Acertadores:
O
primeiro a enviar a solução correta, desde
a publicação desse texto, foi Antenor
Freitas Filho. A resposta de Antenor foi enviada
na mesma data da publicação. Alexandre
Prata Maluf também enviou a solução
e comentou que já conhecia a história. Agradecemos
ao amigo José Antonio Francisco
pela gentileza de anunciar essa seção como
destaque em seu site.
Solução:
Oskar Pfungst e Carl Stumpf, incentivados pelo próprio
von Ostën, realizaram experimentos adequados para
falsear a hipótese e constataram que Hans não
sabia ler, contar ou resolver problemas. Um fragmento
do relatório que publicaram dizia: "o
cavalo se equivocava em suas respostas toda vez que a
solução dos problemas era desconhecida para
as pessoas presentes." A dificuldade
para a interpretação do fenômeno,
portanto, foi em grande parte porque os cientistas que
investigaram o caso não conduziram os experimentos
de maneira adequada. Bastou um simples teste duplo cego
para que a pista decisiva fosse evidenciada e a solução
se tornasse fácil.
A explicação para o mistério é
que Hans apresentava grande sensibilidade para perceber
o nível de ansiedade das pessoas presentes, e este
nível mudava subitamente quando ele atingia o número
de batidas correspondente à resposta certa. Tudo
que Hans pensava era: “Enquanto
estas pessoas estiverem ansiosas, eu preciso bater a pata
no chão. Quando a ansiedade diminuir bruscamente,
eu paro de bater a pata e ganho um torrão de açúcar.”
Naturalmente Hans conhecia seu dono melhor do que conhecia
outras pessoas, por isso tinha mais facilidade para perceber
alterações no humor de von Ostën e
acertava mais rapidamente na presença dele do que
em sua ausência.
Um experimento muito interessante foi realizado na França,
em 1980, e consistiu em aplicar em alunos da 4ª.
série uma prova com várias perguntas cujos
enunciados não faziam sentido, tais como: "Em
um navio há 26 carneiros e 10 cabras. Qual é
a idade do capitão?" A grande
maioria dos alunos respondeu “36
anos”.
Os resultados desse experimento foram incorretamente
interpretados pelos pedagogos, o que é muito comum
em pesquisas similares, nas quais os condutores do experimento
partem de algum preconceito e tentam “provar”
que a tese preconcebida é válida, em vez
de investigar com rigor a legitimidade da tese. Os pesquisadores
afirmaram que os alunos tentavam satisfazer ao professor,
dando a resposta que eles acreditavam que o professor
gostaria de receber. Erro grave. Eles deveriam ter dado
continuidade ao experimento, entrevistando os alunos e
perguntando por que deram aquela resposta, e deveriam
aplicar testes equivalentes em outras faixas etárias,
sempre questionando-os depois sobre os motivos de darem
suas respostas.
Embora eu não tenha feito nenhum experimento sobre
isso, com base nos dados disponíveis, minha interpretação
é que os alunos menos autoconfiantes se julgaram
incapazes de compreender a lógica do problema,
e “chutaram” a solução julgando
que o problema poderia ter alguma lógica oculta
para eles, mas poderia ser compreensível para o
discernimento supostamente superior do professor (quanto
menor a habilidade crítica do aluno, mais ele tende
a pensar que o professor está menos susceptível
a cometer erros, inclusive em vários casos os alunos
acham que os professores são infalíveis).
Ou seja, as crianças não tentavam agradar
ao professor, elas realmente tentavam resolver o problema
da melhor forma que podiam. Por outro lado, creio que
os alunos mais autoconfiantes deram respostas em que afirmavam
que o problema não tem solução, ou
explicavam que não percebiam a “charada”
oculta, que não percebiam como associar os dados
do enunciado de modo a inferir a idade do capitão.
Por exemplo: mesmo que fosse necessário presumir
que o capitão ganhou um animal de presente a cada
aniversário, a expectativa de vida de cabras e
carneiros é bem menor do que 36 anos, portanto
os animais ganhos no primeiro aniversário do capitão
já não estariam vivos. Além disso,
os animais inicialmente ganhos poderiam procriar, e não
havia motivos para supor que o capitão levaria
consigo todos animais que ganhou, além de ser possível
ele ter ganho ou comprado outros animais além dos
aniversários etc. Os alunos mais perspicazes tentariam
enxergar alguma lógica subliminar, não a
encontrariam e tentariam demonstrar a inexistência
de qualquer lógica que conduza a uma solução
unívoca, enquanto os alunos mais superficiais,
ao não enxergarem qualquer lógica explícita
nem implícita, chutariam qualquer resposta, sendo
os chutes mais simples mais prováveis, e como a
adição é a operação
mais simples, isso explica a abundância de respostas
“36 anos”.
