Curso de Latim
 
 
Aula 00 (introdução) - informação livre 
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          Estão abertas as inscrições para o curso de latim, ministrado por Frederico José Andries Lopes. 
          Frederico Lopes fala mais de dez idiomas, é licenciado em Matemática e atualmente está se doutorando em Pedagogia (sem passar pelo mestrado). 
          Além de gentilmente disponibilizar esse precioso material, Frederico Lopes coloca-se à disposição para esclarecer dúvidas. No ato da inscrição, cada participante receberá o e-mail do Prof. Frederico Lopes, que pode ser livremente usado para esclarecimento de dúvidas. 
Solidariedade
Alimente uma criança com um clique.
Você não paga nada!
  
        Nosso amigo Frederico Lopes sugeriu uma interessante maneira de prestar serviços voluntários aos internautas e ao mesmo tempo contribuir com entidades assistenciais. 
        Os participantes deverão depositar qualquer quantia na conta de alguma entidade filantrópica à sua livre escolha, e enviar cópia do comprovante de depósito pelo correio ou por e-mail. [conheça algumas entidades: http://www.clickfome.com.br/links.htm] 
        Independente de fazer ou não o curso, agradecemos se fizer a bondade de clicar no banner acima e com isso contribuir para atenuar o problema da fome. Os patrociadores pagam R$1,00 (US$0,50) para cada IP que entrar no site, portanto você pode fazer isso uma vez por dia ou até mesmo todas as vezes que visitar Sigma. 
        Para se inscrever no curso, envie seus dados pessoais e o comprovante de depósito para nosso Coordenador Geral Antenor Pelegrino Filho. Envie um e-mail para solicitar seu novo endereço postal:  
apf[arroba]pelegrino.com.br
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          O material ficará disponível on-line, numa seção restrita situada em outro domínio, nos formatos HTML (para visualização on-line) e DOC (para quem quiser imprimir). 
 
CURSO DE LATIM
 
 

0. INTRODUÇÃO 

  • Plano do curso
Este curso foi planejado em 18 lições, cada uma das quais composta de duas partes: uma primeira parte (chamada de parte A) com explicações gramaticais e alguns exercícios, e uma segunda (chamada de parte B) composta de frases em latim, para serem traduzidas, por escrito ou oralmente, conforme os modelos dados na parte gramatical. Se a cada parte for dedicada uma semana, o curso inteiro pode ser feito em 36 semanas. Note que é um tempo bastante curto para um domínio razoável da matéria, e por isso este curso exigirá de você um boa dose de disciplina e aplicação. Ao final, você pode esperar ler textos originais em latim, de uma gama bem variada de autores, com a ajuda de um dicionário. 
  • Gramática latina
Já de início você deveria adquirir a "Gramática Latina", de Napoleão Mendes de Almeida, da Editora Saraiva. Embora esta seja alvo de críticas por parte de alguns educadores, ainda é uma boa obra, a mais barata e a mais fácil de ser encontrada. A ela faremos freqüentes referências, atentando para um ou outro ponto gramatical mais complicado, e ainda quando sugerimos um aprofundamento na matéria em questão. Outras gramáticas existem no mercado, como a "Gramática da Língua Latina", de Ernesto Farias, da Fundação de Assistência ao Estudante, e a "Gramática Latina", de Antônio Freire, editada pela Livraria Apostolado da Imprensa, em Braga, Portugal. Essas são mais difíceis de serem encontradas, mesmo pela Internet. 
  • Gramática de português
Não menos importante é a compra de uma gramática de português, de preferência uma que seja usada no Ensino Médio, com exercícios no fim de cada capítulo. Aqui é questão de escolha: há dezenas delas no mercado. Evite comprar um gramática "superior" usada em faculdades, pelo menos por enquanto: essas se voltam para aspectos lingüísticos não-triviais, distantes do tipo que encontraremos neste curso. 
  • Dicionário
Outra dica é a compra de um bom dicionário. Todo dicionário tem suas falhas, e dificilmente um pode ser tomado como ideal. No entanto, sugerimos o "Dicionário Latino-Português", de F. R. dos Santos Saraiva, da Livraria Garnier. Este teve sua primeira edição nos fins do século XIX, e hoje o temos em fac-símiles da edição de 1927. Existem outros bons dicionários no mercado. Você terá mais necessidade de um dicionário ao fim do curso, pois em cada lição daremos glossários específicos. 

