IMC acumula mais evidências de incorreção na fórmula tradicional
É frustrante escrever dezenas de artigos nos quais aponto falhas e apresento soluções a diversos problemas em diferentes áreas, como no método para cálculo de paralaxes estelares, nos procedimentos estatísticos adotados pela Fuvest, vários artigos criticando o uso de estratégias e técnicas obsoletas e infundadas em processos decisórios no Mercado Financeiro etc., e a falta de conhecimento dos especialistas em determinadas áreas sobre tópicos de outras áreas correlacionadas, bem como limitações de discernimento, os impede de enxergar os fatos e os leva a persistir nos erros. No caso do IMC, conforme artigo publicado hoje no UOL, o problema se alastra e se agrava. Embora os especialistas nas respectivas áreas continuem não enxergando as soluções, aos poucos estão pelo menos se dando conta da existência dos problemas, pois ainda que se recusem a entender os artigos nos quais exponho os fundamentos teóricos que prevêem a existência dos problemas, que explicam as características destes problemas e que descrevem os procedimentos para os resolver, os fatos se encarregam de materialilzar estes problemas com efeitos desastrosos para os usuários das ferramentas inadequadas e, querendo ou não, compreendendo ou não, são forçados a admitir que os erros estão lá.
O artigo em que apresentei uma fórmula apropriada para o cálculo de IMC foi escrito em 2004, bem como a solução foi encaminhada à world health organization, mas não recebi resposta e insistem em adotar um procedimento ridiculamente incorreto. Quando eu era mais jovem e diplomático, era também mais tolerante, mas se levar em conta a imensa quantidade de pessoas inocentes que são prejudicadas devido à incompetência e arrogância de quem insiste em fazer o que é errado, e a completa indiferença que demonstram quando alguém os corrige, com essa conduta foram progressivamente esgotando minha paciência até chegar ao ponto atual. Em se tratando do IMC, o problema é especialmente grave porque a grande maioria das pessoas prejudicadas com diagnósticos incorretos são crianças com menos de 10 anos. Talvez eu publique um livro sobre o assunto (IMC), nos próximos meses, denunciando a negligência que está ocorrendo.
Convém chamar a atenção para o fato de que o erro no cálculo de IMC, por ser o método a partir do qual se constróem as tabelas baseadas em maiores amostras, por ser o método de mais rápida aplicação e mais extensamente utilizado, ele indiretamente distorce todos os demais métodos, como uso de adipômetro, impedância elétrica etc., que fazem medidas individuais e adotam tabelas próprias, porém direta ou indiretamente acabam recorrenco às tabelas de IMC e acabam produzindo resultados distorcidos.
Enquanto isso, continuam cegos e publicam mais um artigo em que se lamentam pelas falhas presentes na fórmula utilizada para cálculo de IMC. Segue cópia da mensagem recebida do amigo Paulo Santoro:
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Oi, Melão, tudo bem?
Só li o comecinho da reportagem abaixo, e não analisei, somente pensei que poderia ter relação com o equívoco do IMC. Aí vai colado abaixo. Não mando o link porque é exclusivo de assinante UOL.
Abraço!
Paulo
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quando o peso engana
Estudo com mais de 2.000 pessoas mostra que 62% daquelas que estão com peso adequado têm muita gordura corporal, ficando mais sujeitas a problemas de saúde ligados à obesidade
AMARÍLIS LAGE
DA REPORTAGEM LOCAL
E ntão você sobe na balança, vê o ponteiro bater
no peso adequado e suspira aliviado: por enquanto, está livre de todos
aqueles problemas que a obesidade traz, como diabetes, hipertensão etc.
Será? Há duas semanas, pesquisadores da Clínica Mayo, nos
EUA, divulgaram um conceito que pode tirar o sono (e o apetite) de muita gente:
a "obesidade do peso normal".
