-lo.
Um grande
abraço!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: Francisco Lacerda [mailto:clacerda@vicunha.com.br]
Enviada em: sexta-feira, 17 de novembro de 2000 06:35
Para: 'sigma.2000@sti.com.br'
Assunto: Oráculo.
Prioridade: Alta Bom dia piu-piu!!!
Bom dia!
O problema em ser inteligente é que cada vez
que você responde uma pergunta,
vem alguém que não é tão inteligente como
você e já faz outra, "não
obrigatoriamente mais difícil". Corroborando com esta tese, estou
cá eu, e
lá vai! :-)
Não é um problema. É uma bênção
que as pessoas inteligentes como você façam perguntas interessantes,
e as pessoas pretensiosas como eu tentem responder. Assim as pessoas
curiosas como nossos membros e visitantes podem se divertir. :-)
As pessoas muito inteligentes, as famosas mentes brilhantes,
acreditam em
Deus? E por que nós Homo Sapiens temos esta necessidade enorme
de crer em um "ou em alguns" Deus? Pois sabe-se que até mesmo
entre os povos muito
primitivos, acreditavam eles na existência de alguém superior!
Acredito que em questões polêmicas nas quais haja apenas
duas alternativas, as opiniões devem se dividir em duas partes
aproximadamente iguais. Sidis não acreditava em Deus, Einstein
acreditava. Mas o Deus de Einstein não era “feito” à imagem
e semelhança do homem. Einstein adotou o mesmo Deus de Spinoza,
um Ser Cósmico que pode ser representado pela Natureza. Pascal,
Newton e Descartes também acreditavam, mas eles viveram numa
época em que não tinham muita liberdade para pensar sobre
esses assuntos. Se acreditassem podiam viver em paz, se não acreditassem
seriam queimados. Descartes e Santo Anselmo, entre outros, tentaram
provar a existência de Deus. Recentemente Paul Davies e Chris
Langan também se ocuparam com essa questão. Eu já
tentei provar que Deus não existe, e com isso consegui reunir
uma boa quantidade de argumentos que reforçam a opinião
contrária, ou seja, de que Deus existe. As idéias de Santo
Anselmo, embora muito antigas (século XIII ou XIV), permanecem
sem refutação até hoje. Os acadêmicos já
tentaram refutações formais, mas parece que essas foram
contra-refutadas. Se você tiver muito interesse no assunto, pode
visitar http://plaza.powersurfr.com/delajara/ , onde encontrará
as estimativas de QI para 300 personagens destacadas de nossa história.
Depois você pode pesquisar na Internet ou em alguma enciclopédia,
sobre as biografias de cada uma dessas personagens, e montar uma estatística
sobre como se comporta a curva “crença em Deus” em função
do QI. Se houver algum relação entre uma coisa e outra,
a informação pode emergir dessa curva, e creio que ninguém
ainda tenha feito esse trabalho, portanto você será o pioneiro.
Se por um lado existem divergências quanto à existência
ou inexistência de Deus, por outro há um consenso com relação
ao deus bíblico. Conheço muitas pessoas que acreditam
em Deus e outras que não acreditam, mas entre as que acreditam
e cultivam o hábito de pensar e investigar profundamente as questões,
a idéia predominante é de que o deus bíblico é
estritamente comercial, um mero instrumento para manipulação
política. Mas a Bíblia que chegou aos nossos dias não
é a mesma escrita nos primeiros anos do Cristianismo. Foram suprimidos
os Evangelhos Apócrifos e certamente foram adulterados muitos
outros trechos, de acordo com as conveniências do clero, sobretudo
durante a Idade Média e especialmente antes da invenção
dos tipos móveis (séc. XV), quando as cópias ainda
eram feitas manualmente. Além disso, eu estou me baseando numa
amostra pequena de opiniões, portanto essa inferência pode
estar incorreta. Particularmente eu acredito que existe um Deus e também
acredito que seja completamente diferente dAquele descrito na Bíblia.
Não penso num Ser abstrato, mas num Ser de existência física,
não no sentido ‘físico’ em que concebemos a palavra. O
que digo é que acredito num Ser provido com vontade própria
e pensamento, algo bem diferente do “Deus = Universo” ou “Deus = Natureza”.
Eu já escrevi algumas páginas sobre o assunto e discuti
a questão com nosso amigo Luis Dantas, que é ateu. Faz
mais de seis meses que enviei meus argumentos, depois nos encontramos
pessoalmente, conversamos ao telefone e trocamos mais alguns e-mails,
mas ele ainda não se opôs às minhas idéias
com outros argumentos. O espaço está aberto para que ele
possa se manifestar (como ele anda meio sumido, será excelente
se essa texto o trouxer de volta à ativa).
Sim, queria que você desenvolvesse uma equação para
sabermos o percentual de
políticos honestos do Brasil ! Pois ha tempos que procuro por
um danado
desses, mas tá difícil demais! quem sabe com uma forcinha
eu encontre um!!!
(:-)
Você mesmo pode fazer essa equação, pesquisando
entre seus amigos e vizinhos. Os políticos apenas refletem a
mentalidade e os sentimentos da população geral. Se somos
corruptos e se vamos eleger políticos com os quais nos identificamos,
fatalmente eles também serão. Se o rapaz que foi ao seu
Manoel da padaria comprar leite, e ao receber o troco percebeu que tinha
dinheiro em excesso, se esse rapaz simplesmente coloca o troco no bolso
e vai embora, ele está propenso a eleger políticos semelhantes
a ele. O administrador que na hora de selecionar um funcionário
dá prioridade aos parentes e amigos, em vez de analisar os currículos,
não está propriamente cometendo uma injustiça (eu
acho), mas ele tende a votar em políticos que façam o
mesmo. O executivo que escolhe sua secretária pela silhueta e/ou
pelo semblante, vai eleger políticos com a mesma maneira de pensar
e agir. E por aí vai... Portanto, se fizermos uma pesquisa entre
nossos amigos e vizinhos, vamos encontrar proporções de
desonestidade semelhantes às que encontraríamos entre
os políticos. O problema é que o povo se acomodou a jogar
a culpa de tudo nas costas dos políticos (terremotos, incêndios,
raios etc.), e com isso procuram fugir de suas responsabilidades e atribuir
seu fracasso ao governo. Não devemos esperar que o governo trabalhe
por nós. Nem sequer devemos esperar que o governo cumpra a parte
que lhe cabe. Convém apenas cuidar de nossas vidas e das pessoas
que estão mais diretamente ligadas a nós, e procurar fazer
isso independente das facilidades e benefícios que o Estado oferece.
Sobre sua resposta anterior, concordo em cada vírgula!
Também acho que nós
não conhecemos nem nosso planeta inteiro ainda, mas vamos esperar
que os
pesquisadores sérios encontrem algum vizinho para nós,
pois não agüento mais
essa solidão! A idéia de só existirmos nós
no Universo é muito cruel! ! ! E
é bom que encontremos logo um lugar para irmos, pois acho que
este planeta
não vai durar mais 5000 anos não!. :-).
Bem acho que já chega...
Obrigado pelo espaço, Carlos Lacerda, direto de Pacajus - Ce
- BRA.
É sempre um prazer manter contato! Naturalmente eu não
vou dar conta de manter um ritmo desses por muito tempo. Só estou
conseguindo responder logo porque estou praticamente sem nada economicamente
rentável pra fazer. :-) Mas as perguntas são sempre bem-vindas!
Fique à vontade pra enviá-las sempre que quiser. Eu me
viro pra administrar o tempo. :-)
Um grande
abraço!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: Francisco Lacerda [mailto:clacerda@vicunha.com.br]
Enviada em: quinta-feira, 16 de novembro de 2000 12:01
Para: 'sigma.2000@sti.com.br'
Assunto: Oráculo!.
Prioridade: Alta Olá piu-piu!!! :-)
Obrigado pela rápida resposta a minha dúvida anterior,
e aproveitando vou
fazer logo mais uma perguntinha :
Você acredita em vida "mesmo não inteligente"
fora da terra? Será que nestes
15 bilhões de anos -luz de universo, só estamos nós
a viver???
Um detalhe
importante: “ano-luz” é uma unidade de espaço, não
de tempo. Um ano-luz tropical corresponde a cerca de 9.460.528.243.917km.
Ansioso aguardo, Carlos Lacerda, Direto de Pacajus _ Ce BRA.
Oi, Carlos!
Não
sei se faz algum sentido procurar por vida inteligente fora do nosso
planeta, se ainda não a encontramos nem mesmo aqui na Terra.
J De qualquer modo, na opinião de muitas pessoas essa é
uma investigação fascinante. Eu já me interessei
por esse assunto e acho que ainda conservo algum resquício desse
sentimento. Mas atualmente estou preocupado com outras coisas.
Existe
um projeto chamado SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence),
que tem por objetivo encontrar vida inteligente em outras partes do
universo. Consiste em usar diversos radiotelescópios para receber
possíveis mensagens alienígenas. Houve um caso interessante,
na época em que foi descoberta a radiação de fundo
de 2,7K, porque muitos pombos depositaram seus coprólitos na
antena de um radiotelescópio, e isso produzia um ruído
regular, que levou alguns pesquisadores a pensar que eram mensagens
de extraterrestres. J Depois que limparam a antena, os ruídos
persistiram, e isso entusiasmou muita gente, mas logo essa idéia
foi descartada, porque as ondas vinham de todas as direções
(deveriam vir de uma região pequena, quase um ponto, caso fosse
provenientes de outro planeta). Atualmente admite-se que essa radiação
de fundo seja o ‘eco’ do Big-Bang.
Se
você tiver interesse, pode colaborar com o projeto SETI, disponibilizando
seu computador. Vá até http://sites.netscape.net/eznail/
e veja como participar.
Quem
conhece melhor esse assunto é nosso amigo Ricardo Gerber. Se
ele quiser enviar algum comentário adicional, será muito
bem vindo.
Existem
algumas chances de que possamos estabelecer contato com seres de outros
planetas, mas até onde sabemos, são chances pequenas.
Quanto à possibilidade de termos recebido alguma visita alienígena,
é extremamente remota. Por outro lado, a chance de que existam
outras civilizações no universo são muito grandes.
Existe até mesmo uma equação, proposta por Frank
Drake _ fundador do projeto SETI _, que prevê as probabilidades
de existirem outros mundos habitados. Considere que existem cerca de
100 bilhões de estrelas na Via-Lactea e que no universo existem
cerca de 100 bilhões de galáxias. Isso significa que existem
10^22 estrelas no universo. Estima-se que uma em cada 3 estrelas possui
em torno de si um sistema planetário, portanto o número
de planetas no universo deve ser da mesma ordem de grandeza que o número
de estrelas. Também se sabe que a água é um elemento
mais comum do que se pensava até poucos anos atrás. E
desde a década de 1950, sabemos que pode-se produzir moléculas
orgânicas complexas partindo de substâncias mais simples
e submetendo-as a intensas descargas elétricas. Tendo em conta
esses informações, podemos concluir que existem muitos
planetas que reúnem as condições necessárias
para o surgimento e desenvolvimento da vida.
Quanto
à existência de vida em estágio mais elementar,
ainda não foi completamente descartada a possibilidade de existir
dentro do sistema solar. Europa (satélite de Júpiter),
Titã (satélite de Saturno) e Marte são fortes candidatos.
Existem
pesquisadores sérios trabalhando nisso, e embora eventualmente
precisem apelar ao sensacionalismo para conseguir apoio público
e governamental, o fato é que existem indícios autênticos
que sugerem algumas possibilidades de vida microbiana em Marte.
Se
algum dia a humanidade conseguir chegar a um planeta habitado, teremos
que lidar com alguns problemas éticos. A colonização
das Américas provocou a dizimação quase completa
dos povos nativos, e a imposição do cristianismo levou
os índios quase à extinção. Isso mostra
que tais intervenções podem provocar o colapso de uma
cultura, e significa que as pesquisas sobre vida alienígena precisam
ser dirigidas com muita responsabilidade _ uma virtude rara entre os
habitantes do nosso planeta.
Um grande
abraço!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: Francisco Lacerda [mailto:clacerda@vicunha.com.br]
Enviada em: quinta-feira, 9 de novembro de 2000 06:29
Para: 'melao@sigmasociety.com'
Cc: 'angelam@unifor.br'
Assunto: Dúvida cruel...
Prioridade: Alta Pessoal, gostaria muitíssimo
de ter a resposta a uma pergunta, e, acho que
aí, do outro lado da telinha, deve ter alguém que pode
responder com alguma
parcela de segurança!
O universo é mesmo infinito???
Se for
infinito, é necessário que haja matéria escura
suficiente para que não ocorra o paradoxo de Olbers, mas as teorias
vigentes sugerem que seja finito e com tamanho relativamente bem conhecido.
Minha pobre mente não consegue entender o
infinito! E mesmo antes do big-bang, algo existia, não é
verdade?
É
uma boa pergunta! :-) Para tratar do que acontece alguns instantes depois
do Big-Bang, precisamos de uma teoria de gravitação quântica,
que permita entender o que se passa sob o raio de Schwarzschild. Mas
não dispomos de uma teoria unificada que inclua a gravitação.
Para entender o momento do Big-Bang, precisamos de mais do que isso,
porque seria preciso compreender o se passa numa singularidade, e perguntar
o que acontece “antes” disso, eu não creio que faça algum
sentido, porque os modelos cosmológicos vigentes supõem
que o tempo começou a existir com o universo, ou seja, sem universo
não há tempo e não podemos falar em “antes”.
Mas o que?
E desde quando?
A expressão
"Quando" implica em "tempo". "Antes" também requer existência
de tempo. Mas se havia alguma coisa "antes" do Big-Bang, essa coisa
não era propriamente o tempo, uma vez que o tempo e o espaço
começaram a existir com a origem do universo. Um detalhe importante:
o Big-Bang é apenas uma das teorias sobre a origem do universo,
e a partir dela se pode formular diferentes modelos.
È possível que algo sempre tenha existido
e sempre
exista???
Você
está usando muitas expressões ligadas ao conceito de tempo.
Não temos nenhum motivo para acreditar que o tempo seja "eterno".
Aliás, "eterno" é uma expressão que pressupõe
a existência do tempo. Se você deseja formular uma pergunta
sobre alguma coisa que esteja fora dos limites do universo, precisa
respeitar o fato de que o tempo e o espaço estão contidos
no universo, não fora dele, nem antes dele. A questão
é muito delicada e para fazer perguntas que tenham algum sentido,
antes precisamos estabelecer um conjunto de normas coerentes e uma linguagem
apropriada.
Pois mesmo que morramos, mesmo que todo o universo
encolha e
expluda, mesmo assim, algo permanecerá! Mas o quê ???
Desculpem-me se vocês acham isso uma baboseira,
mas esta é uma de minhas
dúvidas! ! !
É
uma boa dúvida! :-) Porém não temos uma resposta
a altura. Por isso vamos dar uma enrolada...
Carlos Lacerda, direto de Pacajus - Ce - BRA.
Fui...
O
fato é que nosso modelo matemático de universo não
representa o universo propriamente. Se retrocedermos até as culturas
mais primitivas, encontraremos muitas concepções bizarras,
com chacais comendo pedaços da lua ou a Terra sustentada sobre
a carapaça de tartarugas. Se avançarmos até os
tempos áureos da Grécia, encontraremos modelos mais racionais,
formulados por filósofos que observavam os céus e procuravam
representar os fenômenos celestes por meio de modelos coerentes.
Os primeiros sistemas cosmológicos consistiam em esferas concêntricas
de cristal, todas girando em torno da Terra (Pitágoras), ou tudo
girando em torno de um “Fogo Central” (Filolau), ou ainda tudo girando
em torno do Sol (Aristarco). O mais lógico era o sistema geocêntrico,
conforme demonstrou Aristóteles, por meio de argumentos tão
persuasivos que só foram refutados 2 mil anos depois. Isso é
um detalhe muito importante! Aristóteles e seus contemporâneos
não eram menos inteligentes do que os pesquisadores modernos,
e os critérios que usavam não eram inferiores aos atuais.
Eles pecavam por negligenciar a experiência, e hoje pecamos por
burocracia científica, entre outras coisas. A ausência
de paralaxe estelar e a queda perpendicular dos corpos foram possivelmente
os melhores argumentos em favor do modelo da terra imóvel. E
a Teoria da Relatividade talvez seja um dos melhores argumentos em favor
do universo finito e em expansão. Mas vamos aguardar alguns milhares
de anos antes de garantir que nossas teorias atuais são corretas.
Como
a resposta ficou muito curta, vamos encher um pouco de lingüiça.
