Entrevista com George Soros
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Recentemente um dos homens mais ricos do mundo, George Soros, esteve no Brasil para negociar sobre os investimentos que fará em combustíveis alternativos em nosso país. O Brasil vem ganhando destaque internacional não apenas no seguimento de fontes alternativas de energia e propelentes, mas também na Economia, fato que se reflete na decisão de Warren Buffett, que chegou a ser o homem mais rico do mundo, e está investindo em nossa unidade monetária, comprando Reais, pois acredita tratar-se de uma das moedas mais fortes do mundo e com melhores perspectivas de valorização a longo prazo. Buffett foi a pessoa mais rica do planeta até ser ultrapassado por Bill Gates, no final dos anos 1990. As ações da Microsoft, que custavam US $ 0,27 em 1987, dispararam até US $ 59,97, no final de 1999 (a “bolha”), para depois desabar até cerca de US $ 26,00 no ano seguinte, e até hoje continua oscilando no intervalo de US $ 25,00 a US $ 35,00. Enquanto a Microsoft disparou a subir, ao ritmo de 54% ao ano entre 1987 e 1999, e depois caiu 67% em 12 meses (dezembro de 1999 a dezembro de 2000), Buffett continuou crescendo consistentemente, ano após ano, ao ritmo médio de 23,5% por ano, e em 2006, com patrimônio de 52 bilhões de dólares, estava prestes a ultrapassar novamente Bill Gates, que estava com 56 bilhões, no entanto Buffett preferiu doar 85% de seu patrimônio para fins assistenciais, o maior gesto filantrópico da histórica em volume de dinheiro doado (embora outros atos não envolvendo dinheiro possam ter sido muito mais expressivos, como os jejuns de Gandhi, por exemplo).
Soros é o segundo investidor mais bem sucedido do mundo
e um dos mais talentosos da história. Muitos o consideram mais habilidoso
do que Buffett, e asseveram que Soros só não é o investidor
mais rico porque começou seu fundo de investimento muitos anos depois
de Buffett, em 1969, enquanto Buffett já investia desde 1957. Na época
em que Soros começou com 1,3 milhões, o fundo de Buffett já
estava com 17,5 milhões, portanto, mantendo a paridade, seria esperado
que hoje Buffett fosse 13 vezes mais rico (antes de doar 85% de seu capital),
porém Soros tem atualmente 8,5 bilhões contra 52 bilhões
de Buffett, ou seja, o crescimento de Soros foi duas vezes maior que o de Buffett
neste período, com ganho anual médio em torno de 26%. Aliás,
se considerar exclusivamente o período em que o próprio Soros
administrava seu fundo (pois agora é administrado por seu aluno Duckenmiller),
o crescimento anual médio foi de 32,9% ao ano.
Ao contrário de Warren Buffett, que faz uma ou duas operações
por ano, às vezes uma a cada dois anos, comprando e segurando (buy
and hold), como fez com Coca-Cola, McDonalds, American Express e outras
empresas em que se tornou cotista quando ainda eram pequenas, o estilo de Soros
é bem diferente, ele é um investidor mais arrojado, opera com
alavancagens, entra e sai numa posição com rapidez, sem permanecer
muito tempo com a mesma empresa. Ele é uma mistura de investidor e especulador
e tornou-se mundialmente famoso com a quebra da libra esterlina, em que ganhou
1 bilhão de dólares num único dia (mais do que a fortuna
inteira de Sílvio Santos), um ganho comparável ao de Jesse Livermore,
maior especulador da história, que ganhou 100 milhões de dólares
com a quebra da Bolsa de Nova Iorque, em 1929, equivalente a cerca de 5 bilhões
de dólares nos dias de hoje.
Soros foi aluno de Karl Popper e almejava seguir carreira acadêmica e
produzir algum trabalho original de peso em Filosofia. No entanto nunca atingiu
este objetivo e, com muita humildade, Soros declarou em várias ocasiões
que ele se considera um filósofo fracassado. Isso me faz lembrar a um
professor de Latim de Einstein que disse a ele: “Albert, você nunca
servirá para nada”. E Isaac Asimov, em sua biografia de Einstein,
ao relatar este episódio, comenta que provavelmente Einstein foi o “fracassado”
mais famoso da História. Mas é provável que Asimov esteja
equivocado, porque a quantidade de gigantes da Ciência, do Esporte, da
Arte e dos Negócios que foram alvo de injúrias, ofensas, críticas
levianas e infundadas é tão grande que provavelmente há
muitos outros tão famosos quanto Einstein que também passaram
por esse tipo de situação em algum momento. Um professor de música
de um integrante dos Beatles, por exemplo, disse que a música dele era
horrível, que ninguém poderia suportar ouvir aquilo e que ele
não tinha a menor vocação para a Música. Esta reação
é normal toda vez que alguém surge com idéias inovadoras,
e de certo modo é uma reação natural, e não de todo
errada, já que mais de 99,9999% das idéias inovadoras são
ruins, então ganha-se mais seguindo as tradições do que
inovando, porém quem segue esta doutrina conservadora perde oportunidades
fantásticas quando depara com novidades realmente excepcionais. A sensibilidade
para descartar o “vulgar artesanato representado pela multidão
de idéias inovadoras medíocres” e reconhecer a “Fina
Arte que representa as idéias inovadoras e revolucionárias”
é o que distingue os homens de sucesso mediano daqueles de sucesso extraordinário.
Para ter sucesso mediano, basta imitar o que já se sabe que dá
certo. Para fracassar basta fazer algo novo ruim. Para ter sucesso extremo é
preciso inovar com coerência e consistência.
Quando Soros se resignou a admitir que sua aptidão para a Filosofia era
limitada, acabou descobrindo seu talento maior, para os negócios, aliás
ele revelou ter um dos maiores talentos de todos os tempos para esta área.
Na verdade, Soros nunca abandonou a Filosofia e sempre foi uma mistura de filósofo,
investidor e especulador. Popper, para quem não conhece, foi pai e mãe
da moderna Metodologia Científica, e com ele Soros aprendeu alguns dos
princípios que o levaram a se tornar um dos homens mais ricos da história.
Com seu meticuloso pensamento analítico, seu amplo conhecimento da Macro
Economia, seu notável feeling para os negócios e os fundamentos
da Metodologia Científica que aprendeu com Popper, ao longo dos últimos
40 anos, Soros tem sido capaz de prognosticar o comportamento dos preços
no Mercado Financeiro com extraordinário índice de acertos.
Soros não inovou na Filosofia, como desejava, mas foi um dos primeiros
a usar Filosofia e Ciência no exame do Mercado. Descartes, Pascal e Fermat
já faziam isso no século XVII, mas por algum motivo estranho,
este hábito mudou e atualmente é muito mais comum o uso de métodos
esotéricos na tentativa de predizer o comportamento do Mercado. Assim,
com o diferencial de usar Ciência e Filosofia, Soros conquistou uma posição
de destaque entre os melhores investidores da história.