O termo foi criado após um estudo no qual foram avaliadas 2.127 pessoas
com IMC (índice de massa corporal) considerado adequado. O IMC é
um dos métodos mais populares no que se refere à obesidade: consiste
em relacionar o peso à altura por meio de uma equação (veja
o quadro ao lado) e ver o resultado em uma tabela; se o número estiver
entre 18,5 e 25, o peso é considerado adequado.
O que a pesquisa constatou, porém, é que essa conta não
é tão simples: o IMC não distingue a massa muscular da
gordura, e é aí que mora o perigo.
Como a gordura é mais leve do que a massa muscular, a substituição
de músculos por tecido adiposo pode ocorrer sem alterações
sensíveis no peso. E foi isso que os pesquisadores verificaram: mais
da metade das pessoas analisadas tinha excesso de gordura corporal -mais de
30%, no caso das mulheres, e mais de 20%, no caso dos homens.
O resultado desse quadro é preocupante: ao avaliar a saúde dos
participantes, os cientistas descobriram que, mesmo com um peso normal, quem
tinha excesso de gordura corporal estava mais vulnerável a doenças
tipicamente associadas à obesidade.
"As pessoas com 'obesidade do peso normal' tinham 2,5 vezes mais chances
de desenvolver síndrome metabólica do que quem não tinha
o problema. O risco de anormalidade no nível de colesterol ou de marcadores
de risco cardiovascular, como alto índice de triglicérides, era
aproximadamente duas vezes maior", disse à Folha o autor do estudo,
Francisco Lopez-Jimenez, cardiologista na Clínica Mayo em Rochester,
EUA. O próximo passo, diz, é mensurar o risco que essas pessoas
têm de morrer por problemas cardíacos.
Ao todo, 62% das pessoas pesquisadas foram diagnosticados com "obesidade
do peso normal", de acordo com o pesquisador mexicano.
No Brasil, não há dados equivalentes. O que se sabe é que
43% da população está acima do peso (com IMC superior a
25), segundo o "Mapa da Saúde do Brasileiro", divulgado neste
ano pelo Ministério da Saúde e pela USP (Universidade de São
Paulo). O problema atinge principalmente homens: 12,9% têm obesidade -o
que, no país, é definido como um IMC superior a 30.
Para Ana Dâmaso, professora do departamento de biociências da Unifesp
(Universidade Federal de São Paulo), a descoberta da Clínica Mayo
sobre um novo padrão de obesidade reflete mudanças importantes
que a sociedade sofreu nas últimas décadas: passamos a ter uma
alimentação pior e a fazer menos exercícios. Isso alterou
o padrão de composição corporal. Hoje, somos mais propensos
a ter menos músculos e mais gordura do que os nossos avós.
Há vários métodos para medir a gordura, mas não
tão simples quanto o IMC. "O IMC está menos sensível
do que há 30 anos. Agora, mesmo quem tem o IMC normal pode ter excesso
de colesterol ruim, glicemia alta e outros problemas decorrentes do padrão
alimentar e do sedentarismo", diz Dâmaso, que desenvolve pesquisas
sobre obesidade no Cepe (Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício),
da Unifesp.
"Esse estudo soa como um alerta: a procura de fatores de risco para doenças
cardiovasculares e diabetes não deve se limitar às pessoas que
são visivelmente obesas", afirma Márcio Mancini, presidente
da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da
Síndrome Metabólica).
Barriga e coração
Um dos principais riscos decorrentes da obesidade -tanto em seu conceito tradicional
como na nova "obesidade do peso normal"- é relacionado à
saúde cardiovascular. E, nesse sentido, a principal vilã é
a gordura visceral.
Localizada no abdômen, essa gordura envolve órgãos como
coração e pulmões e possui um "funcionamento"
específico: "É como se a lipólise [quebra de gordura]
fosse feita em maior quantidade, com um menor controle de qualidade", explica
Ruy Lyra, presidente da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).
