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Ao longo dos anos muitas pessoas buscam de maneira incansável a felicidade, muitos buscam e continuam buscando até o último dia de suas vidas, e o pior de tudo é que muitos não conseguem obter para si a tão falada felicidade, outros percebem em seu leito de morte que a felicidade sempre esteve ao lado dele, mas que ele somente foi vê-la, nos últimos dias de sua vida. Mas o que é a felicidade? Muitos dirão que ele é fruto de um bem estar financeiro; mas existe pessoa feliz com sua atual situação financeira? Outros dizem que felicidade é gozar de uma boa saúde; mas isso quer dizer que não existe pessoa feliz, mesmo estando doente? Aqui digo que existe muitas pessoas felizes com todos os problemas que tem, sejam eles passageiros ou permanentes, logo concluimos que essa afirmação, simplesmente não condiz com a realidade que vivemos. Inúmeras pessoas irão listar inúmeros motivos, uns poucos dirão a verdade, outros simplesmente irão tentar provar que são felizes, mas será que o são? A muito tempo ouvi um amigo dizer "A vida, não é um mar de rosas". Eu porém acho o contrário "A vida é um mar de rosas, mas infelizmente muitos são os que nadam nos espinhos, ao invés das pétalas" Esse meu amigo me indagou muito sobre o assunto, querendo explicações sobre o por que havia dito aquilo, vendo a pobreza, fome, violência, e inúmeros outros motivos que ele achava relevante me mostrar que o dito popular tão conhecido não seria verdade. E eu disse a ele que muitas pessoas, apesar de todas as dificultades eram felizes, ele novamente me interrompeu dizendo que a felicidade é uma questão inatingível, fiquei preocupado com sua falta total de otimismo. Então disse a ele que iria explicar de forma simples, muitas pessoas não são felizes por que não querem, pois a felicidade esta ao alcance de todos, o que falta é simplesmente enxergá-la e aceitar que nem tudo pode ser como queremos; para ser mais exato nada é como queremos, devemos aceitar o que temos e viver com isso de maneira muito harmoniosa, e assim sendo estaremos sendo felizes. Ele não se contentou muito com a resposta, e tive que ser mais explicativo, tentando ridimir todas as suas dúvidas; então disse tome como exemplo o mendingo, ele é feliz? Ele me disse é claro que não! Eu porém disse que muitos eram, e ele ficou espantado diante de minha afirmação, e eu calmamente fui explicando que o mendingo tinha uma felicidade muito grande, pois ele podia comtemplar tudo, desde uma breve brisa, uma rosa, uma árvore, as estrelas, a chuva, o sol, o cantar de um pássaro entre inúmeras coisas que estão além do alcance de muitas pessoas. Ele me disse que isso era rídiculo, e que ninguém poderia ser feliz sem ter o mínimo de condições satisfatórias, e foi me dizendo sobre casa própria, estabilidade financeira, emprego, saúde, família, entre outros motivos que ele achava relevante. Novamente tentei contra indagá-lo, mas ele se mostrava totalmente irredutível em sua obsessão pelo pessimismo, e foi nesse momento que propuz que dessemos uma volta pela cidade, iriamos em vários lugares, nosso meio de transporte seria nossas pernas, ele concordou prontamente, querendo dizer que me provaria que a felicidade não existia. Primeiramente fomos a um bairro da cidade, que na sua natureza era de pessoas de baixa renda, e quando estavamos caminhando, vimos uma partida de futebol, entre crianças, disse eu a ele, veja eles não estão felizes, apesar de estarem jogando futebol com um conjunto de meias sobrepostas, pois a bola era um luxo que não podiam ter, ele me olhou e disse que tinha que concordar mas que era bem provável que logo houvesse uma discussão por algum motivo tolo e logo a suposta felicidade iria por água abaixo. Ficamos lá e logo vimos um garoto derrubar o outro, e logo ele me disse veja esta començando, e de fato começou uma pequena briga entre um time e o outro, porém ela foi logo resolvida e todos voltaram a jogar novamente, como se nada tivesse acontecido; nesse momento disse a ele que eles ainda continuavam felizes e que fora somente um desentendimento, e ficamos asssitindo toda a partida, muitas vezes ocorriam alguns desentendimentos, mas logo eram superados e continuavam a jogar, e tão logo terminou a partida os dois garotos que se desentendiam constantemente sairam abraçados e sorrindo um para o outro, na verdade eles eram irmãos, e raramente brigavam. Depois disso meu amigo, um pouco sem jeito, me dissera que ainda não estava convencido, então fomos caminhando até que chegamos a uma praça no centro de nossa pequena cidade, e lá vimos um casal tendo uma discussão, ele prontamente me disse para que observassemos, pois com certeza aquilo era um exemplo de que a felicidade completa não existira, eu disse que tudo bem e lá ficamos de maneira discreta observando, não que fosse um