J Os
gregos se perguntavam o que havia por traz da última esfera,
onde estavam as estrelas fixas, e alguns achavam que as estrelas eram
na verdade furos na última esfera (essa esfera era um pano escuro),
e que por traz dela havia muita luz, que atravessava tais furos.
Hoje
tudo isso nos parece rudimentar, do mesmo modo que nossa concepção
moderna será obsoleta num futuro distante. Alguns pesquisadores,
provavelmente quase todos, podem ter a impressão de que esgotamos
os limites de até onde se pode enxergar, mas essa visão
me parece um tanto ingênua. Antes da Mecânica Quântica
e da Relatividade, também se acreditava que o conhecimento científico
estava quase esgotado.
Se
pudermos entender a evolução das idéias sobre o
universo, teremos uma noção mais adequada sobre o assunto.
Os modelos vigentes naquela época (voltando aos gregos) eram
compatíveis com os conhecimentos disponíveis, do mesmo
modo que nossos modelos atuais (Lemaître, De Sitter etc.) são
compatíveis com nosso atual estágio tecnológico,
nada além disso. Se julgamos que nossos modelos são representativos
da realidade, é por mera vaidade e arrogância, a mesma
vaidade e a mesma arrogância que conduziram ao fanatismo pelo
modelo geocêntrico. Mas agora trata-se de um fanatismo diferente,
pelo paradigma científico ou, no extremo oposto, o fanatismo
pelas idéias de Thomas Khun (de anti-paradigmas). A grande verdade
é que vivemos numa busca constante pelo conhecimento, e vamos
subindo um degrau de cada vez, eventualmente tropeçamos, caímos,
voltamos a subir... Mas nunca chegaremos ao topo, se é que existe
um topo. As duas "grandes" teorias do nosso século me desagradam
profundamente. Tanto a Mecânica Quântica como a Relatividade
são um tanto mirabolantes e repletas de paradoxos. São
apelações abstratas que usamos para prosseguir investigando
além dos limites do que podemos entender. Elas agridem nosso
bom senso, e seus defensores tentam sustentá-las com equações,
como se tais equações fossem o esqueleto dourado sobre
o qual está erigida toda a Natureza. É importante não
nos esquecermos de que uma teoria que funciona em 99% dos casos é
incorreta, e nem a Relatividade nem a Mecânica Quântica
dão conta de prever 99% dos fenômenos que deveriam. Mas
isso não significa que deveríamos abandonar essas teorias,
porque embora sejam incompletas, continuam sendo o melhor de que dispomos.
Do mesmo modo, o sistema geocêntrico só foi abandonado
quando o heliocêntrico se tornou suficientemente bem demonstrado
(e ainda foi preciso vencer algumas barreiras que são típicas
durante as transições de um modelo tradicional para outro
inovador). Portanto, o jeito é aguardar até que teorias
melhores venham substituir ou complementar as duas grandes teorias supracitadas.
Ou, em vez de aguardar, você pode investigar o assunto e tentar
revolucionar a Física. Note que eu não gosto das idéias
apregoadas pela Mecânica Quântica ou pela Relatividade,
mas eu não proponho nada melhor, isso porque é bem mais
fácil criticar do que "criar" ;-)
Voltando
novamente aos gregos, à medida em que as observações
foram se refinando, os modelos tiveram que ser modificados a fim de
se manterem ajustados aos dados empíricos. Eudoxo teve que “aperfeiçoar”
(remendar) o modelo de Pitágoras, e mais tarde Ptolomeu levou
esse modelo aos seus limites de precisão, usando um conjunto
com mais de 50 epiciclos e gradientes para representar o movimento dos
planetas, do sol e da lua. Esse modelo ainda não comportava os
cometas ou os meteoros, que eram considerados fenômenos atmosféricos.
No
século XV, isto é, cerca de 2000 anos depois do modelo
geocêntrico ter sido adotado, as discrepâncias entre a teoria
e os dados observados chegaram ao seu apogeu, então Copérnico
propôs uma mudança fundamental no modelo, deslocando a
Terra do centro do universo e colocando o Sol nesse lugar. Ele manteve
os epiciclos, que só foram eliminados cerca de um século
depois, com as órbitas elípticas de Kepler. A mudança
de posição tinha implicações importantes
nas dimensões do universo, porque se a Terra se movia, necessariamente
produziria um efeito paralático, mudando a posição
relativa das estrelas de fundo. Se essa paralaxe não era observada,
significava que as estrelas se encontravam muito mais afastadas do que
os planetas. Isso levou Kepler a estimar que as estrelas (ele ainda
conservava a noção de esferas de cristal e imagina todas
à mesma distância do Sol) ficavam a cerca 500 bilhões
de quilômetros do Sol. É importante lembrar que nessa época
Cassini ainda não havia determinado a distância Terra-Sol,
com base na observação de Marte (em sua oposição
periélica) de dois pontos diferentes na superfície terrestre
(em sincronia com Richer), e as estimativas de Kepler situavam o Sol
a apenas 24 milhões de quilômetros.
Giordanno
Bruno chegou mais próximo da verdade, concebendo um modelo de
universo infinito, com estrelas espalhadas por todas as partes, cada
uma delas um sol, como o nosso, em torno das quais giram planetas habitados
por civilizações. Mas Bruno era um filósofo, não
um astrônomo, por isso suas “divagações” não
se baseavam em dados empíricos e não poderiam ser encaradas
pela comunidade científica com algo além de “palpites”
(bons palpites, sem dúvidas). Além do mais, a idéia
de universo infinito uniformemente povoado por estrelas implica num
paradoxo, que foi notado mais tarde por Olbers.
Com
a invenção do telescópio, na Holanda, e sua rápida
reprodução por Galileu e Kepler, a precisão das
observações deu um grande salto e desde então foi
crescendo rapidamente. À medida que os instrumentos foram se
tornando maiores, foi sendo possível determinar paralaxes cada
vez menores, e mesmo assim não era possível notar nenhum
efeito paralático nas posições estelares, portanto
a distância das estrelas foi sendo “empurrada” para cada vez mais
longe... Até que Bessel, no século XIX, finalmente conseguiu
determinar a paralaxe de uma estrela. O resultado foi 60 trilhões
de quilômetros (6 anos-luz), e nos anos seguintes foram determinadas
paralaxes ainda menores, para estrelas situadas a quatrilhões
de quilômetros. Esse método apresenta limitações
relacionadas à capacidade dos equipamentos, e usando a órbita
terrestre para produzir o efeito paralático não se pode
medir nada muito além de 1.000 anos-luz. Por isso foram usadas
outras técnicas combinadas. Eu estou tentando abordar todos os
detalhes importantes, e colocá-los mais ou menos em ordem cronológica,
mas acabo de me lembrar que não mencionei as estimativas de Herschell
sobre o tamanho da Via-Láctea. E, mais importante do que isso,
acabo de me lembrar que preciso dormir. J
Por isso vou dar uma arrematada nisso. Bom, depois vieram as técnicas
de paralaxe estatística, variação de luminosidade
das cefeidas e, finalmente, com Hubble, chegamos ao desvio para o vermelho,
que assumindo como correta a Teoria da Relatividade, sugere a recessão
das galáxias e implica num universo finito.
Entendemos
por “universo” o espaço-tempo onde se encontram os corpos que
podemos observar. Se forem corretas as estimativas sobre paralaxe estatística,
sobre luminosidade das cefeidas e sobre desvio para o vermelho, o universo
deve ter cerca de 10 a 15 bilhões de anos-luz. A incerteza nesses
valores é grande, porque os cálculos envolvem muitos métodos
indiretos, cuja propagação de erros torna o resultado
final bastante impreciso. Além disso, o resultado se baseia num
conjunto de teorias e hipóteses que podem não ser corretas,
como a variação de brilho das cefeidas obedecer a uma
regra geral, a teoria da relatividade estar correta em toda sua extensão,
entre outras coisas.
Nossa
situação atual não é muito diferente da
situação dos gregos. Temos à disposição
equipamentos mais sofisticados, ferramentas matemáticas mais
poderosas, computadores para tratar as equações que não
oferecem soluções analíticas etc., mas nossa capacidade
intrínseca de pensar e criar não mudou muito de lá
para cá, e continuamos nos debatendo para entender o que acontece
nos estreitos limites do que podemos enxergar, e nos esforçamos
para transcender e saber o que se passa além do que enxergamos.
Na década de 1960 ninguém jamais tinha observado diretamente
um átomo, mas todos já acreditavam na existência
de prótons, nêutrons e elétrons, que são
100.000 vezes menores, e já se começava a especular sobre
a existência dos quarks. A Ciência nos permite isso, graças
aos métodos indiretos usados para estudar o comportamento dessas
partículas, por isso é possível conhecer as características
que elas devem ter, mesmo sem nunca tê-las observado. O mesmo
se aplica ao universo. Acreditamos compreender algumas de suas propriedades,
e procuramos nos manter nos limites de onde nosso conhecimento empírico
pode ser comparado à teoria, afim de corroborá-la ou refutá-la.
Por isso não faz sentido, sob o ponto de vista científico,
especular sobre o que existe além das fronteiras do que podemos
estudar. Precisamos de novas teorias que permitam tratar melhor das
informações disponíveis e também precisamos
de equipamentos mais sofisticados para coletar dados mais acurados.
Por enquanto só podemos opinar sobre o existe num raio de 10
a 15 bilhões de anos-luz. Fora desses limites, é campo
para os escritores de ficção, religiosos e esotéricos,
que gostam de falar sobre o que não conhecem.
Um abraço!
Piu |
Parte
I
-----Mensagem original-----
De: afreitas [mailto:afreitas@usp.br]
Em nome de Antenor de Freitas Filho
Enviada em: sábado, 12 de agosto de 2000 15:47
Para: sigma.2000@sti.com.br
Assunto: Divagação! Olá Melão,
outro dia estava lendo uma carta enviada para ser respondiada pelo
Oráculo, onde vc tem a impressão, acertada na minha opinião,
que a
pessoa que fazia a pergunta estava mais se exibimdo que querendo saber
uma resposta para a dúvida dela, espero que não seja o
caso agora com
essa mensagem!
Eu tenho alguma dificuldade em ter muitos amigos,
ou pelo menos
alguns que tenham interesses paracidos com os meus; ai entrei para fazer
pós-graduação e o ambiente melhorou um pouco, pelo
menos no começo,
agora depois de alguns anos quando ?a ficha começa a cair? e
as coisas
começam a ficar mais claras, a impressão que se tem é
que 80% do seu
tempo aqui dentro passa-se fazendo algum trabalho "burrocratico" , para
fazer meu doutorado,p. ex., perderei pelo menos dois dos quatro anos
mínimos necessários para terminá-lo. Mas não
era bem esse assunto que
estava querendo te falar - foi só para desabafar um pouco, me
desculpe
se o faço perder tempo lendo estas bobagens- foi então
que encontrei as
sociedades de HIQ, e a esperança renasceu no sentido de se começar
a
fazer coisas interessantes que nem ousaria comentar com meu orientador;
e olhe que ele tem ADD, ou seja um QI altíssimo, estou tentando
montar
um clube de pessoas que gostem de robôs, dotá-los de alguns
sentidos
humanos tais como visão, fala e principalmente inteligência,
no sentido
de saberem como resolver problemas para os quais não foram
programados
para saberem a solução, mas o sonho maior seria conseguir
uma
?interface? entre nossa mente com um computador no sentido de ter na
tela do micro uma imagem do que estamos pensando, não tendo a
necessidade de tentar traduzir aquilo em palavras; e de quebra
imortalizar todos que tenham interesse em tal experiência no sentido
de
ter todos os dados gravados em um disco rígido e poder fazer
com que
outras pessoas possam conversar com ele/a mesmo quando este já
tivesse
nos deixado, além do que estes dados do disco poderiam continuar
se
"evoluindo" indepente do ser original que deixou as informações
originais; minha nossa agora eu exagerei mesmo!! Em todo caso quando
estou sonhando é com isso que perco meu tempo, será que
teria mais
alguem na sociedade que tenha interesses parecidos com esses?!
Parece que não tenho muito poder de síntese
não é, era só isso que
estava interessado em saber, se teria mais alguém que se intersse
por
imortalidade, pelo menos do pensamento, não seria igual ao do
livro
escrito pela pessoa mas o próprio pensamento dela ainda vivo
entre nós.
Grande
Antenor!
Tudo
bem?
A
Mariangel me enviou outros e-mails depois daquele. Cerca de 10 ao todo.
Ela parece uma pessoa simpática, mas naquela mensagem me pareceu
claro que realmente a intenção dela era aquela, pois da
maneira como ela descreve os termos utilizados, deixa transparecer que
não acredita que a pessoa a quem ela dirigiu a pergunta saberá
sequer o significado daquelas expressões, e muito menos a resposta
à sua pergunta. Se no seu caso a intenção é
a mesma que a dela, isso não sei dizer, mas pelo menos você
está sendo mais sutil. ;-)
Acho
muito interessante sua idéia de construir robôs pensantes.
Digo “interessante” porque inicialmente o perigo será bem pequeno,
já que eles serão pouco “inteligentes”. Mas à medida
em que forem ganhando autonomia e se tornando capazes de tomar decisões
próprias, fica difícil prever o que eles vão fazer
conosco. Basta analisar a maneira como tratamos os animais para ter
uma idéia do que pode nos acontecer. Acho que qualquer especulação
nesse sentido, não conduz a lugar algum. Por isso vamos tentar
encaminhar o assunto de modo que cheguemos a algum lugar.
A
impressão que tenho é de que mal começamos a engatinhar
nesse campo. Pelos softwares de tradução, pelos programas
que ministram sessões de Psicanálise e pelos programas
para jogar Xadrez, podemos perceber o quão pouco sabemos sobre
como atua o pensamento. Um programa de Xadrez, por exemplo, precisa
calcular 1 milhão de lances por segundo para conseguir equilibrar
a força de jogo com um grande mestre humano, que calcula somente
1 ou 2 lances por segundo. Além disso, o programa não
entende nada do que está fazendo. Ele elege o melhor lance pela
“força bruta”, comparando os resultados de numerosas variantes,
selecionadas com base em critérios extremamente rudimentares.
Se um programa de Xadrez chegar a uma posição semelhante
a outra contida em seu banco de dados, ele será incapaz de compará-las
e tirar proveito de seu “conhecimento”. Vejamos um exemplo: o Hiarcs
7.32 é uma das engines mais sofisticadas que existe. Na maior
parte das vezes, é capaz de avaliar estrategicamente uma posição
com tanta acurácia quanto um grande mestre. É um dos programas
que ‘aprende’ com as próprias partidas, incorporando à
sua engine as valorações que vai fazendo, tendo em conta
todo o histórico pregresso e o transcurso posterior das partidas,
e usa essas informações nas análises de outras
partidas. Em muitos casos ele é capaz de evitar cometer o mesmo
erro quando se depara pela segunda vez com a mesma posição,
o que já é algo bastante representativo em comparação
a qualquer outra máquina moderna, mas ainda é muito pouco
em comparação à capacidade de raciocínio
de um cachorro ou de um rato.
Pois
bem, o Hiarcs 7.32 é incapaz de concluir que se no diagrama 1
as Brancas dão mate em 16 lances, no diagrama 2 também
haverá o mesmo mate, pois a mudança na posição
do Rei branco é irrelevante. E não apenas o Hiarcs, mas
também o Fritz 6, o Junior 6 e qualquer outro software de ponta.
Nenhum deles é capaz de entender algo que nos parece tão
“óbvio”.
Diagrama
1
Diagrama 2
Além
disso, nenhum desses softwares consegue “entender” que a posição
do diagrama 3 é empatada, embora qualquer jogador inteligente,
mesmo que tenha acabado de aprender a mover as peças, possa concluir
isso sem grande esforço.
Diagrama
3
Os
softwares de Xadrez e de tradução são importantes
indicadores do estágio em que se encontram os estudos sobre inteligência
artificial, e eles revelam que já é possível simular
com eficiência, por meio da “força bruta”, a capacidade
de pensar sobre processos muito simples. Mas à medida em que
esses processos vão se tornando mais complexos, os programas
começam a falhar sistematicamente. O que os programas fazem atualmente
é processar instruções com rapidez. Fazem isso
melhor do que os mais velozes calculistas mentais, sorobanistas ou enxadristas.
Porém, coloque os computadores diante de uma situação
em que seja preciso improvisar, e eles serão incapazes de colocar
uma caixa em cima da outra para conseguir alcançar um cacho de
bananas _ coisa que chimpanzés e gorilas fazem sem ter que meditar
muito.
