Neste artigo, incluí um pequeno desabafo sobre o mundo
dos investimentos e sobre a Wikipedia.
O primeiro artigo que escrevi sobre gravitação quântica
foi “Um breve ensaio sobre gravitação quântica”
(http://www.sigmasociety.com/gravitacao_quantica.pdf),
mas, de acordo com nosso amigo Peter Bentley, Post Doctoral, D. Phil. (equivalente
a Ph.D.), M.Sc. e B.Sc. em Física pela Universidade de Oxford, membro
em Sigma V e de outras sociedades de elevado QI, o meu modelo não pode
ser quantitativamente ajustado aos dados empíricos quando se leva em
conta a existência de outras forças além da gravidade.
Hoje, depois de assistir a um documentário sobre energia escura e matéria
escura, em que os entrevistados falavam destas entidades como se elas existissem
de fato, em vez de tratá-las como hipóteses, que são, fiquei
chocado e relembrei um dos motivos pelos quais a Ciência avança
a passos de tartaruga: os pesquisadores são extremamente dogmáticos
e conservadores, e depois que aderem a um modelo, tratam-no como se fosse algo
real, em vez de entender que um modelo serve apenas como uma descrição
dos fatos sencientes e oferece meios de predizer certos comportamentos e séries
de eventos, os modelos são grosseiras representações da
realidade sensciente. Então comecei a cogitar outras alternativas para
explicar a ação da gravidade em longas distâncias, sem ter
que recorrer à fantasiosa idéia de matéria escura e energia
escura. A primeira solução simples em que pensei foi que a gravidade
pode ter dois componentes: um que diminui com o quadrado da distância
e tem efeito atrativo, e outro que diminui com a distância, porém
com um expoente menor do que 2, e tem efeito repulsivo. Desse modo, depois de
certa distância a gravidade deixaria de ser atrativa e se tornaria repulsiva.
Algo como F = M1*M2/(r^2-k*r^n), em que “k” é uma constante
de valor muito pequeno e com unidade apropriada para manter a paridade dimensional
das unidades, e “n” é o expoente entre 1 e 2. Isso poderia
ser testado empiricamente nas velocidades das Pioneer 10 e 11, bem como na recessão
das galáxias situadas a diferentes distâncias, e assim definir
os valores de k e n, ou melhor, verificar se há valores possíveis
de k e n que atendem à proposta.
Mas nesta “solução” surge imediatamente um problema
grave, que é a falta de uma justificativa plausível para que uma
força pudesse variar com a distância elevada a n, em vez de variar
com a distância elevada ao quadrado, pois num espaço 3D, dado um
objeto massivo “A” do qual parte um fluxo de grávitons aproximadamente
uniforme, isto é com mesma quantidade grávitons emitidos em todas
as direções, e dado um outro objeto “B”, situado a
uma distância r da origem destes grávitons, então a quantidade
de grávitons por unidade de área que vai atingir o objeto B será
inversamente proporcional a r elevado ao quadrado, de modo que o único
valor plausível para n num espaço 3D seria 2. Assim, esta poderia
ser uma solução operacional, mas não conceitual.
Se os grávitons tiverem uma vida finita, isso poderia explicar uma redução
na interação gravitacional entre corpos muito afastados, e para
explicar a repulsão bastaria que os corpos massivos emitissem dois tipos
de partículas gravitacionais simultaneamente: G+ e G-, sendo que os G-
seriam exclusivamente repulsivos e os G+ exclusivamente atrativos. Na origem
da emissão, haveria uma ínfima predominância de G+ sobre
os G-, porém a meia-vida dos G- seria um pouco mais longa. Desse modo,
a curtas distâncias a gravidade seria exclusivamente atrativa e iria progressivamente
invertendo sua atuação à medida que as distâncias
se tornassem maiores, já que os G+ morreriam mais rápido e depois
de certo ponto haveria predominância dos G-. Bastaria ajustar uma equação
que definisse a probabilidade de sobrevivência de um G+ e um G- (em princípio,
creio que um simples ajuste linear daria conta) para que se tivesse um modelo
operacional apropriado, sem necessidade de fantasmas de energia escura ou matéria
escura. Esta seria uma das possíveis explicações que atenderia
tanto ao problema operacional quanto ao conceitual.