Além de afetar a ação de substâncias como os hormônios
sexuais, a gordura visceral libera uma quantidade maior de ácidos graxos,
que podem se acumular no fígado, levando a uma piora dos índices
do colesterol "ruim" e estimulando a produção de glicose
-o que, em pessoas com predisposição, pode levar à resistência
insulínica e ao diabetes.
Esse acúmulo de gordura visceral depende de aspectos genéticos
e de fatores comportamentais, como o consumo elevado de alimentos ricos em gorduras
saturadas e o sedentarismo. Pessoas com um corpo em forma de maçã,
no qual braços, pernas e rosto são finos, mas o tronco é
largo, têm mais chances de acumular gordura visceral -gerando a famosa
"barriga de chope".
Esse modelo atinge mais homens e mulheres na menopausa e também tende
a se tornar mais comum com o avançar da idade, afirma Thomas Szegö,
presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica
no Estado de São Paulo. Já as mulheres em idade fértil
costumam ter o corpo em forma de pêra, com acúmulo de tecido adiposo
nas pernas e na região dos quadris.
De modo geral, a gordura subcutânea é considerada menos danosa
para a saúde cardíaca, mas isso é questionado por Lopez-Jimenez,
da Clínica Mayo. Segundo ele constatou na pesquisa, as pessoas que apresentaram
"obesidade do peso normal" e maiores riscos cardiovasculares não
tinham, necessariamente, uma barriga avantajada.
"A gordura visceral parece ser mais ativa na produção de
substâncias nocivas ligadas a doenças cardíacas. Mas, parece
que a importância da gordura subcutânea na parte superior do corpo
(tórax, braço e mesmo ao redor do abdômen) tem sido negligenciada",
diz.
"São necessários mais estudos para determinar qual distribuição
de gordura é mais associada a riscos cardiovasculares, porque nós
não acreditamos que isso seja tão simples quanto dividir a gordura
em visceral e subcutânea", afirma. Uma possibilidade levantada pelo
pesquisador é que a diferença esteja na gordura da parte superior
do corpo em comparação à localizada nos quadris e nas pernas.
Segundo o estudo da Clínica Mayo, só um em cada dez participantes
com "obesidade do peso normal" tinha uma circunferência abdominal
acima do indicado -o limite norte-americano, porém, é diferente
do brasileiro (leia quadro na página 6). Na pesquisa, o valor adotado
foi de até 102 cm para homens e 88 cm para mulheres.
Tendência
Para Mancini, da Abeso, o estudo da Clínica Mayo aponta para uma direção
comum a várias áreas: a busca por limites cada vez mais restritivos
em indicadores de saúde. Ele cita como exemplo a redução
dos valores máximos de glicemia, de colesterol e de hipertensão
-neste último, a recomendação é que pessoas com
fatores de risco como diabetes busquem manter a pressão num índice
ainda mais baixo do que 12 por 8.
"Esses limites estão sendo reduzidos porque, no fundo, não
existem esses valores de corte. No que diz respeito ao IMC, o limite é
25, mas sabe-se que quem tem 20 está melhor de saúde. A tendência
é esses valores irem se modificando", afirma Mancini.
Além disso, as pessoas têm de atentar para o fato de que é
o conjunto de indicadores que importa, e não só um, ressalta Daniel
Magnoni, cardiologista do Hospital do Coração e diretor do Imen
(Instituto de Metabolismo e Nutrição). Assim como o IMC, o percentual
de gordura corporal não pode ser adotado sozinho.
"Para quem quer prestar atenção na obesidade, as dicas são:
calcule o IMC, observe se a barriga não está grande, busque manter
um estilo de vida saudável, saiba quais são as doenças
recorrentes na sua família e analise as novidades sobre fatores de risco
para saber quais o afetam. Cada uma dessas coisas vai dar um viés diferente,
e, por isso, tudo deve ser avaliado. Não existe uma matemática
ou um teste para a saúde."