Na
vida as decisões são tomadas aproximadamente com base
em parâmetros similares aos que usamos para decidir qual o melhor
lance numa posição de Xadrez. A diferença principal
é que no Xadrez existe um número discreto de variáveis
a serem consideradas, e a posição final de cada variante
pode ser valorada assumindo que muitos parâmetros subjetivos podem
ser quantificados, de modo a estabelecer uma ordem de prioridades a
serem seguidas, e com isso é possível acertar nas decisões
recorrendo a um pequeno número de informações sobre
os princípios gerais do jogo. Pode-se dizer, por exemplo, que
uma Dama vale 88, uma Torre vale 45, um Bispo vale 32, um Cavalo vale
30 e um Peão vale 10 (mais grosseiramente, pode-se dizer que
os valores são, respectivamente: 9, 5, 3, 3, 1). Além
disso pode-se dizer que esses valores devem ir aumentando à medida
em que as peças forem saindo do tabuleiro, a fim de “ensinar”
aos programas a “Teoria da Simplificação”. Para tanto,
basta dizer ao programa que o valor de cada peça deve ser multiplicado
por 800 e dividido por x, onde “x” representa a soma dos valores das
peças presentes no tabuleiro + 400. Pode-se também atribuir
algo como 1 ponto (0,1 Peão) por casa dominada, 0,1 ponto por
Peão central etc., e assim obter uma estimativa das vantagens
estáticas (espaço) e dinâmicas (mobilidade das peças)
em cada posição. Mas ainda existem problemas técnicos
extremamente difíceis de serem resolvidos, como avaliar a segurança
dos Reis ou a importância justa de uma estrutura de Peões
defeituosa. Naturalmente os primeiros programas de Xadrez eram muito
ruins, e depois de 3 décadas temos acumulado alguma experiência,
que permitiu compilar programas “sábios e lentos” (Hiarcs, Genius,
M-Chess Pro) tão bons como os “tolos e velozes” (Fritz, Nimzo).
Os “sábios e lentos” assemelham-se mais ao jogador humano, na
aparência dos lances, mas ainda diferem muito na essência.
Um programa veloz calcula 500.000 a 2.000.000 de lances por segundo,
enquanto um programa lento calcula entre 10.000 e 50.000, portanto,
mesmo os programas lentos e sábios são muito mais rápidos
e mais tolos que os humanos.
A
única maneira de saber se foram “ensinados” bons conceitos a
um programa é colocando-o para jogar com humanos e com outros
programas, e fazendo uma estatística dos resultados. Com isso
pode-se escolher algumas poucas variáveis e ir mudando-as gradualmente,
depois comparando o desempenho do programa antes e depois da mudança.
Se o desempenho melhorar, as mudanças são mantidas, caso
contrário, restabelecemos os parâmetros antigos. Por exemplo,
em vez de dizer que cada Peão central vale 1, podemos dizer que
vale 1,15 e verificar se isso aumenta ou diminui a performance do programa.
Como
está claro, a tarefa é absurdamente laboriosa e dispendiosa,
portanto requer muito tempo, uma equipe numerosa e pesados investimentos.
Não é como inventar o Cálculo, a Teoria da Relatividade
ou o Teorema de Pitágoras, em que basta dispor de uma vareta
e um chão arenoso para rabiscar, ou no máximo uma folha
de papel, uma caneta e algumas ferramentas matemáticas adequadas,
um sistema de símbolos conveniente e coisas do gênero.
Mas os problemas que surgem nas pesquisas sobre I.A. não são
tão simples. Isso já torna extremamente difícil
e retarda imensamente o desenvolvimento de programas destinados a uma
finalidade muito específica, como “um programa que jogue bem
Xadrez”, ou “um bom software de tradução”, e quando se
pretende algo mais ambicioso, como um programa capaz de pensar sobre
qualquer assunto, capaz de aprender sobre qualquer assunto, ou capaz
de tomar decisões, então a tarefa se torna praticamente
impossível em nosso atual estágio de desenvolvimento tecnológico,
porque na vida existe uma variedade muito maior de informações
a serem consideradas na hora de tomar uma decisão, portanto seria
preciso um tempo imenso para reunir todos os dados relevantes e programar
um robô capaz de diferenciar uma mulher bonita e que faria sucesso
como modelo, de uma mulher que não se enquadra nos padrões
de beleza vigentes em nossa sociedade. E quando falamos em tempo imenso,
estamos nos referindo também a grandes investimentos e numerosas
equipes. Creio que a tarefa seria muitíssimo mais árdua
do que o projeto Manhattan, que consumiu mais de 1 bilhão de
dólares na década de 1940, com vários pesquisadores
de ponta trabalhando em conjunto ao longo de alguns anos. Penso que
o máximo que se pode fazer, por enquanto, é robôs
altamente especializados, capazes de tarefas simples de raciocínio
convergente.
Seria
extremamente difícil elaborar um programa que lesse e interpretasse
um texto simples, do tipo: “Vá ao mercado comprar guaraná.
Se não tiver, traga coca-cola.” Para que tal programa pudesse
lidar com muitas frases que não tivessem sido previamente incluídas
em seu banco de dados, ele teria que simular muito bem o “entendimento”,
e mesmo assim cometeria muitos erros graves, que os humanos não
cometem. O interessante é que depois de dar o primeiro passo,
os passos seguintes seriam mais fáceis. Por exemplo: daqui a
alguns séculos, depois que alguém (ou “alguéns”
J) conceber um programa com as características acima, será
relativamente fácil aprimorá-lo para que, apenas dizendo
“O guaraná está acabando.” E a partir disso o próprio
programa conclua que precisa ir ao mercado, e que se não encontrar
guaraná pode trazer coca-cola ou então procurar guaraná
em outro mercado, e, diante desse dilema, o programa será capaz
de tomar a iniciativa de nos perguntar: “O senhor quer que eu vá
ao mercado buscar? E se não tiver guaraná, quer que eu
traga coca-cola ou prefere que eu vá a outro mercado?” Enfim,
a dificuldade reside nos fundamentos do programa. Os passos seguintes,
de rebuscá-lo com recursos mais sofisticados, seriam comparativamente
fáceis.
Esse
quadro é ao mesmo tempo terrível e estimulante! Terrível
porque para todos os lados que olhamos, tudo o que vemos é um
vasto terreno estéril. E estimulante porque praticamente tudo
no campo da I.A. ainda está por ser descoberto. Antes de colher
os primeiros frutos, ainda é preciso adubar a terra, inseminá-la,
cultivá-la... Cuidar de muitas etapas antes de ver algum resultado
concreto. Creio que estamos tão distantes de um robô inteligente
quanto os antigos gregos estavam de nossa tecnologia atual. O fato é
que não dispomos de ferramentas adequadas e não acumulamos
conhecimentos suficientes. Temos apenas imaginação e avidez
pela descoberta, e isso deve nos conduzir aos nossos objetivos, mas
não tão cedo...
Bom,
o que quero dizer com tudo isso é que considero sua intenção
muito interessante, ambiciosa e quase impossível de realizar
no momento. E vou ficar muito feliz se você mostrar que estou
sendo pessimista e construir algo capaz de discernir visualmente (sem
analisar quimicamente) uma laranja real de outra de plástico,
e repita isso para qualquer outra fruta, e além disso possa chegar
a outras conclusões corretas sobre questões variadas.
Um programa que leia um problema do tipo: “João tinha dois ovos
e seu irmão quebrou um deles. Com quantos ovos inteiros João
ficou?” e seja capaz de dar a resposta correta, seria um grande passo!
Mas acho que nem isso é possível nas próximas décadas.
Talvez seja possível elaborar um programa de tradução
tão eficiente em sua tarefa como os programas de Xadrez são
na deles. Isso já seria um avanço muito importante, embora
não representasse mais do que uma nova gota d’água de
conhecimento em meio ao oceano do desconhecido.
Até
o parágrafo acima, eu tinha respondido antes de nos encontrarmos
pessoalmente e de você me falar sobre os detalhes de sua idéia,
que envolve transmitir informação de um cérebro
humano para uma máquina (um HD, DVD ou similar). Eu considero
que o texto acima está inacabado, mas como ia seguindo um rumo
meio diferente, vamos ver se agora abordamos o tema que você propôs.
A
idéia de preservar as informações que uma pessoa
vivenciou ao longo de sua existência é fascinante, principalmente
se houver algum meio de processar essas informações num
software (na falta de algo melhor) que simule o pensamento. Eu não
sei dizer se algum dia será possível construir uma máquina
dotada de criatividade e emoção, mas sabemos que no momento
nem sequer sonhamos com os meios que permitam compilar um programa capaz
de articular idéias básicas. Portanto, a impressão
que tenho é de que essas idéias não podem ser encaradas
como um “projeto”, mas como um interessante tema para um texto de ficção.
Eu coloquei uma descrição resumida sobre a máquina
da invisibilidade na seção dos Sigma Testes, em forma
de problema. Creio que uma versão rudimentar da máquina
da invisibilidade, capaz de funcionar em circunstâncias especiais,
seja um projeto muito mais modesto e ainda assim inviável nos
próximos séculos. Já a idéia de transmitir
dados de um cérebro para um HD ou de um HD para um cérebro,
isso eu considero muito distante. Mas o que realmente fascina nisso
é que me parece viável, porque a conversão de uma
linguagem na outra não seria impossível (ao menos até
onde posso entender), já que ambos (cérebro e máquina)
trabalham à base de pulsos elétricos. Eu não sei
nada sobre neurologia, por isso não posso me arriscar nesse campo,
pois fatalmente diria grandes sandices. Mas espero que outras pessoas
com os mesmos interesses que você lhe escrevam, e que também
se associem ao seu clube de pessoas que gostam de robôs.
Um
grande abraço!
Piu
Visitem
a seção de Humor, de Antenor de Freitas Filho! Clique
aqui!
Parte
II -----Mensagem
original-----
De: afreitas [mailto:afreitas@usp.br]
Em nome de Antenor de Freitas Filho
Enviada
em: quinta-feira, 31 de agosto de 2000 05:05
Para: sigma.2000@sti.com.br
Assunto:
Aumento do arquivo sobre piadas!
(Mensagem
editada, com exclusão das piadas, que serão publicadas na
seção de humor)
Olá,
Melão
Obrigado pela resposta no Oráculo, muito instrutiva e
estimulante,
quanto à máquina ser mais inteligente que nós tenho
uma resalva
que talvez nos deixe um pouco mais ?confortáveis?, da mesma
forma que
pessoas como vc e eu não maltratamos os animais quem sabe
poderemos
ter a mesma sorte de não sermos maltratados pelas máquinas,
e quanto
ao atraso tecnológico da nossa civilização estar
tão longe do dia em
que poderemos ver tais máquinas quanto nosso atual estágio
em relação ao
antigo Egito (digamos 4.000 anos atrás), acredito que certamente
não levaremos
tanto tempo assim pois há um fato chamado ?espiral do
conhecimento?,
algo como quanto mais vc sobe a montanha do conhecimento
mais longe
vc enxerga, quanto mais conhecimento vc adquire mais rápido
vc descobre
outros, creio que até o final do próximo século deveremos
ter ?andróides
? bastante razoáveis ! espero. Um
abraço.
Olá,
Antenor!!
Tudo
bem?
Não
sei bem se a minha resposta foi instrutiva, conforme você disse.
Espero que não esteja com esse papo pra tentar me seduzir ;-),
porque sou um Piu-Piu macho, com um pauzinho (hífen) no meio
dos “Piu”. O pouco que conheço sobre Inteligência Artificial
está ligado à aplicação da mesma aos softwares
de Xadrez. De certo modo, sou um “usuário” de Inteligência
Artificial, tanto com softwares de Xadrez como softwares de Tradução,
mas pelo fato de pesquisar com certa profundidade as diferentes engines
de Xadrez (Fritz, Hiarcs, Junior, Craftty, Nimzo etc.), acabo tomando
conhecimento sobre alguns processos que talvez possam ser de algum interesse.
Em 1998, pela Escola Virtual de Xadrez, recebi um e-mail de um rapaz
que precisa de alguma orientação sobre como elaborar a
parte heurística de um programa de Xadrez que fosse capaz de
vencer alguém que tivesse acabado de aprender a mover as peças.
Eu não achava que estivesse habilitado para isso, mas fiz o que
pude, atribuindo algumas valorações, meio que “chutadas”,
sobre a importância de dominar o centro, linhas abertas etc.,
e ele me respondeu agradecendo muito, demonstrando grande entusiasmo
e dando a impressão de que era exatamente o que ele procurava.
No fim das contas, tive a impressão de que ele buscava apenas
algumas informações sobre Xadrez, porque sobre I.A. propriamente,
eu não conheceria o bastante nem sequer para entender um diálogo
“light” entre estudantes nessa área.
Quanto
à questão dos animais, para nosso referencial julgamos
que não os maltratamos, mas não creio que algum de nós
gostaria de trocar de posição com eles. Note que eles
vivem sem liberdade, quase exclusivamente para nosso prazer e diversão.
Podemos gostar deles, mas nem por isso lhes oferecemos o que talvez
seria realmente o essencial a eles.
Quanto
à espiral do conhecimento, de fato parece representar satisfatoriamente
a evolução da Ciência e da Tecnologia. Um exemplo
interessante seria o Evolucionismo, que de Lamarc passou por Darwin
e Wallace e agora parece estar resgatando algumas idéias de Lamarc,
como a segunda volta da espiral que passa sobre o antigo ponto, mas
com uma visão mais elevada. Isso acontece em muitos casos, mas
segue caminhos inteiramente distintos, com saltos ou quedas, desvios
etc. Especialmente no caso da I.A., acredito que o desenvolvimento precisará
de um salto para prosseguir, porque o tamanho dos chips já está
chegando perto de atingir seus limites físicos. O que quero dizer
é que não sei se algum dia será possível
construir um processador com 1 THz ou um HD com 100THz. Se isso for
possível, deve envolver uma tecnologia inteiramente nova e, portanto,
representará um “salto” fora da evolução suave
e contínua da espiral do conhecimento.
Quanto
aos andróides, esse é um tema delicado! Um membro da Prometheus,
chamado Graddy Towers, que faleceu nesse ano, escreveu um artigo muito
interessante sobre a miscigenação entre homens e macacos.
Ele considera a possibilidade de fazer experiências cruzando homens
com chimpanzés e/ou gorilas, e cita que o número semelhante
de cromossomos é um fator que favorece esse cruzamento, como
acontece no caso de cruzar cavalos com jumentos, gerando mulas. Mas
para conseguir o aval necessário a promover tais experimentos,
seria preciso persuadir a Igreja e o Governo, e para tanto também
seria preciso persuadir o povo. Em outras palavras, isso só seria
possível se houvesse algum indício de que tais experimentos
nos levariam a encontrar a cura para a AIDS ou algo assim, do mesmo
modo que a NASA precisou apelar para a possibilidade de existência
de vida (macroscópica) em Marte para conseguir fundos financeiros
destinados às missões Viking, Mariner e outras... É
a meta “elevada” (agradar aos olhos do povo e da mídia) que permite
arrecadar fundos para o projeto mais “vulgar” (expandir os horizontes
de nosso conhecimento).
Construir
um andróide talvez já seja possível nos dias de
hoje. Depende do que se entender por “andróide”. Se anexar um
braço mecânico, capaz de responder aos impulsos elétricos
adequados e corresponder com os mesmos movimentos de um braço
orgânico, se isso já puder ser considerado um andróide,
então já dispomos dessa tecnologia. Mas bem diferente
disso é, conforme você disse, colocar um cérebro
dentro de um conjunto de engrenagens, ligado a miríades de eletrodos,
e esse cérebro comandar todo um corpo mecânico. Nesse caso,
não bastaria que dispuséssemos de tecnologia suficiente,
mas além disso seria necessário vencer a barreira dos
dogmas religiosos e as tradições sociais. Se bem que,
depois de atingir o estágio tecnológico adequado, a tarefa
de driblar as restrições da Igreja e da Sociedade é
a parte mais fácil. Contudo, existe algo mais grave e mais importante
do que os preconceitos religiosos e sociais. É a Ética.
E, sinceramente, eu não sei se é ético empreender
algum esforço no sentido de preservar um cérebro em tais
condições. Eu, por exemplo, acho que não gostaria
de ter meu cérebro trabalhando num corpo mecânico, um “corpo”
incapaz de se satisfazer sexualmente, gastronomicamente etc.
Enfim,
no que diz respeito às limitações tecnológicas,
creio que vamos precisar de muito tempo até que possamos enlatar
um cérebro e mantê-lo ativo. Você deve estar mais
apto do que eu para estimar o prazo para isso, pois está bem
familiarizado com o ritmo em que a área está se desenvolvendo.
Se serão 200 ou 2000 anos, isso realmente não sei dizer.