Uma variação desta explicação seria
considerar que os grávitons evoluem ao longo de sua existência:
no momento da emissão, eles são atrativos, e vão progressivamente
se tornando menos intensos até que invertem e se tornam repulsivos. Esta
seria basicamente a mesma explicação anterior do ponto de vista
operacional, porém em termos conceituais seria distinta.
Este artigo foi enviado ao amigo Alexandre Prata Maluf, membro de Sigma V, premiado
pela Planetary Society por seus cálculos sobre as posições
de Trans-Neptunian Objects, integrante da equipe que construiu o segundo
maior telescópio ótico do Brasil, o Atlas, com 635mm de diâmetro.
Ele repassou a outro amigo, Domingos, que contestou que neste modelo haveria
violação da conservação do momento angular. No momento
não pretendo analisar a fundo a questão, devido a outras prioridades,
mas talvez o faça no futuro. Mas acredito que a questão da conservação
do momento possa ter alguma explicação relativamente simples,
como em Mecânica Quântica se usa conservação do ISOSPIN,
em vez de conservação do SPIN, como recurso para manter o modelo
adequado ao princípio da conservação. O decaimento do gráviton
em partículas com propriedades apropriadas, bem como ajustes nos modelos
precedentes, creio que poderia solucionar o problema de uma maneira mais satisfatória
do que recorrer à existência de entidades como energia escura e
matéria escura. O Domingos também fez alguns comentários
amáveis, elogiando meu artigo sobre correção no método
para cálculo de paralaxes estelares: http://www.sigmasociety.com/artigos/paralaxe.pdf.
O mesmo artigo sobre paralaxes foi enviado aos amigos Serguei Popov, Nicolau
Saldanha e Ednilson Oliveira. Popov é pós-doutorado e Ph.D. em
Matemática, graduado Summa cum Laude pela Universidade de Moscou, atualmente
é professor na USP e na Unicamp, foi distinguido com vários prêmios
nacionais na ex-URSS e no Brasil, além de alguns prêmios internacionais.
Nicolau Saldanha foi o primeiro brasileiro a conquistar o título de Campeão
Mundial em Olimpíada da Matemática, na IMO 1980, foi pesquisador
no IMPA e no UMPA, Ph.D. pela Universidade de Princeton (a mais respeitada dos
EUA nas áreas de Exatas, por onde passaram Gödel, Einstein, Oppenheimer,
Nash e outros gigantes), pós-doc pela PUC-RJ e ex-Coordenador Nacional
da OBM. Ednilson Oliveira foi Diretor do Dep. Técnico do Planetário
Municipal do Ibirapuera e da Escola de Astrofísica, Diretor do Planetário
do Carmo, pesquisador do LNA sobre sistemas simbióticos, Ph.D. em Astrofísica
pela USP.
Cada um deles reagiu de uma maneira distinta, basicamente diferindo no fato
de serem matemáticos ou não. Popov concordou que a proposta de
meu artigo procede inteiramente. Nicolau fez um comentário que pode parecer
irônico, mas talvez tenha sido sério. Ele disse, com certa indignação
e surpresa: “mas eles não fazem da maneira como você descreveu?”
deixando claro que a maneira como se está fazendo estes cálculos
é tão incorreta que precisaria de uma revisão urgente.
O Ednilson sugeriu que eu enviasse o artigo a Roberto Boczko (USP) e João
Kepler de Oliveira (UFRS). Enviei a ambos e também para a revista Astronomy.