O estudo deveria fazer uma Análise Discriminante
entre os grupos que deram a resposta 36 e os que deram
outras respostas, ou mesmo uma Análise de Fatorial
Hierárquica sobre as características dos
alunos em cada grupo de respostas, e o conjunto de características
dos alunos em diferentes clusters de respostas proveria
muitas preciosas informações que ajudariam
a interpretar corretamente o episódio.
Uma refutação simples da explicação
proposta pelos educadores pode ser a seguinte: se a explicação
habitualmente aceita fosse apropriada, seria esperado
que os alunos que responderam “36 anos” fossem
os alunos que tiram melhores notas, pois são os
que percebem melhor a resposta que os professores esperam
receber”. Mas meu palpite é que acontece
exatamente o contrário, e os que responderam 36
ou 16 tiram notas mais baixas do que aqueles que deram
respostas mais elaboradas, porque a eleição
da resposta não é determinada pela vontade
de agradar ao professor, mas por processos cognitivos
com o real objetivo de resolver o problema, e nesse processo
os alunos mais inteligentes tem mais chances de dar respostas
coerentes, enquanto os não tão inteligentes
tendem “chutar”.
No caso do cavalo e de outros animais, a grande diferença
é que eles não compreendem frases longas
e complexas. Cães podem aprender a seguir ordens
simples, baseadas em apenas uma palavra ou poucas palavras,
mas basta pronunciar as palavras-chave num ritmo diferente
para criar confusão ao animal. O Cavalo Hans não
entendia o que era dito, mas reconheceu um padrão
de comportamento das pessoas (ansiedade), e pouco importava
os enunciados das perguntas que lhe eram dirigidas. No
caso das crianças é muito diferente, porque
elas entendem o enunciado, mas não entendem de
que modo poderiam usar as informações do
enunciado para responder ao que é solicitado. Então
algumas crianças concluem que não foram
capazes de entender devido às limitações
que elas possuem, e sabem que possuem, porque estão
igualmente habituadas a não entenderem enunciados
de problemas que fazem sentido e errarem várias
questões de provas por esse motivo. Outras crianças
concluem que há algo de errado com enunciado, porque
estão habituadas a entenderem todos ou quase todos
os problemas cujos enunciados fazem sentido e a acertar
quase todas as questões das provas.
É claro que existe o problema de alguns alunos
realmente darem as respostas que acreditam que os professores
esperam receber, e esse problema requer alguma atenção.
Mas o estudo realizado com a finalidade de corroborar
esta tese apresentou numerosas falhas e não permite
determinar quantas das respostas podem de fato serem explicadas
pela tese que eles propuseram, e quantas são explicadas
de outro modo. E o mais grave é que, nesse experimento
específico, só uma pequena minoria das respostas
talvez possa explicada da maneira que eles gostariam.
Estes e outros erros de metodologia científica
são alarmantemente freqüentes em investigações
em todas as áreas, causando imensos prejuízos
à comunidade. Um erro sistemático desse
gênero vem se repetindo há anos no Shopping
Gararapes, no Nordeste do Brasil, em que estão
sendo implementadas sucessivas estratégias de Marketing
de baixa qualidade, porque as investigações
sobre intenções dos clientes e potenciais
não são realizadas adequadamente, e o prejuízo
já chega a muitos milhões de dólares.
Um pequeno investimento de poucas dezenas ou centenas
de milhares de dólares resolveria o problema de
forma duradoura e eficiente. Muitas outras empresas, instituições
educacionais, órgãos governamentais, entidades
assistências e até países inteiros
(como o Brasil) sofrem imensos prejuízos causados
pela má administração, pela baixa
qualidade de projetos publicitários e econômicos,
por erros nos cálculos de gestão de risco,
por falta de acurácia na gestão de recursos
e gestão de pessoal, por falhas nos processos e
seleção e recrutamento, entre outras imperfeições.
Se você quer assistir à empresa em que trabalha
crescendo e prosperando mais rápido e de modo mais
consistente, faça uma visita à nossa seção
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e produtos”. ;-)