Mas nas próximas décadas, como você supõe,
considero bem pouco provável.
Mas
basicamente só divergimos no ponto em que você diz “até
o final do próximo século deveremos ter andróides
bastante razoáveis! espero.” Talvez tenhamos andróides,
de fato, mas não sei se “espero” por isso com entusiasmo ou com
medo. É comum o pesquisador estar disposto a sacrificar tudo
para atingir o conhecimento almejado, até a própria vida,
até a vida de toda a humanidade e até mesmo a existência
do Universo. Outro dia uma moça (Patrícia Rodrigues) me
falou sobre um artigo publicado em Nature, que alude a uma experiência
cujos detalhes ela não descreveu, mas deu a entender que implicava
na construção de um gigantesco acelerador de partículas
para produzir anti-matéria auto-replicante (ela citou os nomes
das partículas, mas não era nada que tenha ouvido falar
antes). :-\ Como se pode concluir, em tal experiência haveria
o risco de que todo o Universo fosse convertido em energia. Por isso
alguns pesquisadores estavam renunciando ao projeto e expondo os motivos
ao Governo e às empresas que o financiariam. O risco de destruir
o Universo com um relativamente pequenino equipamento é um tanto
assustador. No caso de construir andróides, os riscos me parecem
consideravelmente grandes, porque serão diferentes de nós,
e as criaturas são naturalmente sectárias, tendendo a
preferir seus semelhantes. O racismo, o patriotismo, as preferências
por time de futebol ou por seitas religiosas, são algumas manifestações
dessa natureza sectária. E nada nos garante que esses andróides,
de uma hora para outra, não passariam a desenvolver uma ideologia
nazista e trabalhar pelo nosso extermínio, alegando (com justiça)
que somos nocivos à natureza e depredamos o planeta. E usariam
isso como pretexto para generalizar a idéia de que “todo humano
é ruim, nocivo ao planeta, e precisa ser eliminado”.
Pois
é, e eu não gostaria de ver meu sonho se transformando
em pesadelo. Robôs já me parecem consideravelmente perigosos,
tomando por referência o que eles fazem no Xadrez e nas traduções,
ou seja: ao traduzir do inglês para o português e depois
traduzir o resultado novamente para o inglês, mudam o sentido
de muitas frases. No caso do Xadrez, eles muitas vezes “acreditam” estar
seguindo caminhos corretos e seguros, que para nós são
evidentemente errados e podemos demonstrar isso, e o pior é que
eles são “incapazes” de entender que estão errados. Isso
já me assusta. E muito mais assustador é pensar num andróide,
com paixões e pensamentos próprios, não um mero
sistema cibernético que segue instruções, mas um
cérebro com vontade própria e um “poder” que pode fugir
ao nosso controle. Não sou um conservador, muito pelo contrário,
mas tento considerar quais podem ser as conseqüências positivas
e negativas. A possibilidade de construir andróides e o fato
de que isso está se tornando cada vez mais próximo de
ser uma realidade cotidiana, de algum modo me causa desconforto e preocupação,
mas como não há nada que se possa fazer contra nem a favor,
pois há milhões de pessoas envolvidas e bilhões
de pessoas alheias ao que acontece, então simplesmente fico aguardando...
E torcendo para que essas coisas demorem muito tempo para acontecer.
:-)
Um grande
abraço!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: Jorge Miguel Ramos Domingues Ferreira Vieira [mailto:egrojarieiv@clix.pt]
Enviada em: sábado, 5 de agosto de 2000 22:53
Para: Sigma Society
Assunto: uma estranha ideia Olá Melão!
Como está
Escrevo-lhe este e-mail para lhe mostrar uma estranha...devo dizer muito
estranha ideia que me ocorreu já hà alguns anos.
Estava deitado no sofá (não goze com a introdução
por favor 8 ) )a olhar para a televisão quando subitamente apareceu-me
uma ideia estranha na cabeça.
Questionei-me sobre a continuidade aparente do movimento...sobre a diferença
entre o rápido e o lento...e pensando de uma certa forma quase
que me convenci que a nivel atómico imaginando-me um electrão
não poderia saber a que velocidade me deslocaria (logo pela falta
de referencial), e não poderia distinguir um e- a andar rápido
de um a andar lento...será então o movimento descontino-o,
em que a diferença de velocidades existe devido aos diferentes
intervalos de tempo entre dois movimentos infinitamente rápidos
e infinitamente pequenos?
Gostava que opinasse sobre esta muito estranha e por ventura sem lógica
alguma, não faço ideia, ideia.
Desde já obrigado pela atenção
Jorge
Grande
Jorge!
Como está, meu amigo?
Pois é. Essa é uma questão muito interessante.
Demócrito formulou um modelo atômico para tudo, inclusive
para o tempo, mas na época de Demócrito eram só
especulações, e quando a teoria do átomo ganhou
fundamentos científicos (Dalton, Thomson, Rutherford, Bohr etc.),
a idéia de “átomos de tempo” foi deixada de lado. Depois
depois, quando foram lançadas as bases da Mecânica Quântica,
Planck sugeriu que existe um limite inferior de intervalo de tempo,
algo da ordem de 5,4*10^-44 segundo. Isso não significa que o
tempo seja necessariamente granuloso, constituído por “partículas”
de 5,4*10^-44 segundo, mas significa que, se o Princípio da Incerteza
e os fundamentos da Mecânica Quântica estiverem corretos,
então não se pode estudar (nem mesmo em teoria) os eventos
que ocorrem em intervalos menores do que esse, que é chamado
de "Tempo de Planck".
Admitindo que a Teoria da Relatividade está correta e nada pode
viajar mais rapidamente que a luz no vácuo, então existe
também um limite inferior de espaço, que é o espacinho
percorrido pela luz num intervalo igual ao Tempo de Planck. Esse espacinho
corresponde a cerca de 1,6*10^-35m.
Quanto à sua suposição das diferentes velocidades
serem conseqüência de diferentes intervalos de tempo entre
cada um dos ‘movimentos quantizados’ (suponho que poderíamos
chamar assim), em princípio não parece provocar contradição
com as teorias vigentes. Mas se o tempo for constituído por partículas
cujo intervalo tende a zero, creio que isso não representa nenhuma
diferença de considerar que o tempo é um fluxo contínuo.
Só haveriam diferenças revolucionárias se cada
intervalo fosse diferente de zero (por exemplo: 10^-100 seg.), então
isso poderia ter implicações muito importantes e interessantes,
sobretudo se tais “grânulos de tempo” fossem maiores que o Tempo
de Planck, porque nesse caso produziriam diferenças sensíveis
em nossa apreciação do universo, ao ponto de nos obrigar
a uma reformulação do modelo adotado. O problema seria
como determinar a duração de tais intervalos. Pelo que
sei, os intervalos de tempo mais curtos que se pode determinar com o
auxílio dos equipamentos atuais são da ordem de 10^-23
segundo. São calculados com base na trajetória deixada
por certas partículas, quando elas atravessam um fluido. Como
as partículas viajam a uma velocidade conhecida (quase igual
à da luz), medindo-se a trajetória pode-se saber o tempo
de seu decaimento. Note que os intervalos mais curtos medidos em laboratório
são cerca de um bilhão de trilhões de vezes maiores
do que o Tempo de Planck, ou seja, uma desproporção mil
vez maior do que entre o tempo de vida do universo e um piscar de olhos.
:-)
Um grande abraço!!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: mariangel [mailto:mariangel@bondinho.com.br]
Enviada em: sábado, 5 de agosto de 2000 16:08
Para: sigma.2000@sti.com.br
Assunto: Reorganização Neurológica
Olá!
Quando uma criança está em desenvolvimento e ela não
engatinha ela
estará pulando uma fase (não maturará eficazmente
o mesencéfalo, ou
seja, o cérebo primitivo) e mais tarde ela poderá ter
a vir um problema
de escrita ou lateralidade etc..
Temple Fay, descobriu que através de movimentos padronizados
(os que a
criança faz ao nascer e continua fazendo ao longo de seu
desenvolvimento..ex..o balançar pernas e braços em padrão
homolateral e
cruzado, rolar, engatinharetc.. ..esses movimentos estariam preparando-a
para o andar, falar e posteriormente o pensar..).
A pergunta é: Como pode através desses movimentos haver
a maturação do
SNC? E pq?
Obrigada!
Mariangel
Olá!
Tudo bem?
Eu não tenho nenhuma formação acadêmica,
por isso é meio difícil responder a certas questões.
Quando se trata de Xadrez, Física ou Astronomia _ áreas
que adquiri algum conhecimento como autodidata _, ou quando se trata
de qualquer assunto sobre o qual se possa chegar a uma solução
por meio da reflexão, então dá pra especular um
pouco e tentar oferecer uma resposta. Mas nesse caso estamos tratando
de Neurologia, que foge completamente às áreas nas quais
eu costumo me aventurar. Mas naturalmente eu não vou deixá-la
sem uma resposta. J
Todavia, esclareço que estou apenas tateando no escuro, sobre
um assunto que desconheço. Vou tentar me conduzir pelo bom-senso
e eventualmente apelar para a intuição.
Antes de começar, eu quero dizer uma coisa: há pessoas
que nos escrevem porque buscam respostas a trabalhos escolares, muitas
vezes sobre administração ou contabilidade, trabalhos
de segundo grau, matemática, geografia etc. Geralmente eu não
respondo a tais perguntas. No seu caso é diferente. Se eu não
lhe respondesse, seria porque não estou qualificado para isso.
De fato eu não estou, mas vamos brincar um pouco... J
Bom, também há pessoas que escrevem para essa seção
porque buscam esclarecimento sobre algum assunto, mas como não
o encontram em outros lugares, usam nosso Oráculo como ‘último
recurso’. Outras nos escrevem porque querem se divertir, trocar mensagens,
coisas assim. Outras porque querem me testar, outras porque querem exibir
conhecimento sobre um ou outro assunto. Enfim, temos gente de todo tipo
por aqui, e meu “instinto selvagem e cruel” me diz que você é
uma combinação dos dois últimos tipos citados.
J Eu
espero estar errado sobre isso e também espero que você
não se sinta ofendida.
Bom, minha querida, você deve estar buscando uma descrição
dos processos fisiológicos envolvidos, porque está bem
claro que você é uma estudante na área de Biológicas.
Se você realmente deseja obter tal resposta, pode simplesmente
consultar um professor ou mesmo um livro, porque aparentemente essa
é uma questão sem grandes mistérios e não
exige nenhum esforço de abstração para compreender
os processos envolvidos. Normalmente a seção Oráculo
aborda assuntos que exigem não apenas conhecimento, mas uma boa
dose de imaginação, além de raciocínio lógico
bem desenvolvido. E é mais ou menos o que vamos tentar fazer
com sua pergunta. Vamos pensar um pouco e ver se podemos descobrir alguma
coisa.
Comecemos contestando uma de suas proposições: você
diz que a criança que não engatinha pode futuramente manifestar
dificuldades motoras e cinestésicas. Isso me parece improvável.
Eu acredito que a criança que não engatinha já
está manifestando deficiências psico-motoras, que se não
forem devidamente tratadas, podem se agravar. O tratamento deve consistir
em estimular a prática de exercícios pediátricos
adequados, do tipo manipular objetos, e encorajar a criança para
que ela tente engatinhar em direção de algo que lhe desperte
o interesse (um brinquedo sonoro ou luminoso, por exemplo).
Na criança com motricidade e inteligência normais ou supranormais,
os movimentos devem surgir naturalmente, sem necessidade de tais estímulos,
enquanto as crianças propensas a manifestar inaptidão
física ou mental tendem a apresentar indícios de tais
dificuldades desde a mais tenra idade. O que digo é que o problema
não surge porque a criança não engatinhou, mas
o fato dela não engatinhar é um sintoma de que o problema
já está presente e requer cuidados especiais.
A maneira como as atividades motoras atuam no desenvolvimento do sistema
nervoso central (que você carinhosamente chama de “SNC”) deve
estar estreitamente relacionada à memória cinestésica.
Você certamente já assistiu, no circo ou na TV, àqueles
homens que atiram facas numa roda giratória na qual está
amarrada uma mulher. Depois ele é vendado e repete a proeza,
sem acertar nenhuma faca na moça, deixando toda a platéia
perplexa com sua destreza. Isso acontece porque o corpo dele está
condicionado pela memória cinestésica. Eu pratiquei artes
marciais durante algum tempo (uns 12 anos), e aprendi um pouco sobre
o lançamento de shuriken e shaken (são aquelas estrelas
dos filmes de ninja). Depois de algum tempo de prática, quando
você lança um shuriken tanto faz você estar com os
olhos abertos ou fechados. O corpo se condiciona a repetir o movimento,
quase num gesto involuntário, e isso é feito com a mesma
facilidade se você vê o alvo ou não.
Uma criança que começa a engatinhar precisa pensar em
cada movimento que vai fazer. Isso é um esforço considerável,
no início, mas com o passar do tempo ela vai se tornando cada
vez mais hábil, até começar a andar sobre duas
pernas, em princípio com dificuldade e também premeditando
cada movimento, mas logo vai ganhando desenvoltura e esses movimentos
(caminhar, comer, girar a cabeça para o lado etc.) vão
se tornando espontâneos.
Existe uma doença, cujo nome não me recordo, que priva
a pessoa de todos os movimentos porque danifica seriamente (ou totalmente)
a cinestesia. Assisti a uma matéria sobre isso, exibida há
alguns meses no Discovery, e creio que se possa encontrar algo sobre
o assunto no site: www.discovery.com. Nesse documentário, mostraram
um homem com cerca de 40 anos que estava completamente paralisado, e
ele re-aprendeu a engatinhar, depois a andar, a pegar um copo e levar
água até a boca, a escovar os dentes etc. Ele só
conseguiu isso porque era um homem muito perspicaz e determinado, pois
teve que aprender em condições muito mais difíceis
do que uma criança. No caso dele, a memória cinestésica
não tinha como atuar, pois sua cinestesia era nula. Então
ele teve que emular a memória cinestésica, usando sua
visão e seus outros sentidos. No caso da criança, a coisa
é muito mais simples, porque todos os movimentos que ela faz
ficam registrados na memória que cuida especialmente da cinestesia,
e conforme as informações sobre esses movimentos vão
se acumulando, a motricidade vai melhorando de qualidade. E não
apenas isso, mas também os músculos e tendões tornam-se
mais eficientes. Veja o exemplo de um ginasta olímpico. Para
fazer uma série de saltos mortais ou flip-flops não basta
saber como fazer o movimento. É preciso ter condicionamento adequado
também. É preciso força, flexibilidade e coordenação,
e isso se adquire por meio de treinamento regular, não pelo aprendizado
no sentido restrito da palavra, ou seja: se uma pessoa aprende a dar
salto mortal duplo, mas fica vários anos sem praticá-los,
é bem provável que as informações cinestésicas
permaneçam frescas em sua memória, mas o corpo terá
perdido agilidade devido à falta de treino, e embora a pessoa
saiba como fazer, ela não será capaz de fazer. Portanto,
quando a criança engatinha e manipula objetos, ela vai se habituando
a usar uma das mãos com mais freqüência que a outra,
vai se aprimorando em tarefas diversas (segurar um objeto com firmeza,
colocar comida na boca etc.). Isso não é um fator determinante
na lateralidade, pois creio que sejam os genes que definem se uma pessoa
será destra ou canhota. Mas esses hábitos vão se
incorporando gradualmente à memória cinestésica
e acentuando o conhecimento do próprio corpo, além de
aperfeiçoar a coordenação motora e tonificar os
músculos necessários para cada tarefa. Com o passar dos
anos, as crianças mais ativas saberão diferenciar mais
facilmente um lado do outro, serão mais ágeis etc., enquanto
aquelas que tiveram vida mais sedentária podem encontrar dificuldades,
porque não armazenaram volume suficiente de informação
cinestésica e não exercitaram devidamente o corpo.
Com a escrita ocorre basicamente a mesma coisa. Soma-se a isso o fato
de que, na maioria das vezes, as crianças que apresentam dificuldades
motoras também apresentam deficiências mentais (algumas
ligeiras, outras mais acentuadas, outras não apresentam nenhuma
deficiência). Por isso é que para tais crianças
é mais custoso todo o processo de aprendizagem, o que se faz
notar na escrita, na fala etc. Existem exceções, obviamente,
de crianças com dificuldades motoras e dificuldades com a linguagem,
mas que são muito inteligentes e também existem crianças
portadoras de deficiências mentais, mas com excelente coordenação
motora.
Outro comentário importante: cada movimento que fazemos é
constituído por um conjunto de outros movimentos mais elementares.