Notamos ainda, por fim, que este curso tem sua estrutura baseada no livro "Latin: An Intensive Course", de F. L. Moreland e Rita M. Fleischer, editado pela University of California Press. Esse livro caracteriza-se pela apresentação não usual da matéria, e desde o princípio supõe no leitor um certo talento para tópicos de morfologia. Pode ser que você estranhe a grande carga de informações em cada lição, mas pretendemos dirimir as dificuldades nos exercícios subseqüentes, os quais fornecemos em abundância. Não é, todavia, nosso curso, nem uma tradução e nem uma adaptação: fomos colher nosso material de várias outras fontes. 

Passemos agora para uma breve explicação sobre a pronúncia do latim. 

  • Pronúncia
Como este não é um curso para se falar latim, não daremos uma grande atenção à pronúncia das palavras. Essa ficará mais ou menos livre, ao gosto do leitor. No entanto, para efeito de futuros estudos, exporemos as principais características da chamada pronúncia reconstituída, ou também restaurada, exatamente a que vem sendo adotada em escolas de todo o mundo, baseada em pesquisas recentes sobre os mais prováveis sons que os Romanos atribuíam a cada letra, embora não haja em alguns pontos um uniformidade de opiniões. 

É bom saber que no Brasil são praticadas também dois outros tipos de pronúncia, a pronúncia tradicional brasileira e a pronúncia romana. A primeira é adaptada ao uso dos brasileiros, e é também a mais usada em fórmulas jurídicas; a segunda consiste na correta pronúncia italiana, usada pela Igreja Católica. Quanto à ortografia, não há diferenças. 

Estas são as principais características da pronúncia restaurada (entre parênteses as pronúncia e a marcação do acento tônico): 

a) æ e œ, ditongos, são pronunciados ái e ói: nautae (náutai
b) c soa sempre como k: Cicero (Kíkero) 
c) ch soa também como k: pulcher (púlker) 
d) g sempre como gue ou gui: angelus (ánguelus) 
e) h é levemente aspirado, quase como o h do inglês 
f) j soa sempre como i (nos livros recentes, de fato, o j é sempre substituído, na escrita, pelo i
g) m e n nunca são nasais: campus (ká-m-pus, e não kãpus) 
h) r nunca como rr: Roma (róma, com o r pronunciado como em barato
h) s sempre como ss: rosa (róssa) 
i) u do grupo qu é sempre pronunciado: qui, quem (kuí, kuém) 
j) v sempre como u: vita (uíta) (nos livros recentes o v é sempre substituído, na escrita, pelo u
k) x como ks: maximus (máksimus) 
l) z como dz: Zeus (dzeus) 
m) as letras restantes (a, b, d, e, f, i, l, o, p, t, y) são pronunciadas como em português. 

Última observação: letras dobradas como ll, tt, mm, etc., devem ser pronunciadas separadamente: uma coisa é coma e outra é comma

Para mais informações, consulte a GL (doravante anotaremos GL quando nos referirmos à "Gramática Latina", de N. M. de Almeida) e, se possível, para um tratamento mais detalhado e científico da pronúncia, recomendamos a "Gramática Latina", de Antônio Freire. 

  • Acentuação tônica
Os Romanos faziam distinção entre vogais breves e vogais longas, estas últimas com o dobro de duração das primeiras. Na prática, essa diferença é perceptível apenas com o treino. Não insistiremos nesse ponto. 

Mas para efeitos de acentuação tônica, os Romanos usavam a regra da penúltima: se a penúltima vogal for longa, ela recebe o acento; se curta, o acento recua para a antepenúltima, se for o caso. 