A revista, diplomaticamente, respondeu que, no momento, não havia interesse
na publicação. Kepler e Boczko não se deram o trabalho
de responder. Engraçado que o tema, embora no campo da Astronomia (mais
precisamente Astrometria), é abordado de um ponto de vista estatístico,
e os dois matemáticos que examinaram o artigo concordaram com a proposta
sem nenhuma ressalva. Mas os astrônomos não se manifestaram. Posteriormente
eu soube de um caso bastante ridículo, que depõe fortemente contra
o dogmatismo e a hierarquização que predomina no meio acadêmico:
uma estudante de doutorado em Astrofísica no IAG-USP, a amiga Patrícia
Eiko de Campos, que em sua pesquisa sobre morfologia de galáxias anãs
decidiu usar o teste de qualidade de ajuste de Kolmogorov-Smirnov para calcular
a aderência das distribuições teóricas aos dados
empíricos, seguindo a recomendação de alguns expoentes
mundiais da Astronomia, e adotando a ferramenta estatística apropriada
a esta finalidade (ou Andersson-Darling, nos casos de distribuições
com caudas densas), em lugar do tradicional Chi-quadrado, conforma lhe havia
sido indicado por seu orientador, teve seu intento frustrado. Quando ela disse
que pretendia usar a ferramenta correta, seu orientador discordou veementemente,
pois todos na USP usavam Chi-quadrado como uma ferramenta genérica para
medir aderência, e ela não deveria ter motivo para fazer diferente.
Ela tentou explicar que Kolmogorov-Smirnov era mais apropriado, por ser mais
sensível à forma, e era recomendado na bibliografia internacional
de mais alto nível. Mas o orientador insistiu para que ela usasse a ferramenta
de pior qualidade, em vez de ele se instruir melhor sobre o tema e aprender
sobre como proceder. Ela acabou mudando de orientador, mas não resolveu.
Então abandonou o curso.
A história da Patrícia é bem mais extensa e repleta de
pormenores complexos, mas resumidamente é isso. O caso dela não
é diferente de muitos outros, bem mais trágicos, como George Zweig,
que apresentou o modelo dos quarks antes de Gell-Mann, porém o artigo
de Zweig foi recusado por uma revista especializada, e alguns anos depois Gell-Mann
levou o prêmio Nobel por ter sido “autor” do modelo. Ou o
caso de Georg Cantor, que em sua época foi ridicularizado pelos acadêmicos
que não compreendiam o conceito de conjuntos transfinitos. No meu caso,
um entre meus vários trabalhos é a máquina da invisibilidade,
concebida em 1993, e só em 2003 foi construída por Susumu Tachi,
da universidade Tóquio, que levou todos os méritos. Todos os membros
de Sigma Society sabem que a idéia da máquina da invisibilidade
está descrita no site da Sigma desde 1999, inclusive citada em publicações
na Finlândia, na Bélgica e em outros países, como parte
da questão
29 do Sigma Test. Em alguns sites, inclusive na Wikipedia, chegam ao ridículo
de afirmar que não participei da equipe que construiu a máquina.
É óbvio que não participei. Eu a concebi inteira sozinho,
10 anos antes de Susumu Tachi, e considerando que desde 1999 a Sigma Society
recebeu milhares de visitas de vários países, inclusive do Japão,
eu não ficaria surpreso em saber que a “inspiração”
de Susumu Tachi veio de meus textos, mas também não gostaria de
fazer uma alegação de plágio, porque seria uma ofensa a
Susumu Tachi no caso de ele a ter de fato independentemente cogitado. Na verdade,
pouco me importaria o reconhecimento por um trabalho relativamente pouco expressivo
como este, mas perdendo uma primazia aqui, outra ali, vai se somando tudo e
se tem um prejuízo considerável.
Por falar em Wikipedia, embora ela seja um belo projeto e seu idealizador mereça
meu respeito por esta louvável iniciativa, e a versão inglesa
seja uma das melhores fontes de informação que existe, sempre
atualizada, com conteúdo de alta qualidade e primorosamente editada,
bem como as versões espanhola, francesa, alemã e outras, em contrapartida
a versão portuguesa é deplorável em diversos aspectos.