Pela maneira de andar, pode-se reconhecer prontamente uma pessoa descoordenada,
um bailarino ou um atleta. A pessoa com baixa coordenação
anda jogando os membros desorganizadamente, o bailarino anda com graça
e leveza, o atleta anda com determinação e segurança.
Essas diferenças são o resultado do histórico da
memória cinestésica combinada à aptidão
natural de cada um. Antes de aprender a dar saltos acrobáticos
é necessário aprender a andar, e antes de andar é
preciso engatinhar, e antes de engatinhar é preciso aprender
uma série de outros movimentos mais básicos. Se os conhecimentos
mais fundamentais forem bem assimilados, então os outros movimentos
mais complexos também serão desenvolvidos com mais facilidade
e maior destreza.
Bom, minha querida, eu estou satisfeito comigo mesmo. Por alguns momentos
eu achei que fosse ter que enrolar você, em vez de responder à
sua pergunta. J
Mas sinto que resposta ficou mais ou menos pertinente. De qualquer modo,
sua pergunta ficará aberta às opiniões de outros
membros, que eventualmente possam lançar alguma luz sobre o problema.
Se você quiser enviar a pergunta em inglês (e outros idiomas),
podemos postá-la em nosso eGroup e com isso aumentar as chances
de você receber uma resposta de um pesquisador nessa área,
porque cerca de metade dos nossos membros não fala português.
Até mais!
Piu |
| Posted by Jorge Miguel Ramos Domingues Ferreira Vieira
on July 24, 19100 at 12:35:15: Olá!
Venho rectificar a minha mensagem sobre a ultrapassagem
da velocidade da luz.
Esta foi conseguida sim (em cerca de 300 vezes), mas não foram
partículas materiais a ultrapassa-la mas fotões de um
raio laser. Diz-se que os cientistas observaram o raio a sair de uma
certa camara antes de ter entrado!
Gostava agora mais precisamente, saber as implicações
desta experiencia na nossa vida, e porque razão se observou o
raio a sair antes de ter entrado.
Desde já obrigado
Jorge
Oi!
Pelo que você diz, suponho que os próprios autores da experiência
ainda não saibam muito bem o que fazer com o resultado. J
A primeira coisa é certamente divulgá-lo (é o que
estão fazendo) e esperar que outros repitam a experiência
com sucesso. Se for confirmado para vários pesquisadores independentes,
será uma questão para se pensar, e pode até revolucionar
a Física.
Na década de 1970, quando foi anunciado pela primeira vez que
táquions (ou tachions) tinham sido observados, houve alguma agitação,
mas ao mesmo tempo houve ceticismo. O tempo foi se passando, e parece
que foi realmente um caso isolado, pois os táquions não
voltaram a ser observados. Portanto, concluiu-se que eram apenas raios
cósmicos produzindo radiação Cherenkov na atmosfera.
Desde 1982 (talvez antes), muitas vezes foi anunciada a descoberta do
quark Top, sem que de fato tal descoberta tivesse ocorrido (parece que
em 1994 foi confirmada a existência dessa partícula). Willian
Herschell, no século XVIII, pensou ter descoberto 4 satélites
orbitando em torno de Vênus, e chegou a calcular as órbitas
desses satélites, mas depois constatou-se que fora uma ilusão
(talvez asteróides, talvez estrelas distantes situadas no mesmo
campo de visão). Bessel, em meados do século XIX, pensou
ter descoberto anéis em Netuno. Quando a sonda Voyager II passou
pelas proximidades de Netuno, em 1989, verificou-se que ele realmente
possui um sistema de anéis muito tênues, que jamais poderiam
ser observados pelos instrumentos da época de Bessel, e nem mesmo
pelos instrumentos modernos situados na Terra. Por volta da década
de 1960 ou 70, as excreções de pombos na antena de um
grande rádio-telescópio produziram interferências
que foram confundidas com mensagens de extraterrestres. J
Percival Lowell, enxergava canais na
superfície de Marte. E, ao longo da história da ciência,
podemos encontrar muitos casos de sensacionalismo. Algumas vezes é
a mídia que deturpa a informação, outras vezes
são os próprios pesquisadores que fazem isso, ou buscando
mais recursos para suas pesquisas (investigação da possibilidade
de vida em Marte, por exemplo) ou tentando obter ilicitamente alguma
glória pessoal.
É bom esperar antes de acreditar nas notícias muito recentes.
Só depois que elas amadurecem um pouco é que se pode saber
até que ponto estão corretas. Por outro lado, também
é importante tomar certos cuidados com o ceticismo exacerbado.
Um exemplo triste é o caso de um físico russo que previu
a existência dos quarks antes de Gell-Mann (o russo os chamava
de “ases”). Ele apresentou sua teoria para publicação
numa revista russa, mas seu artigo foi rejeitado, sob a alegação
de que não passava de especulação. Pouco depois,
Gell-Mann, independentemente, publicou um trabalho praticamente idêntico,
nos EUA. A diferença fundamental é que o russo (e lamento
por não me lembrar o nome dele, porque ele certamente merecia
ser citado) acreditava que sua teoria representava a verdade, enquanto
Gell-Mann, sem maiores pretensões, admitia que se tratava apenas
de uma “brincadeira matemática de como poderia ser o universo
subatômico”. Posterirmente, a teoria dos octetos, em que se baseava
a organização dos quarks, foi confirmada pela descoberta
de novas partículas que se enquadravam muito bem no modelo teórico
(se não me engano, uma dessas partículas foi o híperon
lâmbda, com massa de 1679MeV, grandeza admiravelmente próxima
da massa prevista teoricamente: 1681MeV), e isso valeu a ele o prêmio
Nobel de 1968, enquanto o físico russo só é citado
em algumas poucas publicações sobre o assunto. O próprio
Einstein nunca ganhou nenhum prêmio por sua Teoria da Relatividade
(o Nobel de 1921 foi por seus estudos sobre o efeito foto-elétrico).
Enfim, é preciso ter uma posição ponderada, sem
acreditar em tudo que é dito ou escrito, mas também sem
descartar a possibilidade de estar certo, pelo simples fato de não
estar de acordo com os modelos vigentes.
Com relação aos pesquisadores terem “enxergado a luz saindo
antes de ter entrado”, isso certamente quer dizer que os equipamentos
usados indicaram uma leitura que sugere que a detecção
da luz saindo precedeu a leitura que sugere a detecção
da luz entrando. Sem maiores descrições de como foi o
experimento, isso é extremamente vago, podendo inclusive ser
um erro de leitura.
Naturalmente estou tentando explicar de acordo com meus poucos conhecimentos
sobre o assunto. Poderia especular sobre tempo imaginário e fazer
analogias com as propriedades hipotéticas dos táquions,
mas enquanto não houver nada de concreto, vou encarar isso como
ficção e prefiro não me prolongar na questão.
Vamos esperar. Se esses pesquisadores ganharem um prêmio Nobel
e se associarem a Sigma, é porque existem boas chances do resultado
das experiências serem corretos. J
Eu fiz o que pude, mas não sei se esclareci alguma coisa... J
Um grande abraço!
Piu |
| Posted by Jorge Miguel Ramos Domingues
Ferreira Vieira on July 06, 19100 at 14:01:26: Olá!
Hà algum tempo atrás ao ler uma enciclopédia deparei
com um assunto interessante, algo sobre as massas de partículas
em repouso e com uma dada velocidade. Não estou bem certo mas
julgo que a partícula em questão era o neutrino. Nesse
artigo, era descrita uma experiência para determinar a massa de
repouso dessa mesma partícula. A partir dela chegou-se à
conclusão de que a sua massa de repuso deveria ser nula. Contudo
não consigo compreender como uma coisa que não existe
(com massa), quando é acelerada a uma determinada velocidade
passa a existir com massa.
Se a massa a uma dada velocidade for igual à massa de repouso
sobre a raíz quadrada de um menos beta ao quadrado, e se a massa
de repouso é igual a zero a massa a uma dada velocidade nuca
poderia ser diferente de zero. Como é então isto possivel?
(desculpem - me se tiver a confundir alguma coisa)
Obrigado
Jorge
Grande
Jorge!
Tudo bem?
Pra entender melhor a questão sobre a energia cinética
das partículas elementares, é importante ver como funciona
o processo de fusão nuclear.
Vamos tomar como exemplo a fusão de hidrogênio em hélio,
que ocorre no interior do sol e de outras estrelas.
Bom, quatro átomos de hidrogênio são formados por
4 prótons e 4 elétrons. Cada próton é formado
por dois quarks up (q = +2/3) e um quark down (q = -1/3). Dois desses
prótons sofrem uma interação fraca, de modo que
cada um deles emite um bóson W+. Esse W+ tem massa de repouso
cerca de 90 vezes maior que a massa de repouso do próton, por
isso ele precisa existir durante um intervalo muito curto, para não
violar o princípio da incerteza (isso pode parecer meio difícil
de “engolir”, mas parece ser o que acontece J).
Quem emite esse bóson W+ é um dos quarks up que constituíam
o próton, e prontamente converte-se num quark down: simplificadamente,
sem falar em número bariônico, spin, isospin, número
leptônico etc., ele _ up _ tinha carga +2/3 e emitiu uma partícula
de carga +1, portanto ficou com -1/3, ou seja, tornou-se um quark down
(pois a estranheza, o charme e outras propriedades foram preservadas).
Assim, o próton torna-se um nêutron, formado por dois quarks
down (-1/3) e um quark up (+2/3), com carga total zero. O bóson
W+ colide com um elétron e, ao anularem suas cargas, emitem radiação
em forma de luz (acho que um par de fótons) e um neutrino, necessário
para manter equilibrado o número leptônico.
Ocorrem algumas coisas insólitas (beijos pra Jú), como
um próton emitir uma partícula com massa 90 vezes maior
que a dele, e depois disso ainda aumentar a própria massa (estamos
falando em massa de repouso!), pois o próton tem cerca de 1836
vezes a massa do elétron, enquanto o nêutron tem 1838,6
vezes.
O importante é o resultado líquido do processo final.
A massa do bóson W+ é “virtual”, enquanto a massa do elétron
é real. A massa do elétron converte-se em três partículas
sem massa, mas cada uma dessas partículas possui uma determinada
energia cinética. O elétron tem energia cinética
de repouso de cerca de 511keV (ou seja, tem massa de cerca 9,1*10^-28g),
e essa energia é transferida às três partículas
resultantes. Em resumo: uma partícula com massa dá origem
a outras que não têm massa de repouso. Essa conversão
de massa em energia se dá por meio da equação mais
famosa que existe: E=mc^2.
Eu não sei atualmente se há algum consenso sobre o neutrino
possuir massa de repouso, mas acho que é universalmente aceito
que o fóton e o gráviton não têm massa. O
fato de não terem massa não significa que não existem.
A luz que você vê refletida nas coisas é prova disso,
os raios catódicos que saem de seu monitor também e impressionam
sua retina também. A luz é formada por pacotes de fótons,
que têm calor, energia, spin, são os bósons mediadores
da interação eletromagnética, e possuem muitas
propriedades bem definidas, portanto eles existem. Aliás, uma
das propriedades deles é justamente “não ter massa”. Na
verdade, apenas admite-se que não tenham, porque simplesmente
não existe um fóton ou um gráviton em estado de
repouso. Essas (e outras partículas) são estudadas com
base no rasto que elas deixam ao atravessarem determinados fluidos (câmaras
de bolhas, câmaras de Wilson etc.), com base nas curvas que fazem,
no comprimento dos rastos etc.
A equação que você cita é válida para
partículas (e corpos macroscópicos em geral) que possuem
massa de repouso. Não se aplica (ate onde sei) a corpos sem massa.
Um grande abraço!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: jack.brother <jack.brother@bol.com.br>
Para: hmjr@sti.com.br <hmjr@sti.com.br>
Data: Terça-feira, 20 de Junho de 2000 16:58
Assunto: nova dúvida... >Olá Melão!!
>Tudo bem?!
>
>Melão
>Primeiramente quero lhe agradecer muito, muito mesmo por ter
>respondido minha dúvida.
>Gostaria de fazer alguns comentários a respeito de sua resposta
e,
>ficaria novamente grato caso você atendesse à dúvida.
>
>Primeiro: Melão, conforme você diz, a inteligência
seria, ou é,
>composta de alguns elementos, dentre os quais você cita a
>criatividade ( que seria a mais importante ), a cultura, e pelo que
lí
>em um comentárioa feito por você, a memória também
seria um
>elemento constitutivo da inteligência. Pois bem, você tem
mantido
>tal opinião, uma memória "boa" pode ser considerada como
algo que
>pode ajudar a desenvolver e melhorar a inteligência?
Em breve pretendo colocar on-line o texto integral sobre o novo modelo
de estrutura mental. Inicialmente ficará numa seção
restrita, disponível aos membros e visitantes registrados. Esse
artigo esclarece as questões que você levantou.
>
>Melão, você expõe também, que a inteligência
pode ser "melhorada"
>quando orientada, educada, conforme programas, atividades que
>estimulem tal desenvolvimento. O que gostaria de saber, se deste
>modo, pessoas com uma certa idade, eu p. ex., ( 22 ), há ainda
>possibilidade de desenvolvê-la através quem sabe do xadrez?
>Jogando xadrez, nesta fase, adiantaria de alguma forma, melhoraria
>o raciocínio, ou outra capacidade?
Algumas pessoas acreditam que música clássica pode melhorar
o desempenho mental de crianças e adultos, mas até onde
sei, as evidências não são suficientes para que
se possa assegurar nada de concreto. Alguns dizem que o ganho no desempenho
é imediato e transitório, não se prolongando por
mais de 15 minutos; outros acham que o hábito de ouvir regularmente
música clássica vai gradualmente produzindo pequenos incrementos,
que só se fazem sentir depois de um tempo considerável
(meses ou anos).
Com relação ao Xadrez, tem sido constatado que, em média,
crianças que jogam Xadrez apresentam melhor desempenho escolar
do que as que não jogam. Isso indica apenas que existe uma “seleção
natural” e as que se interessam por Xadrez possuem certas habilidades
cognitivas que também são úteis para as atividades
acadêmicas. Outras pesquisas revelam algo mais sugestivo e que
pode ser efetivamente encarado como uma evidência de desenvolvimento
mental: crianças que não jogavam Xadrez e depois passam
a jogar Xadrez com regularidade, melhoram sensivelmente o desempenho
na escola e em atividades sociais diversas, com destaque para Matemática
e Ciências Exatas. O papel desempenhado pelo Xadrez consiste em:
- Cultivar
o hábito de refletir antes de tomar decisões;
- Coibir
a ansiedade durante uma tarefa desgastante, evitando que a pressa
prejudique a qualidade;
- Estimular
a capacidade de se concentrar;
- Exercitar
a memória, a capacidade de cálculo e o discernimento.
>
>Pergunto isto Melão, pois tempos atrás, conversando com
um amigo
>sobre inteligência, fiz a seguinte comparação:
disse a ele que na
>minha opinião, a inteligência pode ser comparada, talvez
de amneira
>distante, com o tipo físico de uma pessoa. Explicando: assim
como
>nascem pessoas naturalmente mais "fortes" que outras, algumas
>pessoas, naturalmente, nascem com uma certa vantagem, no caso,
>mais inteligentes que outras. Nesse sentido, queria dizer que:
>àquelas que nascem mais "fracas", o que caberia a elas: tentar
>superar tal deficiência, e de que maneira? umas praticam
>musculação, outras, de acordo com a causa, alimentando-se
melhor
>para suprir uma falta de vitamina, procurando deste jeito, obter o
>resultad: um corpo saudável, mais "forte". Assim, disse a ele,
seria
>com a inteligência.
>
>Melão, fui feliz em tal comparação?
>Quero, novamente lhe agradecer pela atenção dada!
>Abraços!
Sua analogia é muito boa! Do mesmo modo que alguns elementos
da estrutura física podem mudar facilmente e outros não,
o mesmo acontece com os elementos da estrutura mental. A altura, por
exemplo, depois de estabilizada, só pode ser mudada artificialmente,
por meio de cirurgias (e talvez tratamentos hormonais). A aparência
geral (fisionomia, principalmente) também só pode ser
mudada artificialmente, por intervenção cirúrgica
ou por algum acidente (claro que também existe a degeneração
natural produzida pelo tempo). Por outro lado, o peso pode oscilar bastante,
caso a pessoa siga determinados regimes e em tais casos as variações
são naturais (o próprio organismo produz as mudanças,
sem necessidade de cirurgias ou similares). Com a inteligência
acontece algo muito semelhante, ou seja: alguns elementos que a constituem
podem variar naturalmente, por meio de exercícios ou similares,
enquanto outros simplesmente não mudam.