Para a maioria das palavras a posição das vogais longas e breves deve ser memorizada. Existem, contudo, algumas poucas regras que nos ajudam em alguns casos como, por exemplo, as seguintes: 

1) vogal seguida de outra vogal é geralmente breve: filius (fílius; o i antes do u é breve; portanto o acento recua); 

2) vogal seguida de duas consoantes é geralmente longa: puella (o e vem antes de 

duas consoantes; é longo e, portanto, acentuado). Note que só nos interessa saber a quantidade (longa ou breve) da penúltima vogal. Atente também para o fato de que em latim não existem palavras com acento na última sílaba (oxítonas). 

Todas as vogais de uma palavra têm sua quantidade bem definida. Do seu conhecimento depende a compreensão dos ritmos da poesia latina, matéria que não abordaremos neste curso. Apenas quando for estritamente necessário à pronúncia, indicaremos a sílaba tônica com o acento grave ( `): ìmpleo. Adotaremos essa convenção somente neste curso. Atenção: o acento grave que adotamos, por convenção, indica apenas a sílaba tônica, e nunca sua quantidade, se longa ou breve! Não sendo dada nenhuma outra informação, as palavras serão pronunciadas como se fossem escritas em português. 

Outros livros costumam marcar as vogais longas com o sinal [] (chamado de macro) sobre a vogal, e as breves com [] (chamado de braquia), também sobre a vogal. Como antes, recomendamos aos interessados a consulta das gramáticas indicadas. 
Nota: os sinais de macro e braquia não aparecem para quem não tiver as fontes instaladas. 

  • "j" e "v"
Falamos acima das pronúncias do j (que é sempre pronunciado como i) e do v (que é sempre pronunciado como u). Na verdade, essas letras foram introduzidas no alfabeto romano na Idade Média. Os Romanos conheciam e utilizavam apenas o V maiúsculo no início das palavras. j e v são marcas mais recentes criadas para indicar a semivogal de ditongos. Isso causa uma confusão tremenda no momento de se procurar uma palavra no dicionário. Por exemplo, a palavra iam não se encontra na letra i, mas na j, pois tradicionalmente a escrevíamos como jam (de onde veio nossa palavra ). Como a maioria dos dicionários e gramáticas mantêm o uso de usar as letras j e v, recomendamos que as palavras começadas por i e u, se não encontradas, sejam também procuradas nas letras j e v. Neste curso faremos uma substituição parcial: todo j será substituído por i, mas não todo v por u. Visamos com isso preservar a forma como originalmente muitas palavras passaram à língua portuguesa: vivo, e não uiuo, por exemplo. Com o tempo e com a prática em livros diferentes, editados em várias épocas, essa dificuldade desaparecerá naturalmente. 

Agora, uma palavra sobre o acompanhamento das lições. 

  • Acompanhamento das lições
A primeira parte de cada lição sempre apresentará muita informação, talvez até em excesso, principalmente para quem se inicia no estudo de uma segunda língua. Parecerá ainda que as lições foram feitas apenas para quem tem um bom e sólido domínio de gramática, além de uma excelente memória. Mas esse não é o caso. 

Você deve ler com atenção a parte gramatical de cada lição, sem pensar que o conteúdo lá exposto deve ser assimilado ou decorado de imediato. Estaremos sempre voltando a eles nas lições seguintes. Não se preocupe se algo passou despercebido. E além do mais, a primeira parte foi concebida mais como uma referência para a resolução dos exercícios do que como algo com valor por si mesmo. 
 
Os exercícios da segunda parte foram escritos visando uma aplicação dos conceitos vistos na parte gramatical. Eles também foram feitos em um bom número para que cada tópico seja bem exercitado. De fato, é nos exercícios que se encontra o núcleo de cada lição. Dedique seu tempo e sua atenção a eles durante pelo menos duas semanas, antes de passar para a lição seguinte. Não tente correr, principalmente nas primeiras lições, e nem passe para a seguinte sentindo-se ainda inseguro. Lembre-se que este é um curso condensado: o latim costumava ser ensinado em cinco ou sete anos... 
 

          Bom trabalho! 
          Frederico José Andries Lopes
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