show, mas sim por que queriamos provar um ao outro sobre a existência ou não da felicidade. O casal estava bem alterado, e falando alto, e logo percebemos que se tratava de um desentendimento comum, pois um queria ir a um determinado lugar e o outro queria ir a outro lugar diverso, entretanto, para a nossa surpresa e decepção do meu amigo, o rapaz propôs a sua noiva que fossem a um terceiro local e dessa maneira, acabar com aquela discussão inútil, o que foi logo aceito por ela; que depois disso ela começou a beijá-lo e abraçá-lo; e nos sem queremos passar por velas, saimos logo e continuamos nossa caminhada. Um pouco mais a frente vimos um mendingo, quieto e atento, logo ficamos observando, e percebemos que o mendingo, olhava um canário, que devia ter acabado de fugir de alguma residência, logo meu amigo disse veja ele ira tentar capturar o passarinho para depois vendê-lo e dessa maneira conseguir um dinheiro, fiquei quieto e pedi a meu amigo que se mantivesse em silêncio, ele o fez com um sorriso maroto, como que pensava, eu te disse; porém para a surpresa dele o intento do mendingo não era capturar o cánario, mas tão simplesmente ouvir seu canto, pois por mais de 45 minutos que ficamos lá o mendingo sequer se moveu, na verdade moveu somente alguns músculos faciais, mostrando total contentamento de ser contemplado com tão formosa melodia. Logo meu amigo, sem argumentos para me contrariar me pediu para explicar novamente sobre as pessoas nadarem nos espinhos ao invés de nadarem nas pétalas; então disse a ele que a felicidade não era algo que estava nas grandes coisas e sim nos pequenos gestos, e na observação das pequenas coisas que muitos de nos sequer dá atenção, perguntei a ele quantas vezes na vida ele olhou para uma nuvem e ficou imaginando formas, tais como: um pássaro, um carro, um avião ou um pedaço de pizza; ou então se ele ao ouvir uma máquina trabalhando ao invés de se irritar, ouvir elas dizerem palavras e até mesmo frases simples. Ele não me respondeu! Disse a ele a felicidade não se conquista, pois ela já faz parte de todos nós, mas poucos são aqueles que conseguem vê-la em seus corações. Passaram se alguns dias e meu amigo me contatou novamente, pedindo que fosse caminhar com ele novamente, concordei com ele e saímos novamente, dessa vez ele carregava uma mochila, o que era muito estranho, pois nunca o virá fazer isso antes, mas não o perguntei o por que, pensei que talvez ele tivesse saído de alguma aula, ou academia, novamente nos dirigimos aquele bairro, e vimos os garotos jogando futebol novamente, decerto o faziam todos os dias por tempos indeterminados, logo para a minha surpresa, vejo o meu amigo abrindo sua mochila e tirando uma bola de dentro dela, uma daquelas bolas bem feitas e resistentes, foi lá e chamou todos os garotos e disse que a bola seria de todos, para que eles jogassem sempre, e logo os dois garotos que eram irmãos o convidaram para jogar com eles, dizendo que faltava um para completar os dois times, meu amigo olhou para mim, e eu demonstrei que fizesse isso, e dessa maneira me senti contente por meu amigo ter dado a bola de presente, como jogar com os garotos, logo o vi sorrindo e depois de terminada a partida de futebol ele veio a mim e disse, você tem razão, nunca imaginei que pudesse ser tão feliz por jogar futebol. Voltamos a caminhar e depois de um tempo encontramos aquele mendindo, dessa vez observando as plantas da praça, meu amigo novamente abriu a mochila e tirou de dentro dele um pacote de bolachas e alguns pedaços de bolo, e levou até o mendingo, que aceitou com muito carinho; mas queria que comessemos com ele ao menos um pedaço, logo aceitamos, e para a nossa surpresa esse mendingo demonstrou ser uma pessoa muito inteligente, apesar de não ter nenhum estudo, ele sabia de muitas coisas, sobre a vida e a bondade no coração das pessoas. Deixamos o mendingo admirando as flores do jardim da praça e novamente voltamos a caminhar, e enquanto caminhavamos meu amigo me disse, que a alguns dias eu o havia dito que a felicidade estava sempre conosco, quando observamos as pequenas coisas, que nos passam desapercebidas; mas que entretanto havia esquecido de dizer que é ajudando, que podemos contemplar a verdadeira felicidade. Sem ter o que dizer a ele, simplesmente concordei, pois depois do que ele havia feito, com certeza estava muito feliz, e também fiquei muito feliz, por ter mostrado a ele o que era felicidade, não somente dizendo, mas fazendo-o sentir isso. Novamente digo a todos que a vida é um infinito mar de rosas, e com a ajuda de todos podemos fazer com que ninguém mais nade nos espinhos, pois mesmo com tudo mais difícil acontecendo, a felicidade estará sempre presente, seja de uma forma seja de outra, basta simplesmente que olhemos com os olhos do coração. |
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