Outro ponto importante de sua analogia é que algumas pessoas
nascem com uma predisposição natural para alcançar
melhor desempenho em atividades mentais, do mesmo modo que algumas nascem
com certos talentos para atividades esportivas, artísticas ou
mesmo com uma tendência natural para ser altas ou obesas. E da
mesma forma que a alimentação e os exercícios regulares
são necessários para que um atleta ou artista talentoso
possa desenvolver suas habilidades naturais até seus limites,
a inteligência também precisa de ambiente fértil
para se desenvolver. Isso se aplica a todos os casos, desde pessoas
portadoras de deficiências acentuadas até pessoas severamente
talentosas. Os treinamentos, portanto, são imprescindíveis.
Não sei dizer, com segurança, se tais técnicas
“aumentam a inteligência” ou se “ajudam a tirar melhor proveito
da inteligência que se possui”. Seja como for, para todos os efeitos
práticos o resultado de tais exercícios mentais é
positivo.
Um grande abraço!
Melão |
Em caráter excepcional, estamos incluindo nessa seção
uma questão proposta em nosso foro:
-----Mensagem original----- Sigma Fórum -----
De: Jorge Miguel Ramos Domingues Ferreira Vieira < egrojarieiv@clix.pt>
Assunto: Física-velocidades superiores à da luz
12:31:51 - 16/06/2000
Ouvi recetentemente que a velocidade da luz tinha
sido ultrapassada numa experiência realizada por alguns cientistas.
Gostava que se alguém me elucidasse um pouco sobre essa experiência
(já que não consegui encontrar nada sobre isso) e sobre
as possiveis consequências que daí adveêm, como a
possibilidade de uma partícula se descolocar para trás
no tempo etc.
Gostava também que me explicassem como é
possivel uma partícula ser acelerada até velocidades superiores
à da luz se para isso, esta tem que ultrapassar esse suposto
limite que segundo Einstein, faria a sua massa crescer ao infinito e
portanto ser necessária uma quantidade infinita de energia para
a fazer acelerar a tal velocidade.
Desde já obrigado
Resposta 1:
Olá, Jorge!
A teoria precisa estar sempre se adaptando aos resultados das evidências
empíricas. A Teoria da Relatividade reza que um corpo não
pode ultrapassar a velocidade da luz no vácuo, porque isso é
necessário para dar consistência à Teoria. Sem essa
premissa, não é possível descrever os resultados
das experiências de Michaelson e Morley.
A coisa funciona mais ou menos assim: existe um fenômeno físico
observado, e deseja-se criar uma teoria que descreva tal fenômeno.
A teoria procura ser acurada e genérica. Mas, no fundo, não
temos nenhum motivo para acreditar que a teoria efetivamente descreve
todos os aspectos do fenômeno observado. A teoria é um
modelo matemático que tenta representar, de forma simplificada,
o fenômeno real que observamos, e por meio da teoria podemos fazer
previsões e generalizações, capazes de descrever
aproximadamente o que acontecerá na teoria e projetar isso no
mundo real. Desde que uma teoria nos sirva em alguns casos, isso basta
para que ela seja adotada até que se disponha de outra melhor.
Quanto mais amplas e mais acuradas forem as aplicações
da teoria, tanto maior será sua credibilidade.
No caso da Teoria da Relatividade, algumas experiências foram
sugeridas para conferir sua validade, e em algumas delas a teoria foi
confirmada _ como no caso dos desvios observados no periélio
de Mercúrio, o desvio da luz ao passar pelas proximidades de
corpos massivos, o aumento na massa de partículas elementares
em aceleradores de partículas etc. Em outros casos, a teoria
simplesmente não funciona, como acontece em Einstein-Podolsky-Rosen
e Einstein-Podolsky-Rosen-Bohm.
Estou procurando me manter numa linha de pensamento mais ou menos “séria”,
sem abordar os táchions e outros “fantasmas”, que, em minha opinião,
são vôos muito altos de imaginação, a tal
ponto que se distanciam muito do “conhecimento de suporte” de que dispomos,
e acabam entrando no mundo da fantasia, bem pouco consistente de baixo
teor científico.
Um detalhe importante: sempre que se fala em “velocidade luz” como limite
de velocidade, deve-se especificar o meio de propagação:
o vácuo. Em meios densos, como a água, o vidro e até
mesmo o ar, existem partículas que viajam mais rapidamente que
a luz, produzindo um efeito conhecido como radiação Cherenkov.
Eu desconheço as experiências que você citou, mas
é possível que estejam relacionadas à descoberta
de objetos distantes, cuja velocidade de recessão pode ultrapassar
a da luz. Se for esse o caso, é importante tomar os cuidados
necessários antes de fazer qualquer afirmação,
porque deformidades no espaço-tempo podem produzir efeitos muito
variados _ do tipo “lentes-gravitacionais”, entre outros _, e isso pode
interferir nos resultados das medições, pois as velocidades
de tais objetos são determinadas com base no desvio para o vermelho,
e as cores dependem do comprimento de onda, que pode ser alterado por
lentes.
Enfim, é isso. Talvez nosso amigo Edinilson possa prestar um
esclarecimento mais detalhado sobre o assunto.
Por minha parte, eu espero que a velocidade da luz realmente possa ser
ultrapassada, porque assim a minha posição sobre a inexistência
de corpos rígidos terá um ponto a favor. :-)
Um grande abraço!
Piu
Resposta 2:
Ola.
Existem medidas feitas de QSOs (Quasares)
distantes e de lentes gravitacionais a qual sugerem medidas acima da
velocidade da luz "c", ditas velocidades superluminais, jatos astrofisicos,
como por exemplo, jatos que saem de estrelas binarias de Rios-X, ou
mesmo de nucleo de galaxias ativas "AGNs", sao jatos superluninais,
ou seja acima da velocidade da luz.
No entanto sabe-se que isto nao passa de
efeito de perspectiva, ou seja, pura ilusao otica, pois nao e' possivel
ultrapassar a velocidade da Luz "c", isto e'por enquanto uma impossibilidade
fisica. Nenhum experimento tanto de laboratorio quanto Real no Universo
mediu uma velocidade "Real" maior que "c".
Lembremos que o efeito Cherenkov e' para
velocidades que nao estao no Vacuo, ou seja, sempre menor que "c". O
efeito Cherenkov diz que a velocidade ultrapassa a velocidade da "luz"
em um determinado meio, so que a velocidade da luz aqui e' em um meio
diferente do vacuo, ou seja, neste meio a velocidade da luz e' menor
que "c" absoluto. Por exemplo, se em um meio (nao o vacuo) a maxima
velocidade da luz e' por exemplo 250.000 km/s entao pode acontecer um
tunelamento e a velocidade ir a 260.000 km/s, porem esta velocidade
que e' maior do que a da luz naquele meio, esta longe de ser maior do
que a velocidade da luz no vacuo que e' de aproximadamente 299.792 km/s.
Porem e' possivel viajar , pelos menos
na teoria acima da velocidade da luz... como isto pode ser possivel?
Viagem no Tempo e' possivel?
Na teoria da relatividade geral de Einstein,
o tempo se acelera e desacerela quando passa por corpos massivos, como
estrelas e galáxias. Um segundo na Terra não é
um segundo em Marte. Relógios espalhados pelo Universo se movem
com velocidades diferentes.
Em 1935, Einstein e Nathan Rosen (1909-1995)
deduziram que as soluções das equações da
relatividade geral permitiam a existência de pontes, originalmente
chamadas de pontes de Einstein-Rosen, mas agora chamadas de redemoinhos
. Estas pontes unem regiões do espaço-tempo distantes.
Viajando pela ponte, pode-se mover mais rápido do que a luz viajando
pelo espaço-tempo normal, olhe aqui que estou falando de um atalho,
a ponte.
Antes da morte de Einstein, o matemático
Kurt Gödel (1906-1978), trabalhando na Universidade de Princeton,
como Einstein, encontrou uma solução para as equações
da relatividade geral que permitem a viagem no tempo. Esta solução
mostrava que o tempo poderia ser distorcido por rotação
do Universo, gerando redemoinhos que permitiam que alguém, movendo-se
na direção da rotação, chega-se ao mesmo
ponto no espaço, mas atrás no tempo. Einstein concluiu
que como o Universo não está em rotação,
a solução de Gödel não se aplicava.
Em 1963, o matemático Roy Patrick
Kerr (1934-), da Nova Zelândia, encontrou uma solução
das equações de Einstein para um buraco negro em rotação.
Nesta solução, o buraco negro não colapsa para
um ponto, ou singularidade, como previsto pelas equações
para um buraco negro não rotante, mas sim em um anel de nêutrons
em rotação. Neste anel, a força centrífuga
previne o colapso gravitacional. Este anel é um wormhole que
conecta não somente regiões do espaço, mas também
regiões do tempo, e poderia ser usado como máquina do
tempo. A maior dificuldade á a energia: uma máquina do
tempo necessita de uma quantidade fabulosa de energia. Seria preciso
usar-se a energia nuclear de uma estrela, ou antimatéria. O segundo
problema é de estabilidade. Um buraco negro em rotação
pode ser instável, se acreta massa. Efeitos quânticos também
podem acumular-se e destruir o redemoinho. Portanto, embora possível,
uma viagem no tempo não é praticável.
Ednilson |
-----Mensagem original-----
De: José António Ferreira Vieira <anemolifvieira@netc.pt>
Para: sigma.2000@sti.com.br <sigma.2000@sti.com.br>
Data: Sexta-feira, 9 de Junho de 2000 20:37
Assunto: Dúvidas Caro Hindemburg Melão
Jr:
Tenho algumas dúvidas acerca de testes de inteligência:
-Um individuo sendo inteligente pode não conseguir obter boas
classificações em testes intelectuais?
-Em alguns testes que por brincadeira realizo online tenho alguns resultados
muito pouco concordantes, mesmo quando a escala utilizada é a
mesma. Por exemplo no site de Carlos Simões existem 3 testes
de matrizes, em que um deles achei-o mais ou menos dificil, outro um
pouco mais e o teste de matrizes de Nicolas-Elena, apesar de o não
ter realizado todo achei-o muito dificil.
-Será que tudo isto faz de mim alguém não muito
inteligente?
Muito obrigado pelo seu tempo:
Jorge Vieira
egrojarieiv@clix.pt
Olá,
Jorge!
Existe uma grande variedade de testes de inteligência, e cada
teste tem suas prioridades. Alguns valorizam muito a cultura, outros
valorizam o pensamento lógico, outros levam em conta a criatividade
ou a memória.
Os tradicionais testes de Binet, que deram origem aos primeiros testes
de inteligência, estão intimamente ligados à linguagem,
à velocidade de raciocínio e à cultura geral. Nesses
testes as questões que envolvem raciocínio são
extremamente fáceis e só exigem velocidade.
Os testes de QI continuam sendo aplicados no mundo todo, mas com maior
reserva do que no início do século, porque agora sabemos
que seus resultados podem apresentar grandes discrepâncias.
Os testes de nossos amigos Carlos Simões, Xavier Jouve e Nik
Lygeros, bem como os testes de Ronald Hoeflin, Paul Coojimans e nossos
Desafios, são muito mais difíceis que os testes de QI
convencionais, e em vez de estabelecer um limite de tempo reduzido,
eles oferecem liberdade total com relação ao prazo. Eu
acredito que tais testes sejam muito superiores aos testes de QI convencionais,
embora tenham as evidentes desvantagens decorrentes da impossibilidade
de serem supervisionados.
O que acontece é que nem sempre a pessoa mais inteligente é
também a mais veloz, ou a mais culta, ou tem a melhor memória.
Portanto, é fundamental que um bom teste de inteligência
leve em conta, se possível, apenas as características
fundamentais que uma pessoa inteligente deve ter. Ainda assim, os resultados
podem apresentar erros consideráveis.
É importante ter em mente que um teste de inteligência
avalia "o desempenho de sua inteligência numa atividade específica";
ele não mede sua inteligência propriamente dita. E com
base nesse desempenho, o teste nos permite estimar a magnitude intrínseca
de sua capacidade intelectual. Não é como medir a altura
de uma pessoa, em que se pode aferir diretamente a grandeza que se deseja
determinar. Em vez disso, é como avaliar a força de um
halterofilista. Nesse caso, não há como medir diretamente
sua capacidade, mas podemos medir o desempenho de sua força quando
aplicada a uma tarefa específica, que consideramos adequada para
medir a grandeza que chamamos de "força". Por exemplo: colocando-o
para levantar pesos.
Note que ao medir a altura de uma pessoa, o resultado é um valor
seguro, que representa efetivamente a altura da pessoa no momento da
medida. Mas quando desejamos medir a força de uma pessoa, o máximo
que conseguimos é saber até que ponto a força dessa
pessoa foi capaz de auxiliá-la na execução de uma
tarefa que (consideramos que) exige força.
Se a tarefa usada como referência for adequada, teremos um resultado
representativo da força da pessoa. Se a tarefa for inadequada,
o resultado terá pouca ou nenhuma validade. Vamos supor que a
força da pessoa fosse avaliada por meio de um combate. O resultado
dependeria de agilidade, força, velocidade, coordenação,
conhecimento de técnicas específicas a até mesmo
a "sorte". A força, portanto, seria apenas uma das componentes,
de modo que o resultado não indicaria a pessoa mais forte. Indicaria
(talvez) a pessoa mais habilidosa para combate.
No caso dos testes de inteligência, é preciso que avaliem
os elementos que constituem a inteligência. E é importante
que avaliem todos esses elementos e exclusivamente esses elementos.
Um teste como o que acabo de descrever simplesmente não existe.
O que tentamos fazer é criar um teste que se aproxime do ideal.
Cada uma das pessoas que elabora testes de inteligência tem suas
próprias convicções sobre quais devem ser as características
mais importantes a serem medidas. Os testes do nosso amigo Carlos, por
exemplo, usam séries de números, outros usam figuras,
outros usam palavras ou frases. E é muito interessante que mesmo
com toda essa variedade, os resultados sejam mais ou menos próximos.
Observa-se que entre testes de QI diferentes ocorrem discrepâncias
de até 80 ou 100 pontos! Ou seja: a mesma pessoa pode obter 120
num determinado teste de QI e 200 em outro! Mas a margem de variação
entre os testes sem limite de tempo é bem menor. Dificilmente
você encontrará alguém que tenha obtido 150 num
teste de Hoeflin e 190 num teste de Lygeros (ou o contrário).
Creio que a eliminação do fator "tempo" seja um dos motivos
dessa diferença diminuir. Ao eliminar um fator, é imprescindível
que se tenha certeza de que tal fator (no caso o "tempo") é irrelevante.
Portanto, os instrumentos de que dispomos atualmente não são
totalmente seguros, mas são melhores, em minha opinião,
do que os testes de QI tradicionais.
Os testes que você citou, os do Carlos e os de Nicolas-Elena,
são de fato difíceis. Eu não resolvi o problema
que dá acesso para o site do Carlos (recentemente ele me enviou
a resposta). É possível que eu conseguisse se tivesse
me empenhado mais, mas isso não importa. O importante é
que achei muito difícil. Por outro lado, outras pessoas podem
achá-lo fácil pelo fato de suas mentes serem (ou estarem)
melhor adaptada para lidar com problemas desse tipo. Um exemplo muito
mais interessante é o de ligar água, luz e gás
a três casas. Eu conheço esse problema há 15 anos,
mas nunca havia chegado à solução. Recentemente
o nosso amigo Wesley me disse que o tinha resolvido e eu teimei com
ele que tal problema não tinha solução. ;-) Ele
me disse que esse problema "não tem uma solução
algébrica". Ainda não sei exatamente o que ele quis dizer
com isso, mas tenho uma idéia vaga, e isso já ajudou muito!
Essa informação me permitiu encontrar a solução
em alguns minutos. Então apresentei o mesmo problema a nossa
amiga Juçana, mas nada disse a ela sobre "não ter solução
algébrica". E ela encontrou a solução em menos
de uma hora! Ao todo eu levei mais de 15 anos, e ela o resolveu em alguns
minutos.
Isso mostra que cada problema requer um tipo específico de "potencial".
Se você fizer um teste que requer potencialidades diferentes das
que você tem mais desenvolvidas, certamente sentirá dificuldades
e o resultado não lhe será muito agradável. Por
outro lado, se se submeter a um teste que exige justamente aquelas habilidades
que você possui altamente desenvolvidas, então achará
tudo fácil, terá melhor desempenho e terá melhores
chances de ficar satisfeito com o resultado.
No caso de um teste diversificado e com grande número de questões,
os resultados tendem a ser mais confiáveis. Além disso,
é importante que os testes exijam o mínimo possível
de conhecimento, de "exclusões por tentativa e erro" e de "trabalho
mecânico" (ou trabalho repetitivo). Um bom teste deve exigir principalmente
originalidade e engenhosidade.
