Mistérios
Explicados
Em 15 de abril
de 1769, na Academia de Ciências da França, um dos
maiores cientistas de todos os tempos, Antoine Laurent Lavoisier,
comentou, referindo-se aos relatos sobre meteoritos, que “pedras
que caem do céu não existem” e
prosseguiu explicando que isso não passa de “crendice,
mito, ignorância humana”.
Havia registros de
queda de meteoritos desde a Antiguidade, mas Lavoisier as classificou
como lendas e todos os eruditos da época pensavam da mesma
maneira que Lavoisier. Não os podemos recriminar, porque
ainda que neste caso particular os cientistas sérios estivessem
equivocados, o ponto de vista que defendiam é bem fundamentado
e, em mais de 99% dos casos, a evolução científica
depende desta mentalidade cética. Para sustentar alegações
espetaculares é preciso apresentar evidências espetaculares.
E pedras caindo do céu constituíam, para os paradigmas
científicos da época, alegações espetaculares,
enquanto os registros para apoiarem estas alegações
nada tinham de espetacular; ao contrário, eram muito escassos
e se baseavam em poucas testemunhas, nenhuma das quais com formação
científica.
No ano da
morte de Laivosier, em 1794, Chlandi afirmou, após várias
pesquisas, que meteoritos eram rochas provenientes do espaço.
Em 1801, Giuseppe Piazzi descobriu o asteróide Ceres, e
a esta descoberta se seguiram as de vários outros asteróides.
Além disso, a teoria de Laplace sobre a origem nebular
do sistema solar sugeria a existência de vários objetos
menores orbitando nos espaços intermediários entre
as órbitas planetárias, e a grande quantidade de
crateras observadas na Lua desde a época de Galileu e Kepler
(1610 em diante) também sugeria colisões com corpos
celestes não muito grandes. Enfim, combinando todos estes
fatos, a aceitação de que meteoros são provenientes
do espaço se torna mais plausível. Finalmente, em
1802, após observar uma intensa chuva de meteoros, muitos
testemunharam a queda de um meteorito, e assim ficou confirmado
que tais eventos de fato acontecem.
Muitas lendas
foram criadas a partir de fatos verídicos mal interpretados,
como são os casos do lobisomem, do cavalo inteligente,
da levitação etc. Outras não passam de invenções,
sem que haja nenhum fato real que as tenha inspirado. Nessa
nova seção vamos tratar de alguns desses “mistérios”.
Na maioria
das vezes, tentaremos escolher assuntos para os quais ainda não
existe resposta; outras vezes apenas relataremos as explicações
aceitas pela comunidade científica. Vamos evitar mistérios
“triviais”, cuja explicação seja demasiado
fácil, e tratar exclusivamente dos casos que mais chamaram
a atenção da mídia e da Ciência. Também
vamos evitar “mistérios” que não tenham
sido minimamente documentados, por ser demasiado óbvio
que não passam de invenções folclóricas.