Mais de 99% de minhas contribuições no artigo Forex foram removidas,
deixando o artigo paupérrimo, por simples ignorância e prepotência
de alguns administradores, que editam artigos sobre temas que desconhecem, e
por negligência dos demais administradores, que não se manifestam
com a necessária diligência e responsabilidade. Artigos sobre Educação,
Psicometria, Inteligência, QI, Astronomia e outros, foram também
degradados pelos administradores, que removem informações corretas
sem nenhum critério, e alguns chegam ao absurdo de pedirem para citar
fontes sobre artigos que mencionam inovações, sobre as quais é
evidente que não existem precedentes justamente por serem inovações.
Não é como no livro de H. G. Wells “Terra dos cegos”,
talvez seja um pouco pior.
No Mercado de Investimentos, uma importante vantagem em comparação
a outras áreas é que se um modelo está correto e cumpre
sua função de fazer predições eficientes sobre determinados
fenômenos, mesmo que não se tenha uma explicação
apropriada para isso, ou mesmo que a explicação não seja
a mais correta, basta que o modelo seja intuitivamente correto para que os resultados
se materializem e produzam ganhos consistentes. Não importa se as pessoas
entendem porque o método funciona, não importa se não acreditam
que ele funciona muito acima das expectativas, não importa se os pareceristas
de revistas especializadas simpatizam com o modelo ou se a comunidade acadêmica
está capacitada para entender o modelo, basta que o modelo cumpra seu
papel e produza resultados corretos. É como disse certa vez o campeão
mundial de Xadrez Emmanuel Lasker: “Na Matemática,
se alguém não gosta de meus artigos, ou se não gostam de
mim porque sou judeu, ou se não entendem o que eu digo, eles me boicotam
e não publicam nem valorizam meu trabalho. Mas no Xadrez, se discordam
de mim ou não entendem o meu pensamento, eu lhes dou xeque-mate”.
Na verdade, estas pessoas não discordavam de Lasker, pois não
se tratavam de opiniões pessoais dele, passíveis de anuência
alheia ou de rejeição. Em vez de opiniões, eram corretas
interpretações dos fatos, por isso discordar do que ele dizia
implicava discordar dos fatos, pois enquanto a maioria só consegue enxergar
o próprio umbigo e tenta impor a vontade pessoal a tudo e a todos, existem
alguns poucos, como Lasker, que não tentam impor nada a ninguém,
mas tratam de investigar meticulosamente a realidade e compreender tudo, e as
idéias que Lasker tinha sobre Xadrez, Filosofia, Matemática, Psicologia
e outros campos não eram meras opiniões, mas sim profundas e acertadas
interpretações da realidade. Do mesmo modo, todos podem discordar
do Mercado, e a maioria realmente discorda e tenta impor ao mercado suas crenças
pessoais ou crenças que adquiriram em livros e cursos, e acabam sendo
assolados com o peso da verdade, que os esmaga sem compaixão. Mas alguns
poucos tentam entender como o Mercado funciona, em vez de discordar dele, e
esta ínfima parcela de pessoas que de fato atinge o objetivo de compreender
o Mercado, a seu devido tempo, é recompensada na justa medida de seus
méritos. A qualquer pessoa é facultado o direito de lutar contra
os fatos, mas ninguém pode vencer os fatos.
A imparcialidade com que o Mercado se comporta é um dos motivos pelos
quais este campo tem me atraído mais do que qualquer outro. Se no Mercado
eu não conseguir bons resultados, é por minha falta de capacidade,
não porque alguém não me entende ou não gosta de
mim. E se eu tiver a capacidade necessária, pouco importa se os outros
entendem o que eu faço ou como eu penso, o que importa é que os
resultados falam por si.