Quanto à sua pergunta sobre uma pessoa inteligente poder se sair
mal num teste de inteligência, isso é não só
possível como também é provável, tendo em
conta que existem muitos testes diferentes e nem todos eles avaliam
realmente a inteligência. Mas se sua pergunta fosse: "uma pessoa
que se sai bem num teste de inteligência pode não ser muito
inteligente?" Então a resposta seria outra: eu acho quase impossível
que uma pessoa que não tenha muita inteligência possa obter
bons resultados num teste. Eu acho que um teste indica "o QI mínimo"
de uma pessoa, portanto, se num teste você obtém 140, em
outro 126, em outro 112 e em outro 171, então o mais próximo
de sua capacidade real deve ser 171. Claro que estou pressupondo que
sejam testes normados e com mesma escala.
Conheço muitas pessoas extremamente talentosas e inseguras, que
se acham pouco inteligentes embora sejam brilhantes. Esse sentimento
pode ter diferentes origens. É natural que uma pessoa que procura
se comparar com Newton, Dostoiévsky, Nietzsche e Voltaire terá
maior probabilidade de se achar pouco inteligente do que uma pessoa
que se compara às outras pessoas com quem convive diariamente.
Uma experiência interessante é você encher três
bacias com água. Uma das bacias deve ter água bem fria,
a outra deve ter água bem quente (mas não o suficiente
para queimar a pele) e a outra deve ter água à temperatura
ambiente. Deixe a bacia com água à temperatura ambiente
no meio das outras duas, e mergulhe uma mão na água quente
e a outra na água fria. Permaneça assim por alguns minutos.
Depois retire simultaneamente as duas mãos e mergulhe ambas na
bacia com água à temperatura ambiente. Você terá
sensações diferentes nas duas mãos, porque cada
uma delas se habituou a um meio diferente. O mesmo acontece em quase
todas as comparações subjetivas.
Um abraço!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: Alexandre <alexandre30@ieg.com.br>
Para: Sigma Society <sigma.2000@sti.com.br>
Data: Sábado, 3 de Junho de 2000 22:06
Assunto: Olha isto: Oi Melão, tudo bom?
Segue abaixo texto, para responder em 10 minutos as seguintes perguntas:
1. O que eram as gemas?
2. Quem era o herói?
3. Quem eram as três irmãs?
4. Quem eram as criaturas aladas?
"... Com gemas para financiá-lo, nosso herói desafiou
valentemente todos os risos desdenhosos que tentaram dissuadi-lo do
seu plano."Os olhos enganam" disse ele. "um ovo e não uma mesa
tipificam corretamente esse espaço inexplorado".
Então, as três irmãs, fortes e resolutas saíram
a procura de provasm abrindo caminho, às vezes através
de imensidões tranquilas, mas amiúde vencendo vales e
picos turbulentos. Os dias se tornaram semanas, enquanto os indecisos
espalhavam rumores apavorantes a respeito da beira. Finalmente, sem
saber de onde, criaturas aladas e bem vindas apareceram anunciando um
sucesso prodigioso..."
Melão, se você achar interessante me avise. eu recebi isso
em um seminário que participei. Vou receber o nome da autora
esta semana. O texto acima está sem título, porém
se não conseguir resolver eu mando, e aí você achará
a resposta na hora.É interessante.
um abração e até mais.
Alexandre Mendes
Clique aqui para ver a resposta |
-----Mensagem
original----- De:
jack.brother <jack.brother@bol.com.br>
Para: hmjr@sti.com.br
<hmjr@sti.com.br>
Data: Segunda-feira, 5 de Junho
de 2000 21:38 Assunto:
dúvida... Prezado
Hindemburg, primeiramente quero parabenizá-lo pelo ótimo
site. Estou escrevendo na tentativa
de obter uma opinião sua a
respeito de uma dúvida. Para
você, a inteligência pode ser digamos,
melhorada, pode-se "aumentar" o QI
?. Há tudo quanto é tipo de
informação no assunto,
desde reportagens, pesquisas e outros
elementos do gênero. Pergunto
isto, pelo seguinte: sou uma pessoa
extrovertida e muito, e por ter um
comportamento deste tipo, muitas
pessoas, errôneamente, acabam
por fazer um estereótipo, achando
que pessoas assim nunca querem nada
com nada. Alguns me definem
como uma pessoa muito complexada,
e de fato, quando reflito sobre
isto, torna-se um fantasma devido
à tal complexo.
De fato, no meu segundo grau, não
tinha muito interesse pelos
estudos, mas tirava boas notas. Acontece
que sempre fui um
apaixonado por física ( embora
cursando direito ), mas nunca fui um
aluno do tipo gênio em tal
matéria, muito pelo contrário, algumas
vezes era satirizado por professores
e por colegas. Provavelmente e,
tenho quase certeza, que meu tamanho
complexo teve origem por
aí. Gostaria de uma opinião
sua a respeito, e sobre o que lhe
perguntei: há como melhorar
o QI? e mais: há alguma explicação, p.
ex., sobre histórias de gênios
famosos ( inclusive Einstein, não sei se
é verdade ) que eram tidos
como péssimos alunos e que de repente
acabam surpreendendo? Gostaria que
você não " desprezasse "
minha indagação, dado
seu elevado QI.
Obrigado
Olá,
Jack!
Tudo bem?
Agradeço pela visita e pelos elogios
ao site.
Pela minha sensação, a inteligência
é constituída por diferentes elementos que desempenham
diferentes funções. Alguns desses elementos podem evoluir
muito, outros podem variar muito pouco e outros simplesmente não
podem variar. A cultura é o elemento mais fácil de ampliar
e ao mesmo tempo é o menos "nobre" _ por assim dizer _ entre
os que constituem a inteligência. A criatividade é possivelmente
o mais nobre e um dos mais difíceis de aprimorar.
Eu acredito que seja possível melhorar
o desempenho em atividades intelectuais em proporções
sensíveis, mediante treinamentos adequados. Isso não é
o mesmo que "aumentar a inteligência", mas, para todos os fins
práticos, é quase a mesma coisa.
Tais "treinamentos" devem se basear na
"educação do pensamento", a fim de torná-lo mais
organizado, mais lúcido, mais profundo etc. Você pode encontrar
mais alguns comentários sobre a possibilidade de incrementar
a inteligência em nosso artigo "Um novo modelo de estrutura mental".
Se você é da área jurídica,
certamente já fez algum curso de memorização e/ou
leitura dinâmica. Eu nunca fiz nenhum curso desses, mas tenho
uma idéia de como funcionam (ou deveriam funcionar). Por meio
desses cursos, a pessoa consegue acelerar a velocidade de leitura, mas
não acelera a velocidade do pensamento, de modo que o ganho em
velocidade é contrabalançado por perdas em outros setores,
como a compreensão menos profunda das leituras, por exemplo,
ficando mais ou menos na mesma, ou seja, o resultado pode produzir algum
ganho útil na leitura de textos simples ou de listas de palavras,
mas não funciona para textos que exigem entendimento. Quanto
à usar técnicas mnemônicas para organizar as informações
em estruturas que facilitem o resgate futuro, isso eu considero eficaz
e não vejo efeitos colaterais significativos.
Com relação aos outros assuntos
que você coloca, eu também nunca fui um bom aluno e só
tirava notas suficientes para ser aprovado.
Com relação a ter sido vítima
de brincadeiras desagradáveis de professores e alunos, isso é
realmente um problema triste. Creio que deveria existir algum mecanismo
de proteção ao aluno, que impedisse que professores ou
outros alunos fizessem comentários depreciativos, principalmente
nos casos de crianças muito jovens, porque isso pode deixar seqüelas.
Eu desconfio que nossa amiga Juçana
lhe recomendaria fazer psicanálise, em vez de procurar aumentar
o QI, porque a questão principal é de insatisfação
pessoal, não de incompetência. Digo isso porque em sua
mensagem está claro que você é uma pessoa inteligente,
que se expressa com clareza e objetividade, e não existe nenhum
motivo para se sentir insatisfeito (ao menos não a um ponto em
que isso represente um complexo).
A situação é mais
ou menos como a de um homem de 1,80m que tenha complexo de altura, porque
desejava ser jogador de basquete e queria ter 2,30m. O problema não
está com a altura dele, que na verdade é até acima
da média. O problema está na insatisfação
com uma característica que não pode ser mudada com facilidade.
Veja bem: não estou dizendo que
você não deve se empenhar para crescer intelectualmente.
Muito pelo contrário: eu acho que todos devem se esforçar
para crescer espiritualmente, mentalmente e fisicamente. Porém,
é necessário identificar onde realmente está o
problema que causa infelicidade ou desconforto. E no seu caso não
se trata de falta de inteligência, por isso de nada lhe ajudaria
(no âmbito emocional) aumentar seu QI. Se passasse de 120 a 125,
logo você desejaria chegar a 128, depois a 130 e nunca estaria
feliz nem satisfeito. Por outro lado, se você se empenhar para
ter um melhor entendimento da origem do problema, isso sim o ajudará
a se sentir melhor.
A insatisfação é importante
para o crescimento, mas ela não pode gerar complexos. A insatisfação
deve atuar como um estimulante, sem o qual não haveria evolução.
Minha opinião é que você
deve procurar um especialista, porque eu conheço muito pouco
sobre psicanálise e infelizmente não tenho como ajudar
nisso.
Quanto à explicação
para o fato de autênticos gênios terem se passado por incompetentes,
isso pode ter muitas causas diferentes. Geralmente se os professores
estiverem bem preparados _ coisa que raramente acontece _, os gênios
serão reconhecidos independente de comportamentos extravagantes
ou baixo rendimento escolar. Mas como a maior parte dos professores
não está preparada para lidar com pessoas talentosas,
e o sistema educacional não dispõe de uma estrutura adequada
para atender a essas pessoas, o resultado é um ambiente de conflito,
que conduz à falta de motivação, ao desinteresse
e muitas vezes à evasão escolar.
Nos casos de crianças prodígio,
quando provenientes de famílias cujo poder aquisitivo lhes proporciona
um padrão vida melhor e culturalmente mais promissor, podem ser
educadas num ritmo mais acelerado e com isso escapam da morosidade tradicional
do sistema de ensino, mas nesses casos podem surgir outros problemas,
como o desajuste social devido a falta de contato com outras pessoas
de mesma faixa etária.
Trata-se de uma questão delicada
e até o presente momento eu não conheço nenhum
sistema pedagógico adequado para crianças e jovens severamente
talentosos.
Abração!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: san-x@uol.com.br <san-x@uol.com.br>
Para: sigma.2000@sti.com.br <sigma.2000@sti.com.br>
Data: Terça-feira, 9 de Maio de 2000 17:56
Assunto: Pergunta para o Oráculo!! >Caro
Piu-Piu,
>
>Tenho uma dúvida enxadrístico-teológica que me
intriga há algum tempo.
>Suponhamos que em um determinado ponto da existência etérea,
Deus
>(Yaweh) resolva jogar xadrez contra, digamos, Alá ([*]admite-se
que
>sejam seres distintos). Como seria o desenrolar da partida? Considere
>
>1) Ambos são omniscientes: E isto significa que um sabe exatamente
o que
>o outro está pensando, além de terem consciência
de todos os lances até
>o [**]final do jogo.
>
>2) Ambos possuem inteligência infinita. Talvez esta hipótese
seja
>redundante, dado o item anterior. Porém, serve para ilustrar
a situação.
>
>3) Ambos são eternos. Mesmo assim, considere que os jogadores
estejam
>dispostos a terminar o jogo, para evitar a possibilidade de um ficar
>olhando para a cara do outro indefinidamente.
>
>
>*Obs: Caso as suas convicções religiosas não estejam
compatíveis com
>esta pressuposição politeísta, admita que [***]Deus
joga com as peças
>brancas e as pretas (algo que certamente não contraria a hipótese
da
>omnipotência).
>
>**Obs: Há controvérsias a este respeito.
>
>***Obs: Ou Alá, ou Sheeva, ou a Grande Mãe Gorda ou qualquer
outra coisa
>que satisfaça o seu critério. Para mim tanto faz pois
eu sou ateu mesmo.
>O importante é considerar que ambos jogadores possuam as características
>especificadas nos itens acima.
>
>
>Perguntas. (Justifique suas respostas)
>
>a) Há um primeiro lance?
>b) O jogo termina?
>c) Quem ganha? As pretas? As brancas? Empate?
>d) Os jogadores são livres para escolher seus respectivos lances?
>
>Ok, eu enviarei mais perguntas, dependendo das suas respostas.
>Portanto... Pense Bem!
>
>Tenha um Bom Dia!
>
>AS
>
Prezado
AAS,
Depois de pensar muito numa resposta que
me mantivesse salvo de outras perguntas, conclui que a melhor (e talvez
única) saída seria não responder. Mas isso seria
uma indelicadeza. Além do mais, sempre é um desafio estimulante
oferecer uma resposta com conteúdo, qualquer que seja a pergunta,
portanto vou tentar enrolar.
>a) Há
um primeiro lance?
Não. De #1 pode-se inferir que o
resultado final é previamente conhecido, portanto ou Eles devem
concordar no empate ou um dEles deve abandonar na posição
inicial (pois ambos são Justos).
>b) O
jogo termina?
Sim.
>c) Quem
ganha? As pretas? As brancas? Empate?
Admitindo que os condutores das Brancas e das Pretas não cometem
erros, vamos responder à seguinte pergunta: “A posição
inicial é ganha para as Brancas, para as Pretas ou está
empatada?” Munidos dessa resposta, podemos aplicá-la para responder
à sua pergunta.
Consultando meu banco de dados (Mega Data
Base 99 ampliado), encontrei o seguinte (+ vitória das Brancas,
- vitória das Pretas, = empate):
1.181
partidas de jogadores com rating de 1800 ou menos, cujos resultados
são 40%+ 29%- 31%=
498 partidas
de jogadores com rating entre 1801 e 1900, 34% 28% 38%
1.333
partidas de jogadores com rating entre 1901 e 2000, 36% 27% 37%
3.499
partidas de jogadores com rating entre 2001 e 2100, 34% 29% 37%
11.042
partidas de jogadores com rating entre 2101 e 2200, 36% 29% 35%
31.844
partidas de jogadores com rating entre 2201 e 2300, 35% 27% 38%
41.786
partidas de jogadores com rating entre 2301 e 2400, 32% 23% 45%
55.426
partidas de jogadores com rating entre 2401 e 2500, 29% 19% 53%
28.345
partidas de jogadores com rating entre 2501 e 2600, 26% 16% 58%
6.661
partidas de jogadores com rating entre 2601 e 2700, 27% 16% 57%
723 partidas
de jogadores com rating de 2701 ou mais, 27% 15% 58%
167 partidas
entre Kasparov e Karpov, 22% 5% 73%
O que podemos observar é que em
intervalos de aproximadamente 100 pontos de rating, o número
de empates permanece aproximadamente constante entre 1800 e 2300, depois
aumenta até 2500 e novamente se estabiliza. Isso sugere que o
empate é o resultado mais provável. Além disso,
devemos observar que o número de vitórias das Brancas
em proporção ao número de vitórias das Pretas
vai aumentando desde 2000 de rating até o limite superior. No
limite extremo de exatidão, podemos notar que as Pretas quase
não conseguem obter vitória, e quando isso acontece (apenas
5% dos casos), podemos supor que seja meramente acidental. Isso sugere
que o lance inicial efetivamente confere alguma vantagem às Brancas,
por isso podemos descartar a possibilidade de zugzwang das Brancas na
posição inicial. Na verdade, podemos descartar a possibilidade
de zugzwang das Brancas por razões estratégicas muito
mais convincentes do que os dados estatísticos.
Uma análise superficial desses dados poderia nos levar a conclusão
equivocada de que existe cerca de 25% de chances de que a posição
inicial seja ganhadora para as Brancas, 75% de chances de que a posição
inicial esteja empatada e uma chance muito remota de que a posição
inicial seja ganhadora para as Pretas. Porém, numa análise
mais cuidadosa, temos que levar em conta que as vitórias das
Brancas (assim como as das Pretas) podem ser ocasionadas por uma grande
quantidade de erros das duas partes. Tais erros acontecem mesmo nas
partidas de altíssimo nível, e são erros muito
freqüentes. Como dizia Taratakower: “no Xadrez vence aquele
que comete o penúltimo erro.”
Creio que a posição inicial seja muito equilibrada, e
se o jogo for perfeito, o empate é o resultado único a
ser esperado.
>d) Os
jogadores são livres para escolher seus respectivos lances?
Não é possível responder
a essa questão com base nas características que você
atribui aos “seus jogadores”.
Eu já fui ateu, depois agnóstico,
e acho que atualmente sou mais ou menos deísta, mas não
exatamente...
Tenho a impressão de que você
pode criar inimizades gratuitas se brincar com assuntos que outras pessoas
podem tratar com muita seriedade. Talvez você devesse se questionar
sobre isso, porque, ao contrário da questão ontológica
sobre Deus, esse é um problema que está ao alcance de
nossa compreensão. O que quero dizer é que optimizar a
qualidade de nossas relações sociais deve ser bom, portanto,
se você não acredita que existe um Criador, creia ao menos
que é bom para suas relações com outras pessoas
ter em mente que a maioria delas não tolera divergências
de opinião em assuntos teológicos, algumas poucas podem
tolerar bem as divergências de suas crenças e são
muito raras as que serão capazes de tolerar um desrespeito às
crenças que elas cultivaram desde a infância, e foram transmitidas
de geração a geração. Pouco importa se essas
crenças estão certas ou não. O importante é
saber que a agressão gratuita aos dogmas que as pessoas prezam
pode não produzir efeitos muito positivos.
Durante a Idade Média o ateísmo
podia ser encarado como um ato de coragem, nobreza de espírito
e idealismo vigoroso, porque a adesão ao ateísmo ou a
qualquer fé não-católica representava uma luta
contra a opressão da Igreja. Hoje a situação é
bem diferente, e me parece que o ateísmo é mais uma preferência
pessoal, sem qualquer valor ideológico, e tão nocivo quanto
qualquer outra religião. Creio que existem instituições
grandes e poderosas, dominadas por pessoas ruins, e estas ocupam a posição
opressora que outrora cabia à Igreja, e são essas pessoas
que encabeçam tais instituições que precisam ser
combatidas. Por isso o ateísmo não tem qualquer importância,
não cheira nem fede. O povo e sobretudo os intelectuais precisam
reconhecer o Mal e lutar contra ele. Se o mal está na Igreja,
então o ateísmo pode ser bom, na medida em que se opõe
à instituição que nos causa mal. Mas atualmente
não me parece que a Igreja cause algum mal ostensivo à
humanidade, portanto ela não representa um inimigo efetivo, que
ameace o bem estar das pessoas. Os verdadeiros grandes inimigos que
enxergo são o regime cleptocrata e a manipulação
da mídia. E é contra estes que devemos nos levantar, não
importa se somos ateus ou cristãos.
Se você é um ateu pelo prazer
de negar a existência de Deus ou pelo simples capricho de querer
se mostrar diferente da maioria, acho que está no caminho errado.
Por outro lado, sendo ateu ou não, se você tem bons ideais,
age de acordo com sua consciência, ajuda outras pessoas e faz
o bem indiscriminadamente, então certamente Deus o recompensará,
independente de sua fé, porque, em última instância,
crer em Deus não é rezar todos os Domingos nem ler a Bíblia
todos os dias, nem tampouco se confessar regularmente ou cumprir os
rituais de quaisquer religiões. Crer em Deus é ser bom;
apenas isso. Todavia, nosso discernimento é tão precário
que nem sempre conseguimos avaliar o que é bom, mas se ao menos
formos capazes de seguir nossa consciência e fazer aquilo que
nos parece bom, provavelmente estaremos sendo bons na maior parte das
vezes. Isso deve bastar. Bastar para quê? Não sei. Mas
deve bastar. :-)
Abração!
Piu |
-----Mensagem original-----
De: mauro raphael junior < mmraphael@uol.com.br>
Para: sigma.2000@sti.com.br <sigma.2000@sti.com.br>
Data: Sexta-feira, 14 de Abril de 2000 08:55
Assunto: informações
Estou fazendo um trabalho monográfico sobre crianças superdotadas
que são tratadas pela escola como incompetentes,"desligadas",
enfim , com problemas na aprendizagem convencional. Gostaria de saber
se voces tem contato com uma escola em Alfenas, reconhecida mundialmente
por seu trabalho com estas crianças.
Qualquer informação sobre este tema será bem vinda
Obrigada
Mariza Vieira Raphael
estudante de psicopedagogia
Oi, Mariza!
Temos alguns membros muito talentosos que
podem prestar depoimentos interessantes a você sobre isso. Se
quiser, posso lhe fornecer o e-mail de alguns deles.
Em certos casos, as próprias crianças
acabam se convencendo de que realmente são incompetentes. Mas
eu não sei dizer o que é pior: se acreditarem que são
incompetentes, ou se acreditarem que são brilhantes e relaxarem
com os estudos. Por isso é muito importante que haja orientação
adequada. Infelizmente existe um número muito pequeno de pedagogos
especializados no assunto, porque entre as pessoas talentosas, a pequena
fração que atua na área de pedagogia se divide
entre diversas especialidades, e entre os pedagogos não tão
talentosos, praticamente todos procuram por outras ramificações
da disciplina. O resultado é quase um abandono do assunto.
Não conheço a escola a que
você se refere. O texto está on-line, com seu e-mail, e
se alguém puder ajudar, suponho que lhe escreverá. Mas
independente dessa escola contar algum reconhecimento internacional,
não creio que haja alguma escola no mundo capaz de atender bem
às necessidades de crianças severamente talentosas. Os
programas de ensino acelerado, muito comuns nos EUA e na Europa, são
bastante perigosos e podem provocar sérios desajustes sociais,
além de coibir a criatividade. O tema está sendo discutido
em nosso foro conjunto com Colloquy Society, e tanto nossa amiga Julia
Cybele Cachia, presidenta da Colloquy (sociedade para pessoas com QI
acima de 141), como Dave Slater, da Prometheus Society (para pessoas
com QI acima de 164) estão de acordo nesse ponto: esses programas
de ensino acelerado deveriam priorizar a criatividade, a investigação
e a reflexão, em lugar do consumo voraz de informação.
Tem mais um detalhe importante: a suposta
‘incompetência’ pode se apresentar em várias graduações
e sob diferentes aspectos. Por exemplo: comparando o desempenho efetivo
de uma pessoa com o desempenho esperado para essa pessoa; comparando
o desempenho efetivo de uma pessoa com os de outras pessoas etc. Também
não existe um ponto que delimita a fronteira entre a incompetência
e a competência e a noção sobre o que é incompetência
varia muito de pessoa para pessoa.
Na maioria dos casos acontece o seguinte:
uma pessoa A reconhece que uma pessoa B é competente se B for
capaz de cumprir tarefas que A considera importantes e que estejam ao
alcance da compreensão de A. Se B produz idéias excessivamente
originais, que extrapolam os limites de percepção de A,
ou ainda se B não se interessa em cumprir tarefas consideradas
valiosas por A, então A tende a qualificar B como incompetente.
O resultado disso é que uma criança
com QI de 120, que encontra desafio e estímulo nas questões
escolares, sentirá interesse em estudar, e vai se esforçar
para obter boas notas, porque desse modo poderá se destacar e
contar com o reconhecimento dos pais e professores. E esses pais e professores,
cujo QI deve estar na faixa de 90 a 110, vão reconhecer tal criança
como muito competente.
Por outro lado, uma criança com
QI acima de 160 não verá nenhum desafio nas questões
oferecidas pela escola, e terá outras prioridades ligadas à
imaginação e ao raciocínio profundo, possivelmente
será autodidata _ se viver num ambiente culturalmente rico em
recursos _ ou, se não houver recursos nem orientação,
simplesmente se afastará dos estudos, por desinteresse, desmotivação
e frustração. Essa criança, em vez de se preocupar
com o reconhecimento de pais e professores, buscará satisfazer
suas necessidades de conhecimento e descoberta trabalhando a seu próprio
ritmo, mas se isso também lhe for negado, pela escassez de recursos
didáticos ou por qualquer outra razão, ela pode se retrair
e permanecer à margem do sistema de ensino.
Essa situação extremamente
alarmante me incomoda profundamente, porque estamos caminhando cada
vez mais rapidamente para formar um mundo dirigido e dominado por pessoas
ignotas e verdadeiramente incompetentes, que excluem da sociedade algumas
das mentes mais brilhantes e que mais benefícios poderiam trazer
a todos, desde que desfrutassem das condições necessárias
ao desenvolvimento de suas potencialidades. E a mídia (sobretudo
a TV) contribui muito para agravar essa situação, com
paupérrimas programações culturais e vigorosos
mecanismos de alienação. Já passamos pelo período
em que o poder se concentrava nas mãos do clero, e isso foi ruim.
Depois tivemos o período em que os militares detinham o poder,
e isso também foi ruim, possivelmente pior do que o domínio
do clero. Agora vivemos o pior de todos os períodos, dominado
pela mídia. Nunca a cultura esteve tão desvalorizada entre
as classes dominantes. Na "época do livro", dificilmente você
encontrava um texto de má qualidade publicado. E quase todos
que escreviam é porque tinham algo a dizer. Os dententores do
poder econômico patrocinavam a Ciência e a Arte de boa qualidade,
sem grande preocupação com o retorno financeiro. Atualmente
os projetos de incentivo à cultura acabam contribuindo muito
mais para a publicação de "cultura comercialmente promissora"
do que "cultura de boa qualidade".
Pela nossa história pregressa, acho
improvável que isso mude. Tenho algumas esperanças, pequenas,
em Bill Gates, pelo fato de ser um homem brilhante (em algum link de
http://home8.swipnet.se/~w-80790/Index.htm
consta que Gates tem 160 de QI) e ao mesmo tempo muito influente e que
investe no talento e na cultura. Mas tenho muitos amigos de acurado
senso crítico que “descem o cacete” em Gates... E alguns deles
conhecem bem melhor a vida de Gates do que eu...
Boa sorte!
Piu
PARTE - 2
-----Mensagem original-----
De: mauro raphael junior < mmraphael@uol.com.br>
Para: Sigma Society <sigma.2000@sti.com.br>
Data: Segunda-feira, 17 de Abril de 2000 14:00
Assunto: Re: informações
Oi, Mariza!
Como vai?
Obrigada por sua atenção.
Não
seja por isso.
Concordo com suas reflexões sobre a mídia e também,
como educadora, sinto seus efeitos nas crianças com as quais
trabalho. Não perca as esperanças, nem todos estão
dormindo, mesmo os que tem QI 90, 110 ou abaixo disto.
O problema
não está na faixa de QI em que se encontram as pessoas,
mas na educação que elas recebem e, sobretudo, nos valores
éticos e morais que elas adotam.
Não sei o meu, e também não quero saber, mas me
coloco entre as educadoras ( não sou pedagoga) talentosas e que
lutam para uma escola mais criativa, estimulante, que valorize o potencial
de cada um, seja ele cognitivo, artistico, das relações
pessois ou qualquer outro.
Um dos
pontos mais importantes que discutimos no "caso Justin Chapman" é
que os programas de ensino acelerado concentram-se no desenvolvimento
das habilidades cognitivas, negligenciando as outras. Isso pode "produzir"
indivíduos infelizes e socialmente desajustados. O descontentamento
e a frustração decorrentes disso acabam repercutindo negativamente
em seu desempenho e prejudicando também suas faculdades cognitivas.
O resultado é que além de "destruir" as crianças
que participam de tais programas, estes falham até mesmo em sua
meta principal, que em princípio era favorecer o surgimento de
mentes mais produtivas. É bom saber que você preza por
um ensino mais rico e diversificado. A grande maioria dos educadores
tem essa consciência. Infelizmente há pesquisadores que
colocam suas ambições pessoais acima disso, e me espanta
que eles consigam verba para custear projetos de ensino acelerado como
os que existem, onde as crianças são treinadas quase como
ratos de laboratório. Isso é muito incorreto, porque somos
“animais sociais” e também necessitamos da arte. Como disse Nietzsche:
“o mundo seria errado se não houvesse música”.
Não podemos ser privados de nossa essência, ou nos tornaremos
pouco mais que máquinas.
O mundo precisa cada vez mais de gente como você, e como eu também.
Discordo.
As damas devem vir primeiro. Mas reconheço e aprecio sua elegância
de ter invertido a ordem.
Um grande abraço.
Mariza
Muitas
felicidades pra você!
Seja sempre
bem vinda!
Piu-Piu |
-----Mensagem
original-----
De: CLONIR
JAUDIR DE OLIVEIRA CRUZ <clonir@uol.com.br>
Para: sigma.2000@sti.com.br
<sigma.2000@sti.com.br>
Data: Sexta-feira,
31 de Março de 2000 23:22
Assunto: Inteligência
À Sigma
Testes:
Pesquisando
na internet sites sobre psicologia e testes de Q.I., encontrei o site
Sigma, e peço que, se possivel me enviem todo o tipo de
textos sobre inteligência aplicada a genética, testes de
Q.I. e todos os assuntos qua possam estar relacionados com o que já
citei. Meu nome é Selma Leote, e sou estudante de Psicologia,
e desde já agradeço a atenção.
Meu mail: hmauzao@zipmail.com.br
Oi, Selma.
De que exatamente você precisa? Já
consultou os trabalhos de Cyril Burt? Já consultou os textos
que criticam os trabalhos dele?
Nossa sociedade não trata de Genética.
Nos interessamos pelo potencial da inteligência e suas aplicações
em diferentes campos, mas não com sua possível hereditariedade.
De qualquer modo, aconselho uma busca no
Alta Vista por "Cyril Burt", e desconfie dos resultados que ele apresenta.
Se tiver alguma dúvida específica, pode contar conosco.
Mais uma coisa: mude o login de seu e-mail
de "hmauzao" para "mboazinha". ;-)
Boa sorte!
Piu-Piu |
-----Mensagem original-----
De: João Paulo <jpcg@net.em.com.br>
Para: piu-piu@sti.com.br <piu-piu@sti.com.br>
Data: Sexta-feira, 24 de Março de 2000 22:32
Assunto: Pergunta > Caro Piu Piu , quem nasceu
primeiro , o ovo ou a galinha ?
>
Olá,
João Paulo!
O ovo surgiu muito antes da galinha, porque
os répteis e outros animais ovíparos precederam as aves.
Se a pergunta fosse: “qual surgiu primeiro:
o ‘ovo de galinha’ ou a galinha?” então
dependerá da definição de “ovo de galinha”. Se
"ovo de galinha" for um ovo gerado por uma galinha, então obviamente
a galinha terá vindo primeiro. Por outro lado, se "ovo de galinha"
for um ovo com propriedades tais que a partir dele será gerada
uma galinha (essa alternativa me parece a melhor), então naturalmente
o ovo de galinha terá vindo primeiro, porque nesse caso o ovo
de galinha pode surgir do cruzamento de dois ancestrais precursores
da galinha, ou ainda de uma anomalia genética “espontânea”
num ovo de um precursor da galinha.
Esse é um exemplo interessante de
pseudo-pardoxo, semelhante ao paradoxo do mentiroso: suponhamos que
uma pessoa diz: “Eu sempre falo mentiras”.
Isso é uma verdade ou uma mentira? É uma questão
bastante elementar e pode ser solucionada facilmente, mas existem vários
livros que publicam esse exemplo (e outros exemplos igualmente ruins)
para aludir erroneamente ao paradoxo de Gödel. No caso do pseudo-paradoxo
do mentiroso, ele está mentindo. Isso é fácil de
concluir porque ele pode mentir algumas vezes e outras vezes dizer a
verdade, sendo que nesse caso estaria mentindo. Mas se ele dissesse
sempre a verdade, então jamais poderia dizer aquela frase, que
seria contraditória. Por outro lado, se ele mentisse sempre,
também haveria contradição naquela frase.
Poderíamos analisar também
a propaganda do biscoito que diz: “Tal
biscoito vende mais porque está sempre fresquinho? Ou está
sempre fresquinho porque vende mais?” Nesse
caso a resposta é ainda mais elementar: nem uma coisa nem outra.
Se vende muito é devido a um conjunto de fatores, entre os quais
o fato de estar fresquinho é apenas um dos pontos relevantes.
E o mesmo se aplica ao fato do produto estar fresco, que se deve a muitos
outros motivos além da venda supostamente assídua.
Um abraço!!
Piu-Piu |
Por questões de espaço (a seção Oráculo
já está com 340kb) e tempo (340kb demora para carregar,
mas o tempo a que me refiro é para responder), a partir de agora
as respostas serão "sim", "não", "talvez". :-) Portanto,
a pergunta precisa ser formulada de modo que a resposta seja apenas
uma dessas três possibilidades. Eu poderia, de antemão,
deixar o e-mail configurado para dar resposta "talvez" a todas as perguntas,
mas isso seria desleal. Então vou responder "talvezes" personalizados
a cada pergunta. ;-) |